Preconceito entre gays e lésbicas

Existe preconceito entre gays e lésbicas?

O ser humano é um bicho esquisito. Coloca limites e barreiras entre as pessoas das mais diferentes formas. O tema do preconceito racial é o mais difundido. Para o bem ou mal os brancos que se espalharam da Europa para o mundo há milênios atrás instituíram uma supremacia de poder territorial sobre os outros povos. (Uma introdução bem resumida).

O Renascimento que me desculpe! Mas tirando a beleza tão cultuada e mundialmente difundida, fortaleceu ainda mais a estética do branco. Venderam brancos com corpos bem torneados durante séculos e foram referência primordial para as demais escolas artísticas.

Os ingleses tendem a ser anti-americanos mas esquecem que o povo dos EUA, em origem, é filho da rainha!

Gays negros e orientais são categorias nas abas dos sites pornôs, dividindo espaço com latinos, sexo anal, solo, amador, cumshot, entre outros. Que privilégio! É de se pensar se esse fetichismo não tem uma carga grande do preconceito. Cadê a aba “branquelos”, “translúcidos” ou “pálidos”?

Além do preconceito racial, o Brasil é um país que fortalece o preconceito de classes. Como comentei no encontro dos leitores do MVG, lá no Athenas Bar, esse carro aí, o Mini Cooper, que por aqui a gente paga no mínimo 80 mil reais, custa nos EUA 7 mil dólares, que dá 14 mil por aqui! Que carro no Brasil, mesmo nacional, a gente compra por 14 mil? E claro que a classe mais abastada compra, paga essa fortuna para afirmar seu poder, para afirmar sua diferenciação.

O ser humano também tem preconceito de idade. Naturalmente nos reunimos com pessoas de uma mesma faixa etária, pelos assuntos e pelas afinidades. Mas deixa o amigo chegar com um namorado que ostenta a maior idade? Pronto: é certeza que vai virar assunto e, normalmente, longe dos ouvidos do casal!

Falei também já no MVG sobre o preconceito entre gays. De um lado, um grupo de quase personalidades romanas-rosa, fortalecendo um esteriótipo, dos músculos sem camisa. Do outro as menines-coloridas sensualizando na “pixta”, criando outro esteriótipo; e não poderia deixar de citar os “ursos”, bears que fazem questão de ostentar pêlos, barriga, adoração pela cerveja e o modelo de outra patota. Ok, mais uma vez nos identificamos pelas afinidades e, nesse caso, mais estéticas do que qualquer outra coisa. Mas não tem, NÃO TEM como não dizer que esses modelos contribuem diretamente para os esteriótipos. Depois a gente reclama que a vida é dura…

Agora, um outro tipo de preconceito que quase ninguém comenta mas obviamente se vive, é entre os gays e as lésbicas. Para centenas de gays todas as lésbicas são caminhoneiras. Olha aí a gente colocando as mulheres numa caixa. Basta olhar para os guetos e perceber que nas baladas gays existem a “noite das meninas”, as “noites dos meninos” e praticamente nunca a noite das “rachas e das bibas”. E olha que essa segmentação nem é de responsabilidade das baladas porque, no final, funciona melhor assim pois é o público mesmo que segrega!

De onde vem essas limitações de quadrantes?

No meu ponto de vista vem daquela mesma sociedade tradicional e machista que coloca a mulher em segundo plano, que é heterossexualizada e coloca o homem provedor como o dono do pedaço. “Jesus! Então gay pode ser machista?”. Pode totalmente. A gente não percebe. Saimos fazendo as coisas e não notamos que essa segregação de homens gays e mulheres gays tem alto teor de machismo. Dicriminamos mulheres por serem como são e por serem “caminhoneiras”. Daí a gente quer acertar a vida gay, dar um rumo, poder viver com plenitude mas carrega toda essa carga de preconceito que nos torna limitados. Nos fechamos em nossos “quadradinhos” confortáveis com medo das diferenças.

Será que toda sapa “dirige caminhão”? É claro que não! Mas a gente resolve acreditar que sim porque fica mais fácil para não ter que conviver, ou melhor, não ter que superar o medo das diferenças.

Então, o tempo está passando, o mundo anda evoluindo freneticamente no campo da tecnologia, das ciências, da medicina, mas na parte comportamental e social continuamos rudimentares. Nos vestimos com grifes, usamos perfumes importados, compramos os melhores calçados, fazemos o corte de cabelo mais moderno, ostentamos o melhor smartphone, frequentamos academia, falamos línguas, viajamos para o exterior, esbanjamos marcas e somos soberbos na aparência e no status que queremos transmitir. Agora, na coisa da humanidade, uma boa parte tem uma certa tendência ao fracasso!

Claro gente! Me diz como conseguir ter um relacionamento sadio e virtuoso se temos medo de raças diferentes, de idades diferentes, de classes diferentes, estéticas diferentes e sexo diferente? Como ser pleno e esclarecido se uma lésbica nos causa medo?

Lembro de um amigo que sofreu HORRORES para encontrar um namorado. Projetava até a sua inveja e frustração em cima de mim. Mas também ele classificava assim: “se não tiver carro e celular pós pago não tem como namorar!”

[Caraaaalho! Como é isso?! Que pensamento mais tosco! – pensava eu (rs)].

O preconceito, queridos leitores, tende a nos tornar fúteis e evasivos. Fugimos, inclusive, de experiências que contribuem diretamente para o nosso crescimento. O nosso “quadrado” fica tão pequeno que, no máximo, dá para enjoar de um e trocar por outro porque não cabe mais ninguém! E assim, alegamos que somos muitos seletivos! Existe um diferença entre ser seletivo e limitado.

Nós gays somos também humanos e o humano, normalmente, tem medo do outro. Tende a enxergar só o que quer enxergar. Tende a se auto-afirmar nas rodinhas dos “iguais” num puro exercício para ser aceito, elogiado, ou cobiçado. E, na grande maioria das vezes, não pensa nesses conceitos que nos enobrece, que quebra paradigmas e eleva, sim, nosso espírito.

Amanhã faço as malas com meu namorado, um amigo de 40 e poucos anos e um casal de amigas lésbicas. Porque no final, queridos leitores, no estado mais próximo que podemos chegar de nossa naturalidade humana, nos despindo dos vícios urbanos de consumo, comportamentais e sociais, somos todos iguais.

Mas quem é que exercita esse tipo de consciência?

Não adianta querer respeito à diversidade se não a vivemos!

2 comentários Adicione o seu

  1. Fato… não entendo muito de rashas, mas n tenho nenhum problema! Aliás, adoro, pq troco dicas de cosméticos! kkkkkkkkk

  2. Peter disse:

    Nossa, eu não imaginava que pudesse ter essa “guerra” entre gays e lésbicas, já que todos levantam a mesma bandeira… realmente não faz sentido algum…

    Mas uma coisa é certa… os rótulos – infelizmente – vão continuar existindo…

    Abraços!

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