Vida gay – Do Blog MVG à vida real

Por que é possível ir além do “sou gay”?

O Blog Minha Vida Gay tem ajudado a assegurar, encorajar e desmistificar a homossexualidade para os leitores, gays que vivem as mais diferentes fases de comprometimento consigo, da aceitação e do rompimento de bloqueios quanto a própria identidade sexual. Quem já acompanha o Blog há algum tempo sabe bem desse propósito.

Quebrando um pouco com o “protocolo”, foi ontem no Athenas Bar da famigerada Rua Augusta que aconteceu um encontro entre “T/P”, “Sammy”, “GC” e “MVG”. Três leitores do Blog e eu.

O fato mais importante nisso tudo – da situação que sai do mundo virtual de um Blog para a vida real – é que “T/P”, “Sammy” e “GC” encontraram por aqui as palavras de apoio, referências e passagens da minha vida gay que contribuíram para acumular segurança e tranquilidade para dar um passo a mais em suas realidades de vida. Claro que cada um vive seus momentos, mas foi também no MVG que encontraram apoio para darem início a processos novos, trazendo o status “ser gay” para uma realidade mais mensurável e menos ofuscada pelos medos e auto preconceito.

É importante ressaltar que, começar a transitar nos guetos GLS ou gays não me deposita nenhum orgulho propriamente. Estar aberto para o mundo gay não é nenhum mérito para ostentar por aí, embora tantos ostentem quando o encontram. Claro que estar no gueto nos possibilita enxergar mais de perto o bem e o mal, os anjos e os demônios, e o céu e o inferno das relações humanas e gays. Ficamos mais a vontade para interação com semelhantes e para a satisfação da libido. Podemos exercer a vontade a nossa realidade.

O que aconteceu nesse encontro e que a mim foi profundamente enriquecedor é que quatro gays em fases de vida diferentes permitiram-se romper com o preconceito e com qualquer tipo de julgamento ou auto-julgamento para estarem presentes, finalmente expostos, e abertos para compartilhar histórias. Em outras palavras, o fato d’eu ser o mais “vivido”, há 12 anos experienciando a minha condição, a mesa junto com um menino de 25 anos (Sammy), outro de 26 (T/P) e outro acima dos 40 (GC), ao contrário do que a limitação e o preconceito julgariam, pudemos trazer conversas enriquecedoras com alto teor de descontração e bom humor, diferente do que se espera em reuniões de “terapia”.

O ambiente privilegiou o encontro e os próprios participantes também. A sensação de abertura, e a diferenciação do encontro em si, diferente de entrar numa balada cheia de ostentação ou ir com o namorado no cinema, me fez lembrar a possibilidade das pessoas despirem-se de seus personagens e máscaras para exercerem autenticidade e humanidade, sem ser piegas, chato, exagerado ou sem jeito. Entramos de cabeça nesse encontro para sermos autênticos, sem vínculos com o passado ou com o futuro, sem vícios e padrões comportamentais quando se está fora do meio ou quando se está dentro há um tempo.

Sai entusiasmado, com uma sensação de que existe franqueza nas relações. Quando estamos fechados, enrustidos, nos escondemos nas inseguranças e não nos permitimos situações desse tipo. Quando vivemos muito do meio gay ou GLS nos tornamos vítimas ou praticantes dos modelos e esteriótipos comportamentais, do exibicionismo, dos excesso da exposição e da libido, e da possível ressaca moral, quando ainda se tem alguma moral. Nesse encontro conseguimos alcançar um meio termo, longe dos medos e bem longe dos padrões egocêntricos e esteriotipados.

Nessa situação de puro companheirismo me vi a frente de 3 leitores ricos de humanidade:

T/P: O “T” ou “P” do caso “Relato de um gay que namora uma menina”, em dois ou três meses está remexendo sua vida. Deixou a casa dos pais, veio para a capital, assumiu a eles, terminou um namoro de 7,5 anos com uma menina e tem vivido diversas experiências, do “bem” e do “mal” que é dar de encontro com os guetos GLS. Com 26 anos, muito intelecto, educação e inteligência apresentou seus casos e me ajudou a concretizar esse encontro.

Sammy: gay com 25 anos está soltando suas amarras, tem alguns amigos que sabem de sua realidade e teve recentemente sua primeira experiência sexual com outro homem! (Vibrei quando soube rs). “T/P” e Sammy estão se tornando amigos e já vinham se conhecendo pessoalmente antes desse encontro.

GC ou “Gay Cristão”: tem mais de 40 anos, vive com os pais, é professor, bastante religioso e estudioso do cristianismo, e contribuiu com realidades, fatos e histórias de uma geração um pouco mais distante da maioria dos leitores. Numa época em que homossexualidade recebia muito mais privações do que hoje.

Assim, nos reunimos para celebrar as diferenças e semelhanças de 3 gerações: 20 e poucos anos, 30 e poucos anos e 40 e poucos anos, livres de preconceitos raciais e preconceitos de idade. Livres dos “medos e monstros” e livres da falta de virtudes, excessos e vícios do meio gay.

Foi permitido descontrair, contar casos e questionar uns aos outros com bom humor, graça e espontaneidade. Compartilhamos lanches e “olhos-nos-olhos” para ver que essa autonomia entre nós é possível.

Uma autonomia importante que também alerta que viver a vida gay não é um mar de rosas e existe mais “perdição” do que se imagina. Podemos sim viver nossos “céus” e “infernos” no meio gay e nos perder se não tivermos consciência de onde estamos pisando. Esse encontro se revelou para dizer que tudo a partir de agora é possível. Os limites podem ser rompidos, podemos viver nossos sonhos, expectativas e aprender sempre com os novos mundos que criamos a nós mesmos.

Cresci mais um pouco com esse encontro, feliz pelo exercício de altruísmo que nada tem a ver com religião (desculpe, GC! rs), feliz por presenciar o exercício de integridade, consciência e respeito sem ter que erguer uma bandeira exageradamente multi colorida.

Orgulho, se fez-se presente, foi pela honestidade.

1 comentário Adicione o seu

  1. PMAS disse:

    MGV, sempre tive vontade de conhecer alguem gay de minha idade… + não conheço niguem proximo de minha idade (tenho amigos no face, de outro pais de minha idade que é, + ele é de outro pais o.O) além disso, estou mudando de cidade, vou para outro lugar (na verdade estou voltando para o lugar de onde eu vim, uma pequena cidadezinha no centro-oeste bahia) então meu “amor não correspondido” vai ficar aqui,nesta cidade. E eu lá na minha cidadezinha, onde como diz do GC, eu tmbem sou um, GC… e se alguem conhecido descobrir, enquanto ainda não tenho idade para “morar fora” vai queimar a fita minha familia… então enquanto isso, tenho que ir me desabafando aki.. pelo menos sei q aki existe alguém q consegue me entender!!! xD amo vcs! <3
    Ps.: Desculpem os erros de ortografia… leio o blog a noite e em um tablet, fica um pouquinho dificil de escrever… :* bjo

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