Minha Vida Gay – Qual é o meu tipo?

Não, esse post não é dedicado as qualidades físicas e mentais do homem gay que idealizo. Mesmo porque, revendo rapidamente meus relacionamentos significantes, que passaram de no mínimo um ano e meio de intimidade, eu afirmo e meus amigos afirmam que nunca tive um tipo muito definido nem físico nem comportamental, a não ser uma pré disposição ou interesse em comum para formar um par.

Esse post de hoje, dedicado logo após um encontro no Tubaína Bar – aniversário de um amigo gay – refere-se a maneira como sempre agi perante meus relacionamentos. A gente pensa que não, mas normalmente seguimos um padrão de conduta ou “modelo” que não rompe com paradigmas e que normalmente segue uma linha que entendemos como seguro. Esses modelos vêm da educação de casa e com forte influência do que a sociedade heterossexual nos diz como “o caminho”.

Um ponto de subjetividade no contexto: sou ariano. Acreditem ou não, signos denominados “cardinais”, como os arianos (fogo), capricornianos (terra), librianos (ar) e cancerianos (água) normalmente, durante a vida costumam assumir as “rédeas da própria vida” com mais independência ou autonomia. Existe uma tendência de liderança nesses signos. Claro que nos pegar por definição só pelos signos é um jeito bem grosseiro e preconceituoso pois, para quem estuda a fundo astrologia, sabe da forte influência do ascendente, da lua e dos demais planetas no momento de nosso nascimento e durante toda a vida.

Mas voltando ao foco: ariano como pelo menos me conheço, com ascendente em áries e com a lua em câncer (para quem não sabe, a lua influencia bastante nossas relações e questões voltadas a família) quase sempre, e não foram poucas vezes, depositei uma energia e devoção sob meus relacionamentos.

Sou do tipo do homem gay que viro a referência da maioria dos meus namorados. Entro de cabeça (sem a conotação sexual da frase propriamente), ajudei meus namorados a se assumirem perante pais, dou ideias sobre empreendedorismo, busco até a ajudar sobre questões ou problemas mal resolvidos entre os familiares e vivo o círculo de relacionamento do meu namorado. Escrevo cartas, sou atencioso, dedico música, cozinho, e busco ser exemplar.

A princípio isso tudo é lindo e é o que se espera de um homem idealizado como já comentei em posts sobre “príncipes e princesas”. As frases acima podem até soar exibidas, metidas ou egocêntricas no sentido de me achar o tal por ser tão bom para meu respectivo. Mas, o que me tira da condição de “Super-Homem” – e graças a Deus – é que não sou Madre Tereza de Calcutá e, por mais que eu dissesse ou diga que não, sempre esperei algo em troca.

Demorei muitos anos a entender essa espera de recíproca. Sempre imaginava que agindo assim, com devoção, o namorado iria sacar essa importância e iria retribuir de alguma maneira. Nos filmes românticos, é tudo muito belo quando vemos homens elevando as relações para níveis de “príncipe e princesa”, mas esquecemos que um filme desses dura apenas e no máximo 3 horas! É categoria beginner ser “Super-Homem” por três horas!

Na vida real é bastante diferente. Quando assumimos o papel da própria auto-suficiência da relação, a energia para isso pode durar um, dois ou três anos. Mas chega uma hora que esgosta porque, de fato, não existem super-homens. A tendência natural e humana, infelizmente, não é do outro perceber essa devoção e buscar retribuir, não exatamente igual, mas de alguma maneira que nos toque. A tendência natural é o namorado se acostumar com esse modelo e querer a todo momento.

Quem não gosta de receber carinho, de ser paparicado, ser presenteado fora de época, ter um jantar romântico pago, uma música em homenagem e a surpresa de uma viagem no feriado? Quem não busca por um apoio para poder assumir, ter um porto seguro para se reconfortar caso as coisas não saiam tão bem?

Assim segui com um punhado de relacionamentos e, quase todas as vezes, senão todas, me sufoquei a ponto de precisar respirar ares novos. Culpa dos ex-namorados? De maneira nenhuma! Muita responsabilidade minha por sacar meus namorados e tentar tapar cada “buraquinho” para oferecer segurança e bem estar, esperar alguns gestos em troca – que de maneira nenhuma precisaria ser na mesma medida – mas essas atitudes não viriam porque as pessoas ficam naturalmente mal acostumadas!

Quando me percebi que era assim em meus relacionamentos, e foi a pouquíssimo tempo atrás, levei um choque. A primeira pergunta que veio foi: “como superar esse modus operandi? Não quero terminar mais um namoro assim!”.

Assim, porque sabia que com o fim de mais um namoro desse jeito entraria em um outro mesmo modelo: baladas, novas amizades aqui e acolá, reencontro com velhas amizades, viagem para isolamento e um mesmo ritmo novamente até ficar encantado por alguém para poder galantear e entrar de novo no processo de sacerdócio.

Dessa vez não sei qual será o final da história. O que sei é que estou namorado, feliz e buscando resgatar a minha individualidade sem ter que obrigatoriamente terminar. Novas amizades, reencontro com as antigas e viagem para isolamento estão acontecendo dessa vez com o status “namorando”.

O que tem rolado entre eu e meu namorado é muito diálogo, um sentido de confiança um ao outro muito importante e uma vontade de tentar juntos. Isso já é diferente de tudo que vivi antes e já me sinaliza algo fora do padrão. É novo ou inédito não somente porque chegou a mim essa consciência, de querer mudar desse jeito de me relacionar, mas porque também pela primeira vez pintou na minha vida alguém que não está surtando de ciúmes por consequências dessas minhas mudanças, nem está me cobrando o “príncipe” que, atualmente, está felizmente sapo.

Estou aprendendo que é possível “dar um tempo mesmo estando juntos”. Antes, ou por medo da perda de autonomia da própria pessoa, eu não acreditava nessa coisa de tempo. Hoje, romper o relacionamento não é desculpa para respirar.

Ter o homem ideal nos filmes românticos por duas horas e meia é tão fácil! Mas na vida real e contrariando todos os desejos incríveis da existência de “príncipes”, celebro aos “sapos”! :D

3 comentários Adicione o seu

  1. Adoro a versão dos contos de fadas dos irmãos Grimm, porque faz a preparação da criança ao mundo adulto, inclusive ao sexo, com imagens dirigidas ao inconciente.
    O princípe e o sapo, gosto, em especial, da Rapunzel, em, porque ao jogar suas transças, o princípe que na história original é cego, e atravessa pelos espinhos das roseiras, sem se machucar, encontra apoio em sua rapariga, a fim de galgar a torre, e encontrar o amor. A caixa escura de cada, esconde belezas e monstros inimaginados, mas assim como o princípe cego, mesmo sem ver, não é machucado, relacionamentos sempre têm espinhos, maleabilidade para se desviar, mesmo sem vê-los.
    Apoio um no outro, cumplicidade, em um relacionamento, seja heterossexual ou homossexual, sinceramente, não vejo diferença entre eles, assim como o prncípe da história, por ser deficiente visual também, fico menos exposto a olhar reprovadores, etc, mas me deixam aptos a perceber só a essência, enfrenta-se um monte de dificuldades, sim, mas quem não enfrenta.
    Para terminar, encontrei uma frase dita por Carlos Drummond de Andrade que caiu como uma luva para mim “Quem escreve cartas para jornais, é porque não tem namorado.”, preciso parar de escrever, sorriso com malícia, parabéns, esse espaço, possui uma diversidade cultural enorme, sem competição de conhecimento, mas na tentativa de ajudar.

    1. Caio disse:

      Olá MGV, é a primeira vez que comento aqui. Achei bem interessante o seu blog e você escreve muito bem. Lendo este post, pude conhecer um pouco mais de meu próprio signo, o qual apenas digo que sou pois a data de aniversário indica (nunca me envolvi com esses assuntos de astrologia rsrs), mas vendo a partir da óptica apresentada até que me identifiquei muito com o que o Áries significa. Inclusive numa aula de inglês semana passada comentamos sobre signos e o texto da personalidade do ariano dizia muito de quem eu sou (liderar, ser dono de si etc rsrsr) e agora vejo isso no seu blog, talvez seja um sinal…deu até vontade de pesquisar mais sobre. Bom, mas vejo também que agora toda semana vou dar uma passada por aqui para ler suas palavras. Parabéns.
      Grande abraço!

      1. minhavidagay disse:

        Obrigado, Ariano!
        Seja benvindo ao blog e fico feliz por ter gostado da “linha editorial”.

        Abraços e não deixe de participar do “Perfil do Leitor
        MVG

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