Relato gay – O mundo invisível de Wicked


Ao receber esse relato, história real de um leitor do Blog, devorei o texto e me vi ansioso para postar logo. Demorei mais para pensar numa boa introdução que representasse com fidelidade esse caso. O relato gay de Wicked é comovente e vem do centro da diversidade de nosso país, de uma dimensão as vezes invisível aos nossos olhos, que o leitor soube – de maneira autêntica – expressar. Expressar, acima de tudo, com o coração.

Olá, MVG.

Você abriu um espaço pra desabafar e até comentei com você num dos posts que um dia iria fazer isso. Bem esse dia chegou e eu me sinto bem em escrever. Sempre fiz questão de escrever pra desabafar, seja em diários, finais das folhas de caderno, poeminhas, música… e agora vou fazer um GRANDE desabafo nesse e-mail, sobre uma experiência que aconteceu ontem comigo. Pegue pipoca, um refri que a coisa vai ser longa! Kkkk

Pode me chamar de “Wicked”, tenho 21 anos, desempregado, que sonha um dia em se tornar músico.

Ontem, 17/09, numa segunda-feira extremamente quente em SP [quase um Saara] quis comprar um livro que sempre fiquei paquerando em um dia comprar. Poderia compra-lo num lugarzinho aqui perto de minha casa, não precisaria pegar um ônibus nem metrô, mas estava com vontade de ir para a Avenida Paulista.

Eu tenho um amor platônico pela Avenida Paulista. Fui lá 3 vezes: a primeira [2009] e a segunda [2010] para prestar vestibular na qual não passei [só coloquei o local da prova aos redores da Avenida Paulista simplesmente para conhecer esse local que me apaixonei mesmo nunca tendo ido nele, tipo Nova York que também sou apaixonado e nunca fui lá]. É lindo o local: a ambição, o poder, o sonho, tudo representando numa avenida. Na terceira vez [2012] foi para uma entrevista de emprego que queria demais porque ia ser no lugar aonde tanto gosto, porém não passei também.

Ok, eu tenho amor pela Paulista, mas não parei para admira-la ou explora-la devidamente. No stress e o medo do futuro do pós-prova de vestibular, minha vontade era de correr para minha casa e fugir; e foi o que eu fiz. Na entrevista de emprego não tava com cabeça para passeio, dor de cabeça e só queria ir para minha cama.

Nesse ano eu li um livro, muito famoso nos anos 80, chamado “Feliz Ano Velho” [uma autobiografia pós-acidente] por Marcelo Rubens Paiva. Ele é paraplégico e no livro ele queria realizar uma promessa de ir a Avenida Paulista receber um vento na cara, admirar o lugar, pós-hospital que ele ficou meses e meses plantado. Ao ler, dentro de mim uma voz dizia “Eu também sempre quis receber um ventinho da Avenida Paulista na cara, curtir o lugar, mas você nunca foi para lá passear. Podemos ir um dia desses desses só por amor a esse lugar???”. “Sim”, disse a mim mesmo.

E aqui começa a 4° vez que fui a Avenida Paulista:

Boto uma camiseta com gola “v” e que tem brilhos nos ombros. Era nova e minha mãe acabou de comprar. Nunca tinha usado, quis usar porque era uma ocasião especial. Ela tinha medo que eu não gostasse, suspeitei porque acho que ela achou que era bem gay e eu não gostasse de roupas que fugisse do estereótipo hétero, mas eu adorei e não temia usa-la. Ela disse que comprou porque achou a minha cara *_*

É tão bom usar aquilo que se sente bem. Ao vestir eu sinto dentro de mim “Sim, é bem gay. Do jeito que eu sou e nasci. E olha, ela linda, como eu”. Minha autoestima estava fervendo, podia fazer um miojo em cima dela.

Eu sou assumido a minha mãe, desde o ano passado [2011], mas ela não toca nessas questões gays. Eu me assumi e acabou o assunto.

Ela disse no dia em que me assumi que me ama e que não mudaria nada e perguntou se eu tava com alguém [geralmente gays se assumem quando tão ficando com alguém]. A resposta foi um “não” triste. Nunca namorei, nunca transei, nem beijei homens [ela não sabe dessa parte, nem ninguém… isso eu guardo comigo e tenho medo de contar, um orgulho masculino. Ainda virgem com 21 anos de idade?!?!?!?!]. Nem com mulher eu me relacionei.

Eu tenho bloqueios para me relacionar com outros homens devido a duros anos de bullying, medo, preconceito contra mim mesmo, orgulho, entre outras coisas. Foi uma briga lutar contra tudo isso e finalmente botar as cartas na mesa a minha mãe.

Se a pergunta é como eu tenho certeza que sou gay se nada acontece comigo e um outro homem? Meus hormônios tem a resposta junto com os sites pornográficos que acesso Kkkk. Sempre soube que era gay, apesar de anos tentar esconder o fato.

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Ok, me vesti. E acessei ao “Minha vida Gay” antes de ir embora para fazer uma coisa que quando acessei esse site pela primeira vez há algum tempo, meu eu disse “Eu tenho que ir a esses lugares”.

Eu nunca fui ao meio GLS e queria um dia ir a esses lugares para encontrar gente como eu. O post “O que fazer nos finais de semana | Gay” mais o post “Dicas rápidas de baladas GLS em SP” mostrou os lugares que eu queria visitar. Anotei endereço e fiz mapinha a mão [não tenho impressora], no Google Maps para ir visitar esses lugares que ficam na Paulista ou perto dela.

Anotado o endereço e feito o mapa, fui a caminho da Avenida Paulista.

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Pessoas me olham estranho quando saio da porta. Pessoas continuam a olhar estranho a mim quando ando pelas ruas em direção ao ponto de ônibus. Um homem que não sei quem é e nem vi, e também não olhei para saber se era comigo, gritou “viado velho”. Continuei andando e sorri pensando “Não sei se o que disse foi para mim. Mesmo que fosse, para me fazer me sentir ruim tinha que ser cara-a-cara. Tinha que dizer ‘hey, é com você que eu disse'”. Continuo não saber se o que disse foi para mim, mas sei muito bem que sou viado, gay, bicha e ninguém precisa me dar uma advertência para me falar quem sou eu. Eu sei quem sou, e sou viado sim. O viado mais feliz e bem-vestido do mundo inteiro. Eu estava tão de bem comigo mesmo e não abaixei meu humor por nada e nem por olhares.

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Ônibus… metrô. Subindo as escadas naquele calor, finalmente cheguei na Avenida Paulista.

Vou a livraria comprar o livro que tanto queria. Eu amo livros e o lugar era repleto deles. Podia ter milhões deles ali, prontinhos para serem comprados por mim. Só tinha dinheiro para comprar um, infelizmente livro é caro no Brasil. Mais caro ainda por ser livro famoso, estrangeiro, recém-lançado, best-seller e que vai virar um filme e ser febre para o mundo inteiro.

Comprei o livro, fiz um carinho nele na sacola dizendo em pensamento “Pode ser caro, mas você tinha que valer isso por ser um livro muito bom. Seremos bons companheiros”.

O calor era infernal, eu tinha a consciência disso, mas não sentia tanto calor como deveria sentir. Estava entorpecido da sensação “Eu comprei meu livro, estou finalmente na Paulista e vou visitar os locais que o ‘Minha vida Gay’ sugeriu”.

Fui para a “Padaria Bella Paulista”, o Sol forte na cara, pessoas passando, eu admirando os prédios enormes como se fosse um caipira que acabou de chegar na cidade grande. Meu gaydar [o sétimo sentido para adivinhar quem é gay] apitava muito. Tem muitos gays na Avenida Paulista e ao redor dela. Muitos mesmo. Claro que héteros são a maioria, mas tem uma quantidade admirável de gays que me surpreende. “Cara, definitivamente Avenida Paulista é o meu lar!”, pensei.

Olhando os prédios e as pessoas bem vestidas pensei “É, se um dia eu ficar rico, esse lugar pode ser minha casa de verdade. Mas SE…SE…SE eu for rico”.

Cheguei na Padaria e olhei por fora como era. “Um dia irei comer aí, quando tiver amigos, traze-los, ou um namorado quem sabe ou mesmo sozinho, mas hoje não. Só quis te conhecer. Prazer em te conhecer”, pensei.

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Uma coisa que soube quando fui entendo melhor o meio gay, tendo contato com eles lea Internet é que balada era um lugar libertador. Sabe, Igreja faz exorcismo das coisas ruins e os gays tem essa “Igreja” que tira os seus espíritos ruins [preconceito, medo, solidão…], seus espíritos se elevam para alegria, seja pela música, pelo sexo, as pessoas…

Nunca fui numa balada [nem hétero e nem GLS] , não me imagino dentro de uma balada, odeio multidão, pessoas me apertando… e eu quis conhecer essa “Igreja” dos gays para um dia quem sabe eu ir e tenha melhor uma opinião sobre o que eu evito conhecer.

“Minha Vida Gay” sugeriu uma balada que achei perfeito para uma pessoa como eu que não conhece muito bem o meio GLS. Uma balada só me chamou a atenção e foi pelas palavras que o post dizia: “Funciona bem para os gays que ainda estão descobrindo esse mundo!”. Meu destaque dessa frase tirada do post foi para o “…que ainda estão descobrindo esse mundo!”. A balada a que a frase se referia era a balada “A Lôca” na Frei Caneca.

Era ainda de tarde, o Sol não deu descanso a ninguém e eu andei em busca desse local da balada para saber exatamente aonde tenho que ir quando um dia eu for. Andei, andei, andei, andei, andei…. pra lá e pra cá e nada de eu encontrar a Frei Caneca. Vi muitos gays no caminho sim. No MASP [veja onde eu fui para pra encontrar a Frei Caneca Kkkkkkkkkkkkk] até ouvi alguém no sentido ruim da palavra gritar “Viado” quando eu tava passando por detrás do MASP e pensei “Não importa o local, tendo muitos gays ou não, preconceito tem em toda parte. Inclusive, Wicked, na Paulista o que não falta é noticiário falando que um gay foi atacado. Você pode ser o próximo.  Continuei andando atrás da Frei Caneca” e respondi uma pergunta que não foi feita: “Se eu morrer na Avenida Paulista por um homofóbico, morrerei feliz. Porque eu tô feliz e aceito o jeito que eu sou”.

Continuei procurando a Frei Caneca e vejo um casal gay, muito lindo a cena e eles também aliás, se abraçando andando felizes. Pensei: “Apesar do medo, do preconceito que terei que enfrentar, um dia quero andar de mãos dadas com um namorado meu. De mãos dadas, sim. Assim como um casal que vi na 2° vez que fui na Paulista, quando já estava de saída”,  e fiquei feliz por eles. Feliz demais por eles. Queria ter a coragem e fazer a minha vontade de chamar eles e dar meus “Parabéns” de todo o meu coração. “Parabéns pelo amor, pela coragem de ser quem são, tudo”.

Ainda na luta para achar a Frei Caneca, passei umas três ou quatro vezes pelo “Shopping Center 3” do lado de fora. Fiquei pensando: verdade, esse local também está no roteiro que anotei do “Minha Vida Gay”.

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Não achei a Frei Caneca, e dei uma pausa nas buscas dela para entrar no “Shopping Center 3” que passei toda hora, e que não resisti ao pedido do Shopping:  “Vem cá, Will, vem me conhecer”.

Entrei no Shopping e estava atrás de um grupo de amigos muito animados. Claramente meu gaydar apitava dizendo que os meninos eram gays, as meninas eu não tenho um gaydar apurado. Tinha muitos gays no Shopping. Mas ver a cena desses amigos todos animados, se divertindo, não me fez bem. Um voz dizia “Eles se divertindo, e veja só Will, você não tem amigos. Só colegas de Internet. Mas cadê as suas amizades, Will? Você se lembra quando você mentia a todos os seus que era hétero? Você se lembra que não achou que eles o aceitariam como você é e perdeu o contato de propósito para começar um círculo novo de amizades em que você fosse transparente? Cadê esse círculo? Por que você anda sozinho? Por que você não tem ninguém para quem conversar quando falta energia na sua casa e você não tem um computador? Para quem pedir um conselho de amigo? Quem você irá levar para aquela linda Padaria que você descobriu hoje se você não tem amigos, nem namorado? Se lembra que você odeia andar sozinho sem companhia para algum lugar?”.

Não subi nem desci no Shopping. Fiquei no térreo ainda andando atrás do grupo de amigos até encontrar lá um lugar para comer. Vejo muitas mesas vazias e cadeiras vagas e algumas pessoas comendo. Mas ao ver as cadeiras vazias eu pude me ver na imaginação, eu sozinho comendo meu lanche de cabeça baixa, triste. Triste porque não teria ninguém para ocupar as cadeiras ao meu redor. NINGUÉM.

Não sei se esse shopping tem cinema, mas minha imaginação pensou eu sozinho no cinema vendo casais aos beijos, e o filme nem mais é interessante depois da cena a minha frente. Sim, eles estão juntos e eu sem ninguém. Sem amigo para trazer ao cinema. Os meus aniversários, quem vai se lembrar? E se eu morrer hoje na Paulista quem vai ao meu enterro? Eu não tenho ninguém. Ninguém.

Meus olhos alertaram: “Lá vem as lágrimas, Will, saia daí IMEDIATAMENTE!!! Sai Will, SAI!!!!”.

Saí sem melhor conhecer o Shopping. “Desculpa, Shopping, numa próxima vez quem sabe”.

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Dei uma respirada. Apesar do show de verdades que tive dentro do Shopping, não quis ficar triste por aquilo. Não por hoje. Esse era meu dia, cabeça erguida e continuei na busca incessante pela rua Frei Caneca. Andei, andei, andei, andei. Sol na cara não deu trégua, mas não sentia tanto calor assim. Vi um policial ao longe e uma voz dizia “Vai lá falar com ele”.

Botei coragem na alma e fui até ele pedir informações. Ele me falou aonde era a Frei Caneca, meio estressado, mas não levei pro pessoal. Tenho certeza que é por estresse de trabalho. Conheço esse tipo, meu pai parece um vulcão quando chega em casa nesse estado, justo no lugar onde ele deveria relaxar pós-trabalho.

Indo pelas coordenadas que o policial estressado me deu consegui chegar na rua Frei Caneca. Andei muito até lá. Vários gays por todas as partes e cheguei na balada “A Lôca”. Vi o lugar trancado, claro, é tarde do dia, mas olhava ele de cara feia. “Ainda não me imagino indo pra cá”, pensei.

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Fui de volta pra casa. No metrô eu não tava passando bem. No ônibus minha mão ficou muito rígida, tive que usar muita força para mexer. Não era desidratação porque eu levei água comigo, mas não passei bem. Se eu morrer eu morro feliz, eu disse.

Cheguei em casa, feliz pelas minhas recém descobertas. Levei vento e muito Sol na cara, pela Paulista.

A alegria era demais, mas ao acordar no dia de hoje, 18/09, um dia depois da minha ida a Paulista eu fiquei cheio de questões e conclusões a meu respeito:

Não tenho amigos. Não tenho namorado. Não tenho emprego. Não tenho absolutamente nada que me prenda a esse mundo que não seja a família. Eu estou no ponto zero da coisa toda, como um bebê. Como começar? Eu sinto que perdi a vida, mas voltei, estou na ativa, mas por onde começar a arrumar a bagunça que fiz? Como eu ou alguém aceita o fato de eu ser virgem? Como arranjar amigos se não tenho o carisma e a coragem para chegar numa pessoa? Minha vida começou e eu ainda não comecei. Como chegar a ter todas as experiências que eu perdi na adolescência por bloqueios?

Eu não tenho respostas, e meu medo hoje é estar exatamente assim no próximo ano.

22 comentários Adicione o seu

  1. Mateus disse:

    Que tal voltar lá à noite? As coisas se desenvolvem e você acaba esquecendo o tempo perdido.
    Minha vida é semelhante nessa parte de ausência das experiências até uma idade “avançada”: até os 20, não havia tido experiências sexuais. Claro, também nunca havia beijado. Ainda tenho 20 anos, mas recentemente tive essas experiências, foram muito boas e acabei esquecendo o passado. O que importa é o presente, talvez também o presente do futuro.

    1. Wicked disse:

      Também acho que preciso ir lá a noite. É chato andar sozinho a noite e triste ao mesmo tempo, mas quero tentar sim.
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      Super concordo com a parte do presente, e estou sim disposto a mudar o que for necessário para eu ter uma vida feliz agora. E desejo que no dia que me acontecer essas experiências, assim como você, eu esqueça do passado cobrador que invade a minha mente com lembranças ruins.

  2. Sammy disse:

    Antes, só deixa eu fazer uma observação que Wicked é meu musical-preferido-que-nunca-assisti-mas-não-vejo-a-hora-de-assistir hehe.

    Só queria fazer uns comentários pontuais. Primeiro, sobre a balada ser um lugar libertador: garanto que há controvérsias! Claro que acho que você ir pelo menos uma vez, de repente você até gosta, mas, sei lá, não vá com tanta expectativa, ainda mais se você odeia multidões e pessoas te apertando. Enfim, vá, conheça. O máximo que pode acontecer é você não gostar e não voltar mais. Também não precisa ter pressa. Você só tem 21 anos. Não se sinta pressionado a nada. Aproveite a vida com calma. Cada um tem seu tempo. Nesse ponto, já puxo outro viés que é não ter problema algum em você ser virgem ainda. Como disse, cada um tem seu tempo. Não se arrependa do que fez ou deixou de fazer. O importante é você pensar na sua vida a partir de agora. Se não tem amigos, aos poucos você vai conhecendo. Um aqui… outro ali… Você não precisa necessariamente chegar numa pessoa, mas é bom a partir de agora deixar que elas cheguem. Talvez a sua vida no ano que vem ainda não mude tanto em relação a agora, mas não precisa ficar se cobrando quanto a isso, nem ficar ansioso pra que as coisas aconteçam logo. Sua vida é um livro com muitas páginas em branco a serem escritas e o legal é que você (sim, você e não a sociedade) decide como a sua história vai continuar e como essas páginas vão ser preenchidas. Relaxa.

    E só um último comentário: um dia quero aprender a escrever igual você. Você consegue se expressar de um jeito que a gente vai lendo e sentindo as suas emoções. Acho que nunca mais vou ver a Paulista com os mesmos olhos…

    1. Wicked disse:

      Eu também amo o musical, Sammy. Acho lindo a forma como abordam que uma história tem sempre mais de um lado. E me identifico muito com a Bruxa Má do Oeste.
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      Sammy, eu sou a própria controvérsia dessa “Igreja”, mas é injusto da minha parte eu julgar ela por nunca ter ido. Sim, concordo, tenho que ir lá e se não gostar, não gostei e pronto vou embora.

      Só acho que não vou aproveitar a balada devidamente, porque eu sou aquele cara que fica no cantinho escuro quietinho da festa, observando e pra balada eu queria ter alguém com que interagir. Como não tenho esse alguém, o jeito vai ser ir na fé e cair na pista e arriscar. Só espero ter coragem nesse dia quando eu for pra lá.
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      Sim, Sammy, você acertou. Pressão é a palavra dessa questão da virgindade. A pressão aumentou: Logo quando deu 18 anos e veio a ideia de eu ser já de maior de idade, depois com 19 que finalmente deu aquele estalo “sim estou pronto”, 20 quando assumi a minha mãe, 21 já com o pensamento “eu vou ser o cara do filme ‘O Virgem de 40 anos’. É pressão demais, já acho que até criou uma massa no meu cérebro só dedicado a esse assunto.

      Aproveitar a vida com calma, entendo seu conselho… mas eu sinto que a vida tá escapando pelas minhas mãos. Não só pela questão da virgindade. A calma me dá medo de perder a vida e achar minha existência inútil.
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      Pensando no presente eu não sei que passo dar, pra ser sincero com você Sammy. Eu não tenho ideia de pra onde eu vou, eu tô parado olhando todas as direções.

      Ok, aceito a solidão de não ter ninguém até chegar o tempo da aproximação. Mas o que fazer com a vida chata? Eu sinceramente não tenho aquele tesão pela vida pensando agora no presente, e NÃO ESPERO que um namorado, uns amigos venha preencher essa coluna. E juro quero SIM e muito, mais que qualquer coisa do mundo ser uma pessoa feliz com sem alguém.

      Sabe a vida pode até não mudar tanto, eu continuar na mesma, mas eu quero ser só feliz, sabe. Não tô querendo a felicidade da utopia de filmes e livros, mesmo com os baixos e altos. Só quero tá de bem comigo e não me sinto de bem comigo.

      Então, Sammy, em minhas páginas em branco eu escrevo “Eu só quero ser feliz do jeito que der” e colho minhas migalhinhas de felicidade. Meus livros, a música, o vento….

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      Muito obrigado. Pra confessar a você eu ainda quando leio tenho lágrimas nos olhos. Sou emotivo demais. E quando escrevi esse comentário, tive a mesma sensação.

      Brigado de novo pelos conselhos. E sim, vou seguir eles. Muitas felicidades, Sammy.

  3. Fernando disse:

    Oi Wicked,

    Acompanho regularmente o Blog do MVG e não sou de ficar comentando, porque não me sinto em condições de dar conselhos, uma vez que a minha própria experiência pessoal é bastante limitada nesse campo da vida gay…rsrs. Aprendo muito com vocês e há diversas pessoas postando comentários excelentes!

    Contudo, não fiquei imune à beleza e a sinceridade da sua mensagem. Rapaz …. que texto bonito!

    Queria dizer para você não se sentir triste ou constrangido por tudo o que você ainda não fez, mas acha que já deveria ter feito. Como o Sammy disse, aproveite a vida com calma.

    Não se deixe levar pelo que os outros esperam de você, ou queiram impor a você. Claro que é fácil falar e difícil de fazer… Afinal de contas são tantos os desafios, temos de sobreviver e isso fica cada vez mais complicado, mas é possível encontrar um meio termo, um ponto de equilíbrio entre a sua real identidade e as inúmeras pressões externas.

    Quem lhe escreve é alguém muito, mas muito mais velho, e que, no entanto, por motivos outros, também enfrenta essa mesma sensação de vazio traduzida pela sua série de nãos:

    “Não tenho amigos. Não tenho namorado. Não tenho emprego. Não tenho absolutamente nada que me prenda a esse mundo que não seja a família. Eu estou no ponto zero da coisa toda, como um bebê. Como começar? Eu sinto que perdi a vida, mas voltei, estou na ativa, mas por onde começar a arrumar a bagunça que fiz? Como eu ou alguém aceita o fato de eu ser virgem? Como arranjar amigos se não tenho o carisma e a coragem para chegar numa pessoa? Minha vida começou e eu ainda não comecei. Como chegar a ter todas as experiências que eu perdi na adolescência por bloqueios?”

    Antes de mais nada, você é muito jovem, acredite.

    Você não perdeu a sua vida, ela está apenas começando, é como se você estivesse dormindo e despertado agora, bem a tempo de aproveitar a festa… rsrs

    Pior seria ficar décadas nesse sono sem perceber, como eu, e notar , de repente, que a sua juventude já passou e, talvez, pudesse ter sido diferente. Mesmo assim, esse período não foi perdido, pois me permitiu uma constituição interior sólida, que ajuda bastante a viver. É um consolo, mas não diminui em nada a dor…

    Você não fez bagunça alguma, não se culpe. Como disse o Paulo Gaudêncio, grande psicólogo, culpa não é algo que temos, mas algo que sentimos. Trabalhe seus sentimentos.

    Trabalhe também o seu lado racional, você precisa tanto do seu cérebro quanto do seu coração para enfrentar a vida.

    Qual o problema de você ainda ser virgem? Só porque a sociedade cobra?
    Algo que deveria ser expressão de amor virou uma competição descabida? Quem transou com quem, etc. Temos todos de concordar?

    Desenvolva a sua espiritualidade, aquela que aqueça seu coração e não a ditada por A ou B.

    Aos poucos, se você sair do isolamento , se mostrar aberto – mas com prudência – e deixar os outros se aproximarem (novamente o Sammy em momento inspirado…rsrs), as coisas vão entrando nos eixos. Amigos e namorados aparecerão no devido tempo.

    Eu também me isolei absolutamente, para ninguém me descobrir….. Não foi uma boa estratégia, me liguei a Instituições e modos de vida/obrigações que praticamente inviabilizaram a minha vida pessoal, mas me garantiam uma fachada de heterossexual.

    Procure estar em paz consigo mesmo, tenha consciência do seu valor e nenhum bullying será mais eficaz.

    Como você, gosto muito da região da Paulista e em especial da Frei Caneca e, também como você, fico muito feliz ao ver casais gays expressando seu afeto, ainda que seja mais à noite.

    Virá o dia em que será, livremente, sob o sol do meio dia!

    Como o Sammy também não verei mais a Paulista com os mesmos olhos, que ficarão marejados sempre que lembrar do seu relato.

    Tenha certeza de que torço muito por você!

    Abraços,

    Fernando

    1. Wicked disse:

      Aprendi muito com esse blog também, Fernando. Brigado por ter gostado do texto, fico lisonjeado.
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      Fernando, é uma pressão interna dentro de mim que se transforma em tristeza. Claro que tem as externas, mas a interna é a pior. Tenho medo da vida calma demais, Fernando. É como se eu perdesse tempo de vida. A ampulheta descendo cada grão de areia e a facada ao meu peito sendo empurrada cada vez mais pra dentro até chegar uma hora que eu não suporte mais. Confesso que já dói bastante.

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      Quando li seu comentário do ponto de equilíbrio, eu disse “Sim, eu quero encontrar meu ponto de equilíbrio”. Sim, rola uma pressão externa, mas acredite que tem uma pessoa dentro de mim cobradora. Ela é pior que o Sr. Barriga cobrando 14 meses de aluguel e em vez de despejo de lar ela me ameaça com a infelicidade. Acredita, ela conseguiu.
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      Aprendi muita coisa, sim, Fernando nesse tempo escuro, como você. Realmente não foi tempo desperdiçado, porque olhando numa visão aérea da coisa toda: mesmo que eu tivesse amigos, emprego, namorado…eu continuaria a ser aquela pessoa de antes. Pra falar a verdade eu prefiro essa pessoa de agora. Se eu tivesse essa cabeça antes, eu poderia ter mudado muitas coisas, mas não tenho máquina do tempo.

      Eu quero aproveitar DEMAIS a festa, Fernando, o problema é que como na Frei Caneca….eu não acho a rua da festa. Estou perdido. Não sei mesmo o que fazer comigo.

      Espero que a gente consiga sair dessa sensação de vazio.

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      Seu tapa na minha cara sobre virgindade é o mesmo que tento dar no cobrador. Mas o cobrador resiste firme e forte. Ele tem controle do passado e me mostra que eu não tô avançando. Não no sentido sexual, amoroso da coisa toda. Mas como pessoa. Ele me mostra minhas fraquezas e diz que por causa delas eu continuo virgem. E ele tem razão. Ao mesmo tempo ele e sua ampulheta que carrega na mão com seu sorriso zombateiro me faz querer fazer alguma coisa sobre isso imediatamente.
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      Espiritualidade foi a coisa que me agarrei pra não cair no buraco. Pra falar a verdade, se eu hoje me gosto e aceito o jeito que sou… a espiritualidade me deu a luz pra enxergar.

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      Fernando eu fiz o isolamento propositalmente pra me aceitar.

      Agora, Fernando, sobre isolamento a sensação que tenho é ser livre ao mesmo tempo preso. Estranho eu sei. Mas eu aceito hoje do jeito que eu sou, e me sinto livre…ao mesmo tempo que me sinto preso por continuar na mesma. Eu tô EXATAMENTE da mesma forma da qual eu não me aceitava, da mesma forma que eu me aceitei como sou, e da mesma forma que assumi a minha mãe…e sinto que não mudou nada além da minha cabeça.

      Sim, eu quero as chaves dessa prisão. Sei que a chave não são amigos, namorado, sexo…

      Fernando, eu tô pagando caro por esse isolamento…só me dá tristeza isso.

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      É lindo né Fernando esses casais? Ai como eu adoro.

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      Eu amo a Avenida Paulista e fico feliz por Sammy e você a olharem de outra forma. E brigado pela torcida e também torço por você que temos coisas semelhantes. Brigado pelo conselho e seja muito feliz

      1. minhavidagay disse:

        Wicked,
        que tal conhecer essa turma aÍ?

      2. Wicked disse:

        Olha MVG, a sua ideia não é má, não. Seria uma boa sim.

      3. minhavidagay disse:

        Sammy! Faça as honras! :D

      4. Sammy disse:

        Wicked, clica no meu nome e me manda um e-mail (se mais alguém quiser fazer o mesmo, fique à vontade) ;)

      5. Fernando disse:

        Oi de novo Wicked,

        Que história é essa de ampulheta e facada no peito, menino?
        Não veja a vida como a água que escorre pelos seus dedos, quando você lava o rosto, mas como o processo que permite deixar o seu rosto limpo. Procure vê-la como um conjunto de inúmeros caminhos possíveis, cabe a você escolher qual o melhor, isso toma tempo e não há resposta certa. É assustador mesmo!

        Lá vai um trecho de um poema de Antonio Machado para você refletir:

        “Caminhante, são teus rastos
        o caminho, e nada mais;
        caminhante, não há caminho,
        faz-se caminho ao andar.
        Ao andar faz-se o caminho,
        e ao olhar-se para trás
        vê-se a senda que jamais
        se há de voltar a pisar.
        Caminhante, não há caminho,
        somente sulcos no mar.”

        O caminho que fazemos, somente ao caminhar, deixa sulcos no mar da vida, com suas ondas e correntes, tempestades turbulentas, mas, às vezes, há dias ensolarados, nos quais surfistas gatos podem ser avistados, se você tiver sorte….rsrs

        Com relação ao Sr. Barriga….não acho que ele seja realmente interno, mas apenas você aceitando inconscientemente (ou refletindo como um espelho) os padrões determinados pela sociedade, que muita vezes lhe oprime ou cobra comportamentos e resultados, bons para ela mas não para você. Ah…. ele não conseguiu nada não, viu…? rsrs

        Que bom que você quer aproveitar a festa! Ninguém pode achar a rua da festa fora de si mesmo…. Estranho??? A festa começa e termina em você!!!

        Você é a pessoa que está dando a festa, portanto, ela será onde e quando você determinar!

        Ninguém sabe direito o que fazer consigo mesmo, as pessoas só fazem de conta que sabem, mas na maioria das vezes passam a vida toda apenas seguindo o que os outros dizem sem pensar por si próprias.

        Não lhe dei nenhum tapa na cara, menino!! Rsrs
        Esse cobrador, o Sr. Barriga Wicked, volto a dizer, não tem controle nenhum, a não ser aquele que você der a ele. É apenas o reflexo do que você acha que o mundo espera de você e que você tem de se enquadrar. Não é porque você tem fraquezas que continua virgem, ele NÃO tem razão. Sexo não é o prêmio por superar fraquezas, se fosse assim todo mundo ainda estaria virgem he he. O sorriso zombeteiro dele é apenas porque você acreditou nas mentiras que ele continuamente lhe conta.

        Não se apresse para dar fim à sua virgindade, como vendedor querendo acabar com o estoque de TVs numa liquidação,rsrs. Não faça besteira, não transforme algo que pode ser bonito numa dor de cabeça.

        Entendo perfeitamente o que você fala sobre isolamento, não o veja como uma prisão, mas talvez, como sua zona de conforto para a qual pode voltar quando e se quiser.

        Creio que as chaves da sua prisão estão no foco que você precisa dar a sua vida.

        Deixe de história e estude para valer para o Vestibular!!! Rsrsrs Se não passar agora não tem problema, você não compete com os outros e sim consigo mesmo, certo? Se não for agora será depois, mas acho fundamental você fazer uma facul, ok?

        Você disse que está desempregado, lembre que cursando uma facul fica mais fácil conseguir um estágio, que pode lhe abrir portas do mercado de trabalho e ajudar a custear o seu sonho de tornar-se músico, se de fato esse for o seu desejo.

        Lembre-se que para atingir os seus objetivos, em primeiro lugar é preciso defini-los (rsrsr) e depois estabelecer uma estratégia, monte a sua!!!

        Abração,

        Fernando

      6. Wicked disse:

        Olha Fernando, eu quero dizer gostei do seu conselho. Você disse umas coisas que iluminou aqui as minhas ideias e reflexões.

        Brigado de verdade, abraço apertado

        PS: Amei o poema

  4. Olá menino, se quiser um amigo pessoal me add no msn vendanosolhos@hotmail.com, compreendo muito bem o que sente. Se quiser a gente se encontra na Paulista, etc. Quanto ao vestibular, menino, precisa estudar um pouco mais, nada que uns puxões de orelha e uns tapas no bumbum desse moleque não resolva, né? Se quiser ajuda para os estudos estamos aí também. Adoro livros também, amei isso em você.

    1. Wicked disse:

      Irei adicionar, Rogério e fico feliz por ter me compreendido.

      A gente na Paulista? Seria legal.

      Vestibular é horrível. E acredita vou passar DE NOVO pelo mesmo pesadelo indo pro ENEM, não mais Fuvest [Fuvest foi as provas de vestibular que prestei ao redores da Paulista]?!

      É até desmotivador estudar, sabe Rogério. Perdi aquele pique do ” uhuuuu vou ir pra faculdade”. Não passar duas vezes foi decepcionante chegando eu a nem prestar no ano passado….aliás ainda me pergunto “Por que eu tô prestando agora?”

      Pra cada puxão de orelha e tapa na bunda que levar por errar Matemática, Física, Biologia e Química…..vai ficar roxo ou até sangrar kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

      Você ama livros? Minha paixão também. Tô querendo comprar 2 livros agora [veja eu já comprei 1 essa semana e já quero 2 agora] e tô sem grana. É horrível ser desempregado.
      Livro me faz esquecer que eu existo, e de repente minha vida é o personagem do livro que tem uma vida bem mais interessante que a minha.

      Uma ajuda nos estudos, olha não vou desprezar a ajuda não. Quero sim.

  5. Marcos disse:

    Wicked,

    Me emocionei com o seu texto,mas não acho que sua vida está uma bagunça!
    Nunca é tarde para se relacionar e ter experiências.É lógico que,não basta nada tentar,ser mais corajoso e conhecer novas amizades.Balada,frequentei muitas,mas sou sincero em dizer que ali não vai rolar nada mais do que uma simples amizade,dependendo delas até uma certa arrogância mesmo (virou moda isso hoje em dia) ou um romance de noite única.Sugeriria um barzinho,se não tiver com quem ir,pode ser sozinho mesmo.Vale lembrar que na sua idade,eu acabara de assumir e me aceitar.Também andava perdido com os costumes do meio,no qual foi um pouco difícil a minha adaptação,pois não concordava com muitas coisas (na qual,hoje em dia também não concordo)! Mas,vale ressaltar que em barzinhos,conheci muitas pessoas legais ou até em passeios e viagens.Pense nisso…
    Qualquer idéia e experiências que queira trocar,estarei disponível para contato,ok!
    marquin1977@gmail.com

    Abraços!!

    1. Wicked disse:

      Se emocionou, Marcos? Nem acredito que consegui transportar meus sentimentos e vocês sentissem, tenho inveja dos autores que leio e tem essa façanha fácil.

      Gostei muito da ideia do barzinho, Marcos. Eu penso em ir com um livro me fazendo companhia e ler lá e passar o tempo. Pode ser uma boa.

      Sobre a balada eu não sei se vou. Como disse no texto de cara não me imagino ali, mas sei que tenho que ir pelo menos 1 vez na vida pra ter melhor opinião.
      Até vir aquela vontade “Eu quero ir pra uma balada GLS” pode demorar um bucado, mas não quero me forçar a fazer o que eu não quero.

      Gostei do seu conselho do barzinho e quero estar lá muito brevemente.

      Obrigado Marcos, felicidades

  6. Pedro disse:

    Olá Wicked,
    Cara,gostei demais do seu post!

    Tenho 19 anos,passo por uma fase parecida com a sua,só não sou desempregado,mas tenho diversas vezes essa sensação de estar parado no tempo.Tive 3 tentativas frustradas de passar no vestibular da universidade daqui,e acabei por começar a trabalhar.Fico praticamente o dia todo no trabalho,e acabo gastando todo o tempo livre que tenho em casa jogando – esse é um defeito que tenho,sou viciado em jogos de vídeo-game,queria ser viciado em algo mais construtivo como livros igual a você -.Acaba que praticamente toda noite quando coloco a cabeça sobre o travesseiro bate aquela sensação de “minha vida tá passando e não to fazendo nada”.

    De uns 3 meses pra cá felizmente tive alguns avanços nessa parte da sexualidade – entrou uma nova colega de serviço que é lésbica,e acabei por conseguir sair do armário pela primeira vez pra alguém (depois de umas tremidas e umas gaguejadas).Também sou uma pessoa de poucos amigos,conhecer alguém do meio,que sabe sobre você é realmente muito bom…já fui convidado por ela pra ir em alguma balada GLS aqui de Brasília,mas ainda não criei coragem,mas só de saber que não vou precisar ir sozinho já deixa tudo mais fácil.

    Tenho muita vontade de ir sem São Paulo,agora principalmente na Avenida Paulista.Ser gay aí parece ser tão mais fácil,claro que o preconceito ainda é presente,mas por ser possível identificar tantos gays pela rua a sensação de segurança e liberdade é muito maior.Até hoje nunca vi um casal gay andando de mãos dadas aqui em Brasília…

    Enfim,não estou em posição pra ter dar conselhos pois minha vida não é lá essas coisas,mas acredito fortemente que você sairá dessa situação em breve,pois por esse pouco que deu pra conhecer sobre sobre ti,deu pra ver que você é uma ótima pessoa.Acho que conhecer pessoas pode ajudar bastante rs

    Abraço

    1. Wicked disse:

      Essa sensação do travesseiro é triste, né Pedro. Já perdi muitas noites de sono só desse assunto da vida tá passando.

      Que bom que você tem companhia, e espero que um dia a curiosidade/coragem pinta em você e você queira ir lá pra um dia conhecer e ir com sua amiga.

      Conhecer pessoas….mmmmmm, mais um conselho que tô registrando aqui.

      Vcs não percebem o bem que me fazem esses conselhos, quero bota-los em prática.

      Brigadão Pedro, felicidades aí pra você.

      PS: Adoro jogos também.

  7. Paulo disse:

    … Eu de natal/ brasilia

    … MEU DESABAFO

    … Sou meio feinho e sofri muito bullyn na escola, nos tempos do ensino fundamental,,, já nos tempos da adolecencia sofri mais ainda, magrelo, feio, desengoncado e timido sofri rejeicoes de jovens tanto de escola, quanto da igreja,,, desempregado me sentia um nada,,, por anos minha vida era só dormir, escola, igreja, dormir, dormir, dormir, me sentia só,,,, imagina um jovem feio, magrelo, sem dinheiro, sem talento, como a sociedade é cruel com gente assim, nao querem nem pra amizade, é triste vc ver todos os seus colegas de escola se convidando pra ir a algum lugar e vc nao ser convidado,,,, nessa epoca me sentia o homem mais só da face da terra. Eu era meio nerd e só conversava com nerds, tive poucos colegas a escola na qual conversava, eram gente boa, eu era fechado no meu mundo…

    … SOFRI POR AMOR NAO CORRESPONDIDO: Na 6 serie fui transferido pra uma escola, a noite,,, gostei de esudar lá, bom,,, um certo dia na saida,,, estava eu parado na calsada da escola e me aparece um cara moreno, (alto, cabelos curtos, ombros largos, que usava uma jaqueta daquelas que os jogadores de time de escola americana usa,) quase puxou conversa comigo,,, ele olhou nos meus olhos mas na hora que ele ia falar comigo alguem chamou ele e logo após minha irma me chamou pra irmos pra casa, no outro dia depois das aulas,,, fui pra casa acompanhado de um colega,,, ao passar numa rua,,,, meu colega fala um: E AI CARA !!!! para o moreno que ali estava e continuamos a caminhar ,,, O que mais me incomodava é que esse moreno só ficava me olhando, depois eu descobri que ele era amigo de algumas pessoas que eram da minha classe, ele era um dos bagunceiros da sala dele, nesse tempo eu tomei abuso e raiva dele, pois nao gostava de gente bagunceira,,, mas ai descobrir que sentir odio exagerado por alguem pode ser perigoso, pode virar amor dos mais fortes e avassaladores e foi isso que aconteceu pro meu azar,,,, Um mes depois,,,, fui resolver alguma coisa,,, ao voltar pra casa passei na rua dele, que é caminho da minha casa, quando vi aquele cara moreno alto,,, ombros largos, só de bermuda, aquele peito levemente cabeludo. estava capinando a frente da casa dele, me apaixonei por ele,,,, loucamente (o odio virou amor), ele ficou me olhando, como eu era timido demais virei a cara,,,, desse dia em diante comecou meu sofrimento,,,, foram 7 anos só de olhares, logico que ele percebeu que eu sou gay, ele era muito popular na escola, um certo dia no intervalo da escola,,, ele encostado na parece da sala dele,,abraçado a namorada e beijando-a começou a me olhar firme, ELE me olhou de uma forma que era pra eu perceber, ( eu estava a uma certa distancia vendo a cena triste morrendo de ciumes), o moreno com aquele olhar de safado me fazendo inveja, pelo olhar, ele me disse: Sei que vc queria estar em meus braços agora, mas é ela quem esta comigo agora !!! / Nossa, nessa hora eu fiquei tao puto de raiva que virei a cara, fiz pra ele perceber mesmo, entrei na sala,,, o mais engraçado é que parecia que o destino nos separava de varias maneiras,,,, eu conhecia e falava com amigos dele, estudei com colega dele, trabalhei com amigo dele, minha irma estudou na mesma sala que ele mas nunca, tivemos chance de nos conhecermos, só ficava os olhares mesmo… sofri demais nesses 7 anos de escola, no 3 terceiro ano do ensino medio mudei de escola, foi ai que comecei a esquecer ele, na nova escola conheci gente nova, me envolvi com teatro justo pra tirar a timidez,,,, Esse moreno foi o unico homem que amei na vida,,, o que é amor !!! amor é quando ao ver a pessoa amada na rua suas pernas ficam bambas a ponto de vc querer cair,,,, seu coracao dispara, a pessoa nao sai do seu pensamento, tudo que vc olha vê a pessoa amada,,, vc sente vontade de chorar e rir ao mesmo tempo, arrepios, vontade de sair cantando e dançando, fiz muito isso kkkk ( nao riam kkk), essas coisas meio cafonas e maluca que o amor faz com a gente,,, Essa sensacao nao senti com nenhum outro homem,,, terminei o colegial, a vida nos separou,,, sei onde ele mora pois a casa dele fica perto da minha,,, parece que ele se mudou da cidade,,, mas a familia dele reside na casa,,,, Ha 2 anos atras eu estava andando na rua e vi ele,,, quase eu cai de novo kkk, pernas bambas kkkk, ele parou a moto na calcada, tirou o capacete e puxou conversa com um colega dele que estava em frente a uma loja,,,, e o pior, encostou na parece e ficou a me olhar passando por ali,,, eu fingi que nao vi ele e quase cair de novo, pernas bambas kkkkkkkkk,,, depois desse dia nunca mais vi ele,,, tenho medo de ver ele e o amor voltar tudo de novo,,,, hoje de vez enquanto me apaixono por outros caras,,, já até namorei um seguranca de escola,, ahhhhh se os corredores daquela escola falacem kkk,,, no momento tenho um rolo, mas amor na qual senti por aquele moreno nos tempos de escola nao sinto mais… superei, só espero nunca mais ve-lo…

    … Depois que terminei o Colegial, sem nada pra fazer, desempregado e com depressao das rejeicoes que sofria na vida, solidao que eu sentia, me levou pra um mundo paralelo ao da sociedade na qual conhecemos, cai no mundo da prostituicao gay, frequentava parque, banheiro pra fazer sexo com homens, mas na realidade eu procurava companheirismo, amizade, comecei a conhecer gente que vive nesse mundo,,,, tive a sorte de conhecer alguns amigos, nossa, se nao fosse a amizade deles eu nao tinha me reerguido, conheci eles em uma epoca que nao tinha ninguem como amigo,,,,, conversamos muito,,, nós desabafamos e choramos juntos,,, hoje, quase 6 anos depois, tanto eu quanto meus amigos tomamos juizo kkkk, meus amigos gays amadureceram, hoje trabalham e estudam e estao vivendo a vida deles, lembrando que eles nao sao gays assumidos, sao comportados perante a sociedade,,,, eu estou feliz, realizado mas sem namorado kkkkkk, hoje faco academia e corro atraz dos meus sonhos, estudo, trabalho, estou superando as rejeicoes do passado, estou mudando aos poucos e me sentindo mais seguro … tenho certa dificuldade de fazer amizades mas aos poucos estou conquistando o que eu quero, amigos novos estao aparecendo, estou superando a timidez, … a vida é assim né, vamos viver e ser feliz …

    … Tenho 30 anos,,, é bom demais ser velho, mal posso esperar pra chegar aos 40,,, sei que vou arrazar aos 50,,, terminei a escola aos 23 anos de idade, quando novo era muito romantico, agora aos 30 me sinto meio velho pra romance, meu coracao bloqueou para o amor, nao sinto nada a nao sei paixao e encanto quando conheco algum homem na qual me intereço,,,, a vantagem de ser maduro é que os medos e inseguranca da adolecencia somem, vc se ama mais, se sente mais seguro, é bom demais, sem falar na experiencia de vida. Fiz esse desabafo pois sei que muitos passam por isso, pelo o que eu passei, mas vai um conselho, lute pela vida que vc quer ter,,, vale a pena,,, lembrece que cada um tem seus 15 minutos de fama na vida,,, hoje vc ve seus colegas popular na escola, com muitos amigos, namoradas etc, vc nao é nada, vc se sente incapaz, as pessoas te rejeitam, mas um dia vc terá sua vez isso pode ter certeza, mas pra isso vc terá que fazer uma forcinha,, estude, procure melhorar sua aparecia cuidando da saude, academia, se vista bem e corra atraz dos seus sonhos, nao ligue para os que tentam te derrubar falando mal de vc, isso ja aconteceu comigo, nao ouça essas pessoas, siga seu caminho …

    … Lute pela vida que vc quer ter ok !!!!!!!!

    1. Wicked disse:

      Gostei do seu relato e linda mensagem de vida.

      Espero de verdade que você encontre o amor novamente, e deixe seu coração aberto, Paulo.

      1. PAULO disse:

        … BRIGADO WICKED, desculpa os erros de portugues kkk,… achei o texto grande demais,, iria escrever com mais detalhes.

        … COMPLETANDO A HISTORIA DO UNICO HOMEM QUE AMEI NA VIDA, O MORENO: aconteceu muitas coisas na qual desconfiei que ele curte homem,,, alem dele me olhar muito,,, naqueles 7 anos, um certo dia eu indo á escola, chequei a uma rua dupla na qual tinha que atravessar a calçada que fica entre as duas pistas, isso perto da escola, quando estava eu na calsada vem o moreno de moto, ao invez dele subir a rua e fazer o retorno, ele jogou a moto em cima da calsada bem do meu lado e atravessou, me assustou kkkk, ele fez aquilo de proposito, ele era muito popular e metido a machao, nesses 7 anos só vi ele com uma namorada, namoro que durou pouco,,,, cheguei a mandar uma carta anonima de amor kkkk pra casa dele, sofrer por amor é uma coisa que nao desejo pra ninguem, hoje nao moro mais na cidade, mas proximo ano estarei voltando a minha cidade natal pra matar saudade da familia e amigos, será que verei o moreno por lá? curiosidade pra saber como ele esta hoje.

        … AMIGOS DA PROSTITUICAO: depois que terminei o colegial, me vi sem colegas de escola, sem emprego, só ficava em casa, nao tinha vida social,,, entrei em depressao e isso me levou a procurar sexo facil,,, começei a frequentar pegacoes gay, em minha cidade tem uma praca bem grande que fica do lado da rodoviaria onde rolava algumas paqueras tanto no banheiro da rodo quanto na praça,,, la conheci uns 5 caras na qual viraram meus amigos, um deles o jhonny quando o conheci me agarrou de um jeito que ficamos das 10 da noite ate as 5 da manha nos beijando na praça, nao percebemos o tempo passar kkk, fiquei uma semana com a boca doendo, hoje somos só amigos irmaos,,, o que uma amizade nao faz na vida de uma pessoa,,, de ir a praca pra fazer pegacao,,, passei a ir a praca pra encontrar a galera, quase todos os dias nós reunimos a galera na escadaria da praça e ficavamos horas convercando, começei a conhece-los, e logo pude perceber que alguns eram solitarios que nem eu, descobrir até que um deles estudava na mesma classe da minha irma, eramos jovens com muitos sonhos, hoje gracas a Deus todos trabalham, na epoca eramos todos lascados, sem emprego kkkkk,, todos eles sao encubados, uns sao crentes, outros ceticos ou catolicos,,, desses amigos conheci outras pessas maravilhosas,,, em 2010 por questoes pessoais tive que mudar de cidade, a despedida foi muito emocionante,,, na epoca eu estava de rolo com um garoto,,, e nessa noite estrelada, a galera reunida na praça, ao se despedir, peguei meu ficante e começamos a nos beijar, logo um dos amigos colocou uma musica no celular, mariah carey que ele é fã, imagine, vc beijando uma pessoa na rua, em uma noite estrelada, ao som da musica e ainda mais com os amigos aplaudindo,, aquela noite foi muito especial, hoje me considero o cara mais rico do mundo pois, agora, tenho amigos.

  8. PAULO disse:

    … O AMIGO SARADAO E INTELIGENTE QUE TODO GAY QUER TER,
    bom, na 7 serie, comeco do ano, turma nova, sentei sem querer perto de um rapaz saradao, achei ele sex mais nada, pois na epoca eu amava o tal moreno ( escrevi um texto sobre esse moreno), logo começei a conversar com esse saradao kkk e viramos amigos,,,, nao amigos chegados de visitar a casa do outro pois ele é do tipo reservado, educado, que nao gosta de ir a casa dos outros, mas eramos amigos de escola, ele é heterossexual convicto disso eu sei,,, o que mais me encantou nele é que apesar dele perceber que eu sou gay ele nao me recriminou,,,, estudamos 4 anos seguidos na mesma classe,,, ele era muito inteligente, ouvia tudo o que eu falava, ele era atencioso,,, descobrir que ele, na epoca era professor de kung-fu, meio antiquado, tipo de homem rustico que gosta de ser o provedor e cuidar das pessoas, ele é muito ativo na vida, orgulhoso nao gosta de ser ajudado, mas gosta de ajudar as pessoas, ele é do tipo de homem lider, logo, ele começou a cuidar de mum, nossa me sentia seguro quando estava com ele, como ele morava em uma rua a baixo da minha, vinhamos sempre da escola juntos, (qual o gay que nao gostaria de ter um amigo saradao que é lutador,,e protege ao mesmo temo? acho que a maioria kkk).
    … Um certo dia depois da aula teve uma festinha na qual rolaria uma boca livre, fiquei doido pelos salgadinhos que estavam na mesa, obaaaaaa, só que na hora meu amigo saradao vira pra mim e fala, vamos embora, pois essa comida ai só tem gordura e faz mal, nossa, nessa hora fiquei com o coracao triste pois tinha que escolher entre ir embora com o amigo ou ficar com os salgadinhos, nao deu outra, fiquei com os salgadinhos kkkk, o triste é que ele foi só pra casa ( ele é meio rigido com alimento),,, por ele ser inteligente, ajudava o povo da sala a passar de bimestre, ohhh !!!!!!! povinho preguicoso viu,,, quando a professora falava: trabalho em grupo, só ouvia o barulho das cadeiras, todo mundo queria fazer trabalho com ele, menos eu pois eu era o unico que o respeitada, e por ele ser muito competente nos trabalhos tinha medo de nao corresponder a altura, muito bem,,, nessa epoca tinha uma menina da sala que era doida pra ficar com ele,,, eu ficava num ciumes doido ate que ela na desculpa de estudar foi a casa dele, o pior que eu vi ela descendo a rua la perto de casa,,,, Depois meu amigo saradao falou que ao estudar com ela na casa dele, ela passou a mao nas partes intima dele, logo ficou exitado e caiu em tentacao, ele nao gostava dela,,, e queria nao mais cair em tentacao mas a menina era chiclete, até que ele se livrou dela, o engraçado é que esse foi o unico assunto de mulher que ele falou comigo,,, pois nos 4 anos que estudamos juntos nunca falamos de mulher, futebol essas coisas, a nossa conversa era muito produtiva com assuntos interessantes, nossa que homem viu, qualquer gay ficaria apaixonado,,,, no ultimo ano em que estudamos juntos,,, eu de raiva do povo ficar sentando perto dele, pois sempre sentavam em minha cadeira, sempre que eu chegava na sala tinha alguem sentado na minha mesa conversando com meu amigo, eu pedia pra sair mas as folgadas nao saiam nao, raiva,,, um certo dia uma menina la do fundao, colega minha, me chamou pra sentar com ela, eu resolvi mudar, sai do lado do meu amigo e fui para o fundao da classe,, passei a sentar lá,,, com duas meninas,,, foi ai que percebi que um homem hetero pode ter ciumes de um amigo gay, é ai que temos que ter cuidado pra nao confundir as coisas, o meu amigo sarado ficou com ciumes da menina que me chamou la para o fundao, ele nao gostava dela, falava mal dela toda vez que iamos pra casa depois da aula,, mas eu fiquei lá no fundao, e ele la na frente só com as viboras kkk,, bem que eu estava adivinhando,, no meio do ano por tirar 10 ele passou,,, a diretora foi ate a minha classe buscar ele pra mudar de classe,serie,,,, ele pegou os cadernos,, virou pra sala e disse: boa sorte pra vcs pessoal, foi um prazer estudar com vcs,,, é mudou de sala, nesse momento quando vi ele saindo da sala de aula com a diretora, foi como se alguem arrancasse algo de mim, quase chorei,,, mas me consolei com as colegas do fundao, hoje ele é casado e tem filhos,,e eu falo pra vcs, foi o unico homem heterossexual que me respeitou e gostou de mim do jeito que eu era, quando eu for visitar a minha cidade natal espero ve-lo e matar as saudades,,,, cansei de ler caso de amizades gays com heteros,,, geralmente esses heteros sao educados ai que isso pode virar uma armadinha, pois o gay pode se apaixonar pelo amigo hetero, é ai!!!, será que vale a pena ter amigo hetero? eu só nao me apaixonei pelo meu amigo hetero, tá certo fiquei encantado, pois na epoca eu amava um moreno da outra classe… bom, esse foi um dos meus relatos. tenho alguns pra escrever ainda…. brigado pessoal.

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