Relato gay – Relacionamentos mal resolvidos

Dando um ponto final ao post “Gays podem ser românticos?“, me acertei com o WordPress e, agora, consigo incluir MP3 e sentir que o post teve um fim! rs

Basta dar um “Play” que será possível ouvir a música que fiz para meu ex-namorado, original, cheia de sentido, entusiasmo e energia para época! :P

“Tony & Jony”

Foi interessante ouvi-la novamente e acabei me inspirando para mais um:

Relacionamentos mal resolvidos atrapalham nossa vida?

É óbvio! Confesso que demorei um ano para esquecer esse ex-namorado, esse dito que me inspirou para a tal música (rs). A história desse caso vocês encontram em detalhes por aí, no MVG!

Mas creio que essa pergunta não seja a mais apropriada. Diria que a melhor pergunta a se fazer é: “Quando um relacionamento gay está mal resolvido?“.

No meio gay, no tempo que andava intensamente na rua conhecendo pessoas, criando coleguismos e frequentando os lugares GLS de São Paulo, percebia uma situação bastante comum: um único amigo com dois ou três casos “mezzo, mezzo”. Um tipo de “mania de marmita”, de deixar uma brecha para um e para outro, numa coisa de nem “sim”, nem “não”. Mas totalmente “talvez”.

Um “talvez” que possibilitava alguma coisa com um e com o outro, e que não garantia nada, nem negava nada. “Abana rabo”, como diria um amigo. E esse modelo é um padrão para a maioria dos solteiros hoje em dia, heterossexuais ou gays. Costumamos chegar em histórias com pessoas até próximo do “primeiro cruzamento”. A partir daí o sinal costuma ficar vermelho.

Por que será que as pessoas hoje em dia, em boa quantidade, preferem viver de migalhas?

Além de toda visão geral de sociedade que tenho, na qual estamos naturalmente mais desprendidos, priorizando ao extremo projetos pessoais e individuais com no máximo os amigos por perto, levanto uma nuance representativa entre os gays que possivelmente promove tantas e tantas relações de migalhas: relações mal resolvidas entre gays diz respeito não somente a uma onda comportamental geral, da vida centrada no ego, em objetivos profissionais, enriquecimento, viagens e aquisição de bens. Relações mal resolvidas entre homens gays diz respeito à falta de resolução quanto a própria sexualidade.

Vou levantar uma sequência de perguntas para os leitores para que tentem se projetar na situação real:

1 – Você se imagina jantando na cozinha da casa dos seus pais com seu namorado, seu pai passando a tigela de arroz e seu namorado retribuindo com o sal?

2 – Você consegue se imaginar reservando um quarto de casal numa pousada no litoral norte com você e com seu namorado ao seu lado?

3 – Você iria na festa do primo do seu namorado com tios, amigos e outros primos de 16, 20 e 30 anos?

Se dessas três simples questões, logo na primeira você sentiu um incômodo ou uma dificuldade é porque suas questões (PODEM) ainda transitar na resolução da própria sexualidade. Você pode até viver a vida gay, ir para as baladas mas, trazer um namorado, personificado, real e palpável para seu universo das pessoas mais íntimas é ainda lembrá-los que você é gay. Isso é um bloqueio. Se não for lembrá-los, é literalmente assumir que você é gay. Complicou!

Assim, além de uma realidade social mais individualista e independente, que é global, no meio gay – mesmo o gay vivendo o universo GLS – trazer um outro homem para a intimidade de vida pode ser desconfortável. Sem querer, vamos nutrindo migalhas, as vezes num tipo de “coito interrompido”. Preferimos recuar e curtir um pouco daqui e dali a ter que pensar, confrontar ou trabalhar a ideia de que esse homem é o namorado para aqueles que nos importamos.

De certa forma, essa sociedade individualista ensina todos os dias para sermos independentes e priorizarmos nossos respectivos objetivos. Por um lado é bom pois realmente precisamos cuidar das nossas particularidades e sonhos, que é pessoal e normalmente intransferível. Por outro, acaba amortecendo (ou nos acomodando) da realidade de cultivar um relacionamento pleno, íntegro e recíproco que bem ou mal vai colocar você e seu namorado numa personificação perante as tais pessoas importantes pra gente. A mercê de julgamentos. Você se importa muito com julgamentos?

Onde você se encaixa em todas essas reflexões? Já se sente tranquilo para agregar seu namorado?

Conseguiria viver uma vida íntima com um homem sem necessariamente ter que incluí-lo, por exemplo, na família? Pois essa é uma possibilidade viável que não desconsidera a aura familiar nem submete o namoro. Mas o quanto é de plenitude e importante a você ter seu namorado junto com a família, no mesmo bolo, nas mesmas festas e encontros?

Na história de “Tony & Jony” meu ex se assumiu para mãe e irmã enquanto namorávamos. Tudo fluiu muito bem e passei a ser além de um amigo quando visitava sua casa. Para o pai, de repente e sem querer, me tornei um grande amigo, a ponto de desenhar umas letras em japonês e o “sogrão” tatuar no braço! Mas, para ele, fui e continuei sendo um “grande amigo do filho”. Meu ex preferiu encaixar assim, frente os bloqueios com o próprio pai.

Por outro lado, meus pais já sabiam de mim há alguns anos. Mamãe o conheceu mas não o “frequentou” porque o ex era mesmo um tipo de “pedra” rs. Papai se manteve no lugar que se mantém até hoje: eu sou filho prioritariamente assexuado. De vez em quando ele lembra que tenho sexo e tenta abafar seus pensamentos a respeito (rs). Mas nem por isso deixei de viver uma relação do tipo “Tony & Jony”.

Em outras palavras, queridos leitores, e com o objetivo de concluir o post, dá para ter histórias, boas histórias com um outro homem, num relacionamento.

Mas o quanto desse modelo individual de sociedade coloca em seus objetivos coisas que não fazem caber um namorado? É importante passar a dar espaço se há o interesse de aprender com um par.

O quanto você não se sente bem resolvido para ter um namoro, no momento que plenitude e conforto é quando as pessoas que são importantes para você te aceitam incondicionalmente?

O quanto você acredita que dá para ir além com alguém e mesmo assim não trazer sua família para essa intimidade?

O quanto é culpa? O quanto e libertação? O quanto se está acomodado no modelo social?

“Vai mais além do que é, do que foi e assim vai saber”.

10 comentários Adicione o seu

  1. Paulo disse:

    Parabéns pela música, esperava algo mais amador e me surpreendi com a qualidade. Muito bom o texto, provocante e indutor de boas reflexões.

    1. PMAS disse:

      verdade xará, tmb me assustei… eu estava namorando com meu segundo e ultimo namorado por enquanto e escrevi uma poesia de amor pra ele… ela tem 50 estrofes e 200 versos…. toda vez q eu leio ela começo a chorar… pq foi mto ruim depois q ele terminou cmg, descobrir q ele tinha outro namorado enquanto ainda estavamos namorando… n sei se alguem ja sentiu isso, mase esta chorando por um cara q n deu a minima pra vc e comecou a sair com outro, ele é mais velho do que eu, tem 15 anos, + a cara do namorado dle ée de 12 a 13 anos… =( dps ainda fkar recbendo olhares ruins de algumas amigas (tenho vergonha de cv com elas na escola., so cv msm com elas pela net) …

    2. minhavidagay disse:

      Obrigado, Paulo! :)

  2. Wicked disse:

    Primeiro quero dizer que a letra + música é muito linda de verdade. Seu ex deve ter se derretido de amor na época. Ponto pra você e que seja 1000x mais romântico ainda com seu atual e ele com você.

    Sobre a situação de trazer um namorado ao ambiente íntimo familiar… eu acho que levaria para conhecer a minha família numa “boa”, Boa entre aspas, porque é teoria…ainda não pus em prática.

    Mas em relação a mostrar a minha família eu ficaria mais tranquilo né. Porque eu os conheço. Agora me apresentar a família de um namorado meu, acho que eu adiaria e adiria tal acontecimento, porque sou MEGA tímido e não sei como me portar/lidar na situação “oi, eu sou namorado do seu filho/sobrinho/neto lindo”,
    De repente o amor que se tem pela pessoa pode dar uma coragem para dar esse passo.

    1. minhavidagay disse:

      Oi Wicked,
      complementando seu post, relacionamentos as vezes são “ponte” para que tornemos mais tangível a nossa sexualidade para as pessoas próximas.

      Quando digo que para meu pai sou filho e assexuado, é claro que ele sabe que sou gay. Mas tenta esquecer a ideia. Quando ele vê meu namorado, por exemplo, acaba lembrando dessa realidade que se personifica na própria figura do meu namorado. E as vezes isso não é bom porque ele acaba projetando frustrações e sentimentos não tão positivos em alguém que não tem nada a ver com a relação “pai e filho”.

      De qualquer forma, conheço dezenas de pessoas que se motivaram a abrir mais o jogo para quem quer que seja importante quando se esteve namorando.

      Não tem como dizer que namoro não é um tipo de apoio. Mas se abrir de carreiro solo entendo como mais digno.

  3. Carlos Rodrigues disse:

    MVG É VOCÊ CANTANDO??

    NUSSA VÉI QUE MASSA!!
    GOSTEI BASTANTE!

  4. Wellington disse:

    Primeiramente adorei o blog.
    Conheci o blog em pesquisas no Google sobre a possibilidade de relacionamento real entre dois homens.
    E facilmente fui devorando o blog com textos interessantes e próximos da minha realidade.
    Me assumi para os meus pais aos 23, oportunidade em que também montei minha própria empresa, ou seja este ano.
    Diante da relevância do post e do blog me senti obrigado a comentar, apesar de não ter este hábito.
    Bom entrando no assunto do post de buscar muito esse amor verdadeiro , tão comentado em filmes, novelas e seriados, nunca senti de verdade esse sentimento tão importante por outro homem
    E permaneço na busca, mas senti um soco na cara qdo me questionei se participaria em um jantar com meus pais e o meu namorado, afinal essa eh a idéia de um relacionamento. Então porque o desconforto? Vai ver ainda não me aceitei plenamente mesmo. Será que ainda estou amadurecendo a idéia? Afinal faz menos de dois meses que me assumi. Ou isso eh apenas outra desculpa? Talvez a vida e o amadurecimento tragam respostas
    Um grande abraço e parabéns pelo blog

    1. minhavidagay disse:

      Obrigado, Weillington!
      Viva seu processo sem grandes cobranças, mas sempre buscando um autoconhecimento.

      Obrigado por seu comentário. Falar em empresa aos 23 anos lembra a minha trajetória que começou aos 23 anos, quando também me tornei microempresário.

      Um abraço,
      MVG

  5. JUNIOR ALVES SILVA disse:

    MUITO BOM MESMO PARA SE PENSAR E SE RESOLVER….

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