Namoro gay – Príncipe no cavalo branco II


Aos 12 anos comecei aula de piano e até hoje não deixei de tocar. Minto: na realidade nos últimos dois anos devo ter teclado umas 10 vezes apenas. Um dos amuletos que me leva ao encontro de mim mesmo anda silencioso. Talvez pelo fato de estar já um tempo encontrado comigo mesmo. Vai saber…

Tive banda, já fiz apresentações em baladas e o John Lennon, cara que sempre falou da paz, do amor, das relações sociais e das questões de relacionamento sempre foi uma das minhas principais referências para compreender as humanidades, as relações de convívio e para entender melhor sobre as sentimentalidades. Já vivi John Lennon intensamente!

Esse foi um dos grandes líderes que plantou nesse planeta alguma lição superior e muito das coisas que são hoje, são por causa desses caras. Não é por vaidade que eles são todos os anos lembrados. Esse ano o Google, coisa atual, moderna e jovem, fez o Doodle do John.

Nessa onda de gays na busca do seu “príncipe de cavalo branco”, me veio a memória um texto de Lennon que traduz muita coisa sobre relacionamentos, e cai muito bem também para os gays que estão em busca de um par. Achei válido apresentar aqui no Blog MVG. Texto com propriedade para as diversas fases de vida dos gays, leitores do Blog:

“Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada “dois em um”: duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto. Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas. Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém“.

Hoje, com 35 anos, com uma certa autonomia e bem longe do deslumbramento que tive por John Lennon (rs) posso dizer que, se eu o trouxesse para um papo de bar, regado a whisky e petiscos, de igual para igual, teríamos o mesmo ideal, vivendo e seguindo por nossas vidas distintamente.

Antes, o John teve um relacionamento curto com Cynthia, que gerou Julian, que mereceu a inconfundível “Hey Jude”, criada e dada de presente pelo amigo Paul McCartney. Depois, o cara, John, teve uma relação conflituosa e intensa com a japa, Yoko Ono. Casaram, tiveram o Sean, descasaram e foi num show do Elton John que Lennon e Yoko se reencontraram para viver juntos para sempre até que a morte tão conhecida os separassem.

Lennon era alguém de muita visibilidade, daquelas poucas pessoas que têm a vida registrada e exposta para o mundo pelo merecimento, por uma ideologia. Impossível não achar relatos de vivências conturbadas entre os dois, até mesmo porque até hoje tem gente que acredita que o quarteto fantástico acabou pela influência da japonesa! rs Tudo bem, vai, tem gente que acha que o homem não foi para a lua! rs

Embora muitos leitores do MVG estejam em ritmos e toadas de vida bastante diferentes, acho muito prudente dar ouvidos ao John, que numa comparação até desnecessária, já foi o Steve Jobs no passado. Naquela época, e não mais como hoje, a música e os intrumentos levavam ideologias e estilos de vida aos jovens. Hoje, esses valores estão concentrados em agregados de produtos e que bom que seja assim. Que bom que as gerações passam e continuamos buscando algum tipo de ícone para referenciar, seja o desenho de um homem de óculos redondos, narigudo e de cabelos longos que falava sobre a paz, ou uma maçã mordida que permite tanta acessibilidade entre os seres humanos.

Sou um entusiasta das relações verdadeiras. Mas tenho que concordar absolutamente e brindar com a ideia de que só os apaixonados e felizes profundamente consigo são capazes de ser feliz com alguém. Em outras palavras, o príncipe de cavalo branco existe sim e está dentro de cada um. Procurar lá fora vai te trazer algo, mas não será integral.

O que o John Lennon não contou e posso dizer isso para complementá-lo – em nossa conversa de bar – é que só vivendo relacionamentos profundos e íntimos que se chega nessas conclusões, relacionamentos que certamente John e Yoko fizeram juntos, unidos, grudados, quase como dois em um.

(Estou bêbado agora. John, te amo!)

5 comentários Adicione o seu

  1. Dark disse:

    Sem palavras. Adorei!

  2. Wicked disse:

    Esse texto de Lennon é muito lindo. Mais o admiro.

  3. Fagner Dantas disse:

    Muito bom…
    Gosto muito de biografias…
    São sempre ótimas formas de se ver a vida de formas diferentes da nossas.
    :)

  4. Um pensamento, muito bacana, trazendo uma idêia semelhante é de um texto que na internet aparece como sendo de autoria do escritor e poeta Mario Quintana, mas que sinceramente nunca encontrei em estudos superficiais de sua bibliografia, seja o texto dele ou não, o importante é a mensagem. Aos meus amigos músicos sempre refiro-me ao amor como sendo a harmonia, a melodia, e o rítimo, pois a primeira é troca equilibrada entre o silêncio, a segunda a emoção ou afeto, e o terceiro em nível de relacionamento compreendo-o como o ato sexual. As coisas mais complexas de se encontrar explicação na vida, contraditóriamente também são as mais simples, como o amor.

    BORBOLETAS

    Quando depositamos muita confiança ou expectativas em uma pessoa, o risco de
    se decepcionar é grande.

    As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, assim como não estamos aqui, para satisfazer as dela.

    Temos que nos bastar… nos bastar sempre e quando procuramos estar com alguém, temos que nos conscientizar de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém.

    As pessoas não se precisam, elas se completam… não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.

    Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com a outra pessoa, você precisa em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem ou a mulher de sua vida.

    Você aprende a gostar de você, a cuidar de você, e principalmente a gostar de quem gosta de você.

    O segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você.

    No final das contas, você vai achar
    não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!

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