Vida gay – Diversidade sexual nas escolas

Como lidar com alunos gays, como lidar com a homossexualidade nas escolas? Como conviver com gays?

Não se ensina sobre a vida gay nas escolas. O Kit Anti-Homofobia na realidade foi um verdadeiro fiasco, fruto de um total despreparo e da falta de sensibilidade para tratar do tema. Nós, gays, escolas, pais e professores, não precisamos de “Kit-Gays”. Precisamos entender que o conceito de diversidade sexual deve ser ensinado por intermédio de um indivíduo, por intermédio de uma instituição consciente e voltada para a educação.

Não se aprende sobre orientação sexual nas escolas?!

A resposta mais saudável e preparada é quando as escolas tiverem em sua grade a aula sobre diversidade sexual, e espero que não seja ministrado necessariamente por um professor gay que já encheria a ideia de esteriótipos!

Um “kit-gay” pode ser material de apoio mas não o objeto inanimado responsável por educar os jovens, os pais e os professores. Um “kit” não pode se defender das alienações, medos e ignorância alheias.

Ninguém vai ensinar aos alunos a serem gays porque não existe habilidade no mundo para isso. Não se escolhe ser gay, heterossexual, bissexual, transgênero ou transexual. É um absurdo achar que uma pessoa possa “virar gay” por ensinamentos ou influência. As reações oriundas do kit mostrou a tamanha alienação de pais que, a princípio, deveriam ser fonte de sabedoria, bom senso e conhecimento. Mostrou também até uma certa ignorância, uma energia ultrapassada, de políticos que protestaram contra o tal Kit, objeto inanimado que não pôde se defender ou contra argumentar.

Em linhas gerais, um curso sobre orientação e diversidade sexual ensinaria basicamente sobre a espontaneidade da sexualidade.

Precisamos entender que o universo sexual e afetivo são diversos e não somente formados pelo “menino que gosta da menina”. Existem os modelos básicos de “menino junto com menina”, “menino junto com menino”, “menina junto com menina”, “menino que gosta de menina e menino e “menina que gosta de menina e menino”.

Até mesmo para alguns de nós, gays, pensar que essas variantes acima são realidades, nos soa estranho. Estranho porque é diferente da gente, ou é até um consolo por não sermos como o que estranhamos e que preconceituosamente colocamos abaixo. “Ufa, pelo menos eu não quero cortar meu pênis e virar Roberta Close”. Preconceito…

Esquecemos também que, desde muito cedo, vão sempre existir meninos que se sentem meninas, e meninas que se sentem meninos, possibilitando a abertura para o transgênero e para o transexual.

Gays reclamam que estão com 18 anos, 21 ou 29 anos sem transar porque se reprimem. Mas tenho um amigo heterossexual que foi assexuado até os 31 anos. Seus complexos, sua vida e suas escolhas o fizeram assim, diferente do irmão que já casou e descasou algumas vezes.

Ainda hoje falta educação, maturidade, clareza e resoluções dentro de casa para que pais e mães ensinem que a coisa é muito mais ampla do que o conforto do umbigo. Dá trabalho, preocupação e até medo em pensar que a diversidade sexual vai muito além do “quadradinho”.

No meu ponto de vista, esse papel inicial deve ser das escolas, que são instituições de acesso direto e constante às informações, a métodos e a processos de educação, por intermédio de professores conscientes e esclarecidos.

Escolas que não instituiem a ideia de diversidade sexual em seus corredores, diante e a exemplo desses jovens gays de 14 anos que se pronunciam por aqui, colaboram e contribuem diretamente para a repressão e para a exclusão, do jovem que se reprimirá ao se deparar com a sua homossexualidade, da falta de referência dele e da sociedade (de)formados na própria escola sem um acesso franco, direto e aberto sobre a diversidade sexual, natural e espontânea. Sim, sexualidade é espontânea.

Falamos tão belamente sobre o preconceito racial desde meu tempo do Colégio Pio XII, dos ícones como Martin Luther King, mas repelimos a ideia de abrir mão da conduta cristã do “homem e a mulher”.

Me parece tão óbvio hoje que a diversidade sexual é uma realidade natural do ser humano, que não incluir esses valores nos processos educativos me soa extremamente arbitrário.

O que estou sugerindo aqui não é nenhuma revolução: os movimentos já vêm acontecendo, de décadas em décadas, a ponto de um jovem gay de 14 anos, hoje, poder buscar uma sentimentalidade por outro amigo de classe e expressar sem amarras por aqui.

O que o gay precisa é de esclarecimento e de um apoio externo que entenda a diversidade sexual com plena naturalidade. A falta de espontaneidade das escolas e dos professores os deixam ultrapassados, pobres e também responsáveis pelo jovem gay que viverá suas condições de repressão e anonimato.

Jovens de hoje têm referências como o do Facebook, de Mark Zuckeberg que, após casamento gay de um dos seus funcionários instituiu o ícone de relacionamento de mesmo sexo da rede social.

Jovens têm as referências de amigos gays, metrossexuais, convivendo pacificamente, quando não vivem uma repressão interna que os fazem antisociais, introvertidos ou agressivos.

Artistas, jornalistas, políticos, empresários como Tim Cook – CEO da Apple – e outras personalidades importantes do primeiro mundo estão se revelando e cada vez mais associando suas capacidades com a homossexualidade, com espontaneidade. O mundo tem essas referências.

Há algumas décadas atrás o Fernando Henrique Cardoso perdeu a eleição de presidência por se dizer ateu. Mas hoje a Apple não deixou de vender na semana passada 8 milhões de novos iPhones em apenas uma hora pelo fato do Tim Cook ser gay. Ou melhor, o ícone mundial Steve Jobs passou o cajado para um gay. E aí?

E aí que o “submundo Brasil” prefere acreditar na desbotada tradição. Nós, gays, precisamos de referências humanas que apreendam sobre a espontaniedade da sexualidade e certamente nos envolveremos a esses modelos. Professores e escolas devem estar sempre no ápice da evolução dos processos humanos, sociais e educativos.

O Brasil será muito mais evoluído, preparado e esclarecido assim, obrigado.

(E por favor, não vamos entrar na questão de esses temas serem hipoteticamente menos importantes que construir pontes, dar bolsa para desempregados e estruturar sistemas de saúde. A exemplo da China que realmente virou um dragão, os chineses estão há décadas investindo intensamente em educação. Escola e professores, sem um olhar mais atento para a diversidade sexual, colaboram para a criação de uma sociedade preconceituosa e excludente. Exclusão é sintoma de subdesenvolvimento e estupidez).

5 comentários Adicione o seu

  1. Dark disse:

    E como implantar isso num país onde ainda há preconceito contra negros? Eu particularmente já acho um absurdo, em pleno século XXI, a presença de exclusão, preconceito ou injúria contra gays. Contra negros, então, me leva a perder as esperanças no Brasil. O fato de ser um país subdesenvolvido não justifica. Uma mulher formada em antropologia e professora universitária chamou um segurança de macaco em pleno ambiente escolar. Outro professor universitário ofendeu uma atendente de cinema, dizendo que ela deveria estar “na África cuidando de orangotangos.” Professor. Como se não bastasse, professor universitário. Lamentável. Eu não acho que o mundo esteja caminhando para o fim. Até porque não há como não reconhecer que a sociedade está evoluindo e que a informação é maior e o preconceito é menor do que era a muitos anos atrás. Porém, estamos em pleno século XXI. O mundo já existe há muitos anos e só agora que os gays puderam adquirir o direito de união estável no Brasil, sendo que a homossexualidade não surgiu ontem. Quantas voltas o nosso planeta não deu? E os seres humanos permanecem na mesma. E eu pergunto: o que aconteceu? Na Roma antiga, havia homens que mantinham relações sexuais exclusivamente com homens. Resta orar a Deus por esse mundo que melhorou muito, mas ainda precisa melhorar muito mais. Critico mesmo. u.u
    Espero que daqui a 50 anos gays possam casar, possam se beijar na rua e andar de mãos dadas como qualquer outro casal normal. Sem ameaças de morte. Sem agressão física. Sem preconceito.
    Se um dia surgir algo que também gere preconceito, além da homossexualidade hoje, eu espero de mim mesmo ter a coragem de apoiar. Porque da mesma forma que nós queremos ser aceitos hoje, no futuro esses seres humanos, seja lá qual seja a condição deles, também vão sentir na pele o que nós sentimos hoje. Eu espero estar vivo até lá. E também espero que esse preconceito não seja a própria homossexualidade. Porque até lá há um longo caminho… Se um dia eu tiver um(a) filho(a), ou até um(a) neto(a) LGBT, eu darei total apoio a ele(a) e espero que a escola faça o mesmo. Não há como negar que o preconceito está dentro de nós. Eu não consigo entender os transsexuais/transgêneros e provavelmente nunca vou entender. Me pergunto se Deus realmente errou quando os trouxe à Terra do jeito que são e questiono se é correto transformar aquilo que era para ser como Deus criou. Também penso que não é muito diferente de mulheres que já fizeram ou até abusam de cirurgias plásticas. Mas é muito mais fácil julgar o próximo do que entender sua dor.

    Amei o post.

    1. minhavidagay disse:

      Hey, Dark!
      Andou sumido, hein?
      Seus comentários estão sempre cheios de energia. Muito bom!
      Bom também te ver por aqui de novo.

      Abs,
      MVG

      1. Dark disse:

        Pois é rs
        Obg!

        Abs

  2. Fagner Dantas disse:

    Concordo plenamente com o comentário de que gays com certa idade se reprimem por terem mais de 18 anos e serem virgens…
    Acho um absurdo, tenho 21 ainda sou virgem e mesmo namorando não tenho pressa nenhuma em transar…
    Coloco o amor em primeiro lugar, não fiquei todo esse tempo esperando alguém especial pra jogar todo meu ‘sonho’ fora em uma noite…
    Prefiro ser um sonhador eterno à viver relembrando um erro.

  3. PMAS disse:

    Vlw MVG, flando tmb sobre o preconceito, d 5 amigos meus q sabem sobre eu ser bi, so uma aceita, q na verdade sao meninas, ficam flando tp: ui q nojo…
    Ai q esquizito… so uma q n aceita e nem diz nda, ela dz pra me deixarem em paz e deixar eu viver minha vida do jeito q eu axo certo. Tenho medo de me identificar e algum conhecido meu me reconhecer, MGV ja deve ter visto meu nome por causa do email, mas n tem nda, o importante, é q a minha vida tem estado mto dificil conviver olhando tmto pra minhas colegas qnto pra eles… e tem uma colega minha linguaruda q ja soltou umas duas vezes na sala isso, por sorte o povo meio q n acreditam nela… axo q ela qr me ferrar, pq tenho colegas homofobicos q qndo fla o nome gay ja qr mata, e se meus pais descobrirem me matam… tenho um colega q ele aparenta ser meio gay, + ele so sai cm menina, ja sonhei saindo com ele, mas n tenho mto interesse nele n… pq ele bm q é legal, + ele é d minha sala, ja foi namorado de uma menina q o pai dela ja morou em minha casa, se eu der em cima dele, logo logo chega aos ouvidos dos meus pais e vcs so ficaram sabendo da noticia q Pmas morreu… dsd qndo me mudei pra essa cidade q hj resido, ele tem me chamado p ir na casa dele jogar xbox, mas nunca da certo, por isso q eu axo q ele tem um leve interesse em mim…
    Boa Noite MVG e leitores,
    Estarei sempre entrando no blog a procura d + ajudas pra meu dia-a-dia…
    Ps.: se vcs juntarem os nomes q ja me identifiquei PNIPM e PMAS, é possivel q vcs me achem no google =P té logo…

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