AIDS entre os gays. Qual a situação nos dias de hoje?

Frequentadores do meio gay: fiquem atentos a esses dados sobre a AIDS entre os gays.

Foram entrevistados aproximadamente 1.200 jovens de 18 a 24 anos em bares, baladas e cinemas na região da República e Consolação, áreas que formam parte das luzes, esquinas e diversões gays.

Dos jovens gays de 18 a 24 anos entrevistados, 6,4% estão infectados com o vírus da AIDS – taxa cerca de 50 vezes maior que a média nacional nessa faixa de idade.

Dos jovens gays de 18 a 19 anos entrevistados, 5% são soropositivos – contaminados nos dois primeiros anos de vida sexual.

Esses foram os resultados obtidos pela FAPESPFundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo – instituição governamental de fomento a pesquisa acadêmica relacionada à Secretaria do Ensino Superior do Governo do Estado de São Paulo. Coisa séria.

Talvez metade dos leitores do Blog MVG não se recorde dos atores Sandra Bréa e Lauro Corona. Mas a maioria reconhecerá nomes como Cazuza, Renato Russo e Freddie Mercury, os últimos, gays ou “bissexuais” que fizeram fama. Há 30 anos atrás, na década de 80 começava a epidemia da AIDS no Brasil, doença preconceituosamente associada ao público gay, que foi o primeiro a ter registro de contágio pelo nível de promiscuidade e permissividade que tanto sabemos que rolava e rola por aí a fora. A AIDS era e é transmitida pela relação sexual. O mundo inteiro estava alarmado com essa doença sem cura e que – atacando diretamente a proteção natural do organismo, o sistema imunológico – debilitava um indivíduo que contraia diversas doenças associadas à perda de resistência pela SIDA (Síndrome da Imunideficiência Adquirida) e que, se tivesse dois anos de sobrevida, era muito.

O governo, a mídia e a propaganda reuniam esforços para promover campanhas vastas e contínuas com o objetivo de trazer consciência e clareza a sociedade. Qualquer jovem naquela época, pelas escolas, pela educação em casa e pela TV, ouvia de maneira maciça o alerta da prevenção e proteção. AIDS era e é sinônimo de morte mais precoce, de medo, de vergonha e mais preconceito. Mesmo assim, a AIDS habitou muitas pessoas naquela época. Os gays, fundamentalmente como alvos fáceis da doença pelos modelos comportamentais que existem até hoje, jovens de 20 poucos anos naquele tempo e que continuam vivos, carregam o drama do que foi tudo aquilo. Conheço três pessoas que hoje são cinquentões e que são soropositivos, fora aqueles que são e que não abrem essa realidade pelo preconceito e receios (quase) óbvios.

Acontece que, de lá para cá, a medicina avançou fortemente embora ainda não tenha achado a cura para a AIDS. A mídia e o próprio preconceito vinculado ao gay calou a consciência dessa doença dentro das famílias, e as pessoas estão naturalmente muito mal informadas. O soropositivo carrega o vírus, mas os atuais medicamentos retardam a proliferação, o ataque ao sistema imunológico e os terríveis e visíveis sintomas. Só que o soropositivo transmite AIDS assim como era nos anos 80 e assim como deve ser por mais um tempo.

Não tenho o objetivo de alarmar nenhum jovem leitor – frequentador do meio gay – mas a conscientização é importante porque estamos falando de uma doença sem cura e que pode devastar corpo e mente. Bares e principalmente baladas gays são locais evidentes do culto ao belo, das roupas, dos estilos e de uma saúde aparente. Não quero dizer que o soropositivo não possa esbanjar um shape saudável. Pode e deve, não só shape como preservar a mente sã porque hoje dá. Mas, nessa ilusão da beleza e do sexo fácil no meio gay, mais uma vez a AIDS se alastra em proporções mais elevadas entre nós.

Do ponto de vista do Blog MVG, meu ponto de vista, isso é bastante triste.

Para saber mais sobre a pesquisa da FAPESP, acessem o link: AIDS entre os gays nos dias de hoje.

[Agradeço ao leitor Fernando Limma por contribuir com informações para esse post!]

3 comentários Adicione o seu

  1. Dark disse:

    Estou bem contente com a medicina. Depois que fiquei sabendo de um homem que foi totalmente curado da AIDS e sofria de leucemia, fiquei muito contente. Outra notícia que vi na TV dizia que o Brasil pode ser grande colaborador para encontrar a cura (ou vacina?) da AIDS através de diversos testes em cobaias. Não posso dar detalhes porque não lembro direito da notícia e para passar maiores informações, teria que pesquisar, o que me dá enorme preguiça. rs
    O que me entristece é a falta de informação. Em outra notícia, que vi na TV, mostrava um ambiente com várias cadeiras laranjas e uma na qual havia um adesivo apontando para baixo com a seguinte mensagem: “Aqui sentou uma pessoa com AIDS.” Ninguém se atrevia a sentar na cadeira e os que sentavam, quando avisados do adesivo, sentavam em outra cadeira. O repórter informou que a AIDS não é transmitida nem mesmo quando se senta no mesmo vaso do portador do vírus. Muito menos sentando na mesma cadeira que o infectado. Minha vontade era de sentar naquela cadeira, só para mostrar que não tenho nojo de quem tem AIDS, muito pelo contrário. A luz está no conhecimento e as trevas na ignorância… A notícia ainda mostrava atos de intolerância (não propriamente agressão física) contra “infectados da AIDS” (tudo armação), que revelavam o fato para um amigo do lado (justamente para testar a reação das pessoas). Essa notícia é recente.

    Vou assistir Avenida Brasil. õ/

    1. minhavidagay disse:

      Oi Dark!

      É preciso ver e rever essa notícia da cura da AIDS. O que sei é que algumas prostitutas na África são muito mais resistentes que a média para contrair o vírus. Mas a cura não existe. O que pode existir é um erro de diagnóstico.

      Abs!

  2. Jean disse:

    triste essa realidade da ligação da doença com os gays.
    esses dias atrás assisti um filme que relata bem sobre tal vinculo.
    chama-se “Apenas Uma Questão de Amor” é um filme francês muito bacana.
    mas graças a mídia, as pessoas hoje são mais informadas e entendem que que não é uma doença de um público específico! :)

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