Gays podem ser românticos?


Que tal um romance?

Alguns dos últimos posts no Minha Vida Gay tem contado sobre relatos íntimos, nessa mescla de assuntos pessoais e reflexivos sobre a realidade da homossexualidade, nossas questões como gays no Brasil, sociedade, comportamento gay, dúvidas e falta de referência do que é ser gay. O blog já se aproxima das 600 visitas por dia, o que equivale a 4.200 por semana e mais de 190 posts mostrando um olhar sobre a homossexualidade que busca ir além.

Precisamente no último post cito a minha experiência com a música, com o piano e aos poucos vou revelando um pouco mais da minha intimidade. Ao contrário do divã do terapeuta que – quando bom profissional, passamos anos abrindo e descobrindo nossa “alma”, ao passo que dele, do terapeuta, pouquíssimo vai se revelar em todo convívio – não sou psicólogo e, apesar de assumir uma postura de aconselhamento, o próprio conceito de Blog me permite lançar aqui e ali as realidades, experiências e partes da minha vida que foram importantes e que também servem de referência para os gays, de todas as idades, que buscam por uma troca de conhecimento. Vivências que me tiram do altar de um terapeuta e me aproxima de todos os leitores.

Importante foi um dos meus namoros, ou melhor, todos eles tiveram uma carga extremamente gratificante que nitidamente me ajudaram a construir a pessoa que sou hoje. Como digo, relacionamento é espelho.

Esse namoro aconteceu numa fase extremamente criativa e musical, quando inclusive era sócio de uma produtora de áudio.

Resolvi presentear um dos namorados com uma música. Não seria cover porque queria dar um sentido de ineditismo; exclusivo e particular. Rabisquei umas letras, nessa ideia de achar que até escrevo bem (hoje acho que escrevo melhor), sentei ao piano e creio que em 15 minutos a melodia estava pronta. Gravei o que tinha feito e levei ao estúdio para produzir com meu sócio.

Assim nascia a “Tony e Jony”, uma música que teve importante representatividade para mim na época. Nunca tive medo de me afundar em meus relacionamentos ou de me expor, embora hoje, talvez pela idade, eu seja mais medroso (rs).

Claro que depois de 4 anos, os sentidos mudam, o tempo é outro e as importâncias deixam de dar luz a pessoas que fizeram tanto sentido no passado. Essa última frase pode dar um ar de tristeza, mas assim é a vida, quando nos permitimos relacionar com menos medo ou temor do fim (ou do próprio envolvimento em si), mas nos deixamos levar pela motivação e desejo da entrega de corpo e alma, sem olhar para trás. Nesse ponto, costumo dizer que ninguém é responsável pelo que sentimos pelo outro e, idealmente, não dependemos da reciprocidade do outro pela nossa paixão.

Gays podem ser românticos? Podem dar e receber flores, podem escrever cartas de carinho e presentear com uma música?

A vida moderna, tanto para o heterossexual como para o gay, me leva a crer que o romantismo puxa a gente para a ideia do brega e do ultrapassado. Reconheço também que muito dessa ideia de “brega” acaba sendo uma desculpa daqueles que nunca vivenciaram um ato de romantismo do outro e que acaba tratando como ultrapassado por uma certa dor de cotovelo ou por não saber como criar uma situação romântica. Homens, mesmo gays, as vezes são frios e não são de verbalizar flores. Já é tão confuso ser gay! Imagine ser um gay romântico, hábil por expressar sentimentalidades a outro homem?

Acho que uma dose de romantismo é fundamental para qualquer relacionamento, seja gay ou heterossexual. Ter a possibilidade de dar uma pausa dos compromissos e hábitos individuais da vida moderna que nos enche de frieza e racionalidade, e puxar aquele que se ama para uma ocasião particular e íntima do culto ao romantismo e da criatividade romântica é fundamental. Será que sabemos conduzir esses tipos de momentos?

Deveríamos saber ou pelo menos começar a praticar. Porque entre dois homens é possível ter disso.

Foi nesse impulso, meio ingênuo, meio cara de pau e meio sem medo de ter uma reação negativa do meu ex-namorado que produzi essa música e “vomitei” ao seu lado. A recompensa, se posso dizer como recompensa, foi ver um homem, gay, de 24 anos tido como “pedra”, sorrindo com os olhos marejados.

Não consegui incluir o MP3 da música na versão do Worpdress! Mas, deixo aqui a letra como registro e prova do assunto “romantismo entre gays”. Creio ter conseguido falar de amor ser usar a palavra! :P

Tony e Jony

É engraçado que eu te vi sem intenções,

não sabia que era aqui que os corações se encontravam além das situações mais comuns.

Por sinal foi por aí, quase, talvez,

que o amigo disse assim: “Vai mais além do que é, do que foi, e assim vai saber”.

É, vai saber se a gente tem jeito?

—–

E tudo foi tão diferente,

que a gente descobriu que sente,

eu não vou voltar atrás.

—–

Sei que eu não estou só aqui de passagem.

Já importa se você gosta de mim,

até mesmo se eu ouvir “Sei que nada sei” (…)

(…) Sei que você já prevê nossa noite.

Nessa história a gente aprende e escolhe assim, o que é melhor (…)

7 comentários Adicione o seu

  1. Paulo disse:

    Eu não sei dizer se o romantismo está atrelado a características pessoas ou a intensidade que se permite amar (e ser amado) por alguém, mas eu posso dizer com plena convicção que é muito bom ser romântico quando se ama alguém, não tem nada mais motivador do que imaginar a reação da pessoa amada enquanto estamos investindo nosso tempo, e às vezes nosso dinheiro, para agrada-la, e nada mais gratificante do que ter uma resposta, mesmo que sutil, de profundo carinho em troca. Seja por um homem, uma mulheres, um amigos, seu irmãos, seus pais, parentes, vizinhos ou mesmo colegas de trabalho, um pouco de romantismo sempre cai muito bem.

  2. Daniel disse:

    Cada pessoa reage de maneira distinta em relação a esta questão, mas eu acredito ser muito importante o romantismo. Tenho para mim que quem ama deve sempre se entregar ao outro, ou não será bem amor. Sou romantico ao³ e não me arrependo; porque é uma forma de viver intensamente cada situação e de não disperdiçar inúmeras oportunidades que a vida nos dá para sermos bons e demonstrarmos carinho por outra pessoa. Se os homens podem ser românticos com as mulheres, por que não ser também em relação a outros homens?
    P.S: Parabéns MVG pela sua música!

    1. minhavidagay disse:

      Valeu pelo comentário, Daniel!

      Abs,
      MVG

  3. Danny disse:

    Também acho o romantismo essencial ao relacionamento. Isso faz parte do ato de namorar, de querer bem ao outro, de presentear com flores, bilhetes, carinhos etc. Mandar flores (como eu já fiz), preparar um jantar, ouvir uma música romântica a dois, ver um filme, tudo isso faz parte de um relacionamento , que deve ir além do sexo e do” beijo na boca” e se basear numa verdadeira união – comunhão – a dois ! ( ou a 3 né, vai saber rsrs)

    1. Marcus disse:

      Concordo com você Danny e Paulo…acho que só há um namoro pleno se houver romantismo. Porem há muitos gays que tem certa vergonha de se assumirem românticos a seus pares e se fazem de “durões” e “modernos”…Mas não há nada mais lindo do que acordar e ver um sms do seu namorado dizendo algo “gracinha”…Torço para que no futuro, o mundo seja mais romântico!

  4. Francisco disse:

    Nossa, não acredito ter achado isto. Estou tão cansado as vezes nas coisas que tenham a ver com romantismo gay porque é tão difícil achar. É como si a pessoa romântica não teria que existir neste séc. Mas eu sou romântico desde muito cedo aliás sou novo ainda mas com mentalidade muito além de muitos. Parabéns pelo material.

  5. Rhany disse:

    Meu namorado me deixa tão bobo com o carinho e dedicação com o seu romantismo que eu fico sempre me perguntando se o que faço é suficiente. Quero preparar um jantar especial pra ele e mimar-lo um pouco. Tô tão preocupado que tô sem saber o que fazer, alguém me ajuda…

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