Vida gay – Sites de relacionamento, faca de dois gumes

Essa semana recebi um relato num dos posts aqui, no Blog MVG. O leitor narra a situação de ter conhecido alguém diferente por um site de relacionamento gay, do interesse de algo mais real e sério com o pretendente e das influências da “vida virtual” no nosso cotidiano (real).

Relato de Júlio:

Caríssimo, boa noite! Primeiramente, parabéns pelo blog. Sou acompanhante assíduo dos feeds por e-mail, sempre gosto de começar o dia lendo os posts que são enviados, todos com excelente conteúdo e coerência única com nossa realidade.

Tenho um caso que gostaria de compartilhar e ver sua opinião, para que eu possa balizar com a minha e ver melhores formas de lidar com essa situação…

Tenho 25 anos, sou de Belo Horizonte e tenho uma vida mais no armário. Meus amigos mais próximos sabem da minha situação quanto ao direcionamento sexual devido a proximidade comigo. Não forço, e eles acabam sabendo devido a esse dia-a-dia comigo. Me sinto bem assim e vou continuando numa boa.

Devido a essa característica, acabo limitando um pouco o “conhecer novas pessoas” e utilizo um site de relacionamento para tal. Conheci uma pessoa nesse site e estamos nos dando muito, mas muito bem nessas ultimas semanas. Porém, algo sempre me deixou um pouco “antenado” que é a questão do uso desse site. Sabemos que o ser humano é falho e de carne fraca (quando quer também…) e, por estar com ele, acabei deixando o site de lado, até deletar meu perfil. Ele comentou comigo que não deletaria o perfil, pois tem uma “conta premium” e isso começou a atiçar minha curiosidade.

Esses dias ele deletou as fotos dele e colocou como descrição que quer amizade. Fiz algo muito errado e criei um perfil “fake”, para ver até onde ele vai com essa questão de amizade. Comecei a conversar com ele e ele, subitamente, inseriu novamente todas as suas fotos.

Antigamente, caso algo me incomodasse, eu simplesmente dava um fora e bola pra frente, pois há a questão da confiança, etc. Porém, não temos relacionamento assumido e não posso cobrar dele algo devido a isso, mas não me sinto muito à vontade com ele nessa situação atual.

Penso em lidar da melhor forma com isso, a agir de forma diferente, pois gosto muito dele e sempre que conversamos no decorrer do dia eu sinto isso dele também, mas com um pé atrás devido a essa situação e a também já ter sofrido um bocado no passado com isso.

Temos horário diferentes, ele trabalha no período noturno, então conversamos normalmente 2 vezes ao dia via cel e no restante do tempo com sms. Nos vemos nos fins de semana e sempre é espetacular. Reparei que ele é assíduo no site no período da manhã, quando trabalho.

Por gostar dele, penso que talvez posso tentar lutar por ele, e demonstrar o quanto gosto dele, para ver se muda, mas ao mesmo tempo penso que, se nas nossas conversas ele demonstra esse gostar extremo por mim, não justifica ele continuar nessa “caça” por outro, mesmo que seja para “amizade” em um lugar que sabemos bem que é uma tentação.

O que você acha? Sei desse meu erro em querer ter investigado, mas isso me fez ver que nem sempre o que parece é. Pode ser tudo também coisa da mente, mas qual o balizador para saber se é verdade ou não?

Ele é mais velho, tem 30 anos, mora sozinho e recentemente que está nesse “mundo virtual”, maravilhado por ter inclusive me conhecido através dele.

Forte abraço,
Júlio / BH


MVG:

Oi Júlio,
tudo bem?

Esse seu relato é uma das reações possíveis de relacionamentos que começam pela Internet, um pouco de como comento no post “O vício de Manhunt, Gaydar e Grindr”.

Note que existe uma “hábito virtual” dos dois lados: por um lado, seu pretendente acaba de descobrir possibilidades por esses recursos virtuais e interativos. Parece entusiasmado com a nova realidade de contatos que, inclusive, justifica o encontro entre vocês. Por outro, você criou um perfil fake, hábito também de muitos usuários, com teor investigativo (rs).

Não estou afirmando que você faria isso, mas essa situação me fez lembrar de alguns amigos e conhecidos, heterossexuais e gays, que têm o costume de ter todas as senhas de e-mail, Facebook, etc, dos seus respectivos namorados(as). Esse pseudo controle é uma das maneiras que muitos casais encontram para buscar um tipo de segurança. Mas convenhamos: numa realidade tão conectada, de computadores, notebooks, celulares e tablets, será que dá para garantir alguma coisa? Não dá e as pessoas que ficam ligadas nas senhas e logins de seus respectivos podem tornar-se “escravos” desse hábito de vigília.

Realmente acho que é importante quebrar com a mania de entrar nesses sites quando se começa uma história mais séria. Não diria que você deva lutar propriamente para que ele mude de hábito, mas traze-lo para o mundo da realidade é algo a se pensar. De leve, porque se for uma luta, depois você vai cobrar! O universo desses serviços e aplicativos de relacionamento, além do vício de hábito, nos envolve porque enche nosso ego, mexe com o fetiche do desconhecido, da vontade de desvendar o outro lado da tela e, não menos importante, mexe com nosso imaginário e idealizados. Tratamos uns aos outros como pratos de um cardápio! Será que efetivamente precisamos de tantos “amigos” assim no momento que estamos namorando?

Será que precisamos manter uma ou mais “portinhas” abertas para o mundo virtual/real, no momento que temos um outro mundo inteiro de intimidade para desvendar a dois?

É provável que muitos entendam como nada demais manter contatos virtuais com pessoas, mesmo namorando. Eu não sei bem. Acho até possível esse contato, desde que seja conversado e acertado em comum acordo.

Mais uma vez, não existem modelos pré-definidos ou estabelecidos. O nosso assunto então, Júlio, recai novamente na questão da conversa. Vocês estão começando uma história, dando forma e formato para um possível relacionamento mais sério. Esses formatos devem ser divididos, conversados para que ambas as partes se entendam em paz e tranquilos com o relacionamento.

O fato de você estar gostando um pouco mais desse rapaz não justifica os bons ou maus hábitos por parte dele. Talvez ele nem perceba que isso possa incomodar a você porque, de fato, nossos valores e percepções de mundo são sim diferentes! Se a gente não abre o jogo, seja para esse incômodo dele manter um contato virtual, seja para conciliar os horários de trabalho, amizades, e tudo no relacionamento, acaba deixando de existir o próprio valor de relacionamento que inclui ajustes, acertos e concessões por intemédio de atitudes.

Qual o ritmo e as vontades do seu pretendente? Quais são os seus? Essas vibrações entre você e ele estão abertas para que se chegue num concenso? Já está no tempo de existir esses tipos de acordos? Vocês já são íntimos suficientemente e estão entregues para a relação? Como comentei, o fato de você estar gostando a mais dele não quer dizer que ele esteja entendendo e percebendo isso…

De qualquer forma, pessoalmente, acho importante a gente puxar o freio de alguns hábitos quando se está envolvido ou querendo algo mais sério com uma pessoa. É complicado duas pessoas se gostando suficientemente, mas uma ainda preferir ir para a balada uma vez por semana e o outro preferir ficar mais em casa, por exemplo. E isso as vezes tem a ver com compatibilidade ou falta de senso de construção de um relacionamento. Depende de quem são as personagens, depende dos pontos de vista.

Para mim funciona assim: quando estou solteiro, ou pelo menos até a última vez que estive solteiro, eu soltava o freio de muitos hábitos: baladas, noitadas, muita pista, passeios com amigos, coleguismos e passava a maior parte do tempo na “vida urbana GLS”. Quando namoro, normalmente entro num processo de “devoção” ao meu namorado: conheço família, fazemos viagens para todos os cantos, conheço amigos, conhecemos lugares diferentes e, normalmente, dou mais espaço para o dia do que para a noite. Mas isso é particular, o que significa que não é de todos e, as vezes, a maioria não tem essas percepções. Esse meu modelo não leva à perfeição e esteja certo disso! (rs). Surgem perrengues também (e o meu namorado que o diga! rs).

Resumindo, querido Júlio, acho que no seu relato nem é bacana o seu pretendente ficar com as portas abertas para esse mundo virtual da pegação, nem é bacana você nutrir desse mundo criando um perfil fake para sondar o rapaz! rs.

Acho bacana vocês trazerem a história de vocês para o real, menos fantasioso de ambas as partes e, para isso, é importante o básico: conversa! Quais são os propósitos das pessoas? Quais são os seus propósitos?

Abraços,
MVG

6 comentários Adicione o seu

  1. Wicked disse:

    Ele tem conta premium, e geralmente essas contas premium você paga por 1 mês, 1 semana, 3 meses….
    Você perguntaria o prazo pra ele e ao mesmo tempo aguardar o tempo da conta premium acabar pra ele finalmente deletar o perfil????

    Eu no lugar dele também não excluíria meu perfil porque paguei para tal e na minha visão seria desperdício de $$$ não usufruir enquanto pode.
    ——————————-

    Deixa eu ver se entendi: O cara muda o perfil dele, diz que quer amizade e deleta as fotos. Tá.

    Daí você cria um fake e conversa com ele e ele de repente mostra as fotos.

    E cadê a parte ruim da história? Se as fotos mostram as partes íntimas dele, ok, entendi seu ponto. Mas se forem fotos normais não vejo tanto pra fazer um alarde.

    E se na conversa quando você foi com fake e ele não demonstrou querer amizade e sim outra coisa…entendo seu ponto de novo.

    Mas o que entendo da sua história é que você só viu ele colocar as fotos no site e pronto. Nada demais.

    ——————-

    “…se nas nossas conversas ele demonstra esse gostar extremo por mim, não justifica ele continuar nessa “caça” por outro, mesmo que seja para “amizade…”

    Nem pra amizade você quer que ele use o site? Então Julio você espera acabar a conta premium ou fala de como você se sente em relação a tudo isso com ele.

    Só cuidado pra coisa quando for real, você não pegar o celular, depois querer saber quem é o tal amigo que ele adicionou no face, e o fio de cabelo estranho no paletó dele kkkkkkkkkkkkkkk

    Boa sorte, Júlio e que dê tudo certo ae entre vocês dois

  2. Peter disse:

    Bom, eu posso dizer com certa propriedade que sites de relacionamento são viciantes, principalmente enquanto não surge uma simples amizade. Aliás, vale lembrar que são raros os perfis em busca real por amizade (ora, se quero um amigo, não preciso preencher o tamanho do meu dote, certo?), são poucos os perfis em busca real por relacionamento sério, e são MUITOS os perfis em busca de pegação. A maior prova disso é o Grindr (e similares), que já te lança o local exato da vítima, rsrsrs.

    Por isso, eu acho aceitável a tal desconfiança e criação do perfil fake, porém digo que eu ficaria levemente desconfiado. Ora (de novo, rs), se ele queria a amizade do fake, por que abrir as fotos mesmo que sejam apenas dos olhos? Será que ele esperava ver suas fotos também? Amizade funciona assim?

    Acredito que, como vocês já saíram do virtual para o real, o segredo é continuar investindo no real. Vi que o tempo é bem apertado, por isso aproveitem o final de semana pra conversar sobre outras coisas, pra sair, curtir um restaurante, um cinema… Se o sentimento crescer pra ambos, o perfil dele sumirá num piscar de olhos!

    Abraços, boa sorte aos dois!

  3. Júlio disse:

    Caros, obrigado pela resposta de ambos.

    Tive a oportunidade de estar com ele e foi algo excelente. Ele se mostra bem humano e estou vendo que, grande parte isso é coisa normal do ser humano, de ter medo, de pensar o pior demais às vezes.

    Conversamos e ele é uma pessoa madura. Saiu de um relacionamento (só teve 1) e sabe bem o que quer da vida.

    Vou levando… Depois conto as novidades ^.^

    Na minha cultura e realidade, somos bem rigorosos neste quesito de relacionamento e minha família me condiciona a isso.

    Ele, nos seus 30, é alguém que justifica o esforço, e desta vez quero fazer diferente, ir a luta e conquistar cada vez mais.

    Abs a todos,
    Júlio

  4. Anonimo disse:

    Sou de fortaleza me liga pra conversar 8592442416 me add no face lincolntuf.moraisferreira

  5. luiz carlos disse:

    sou coroa, discreto, solteiro e moro só, na ilha do governador. branco, calvo, cavanhaque, poucos pelos, bunda lisa, carnuda. procuro amigo ativo para encontros constantes. se voce me conhece, não se acanhe. sabe que sou na minha e não curto fofoca. luiz carlos 979786396 tim

  6. Ricardo disse:

    Júlio, tenho alguma experiência em relacionamentos e acho que eles surgem com a convivência, com o passar do tempo. Então, primeiramente acho que você deveria procurar sentir qual é a relação que você tem com esse cara (amizade colorida, namoro etc.), o que você pode tentar saber por meio de uma conversa sincera. Só tenho uma dúvida: Há quanto tempo vocês tem ficado juntos? Dependendo o melhor é esperar para ver o que rola.

    Em relação a você criar um perfil fake para espionar, sinceramente, acho que já começou errado, pois a base de qualquer relacionamento é a amizade e o companheirismo, se sua história já começa com desconfiança está fadada ao fracasso. Acho também que você se precipitou em excluir seu perfil do site, deveria ter aguardado mais para saber o que aconteceria entre vocês.

    Eu colocaria meu perfil novamente no site e comunicaria o fato a ele, não como uma ameaça, mas porque percebi que não tinha sentido retirar meu perfil, dependendo da reação dele usaria o bom senso. Procure perceber o que ele senti por você.

    Desculpe a intromissão.

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