Brasileiros gays


Quem são os gays do Brasil no MVG?

Já não posso dizer que o Blog Minha Vida Gay é apenas uma tentativa, ou que é algo amador. Tenho levado com seriedade, mesmo nos momentos em que meu tempo é escasso ou pouco inspirado para relatar assuntos por aqui.

Os leitores que interagem por comentários e por e-mail estão contribuindo cada vez mais para dar “cara” para esse Brasil gay tendo o Blog como um ponto de apoio. Uns se apóiam mais e outros menos. Não sendo exclusivista, é importante ressaltar que diariamente o MVG recebe cliques de gente de todo mundo, possivelmente brasileiros ou de gente de nações que falam o português. A exemplo disso, hoje o MVG já teve visita de usuários dos Estados Unidos, Japão, Albânia, Portugal, Taiwan, Itália e Bolívia.

Outra maneira de saber um pouco mais dos leitores é que as pessoas estão respondendo satisfatoriamente a pesquisa que se encontra em “Perfil do Leitor”, aí no menu, no topo do Blog.

Para mim, quase um ano e meio me debruçando nesse projeto é pouco tempo se encarar o MVG como um objetivo. Mas tive algumas graças nesse período, como ganhar um livro de um dos leitores e saber que o mesmo tem se encontrado com outros leitores.

Os relatos e casos são os mais variados. De dezenas de adolescentes gays na faixa dos 14 anos que estão se deparando com paixões pela primeira vez e uma curiosidade extrema de saber se o colega da escola é gay, de gays que mal começaram a desvendar o universo GLS por dentro e por fora, alguns bem encorajados e outros nem tanto, e outros que já formam par há anos.

Gays que não são mais adolescentes, nem pós adolescentes e que ainda vivem algumas amarras dos modelos tradicionais impostos em casa ou pela influência da religião que “segura” para que se libertem.

Tive também depoimentos de mulheres, uma casada e outra namorando, ambas extremamente desconfiadas de seus respectivos e pedindo conselhos e dicas para como ajudar o parceiro a “soltar a munheca”!

Já pintou por aqui também uma psicóloga, entusiasta, compartilhando pensamentos semelhantes sobre seres humanos e sociedade.

Deu até a minha participação no programa “Sexo no Sofá” em um dos episódios que, por sinal, está com data para ir para o ar finalmente! O programa já teve sua estreia e está rolando no canal Glitz (Net 95, Sky 31).

E o que virá daqui pra frente? Bem, se depender de mim, o Blog Minha Vida Gay não tem prazo final. Três anos é um tempo médio para que qualquer projeto se estabilize. O MVG é recém nascido e tenho percebido uma grande contribuição para quem o acessa. Não existe no Brasil meios de orientação ao gay que sejam claros e funcionais, que não sejam assistencialistas demais ou ativistas demais e, de repente, o MVG chega para ser um meio termo.

(Aos usuários que postam coisas do tipo “adoro chupar”, sinto muito mas não terão seus comentários publicados! Nada contra aos hábitos que também gosto, mas existe uma linha editorial, se assim posso dizer!)

Ao mesmo tempo, não quero revolucionar a sociedade, nem me tornar político ou ser influência para gerar desentendimento nos lares (rs). Mas não posso negar que o MVG vem para dar um pouquinho mais de coragem para o gay que se esconde ainda, dar um pouco mais de sentido de comprometimento para aqueles que já vivem a vida gay e querem desenvolver um relacionamento, oferecer toques e conselhos para quem está começando agora e dividir experiências com aqueles que se sentem bem e resolvidos e que se interessam pelos assuntos aqui postados.

Não dá para citar todos os casos. Mas afirmo que existem relatos de vida reais, emocionantes e bastante íntimos.

Na concepção original do MVG, gostaria de ter um diálogo com os pais de filhos gays também. Vejo pelas estatísticas do Blog que alguns pais entram com tags do tipo “meu filho é gay”, “filho gay”, entre outras. Mas, com uma certa razão e somente certa, até hoje nenhum desses pais se pronunciaram. Talvez pelo fato de dar um “alô” por aqui é iniciar o processo de aceitação ou de não estarem preparados para comentários e críticas de outros iguais ao filho. Normalmente pais que estão procurando informação na Internet ainda vivem um estado mais de desespero. Assim, respeito o silêncio.

Vejo também que existe um perfil muito interessante de gay, daquele que falo tanto que sofre a influência da sociedade machista e dos valores deturpados dessa. São gays que batem na busca “sou homem hétero e curto outro hétero” e encontram o MVG. Toda vez que vejo essa ocorrência é inevitável não achar graça. Por mais que a gente entenda que não existe esse modelo de homem heterossexual que curte outro homem heterossexual, não podemos negar que o machismo traz esse tipo de alienação. O machismo é tão forte que a ideia de um “homem X homem” o isenta de “culpas”! Mas é claro que esse conceito acaba caindo por terra depois de um tempo, ou se recua e se reprime. Cada um no seu quadrado. A diferença é que de alguns é bem estreito!

Tem também o gay que é apaixonado pelo amigo heterossexual. Sonha e idealiza algo com o amigo e, se não for com ele, não assumirá jamais!

No final, falamos de um país extremamente diverso refletido no Minha Vida Gay. É evidente que vivemos numa sociedade multi racial e multi cultural. O que a gente não percebeu ainda é que o Brasil é um país também multi homossexual.

Por exemplo: são três gays que tem 30 anos e são de classe média. Um deles é casado com uma mulher e vive uma vida dupla de casos furtivos com outros gays. O outro ainda não é assumido para ninguém e está começando a se assumir para si. É solteiro, vive com os pais e se pune silenciosamente pelas coisas que não viveu. E o terceiro é assumido, namora outro gay, frequenta tranquilamente o meio mas já não vê tanta graça no que o universo GLS oferece.

Tem também: Adolfo é a fim de Ricardo. Ricardo é a fim de Júlio. Júlio é a fim de Lucas, mas Lucas não é a fim de ninguém.

O Blog MVG recebe o reflexo dessa infindável diversidade gay, diversidade que é também fruto de um país que não tem uma identidade e não possui uma base de valor semelhante para um tipo de maioria.

Tem gay cristão, sério, que pensa bastante antes de se pronunciar e é fortemente intelectualizado. Tem gay cristão, fervoroso, mas que adora dar suas “escapadinhas”!

E no final, amigos leitores, o Minha Vida Gay lida com o quê, senão com uma porta para a humanidade?

De hoje para dois anos, três ou quatro, essa porta há de crescer. Em tão pouco tempo já tive tantas satisfações e pude sentir a retribuição pela existência do MVG.

Fica aqui o registro, daquelas coisas que não tem preço.

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