Relato no Minha Vida Gay: Até quanto gay?

Acabo de receber um relato curioso, do “Roberto”, leitor do MVG que descreve um caso interessante, diferente e até mesmo polêmico. É um post que pode mexer com questões morais entre marido, esposa e filhos e que aponta para as dificuldades psicológicas, sociais e questões de valores entre pessoas.

Relato de Roberto:

Olá, inicialmente gostaria de dar-lhe os parabéns pelo Blog, que me encantou pela profundidade e seriedade dos posts, bem como pela qualidade das matérias e perfeita redação.

Talvez a situação que eu lhe traga não lhe seja surpresa, mas a mim vem afetando muitíssimo: hoje tenho 42 anos, sou profissional, casado e pai de dois filhos pequenos. Desde jovem tenho tido relações sexuais com mulheres e homens (com estes, sempre de forma sigilosa). Sempre me senti mais atraído por mulheres do que por homens, mas, na hora do sexo, me agradam ter relações sexuais com ambos (com homens, só como passivo). Sob o aspecto sentimental, nunca me apaixonei por homens, mas, por várias vezes, me apaixonei por mulheres (já estou no 2º casamento).

Há pouco tempo minha esposa soube do meu desejo por homens e, a partir daí, nosso casamento ficou bastante desgastado e quase nos separamos. Nossa vida sexual tem sido muito fraca e, quem sabe por isso mesmo, meu desejo por ela tem diminuído e minha atração física por homens tem aumentado (sem, necessariamente, haver diminuição da minha atração por mulheres em geral). Penso que, se não fosse pelo medo de que ela me afaste de meus meus filhos, talvez já tivesse me separado.

Mas ultimamente tenho sentido o desejo de ter algo mais, sentimentalmente, com outro homem, coisa que nunca antes havia sentido. É certo que a atração sexual tem grande parcela de culpa nesse desejo mas, afinal, isso também ocorreu com meus relacionamentos heterossexuais. Entretanto, lendo uma de suas postagens anteriores, me coloquei em dúvida se é isso que realmente quero para mim, pois, por exemplo: não me sinto preparado, e nem disposto, a levar um namorado a um jantar com minha família e/ou amigos. Talvez teria mais coragem se amasse outro homem a tal ponto, mas, como isso nunca antes aconteceu, não sei se realmente aconteceria.

Tenho questionado também essa minha “homossexualidade” pois não me vejo, de maneira nenhuma, como gay. Quando muito, tenho desejos bissexuais. Nunca gostei de brincar de boneca ou tive mais afinidades e/ou assunto com as meninas. Pelo contrário, sempre tive amigos homens, com quem saía para beber, jogar bola, ir ao jogo de futebol (coisa que adoro) ou pegar mulher (quando era jovem). Não me interesso por moda, tenho pouca vaidade e, pasme, meu maior hobby é exatamente carros!!! Tenho parentes e amigos gays que nunca, de forma nenhuma, suspeitaram desse meu desejo por homens. É como se, na verdade, tudo o que sempre me interessou em homens fosse somente o sexo, e não o dia seguinte.

Tenho lido blogs como o seu na tentativa de me identificar sexualmente como homossexual, mas, ao contrário, tenho me sentido cada vez mais confuso: parte de mim anseia por ter um relacionamento sério com outro homem, mas por outro lado, não consigo me ver como gay e, por isso mesmo, não me sinto preparado a encarar as dificuldades de “sair do armário” (inclusive no tocante a perder meus filhos). Quando muito, me vejo como alguém que gostaria de ter um parceiro sexual masculino fixo.

Cara, desculpe por te “alugar” tanto tempo, e nem sei se é sua política conversar sobre tais problemas pessoais, mas nunca tive ninguém com quem falar sobre isso e, sinceramente, estou cada vez mais convencido que devo ser de outro planeta… Rsrsrsrsrs

De alguma forma, seja pela maneira séria e lúcida que você expôs suas posições, seja pelos conselhos e opiniões que você dedicou a seus leitores, me senti encorajado a te escrever e falar sobre esses meus problemas. Todavia, entenderei caso vc. não possa (ou não queira) responder.

Um grande abraço, e continue com esse seu Blog, que tem ajudado a tanta gente.

MVG:

Oi Roberto!

Primeiramente agradeço por dividir seu relato no Blog MVG. Agradeço também pela apreciação do MVG e por ter contribuído com um caso um tanto “complexo” para oferecer um ponto de vista!

As linhas que se seguem, como em todo o Blog, não dizem respeito à verdades absolutas, mas refletem opiniões e reflexões de um gay que já há 12 anos vem se assumindo e acumulando experiência como homossexual. Sempre bom reforçar essa ideia.

O seu relato bate de frente com valores que pessoalmente tenho em relação a ideia de fidelidade. Tentarei ser o mais imparcial possível! rs

Diria que você é um bissexual resolvido, pela naturalidade que expressa sua situação em seu texto, e um homossexual mal resolvido por um grupo de fatos narrados. Fica meio claro para mim, que sou gay assumido há um tempo razoável, que esse certo ar de constrangimento, mal estar ou mal jeito de levar um namorado-homem para a família para jantar, dividir o tempo com seus pais e irmãos são “sintomas” de gays mal resolvidos. Isso tem a ver com repertório próprio, com valores machistas, preconceito e com sua dificuldade de aceitação, nessa sua percepção que se auto-entitula “de outro planeta” . O escapismo até se justifica (rs).

Pela maneira que escreveu – posso estar enganado – dá a impressão que a sua esposa teria que ser “obrigada” a aceitar sua condição com certa naturalidade. E, ainda, você justificar que a decorrente falta de libido é fruto do desagrado por parte dela me parece uma reação óbvia, não? Em qual situação uma mulher casada aceitaria com tranquilidade a revelação do marido transar com outra ou, no seu caso, com outro? Realmente, não nessa sociedade, nem nessa planeta! rs

Roberto, já parou para pensar que, além de bissexual assumido, gay mal resolvido, você possa ser também um machista enrustido? Vejo uma certa comodidade em justificar que sua esposa não transa legal pelo fato de saber de sua tendência também com homens. Comodidade no sentido de que é confortável ter uma esposa que o tolere, embora não o aceite, mantendo a imagem social padrão perante seus grupos.

Claro que compreendo as questão dos filhos embora não os tenha. Mas o quanto vocês os colocariam a par desse “jogo”, num esquema de chantagem? Não lhe parece desrespeitoso com os próprios filhos?

O que é tão ruim ou o que tem de mal na ideia de ser gay? O que essa pequena palavra de três letras representa a você a ponto de viver esse estilo de vida “de outro planeta”?

De qualquer forma, acho corajosa a sua exposição por aqui e considero ser uma outra referência para todos que buscam entender as questões e variantes da homossexualidade. E meu conselho mais sábio é que procure um terapeuta que, se você estiver realmente disposto a se abrir e disponível a mudanças desse modelo, grandes chances de te ajudar a encontrar seu caminho.

Não me sinto suficientemente capacitado a te dar outras opiniões, a não ser tentar te colocar a pensar sobre os pontos acima.

Não posso deixar de comentar que seu relato me ajuda a desconfiar, cada vez mais, que a bissexualidade é uma sexualidade transitória. Muitos gays se enrustem na bissexualidade não somente pela não aceitação social, mas pela não aceitação de si próprio como gay.

Abraços!

22 comentários Adicione o seu

  1. Junior disse:

    Cara na boa vc está mais para bissexual do que homossexual, porque gay não sente porra nenhuma de atração por mulher isso nao é o seu caso.

    Se o seu casamento e a sua vida sexual com a esposa esta um fracasso nao fique perdendo seu tempo, dê um basta nisso e planeje outro rumo a sua vida. Viva a sua vida e nao fique empurrando com a barriga.

    Sou gay assumido para meus pais e me acho bem resolvido, nao caia nesse papo de gays que acham que vivem num comercial de margarina que é furada, vc pode ter um relacionamento homo e nao precisar sair apresentando o boy pra tio e vó, muito menos levar pra jantar, festas de familia e amigos, isso é besteira e papo de viado iludido que nao tem o que fazer. Se encontrar um cara bacana, que voce curta e role um sentimento namore o numa boa sem neuras dentro de uma relaçao de descricao e masculinidade total. Muitos homens preferem isso, voce pode muito bem amar outro homem sem a necessidade de gritar as 4 ventos ” eu amo um homem, dou pra ele e sou feliz!! Rsrs

    cara eu acho que voce tem que se entender e se aceitar como voce é, fazendo isso esta bom demais e seja feliz. Nao fique perdendo tempo e energia pensando em como se enquadrar como BI ou Gay, sair do armario… isso é besteira, o importante é vc encontrar um modo de ser feliz e estar de bem consigo mesmo!

    1. minhavidagay disse:

      Oi Junior!

      A vida de “comercial de margarina” normalmente é para os outros (para quem vê). É imagem e é claro que não existe relacionamento nenhum que tudo seja um mar de rosas embora algumas famílias ou casais forcem essas aparências, sejam gays ou heterossexuais.

      É natural que, quando a gente assume um relacionamento, exista uma tendência a aproximar o namorado para próximo das pessoas que são íntimas como familiares e amigos. Viver só os dois acaba sendo sufocante e não conheço nenhum relacionamento bem sucedido nesse modelo, bem sucedido que dure além de seis meses que no meu sincero ponto de vista nem dá para falar que é namoro.

      No começo é natural um casal ficar grudado. Mas com o tempo, tendemos a coletivizar mais pois não dá para viver só do namoro fechado ou velado. Acho até pouco saudável esse modelo. Compreendo o coletivizar relacionamentos como algo humano, natural e não necessariamente o não fazer dessas coisas como “coisa de homem”.

      Penso que gays que são somente assumidos para os pais, ou tem um contato remoto com parentes mais próximos que não exige mesmo expor a sexualidade ou poupa os próprios pais dos outros saberem da homossexualidade em família. Poupar os pais não me parece ser mais amadurecido. De qualquer forma, a intimidade não precisa ser exposta a quatro ventos mesmo. Só que, num convívio social, deve ser natural levar um namorado a grupos próximos. Novamente, ficar fechado é sufocante e limitado demais.

      Não entendo a relação de namoro e discrição com “masculinidade total”. O que é uma “masculinidade total” senão algo muito subjetivo? Isso me soa preconceituoso! rs

      Também não acho que o “Roberto” tenha que dar um basta na situação que vive com a família. Existe um relacionamento com esposa e com filhos que está em questão e que deve ser conversado, pesado e avaliado com calma. Dar um “basta” no sentido de atirar tudo para o ar, mais uma vez me parece pouco amadurecido, ou egoísta, ou inconsequente.

      De qualquer forma, cada cabeça uma sentença.

      Abs,
      MVG

      1. Caio disse:

        Mvg eu discordo de vc na parte que voce diz que ser assumido apenas para os pais e poupa-los de outras pessoas saberem sobre a sua sexualidade parece ser menos amadurecido, pelo contrario quem faz isso é uma pessoa totalmente amadurecida, acho ridiculo o cara que se assume gay e fica contando pra todo mundo sua orientação, isso é muito intimo e pessoal, é desnecessário e depois quando começa a sofrer preconceito ou vira alvo de boatos e fofocas entre as pessoas se faz de vitima e fala que o mundo é preconceituoso. pode falar que sou preconceituoso mas se muitos gays tivessem semancol e fossem mais reservados, menos exibicionistas e mais sensatos o homem gay nao seria tão julgado e injustamente difamado como é hoje.

        O Junior falou algo que eu gostei “uma relaçao de descricao e masculinidade total” o que ele disse nao é preconceito é uma verdade, no meio gay como vc sabe há muitos tipos de relaçoes e casais gays, muitos homens gays procuram ter uma relação com descrição e procuram homens masculos para terem ao seu lado, acho um saco esses gays que ficam vomitando arco-iris e pensando que são um casal normal, que podem andar de maos dadas, trocar caricias em publico e que o restante do mundo é obrigado a aceitar, respeitar e achar o que fazem é bunitinho e normal. temos que parar com essa hipocrisia que somos iguais aos outros porque nao somos!

        Ser gay não é facil mas também não é uma cruz pesada que temos que carregar o resto da vida, acho que devemos nos entender, nos aceitar, saber o que queremos e tentar ser feliz. sair do armario, contar para os outros que gosta de algo diferente, se achar diferente e melhor como muitos caras fazem por ai isso é besteira. O melhor conselho para o Roberto é ele se aceitar, se conhecer como pessoa e homem, pesar o que é melhor: se continuar num casamento falido ou criar coragem e viver uma experiencia que ele deseja e que talvez possa ser a sua tabua de salvação, viver uma relação que possa um dia faze-lo feliz.

      2. minhavidagay disse:

        Oi Caio!

        Obrigado pelo seu ponto de vista diante temas bastante polêmicos.
        Escrevi um texto em resposta a seu comentário, mas sem querer perdi aqui clicando nos botões.

        Fica então apenas esse simples registro: pense o quanto o preconceito e o apego a alguns valores tradicionais da sociedade não habitam a sua mente e criam um cenário até que confortável e seguro, mas muitas vezes que te coloca em contradição.

        Abs!
        MVG

  2. Roberto disse:

    Obrigado pela pronta resposta. Vou refletir sobre o assunto. Abs.

    1. Bird disse:

      Bem, primeiro você não é gay e nem será. Segundo, você não é de outro planeta coisa nenhuma.
      Tem muita gente como você, mas como o problema não é tão grande, ninguém anda por aí falando no microfone.
      Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Uma coisa é relacionamento com homem, outra coisa é com mulher. Este parceiro homem que você quer não passa de um amigo mais íntimo, em quem você possa confiar tudo, mas tudo mesmo que se passar pela sua cabeça.
      Logicamente que é difícil de arrumar isso, mas é possível. Conheço uma pá de homens jovens de 30 anos que ultrapassaram a barreira da inibição, admitiram que querem cólo de macho, e obtiveram de outros caras maduros o bastante para compreenderem a situação. Não deixaram de serem homens, muito pelo contrário, com relação às mulheres, a libido aumentou muito mais, e elas simplesmente não precisam saber disso porque dificilmente entenderiam, do jeito que se acham cheias de direitos.
      Conheço homens casados de mais de 40 ou 50 anos e com filhos já criados, inclusive, casamentos felizes de longas décadas, que tiveram relações homo e nunca deixaram de ser machos com tudo o que têm direito, sem jamais assumirem coisa nenhuma além do que já são, simplesmente homens comuns.
      Tudo o que você precisa é acreditar em você mesmo, fazer o que você quer, ter as experiências que quiser, e não ir atrás da conversa de ninguém, porque nessa área pouquíssima gente sabe o que fala, principalmente os profissionais.
      Uma vez obtido este tal amigo especial, com quem sexo pode ser possível ou não, porque isso realmente não é tão importante quanto imaginamos, as coisas entram nos eixos de novo na sua cabeça.
      Portanto, o que você procura é cólo de macho, simplesmente. Cólo que faltou em alguma hora que você precisou, e uma vez não preenchido, você ficou procurando e sente esta necessidade, este vazio. Daí para tornar-se gay e sair de um armário imaginário tem uma distância como daqui para a Lua. Porém, por aí você só vai arrumar conselho desse tipo, pra se assumir. Então eu lhe digo aqui que você tem outra opção bem mais atraente.
      Se assumir, vai quebrar a cara, e pode não ter volta, pois ninguém perdoa. Se continuar como está, tem tudo a ganhar.
      Só tem uma coisa aqui que me deixa embatucado e com o pé atrás. É que você não foi feliz no primeiro casamento, porque teria sido isso? Segunda vez é sempre como café requentado, e por isso você tem receio sobre seus filhos, o que denota um relacionamento falho com sua atual mulher. Dá até pra desconfiar se você está mesmo falando a verdade sobre seu gosto pelas mulheres, ou se não se trata da velha desculpa dos que protelam ao máximo se assumirem como gays definitivamente.
      Se ela descobriu, é porque você não fez bem feito. Se ela não tirou por menos, é porque não gosta de você tanto assim, me desculpe. Se ela se tornou uma ameaça, foi porque você não soube escolher a mulher certa (da segunda vez também). Se você não escolheu a mulher certa é porque não entende muito bem de mulher. Uma boa mulher é fundamental na vida de todo homem equilibrado. E por isso é tão difícil tanto um como o outro, boa mulher e sujeito equilibrado. Se seus filhos lhe amam, não tem separação que os afaste pois criança é escrava mas não é burra e cresce.
      Este seu amigo de cólo vai ser um amigo por muito tempo, senão para a vida toda, assim como é o nosso pai, que mesmo ausente, está sempre presente no nosso coração. O rolo todo é encontrar este bendito, pois quando perdemos o bonde do nosso pai, viramos Maria vai com as outras, vulnerável e por vezes… passivo.
      Sobre levar namorado para casa, isso não tem nada a ver, ninguém precisa disso. Se você curte alguém, você não precisa de mais ninguém na jogada. A sociedade nos acostumou a dar satisfações a ela, à nossa família, mas não temos que dar. Isso é contra a natureza do relacionamento a dois. Dois! Na realidade trata-se da curiosidade extremada de todo mundo de saber com quem fulano está andando, mas nunca é para ajudar, só se o tal parceiro for do jeito que eles acham que deve ser. Mas quem escolheu foi você, oras. Se a família te ama, ela aceita qualquer parceiro seu. Se você não se sente bem levando quem quer que seja para casa, é porque estas pessoas não lhe amam, tudo é simples e límpido assim. Pois quem ama não cobra, dá apoio.
      Obviamente que um gay só vai dar conselho para você ser gay, portanto aqui está conselho não gay pra você escolher e saber que tem opção, ah, e como tem.
      Lendo os outros comentário, acrescento que, quando se ama alguém, dificilmente se transa com outra pessoa, seja de que sexo for. A pessoa fica centrada no objeto do amor e não perde tempo com outras pessoas. Se você “traiu”é porque não estava centrado na sua esposa. Pior ainda é ser descoberto, mostrando que nem competência tem pra “trair”. A palavra “trair”aqui está entre parêntesis porque não existe tal coisa. A pessoa sempre sabe se o parceito está ligadão nela ou não, e consequentemente, ela sabe que pode ser “traida”a qualquer momento, portanto deixa de ser “traição”porque a pessoa já sabe que pode acontecer. Esse joguinho idiota pega quase todo mundo na nossa sociedade, mas acredite, tem gente que não é idiota e nem se faz de idiota.
      Sobre os filhos, eles não precisam saber de todos os detalhes de sua vida. Jamais saberão mesmo, assim como você também não vai saber da vida deles, e nem da sua esposa. Ninguém tem que saber de nada, só tem que amar, e amar é respeitar, entender, respeitar o espaço. Se eles são satisfeitos com o pai que têm, eles não irão querer mais nada, muito menos estragar tal sentiment tão nobre e caro. Mulher é a mesma coisa, se ela não está fazendo sexo direito, ela não serve para você, a coisa é simples. Nada que não possa ser resolvido com diálogo claro, exposição dos fatos, a vida é como ela é e ponto final. Obviamente que estou falando aqui de uma mulher madura, o que em geral não é a maioria dos casos. A maioria das mulheres não merece nenhum respeito, infelizmente. Mas gay gosta de dizer que elas merecem, claro, afinal eles estão do lado delas, e não dos homens que são seus antagonistas. Elas não são nenhumas santinhas, e muito menos eles…
      Aproveitando a deixa de outro comentário, sua bissexualidade pode sim ser passageira, assim como é e tem sido a de uma pá de machos que eu conheço. A grande maioria deles nem se lembra mais das experiências nessa área, principalmente quando acharam as mulheres de suas vidas, as verdadeiras companheiras. É preciso ser especial para merecer uma vida especial cercado de pessoas especiais. Seguir com a manada de ovelhas é fácil, e muita gente prefere isso.
      O “Júnior” aí está de parabéns, você não tem que sair por aí dando satisfações de sua vida pra família nenhuma nem amigos. E eu então acrescentaria, se você tiver algo “especial” com outro homem, também não precisa traduzir isso como “namoro”, “noivado”, “casamento”, que não tem nada a ver uma coisa com a outra, e este engano atrapalha um bocado a cabeça da pessoa. Estas são palavras usadas para casais héteros, o que existe entre dois homens é coisa de macho, não tem nome, o tal do amor que não se diz o nome.
      Opa, “Caio” também, opinião de alta qualidade. Ele levanta o lance de que os gays espaventosos esperam que todos engulam as ofensas deles, mas nestas horas defendem as mulherzinhas dizendo que elas não tem que engolir a homossexualidade ou bissexualidade de seus esposos. Bunito né?
      Sobre gay não gostar de mulher de jeito nenhum, tudo é uma questão de provar, experimentar. É impossível não gostar. Gay pensa que não é homem, mas é, não tem jeito. Nem cortando…

      1. minhavidagay disse:

        Oi Bird!

        Polêmica, eis a palavra. Creio que já era hora para colocar a diversidade de homens gays/bi sob as questões de aceitação, convergência ou intrasigência.

        Graças ao post do “Roberto” o Blog MVG está se enriquecendo com depoimentos de homens que transam homens e mesmo assim se consideram machos supremos. Pelo menos é por aí que estou entendendo as definições apresentadas. Isso é bastante novo para mim e não deixa de ser uma forte referência por aqui. Com esses relatos e depoimentos a gente amplia a visão da diversidade sexual, da cultura e da mistura de tradição e imposição, inclusive de homens que gostam de “colo de macho”, que desqualificam a mulher e que se colocam num primeiro plano com imperatividade, típica atitude de “macho”. Taí o “machista velado” a que me refiro, que é gay mal resolvido e bissexual assumido.

        Bem ou mal, Bird, esses modelos que você relata em seu comentário estão falindo, fragmentando e, se aqueles que não se adaptarem as novas realidades óbvias de comportamento, assumindo posições claras perante a sociedade e seus grupos, tendem a viver da periferia social ou exclusão, e é o que já está acontecendo. Essa cultura tradicional de que homem pode tudo, inclusive transar com outro homem e ainda se colocar como macho é uma posição que tange a alienação. Assim, a ideia de “outro planeta” não é tão absurda como parece. O anarquismo nunca entrou como modo-de-produção porque, em sociedade, provou-se que não se aplica há séculos atrás.

        Esse círculo de homens onipotentes, que inclusive se sobrepõem às mulheres e ao o que você entende como gay, estão realmente fragilizados. Inclusive o certo tom firme e radical em seu comentário é reflexo dessa fragilidade. Obviamente que “macho que é macho” não iria ficar com chororo, mas sim com acusações, imposições e uma postura – no seu caso – absolutamente preconceituosa.

        A dica que dei para o Roberto de procurar um psicólogo serve a você também. Claro que esse conselho, a você e pelo que parece, não cabe porque “macho” não precisa tratar da cabeça, não é mesmo?

        Para ver que esse perfil, que você expõe abertamente em seu relato, já é banalizado, comum e definitivamente destrinchado.

        Essa sua postura de inferiorizar mulheres, dizendo que todos os gays as acolhem por serem gays, é até cômico, do tipo discurso de personagem machão de novela das seis, da masculinidade total, que é esteriótipo.

        Assim, esse exemplar só traduz o que também relato no MVG, que o “gay arco-íris” e o da “masculinidade total” deveriam sair de mãos dadas juntos para que, inclusive essa intolerância entre nós mesmos acabasse. Nem um lado, nem outro contribuem em nada com a sociedade. Por um lado o “arco-íris” personifica nossa realidade parcialmente, imprimindo um modelo exagerado. Por outro lado o “machão” vive essa pseudo realidade hétero-gay, fragmentada, perdida e omissa a si mesmo negando boatos, fofocas e comentários para a preservação de sua integridade, mas também não fazendo nada para mostrar para as pessoas próximas que o “arco-íris” não é a única referência. Machões tendem a preferir o anonimato, o não envolvimento, mas são os primeiros a apontar as “atrocidades” dos “arco-íris”. Esteriótipo VS. Esteriótipo.

        Mas quem sou eu para tentar mudar a cabeça dos esteriótipos? Esteriótipos são rígidos, rigorosos consigo e intolerantes.

        Que bom que o post gerou tantos relatos controversos, de um segmento de bi-gay-whatever-machão que é o oposto simétrico ao universo do arco-íris. Ambos extremistas, ambos com um discurso impositivo. Esteriótipos são todos iguais, emanando e provocando preconceito, sejam os excessivamente expostos ou os omissos e apáticos, um acusando o outro pelas mazelas da nossa representatividade social mas, de fato, não fazendo muita coisa para melhorar uma condição que deveria ser coletiva e compartilhada.

        Abs,
        MVG

  3. Roberto disse:

    Prezado MVG e demais pessoas que, gentilmente, colocaram aqui sua opinião.

    Estive pensando e refletindo sobre o meu problema e sopesando as diversas opiniões recebidas, as quais agradeço muitíssimo. Longe de chegar a uma conclusão definitiva sobre o meu “problema”, quero antes colocar, também a vcs, algumas questões que entendo pertinentes.

    Creio que todos nós, humanos, temos intimamente a pretensão de que a solução que adotamos seja sempre a melhor para todas as pessoas e, a partir daí, logo de início discordamos de qualquer coisa diferente daquilo que nos serviu, bem como julgamos e rotulamos as atitudes do outro. Todavia, entendo essa premissa como a base de todo preconceito. Acontece que cada pessoa é diferente, e cada um de nós busca uma solução para seus problemas da sua própria maneira, maneira esta que não é melhor ou pior do que a adotada pelo outro, mas somente diferente.

    Quando expus meu “problema”, não o fiz por ter preconceito quanto a “ser gay”. Se o fosse, aceitaria tal fato numa boa, até porque, graças a pessoas e Blogs como este MVG, muitas barreiras e preconceitos já foram quebrados e por isso minha aceitação perante a sociedade seria mais fácil hoje do que foi antigamente. Se realmente me apaixonasse e amasse um homem, talvez eu mesmo quisesse sair por ai gritando a todos esse amor, como já fiz quando me apaixonei e amei mulheres. Só que, no meu caso, isso nunca ocorreu.

    Minha dúvida básica não era saber se eu sou ou não sou gay, mas sim entender melhor as diversas nuances que existem entre o mundo gay e o mundo hétero e, com todo o respeito ao MVG, penso que elas existem, sim. Vejamos. A natureza coloca sempre tudo em opostos: macho e fêmea, dia e noite, frio e calor, inverno e verão. Simplistas, os seres humanos tendem a levar à vida essa eterna dicotomia (o Ying e o Yang), só que a realidade é muito mais complexa. A maior vitória dos gays/lésbicas foi mostrar ao mundo que existem outras formas de amor e de sexualidade, que não as tradicionais homem/mulher. Com isso, provaram que existe outras possibilidades entre macho e fêmea, dia e noite, frio e calor, inverno e verão…

    Só que muitos gays, muito embora tenham mostrado ao mundo essa possibilidade, encontram-se ainda presos ao princípio da dicotomia, e assim julgam impossível que exista qualquer coisa entre a dicotomia hétero/homo. Mas, por que não existiria? Por que temos que estar nos extremos, quando é certo que a razão está sempre no meio. Por que temos que comer somente peixe e não carne? Por que não podemos admitir a variação, o misto? Ora, nenhuma verdade é absoluta, assim como nenhuma mentira é total e o radicalismo é, sempre, cego.

    Diante disso, talvez tenha de fato me percebido como bisSEXUAL, pois nutro desejos sexuais tanto por homens quanto por mulheres. E, em determinadas épocas da vida, influenciado por este ou aquele motivos, desejo com maior intensidade um ou outro sexo. Mas o fato inexpugnável é que desejo a ambos, indiscriminadamente.

    Minha maior dúvida, e foi isto que de fato me motivou a escrever ao seu Blog, é saber se minha opção sexual pode ser diferente da minha opção afetiva. Explico: me acho bissexual, pois nutro desejo sexual tanto por homens quanto por mulheres. Todavia, nunca me apaixonei ou amei homem nenhum. Até agora, apenas desejei homens como parceiros sexuais, e não como companheiros amorosos. Seria eu um bissexual héteroafetivo? Isso é possível ou apenas não tive ainda uma experiência romântica com alguém do mesmo sexo? Essas eram as perguntas que eu realmente queria fazer.

    No demais, e principalmente quanto às questões morais levantadas – principalmente quanto à questão fidelidade -, reservo-me o Direito de não adentrar nessa discussão íntima dizendo, apenas, que entendo que o conceito de “moralidade” é estipulado por cada pessoa e não pela sociedade (como nos prova a evolução deste conceito ao longo dos tempos e de acordo com a diversidade cultural de cada povo). Neste sentido, te tranquilizo dizendo que sempre fiz o meu melhor para respeitar e honrar meus relacionamentos e as pessoas nele envolvidas.

    No mais, agradeço demais a ajuda que me deste e, mais uma vez, parabenizo-o pela excelente qualidade do seu blog.

    1. minhavidagay disse:

      Oi Roberto!

      Na minha sincera opinião você ainda não se permitiu cultivar uma afetividade por um homem por inúmeros motivos de sua realidade de vida. A base que caracteriza um homossexual é a atração sexual pelo outro do mesmo sexo. O resto, que é bastante coisa, são questões sociais, educacionais, familiares e psicológicas que – definitivamente – nos gera ou não bloqueios. Permita-se se envolver emocionalmente por outro homem se isso lhe soa felicidade, contrariando essa postura “confusa” e indefinida que vive. É possível ir além do sexo, embora mesmo os gays assumidos tenham essa dificuldade.

      Nascemos numa sociedade de padrão heterossexual que é martelado a milênios e nós, homens, gays ou heterossexuais, adquirimos e absorvemos em medidas específicas e particulares essas referências desde muito pequeno.

      O ponto é, independentemente de todos comentários, se você – Roberto – tem algum conflito, se sente perdido e sente necessidade de mudança vá atrás, administrando sua vida, sua esposa, filhos, amigos e grupos da maneira que seu bom senso conduzir. Não temos nada a ver com isso.

      PS: Tamanha polêmica você gerou nesse post, hein, Roberto?! rs

      Reforço a dica de consultar um terapeuta. Você obterá apenas respostas mais superficiais às suas questões na Internet porque o seu caso não é tão simples. Só você, disposto e aberto, mediante a um profissional qualificado poderá desvendar as “entranhas” do que faz as coisas serem como são a você.

      Agradeço muitíssimo por contribuir com a sua realidade, enriquecendo o Blog MVG.

      Abs!

    2. minhavidagay disse:

      Roberto, apenas um parênteses de um tema que ficou em aberto: sobre homens gays terem atração por mulheres, é totalmente possível. Namorei dois gays que se iniciaram sexualmente com mulheres, namoraram mulheres e depois encontraram realizações sexual e afetiva com homens. Quem disser ao contrário, que gay não pode sentir atração por mulheres em determinadas fases da vida, é porque viveu poucas referências ou coloca a própria referência como verdade absoluta. Uma grande maioria de gays hoje assumidos e frequentadores do meio, grande mesmo, cultivou relacionamento e afetividade com mulheres antes de se aceitarem como gays. Esse cenário já está mudando, mediante tantos relatos de meninos de 12, 14 anos que apresentam afeição por outro do mesmo sexo com tamanha naturalidade, coisa que certamente a minha geração e a sua não vivenciaram.

      Aliás, na questão de afetividade, desde quando homens, gays ou heterossexuais não podem ter afetividade por outros homens? Sou gay e tenho afetividade por amigos héteros, homens e mulheres e vice-versa… não existe dicotomia nenhuma e sim pluralidade, respeitando todas as partes e aplicando sim os valores de moral para a sustentabilidade do respeito.

      Abs!

  4. Pleno disse:

    MVG,
    eu gosto do blog porque ele é o único que é honesto e não é um covil de piranhas querendo comer um boi. O que quero dizer com isso? Não um blog de converter confusos, be-curious, bissexuais e perdidos em gays. Sim, porque tem muito blog aí que só quer vampirizar os outros e não escutá-los ou discutir o problema deles. Então, falo isso pra te elogio e prestar o meu tributo ao seu trabalho: parabéns.

    Acho importante vc falar na expressão até da saúde de “homens que transam homens”, que é diferente do eixo da sexualidade (hetero,bi, homo) e da afetividade (hetero, bi, homo). Me parece que tu sabe ou pelo menos entende que as pessoas não estão presas em estereótipos e não é porque um cara normal (“machos supremos”) faça sexo com um outro homem (classificação da saúde: HSH) que ele vai incorrer em outras classificações, como da sexualidade (hetero, bi e homo) e nem afetivas (hetero, bi e homo). Sem falar naquelas de brincadeira: enrustido, be-curious e por aí vai.

    Mas vc não acha que é feminista (em favor das mulheres) e misândrico (em desprezo dos homens) tem horas?

    Porque o macho supremo não pode fazer sexo com outro homem e continuar sendo o que ele exatamente porque ele é supremo?
    Porque os gays precisam vampirizar os supremos e tentar tirá-los do conforto da sua austeridade e trazê-lo pro bojo dos fora da supremacia?
    Porque os gays são fascinados por machos supremos e heteros quase numa relação direta de: quanto mais macho, mais tesão; quanto menos macho, menos tesão?
    Porque os gays abraçam tanto o feminismo (adoram as divas e querem ser como elas) e ridicularizam tanto os machistas e as coisas masculinas (misandria), mas ao mesmo tempo, tem como objeto de desejo exatamente esses machos mais brutos e másculos?
    Porque proselitizar orgulho gay (feminismo + misandria) e ter a necessidade de hostilizar o orgulho hetero (machismo + misoginia)?
    Porque os gays tem tanta raiva do anti-gayzismo de alguns machos, mas promovem o anti-machismo abertamente?

    Na minha opinião, os gays (não todos!) sofrem muito por confundir suas vida com inúmeras classificações INÚTEIS [sexualidade: hetero,bi, homo; afetividade: hetero, bi, homo; e de saúde: HSM (homem que faz sexo com homem), HSM (homem que faz sexo com mulher), além do enrustido, be-curious] que só nivelam por baixo o que eles realmente são. Uma perda de tempo fenomenal.

    Fico com pena do Roberto que é um cara que tem orgulho de ser o que é como homem (seja ele machista, masculinista ou simplesmente um DE BEM com a vida) e toda essa confusão. Sei que você quer ajudar, mas eu fico me perguntando o que algumas pessoas aqui que são gays (feministas, misândricas) podem fazer por ele se existe quase que nato (não todos!) um favorecimento expresso das mulheres (divas) e desprezo tácito pelos homens machos supremos e pelas coisas masculinas (misandria e até um certo anti-machismo). O irônico é que o objeto número 1 das fantasias gays é o macho supremo, mas quando se acha um macho supremo na sua frente, nenhum gay deixa ele ser isso. Sempre há a tentativa de vampirizá-lo e torná-lo qualquer coisa, menos um macho supremo.

    Acho que é sobre isso que o Bird falou que existe um limite para o que a discussão aqui possa ajudar o Roberto.

    Veja, MVG: o seu blog já é bom, pois não é vampiresco gay e nem faz a linha conversão de gays (como o blog pra mocinhos, vem gente, identidade G, A Capa e tantos outros). Eu até elogiei. E gosto muito das suas abordagens. Te vejo como um ser humano que quer vencer. Não te vejo como um gay, pois eu não te acho estereotipado (a julgar pelo post de sair da balada gay e dos guetos, dentre outros). E acho que muita da sua audiência também deva ser pessoas DE BEM com a vida e não estereótipos ambulantes.

    O Bird quis alertar sobre isso. Ele, na verdade, diz: “Roberto, pra mim vc é x e y. Repense e siga. Mas não entre na conversa dos estereotipados. Só ouça quem é DE BEM com a vida”. Sacou?

    Uma coisa que o Roberto, casado pela 2ª vez, deve perceber de cara é que NENHUM gay (ou quase todos!) por aqui pode falar sobre a relação dele com a mulher, pois discursos como “homens que gostam de “colo de macho”, que desqualificam a mulher e que se colocam num primeiro plano com imperatividade, típica atitude de “macho”” não tem nada a somar porque um gay não tem sequer LEGITIMIDADE pra falar do lugar do macho supremo e soberano, nem de provedor de uma fêmea e nem de filhos dessa fêmea. Até pq ele não deu conta de ser isso e foi ser gay (muitos deles com a tarefa de seduzir um macho supremo para um dia se realizarem neste posto ou com alguém deste posto, hierarquia).

    Não estou tirando de tempo o MVG, pois eu acho ele especial, sensato, um cara DE BEM com a vida. Mas estou falando que ele pode ajudar (e muito!) o Roberto, mas há limites. O primeiro é esse aí: a visão dele é feminista (amigo das mulheres, direitos iguais, 50% homem e 50% mulher) e o macho supremo (que eu nem sei se o Roberto é um) sabe que isso não existe pra quem ocupa este posto. Não tem como vc ser o macho supremo, acima de outros machos e acima das mulheres, sendo direitos iguais ou feminista. Isso não existe! Então, vamos caindo na real e identificando cada um o seu lugar de fala e de visão de mundo. É a mesma coisa de eu ficar dando pitaco do que é a vida dos gays, por mais que eu queira, mas não rola. É ilegítimo.

    Mas sem ofender e MVG e indo na sequência de trabalho dele (com o unico blog sério e decente do gênero na net, sem ser vampirizador de machos e conversor de fé de machos pra santíssima gaycititude) queria falar sobre “pelo menos é por aí que estou entendendo as definições apresentadas. Isso é bastante novo para mim e não deixa de ser uma forte referência por aqui. Com esses relatos e depoimentos a gente amplia a visão da diversidade sexual, da cultura e da mistura de tradição e imposição”. Caralho, show de bola isso! O MVG é um cara tão sensato e humilde que ele deu a pista sobre até o limite dele: “bastante novo pra mim”. Mais uma vez, eu panco de elogios. Foda essa afirmação tua.

    MVG, eu sou hetero, tenho vida sexual com mulher normal, 100% ativo, 100% heteroafetivo, 0% homossexual e 0% bissexual. Agora, eu posso te dizer uma coisa: eu já fiz sexo com homens (HSH). E nem por isso eu sou gay, menos macho supremo, confuso ou outras coisas. Sendo bem sincero contigo, uma coisa que me deixa triste no mundo gay é um pouco de hipocrisia.

    Veja: se eu nunca tive experiências com homens e quiser ter a 1ª, me chamam de “be-curious” ou “friendly”, palavras bonitas e simpáticas que soam até lúdicas pra eu poder relaxar e brincar com outros caras. Mas se eu comer da fruta, imediatamente já me tascam um ostensivo “enrustido”, “confuso”, “mal resolvido”, “bissexual” … e coisas do tipo. Não preciso me alongar sobre o tema, pois sei que vc me entende, diante da sua humildade, inteligência, sensatez e amabilidade de me ver (sim, a mim!) como um ser humano. E não como um estereótipo ambulante que quer experimentar algo (“be-curious”, “enrustido”, “confuso”, “mal resolvido”, “bissexual”). Quem está digitando este texto é um ser humano e um macho. Não é um pinto. Não é uma sexualidade. Não é uma afetividade. Não é um estereótipo programado.

    O que o Bird fala também pro Roberto é sobre isso: vc não tem que prestar satisfação pra ninguém de algo que é só seu. Não espere que as pessoas sejam legais com vc. As pessoas vão te jogar dentro de um estereótipo e vc não vai gostar disso.

    Eu tenho um amigo que saiu do armário em 1998, aos 28 anos, e já me disse que foi a pior coisa que ele fez na vida. Ele diz que antes pegava mulheres e podia se divertir com os homens (no segredo). E que hoje, ele não passa de um estereótipo de o gay para comunidades de ambos os sexos, gêneros, afetividades e o escambau. Se ele tenta pegar mulher hoje, já o taxam de “ex-gay” e falam que ele quer fugir do que ele é. Se ele vai pegar mais caras, já dizem que ele é um gay velho e já deve se aposentar e ser o que ele é: um velho na cena gay (42 anos, hj). Estou mentindo? Vc já viu ou sabe que situações assim existem. Ou tô de zoação? Por isso, diante da inclinação NATURAL e AUTOMÁTICA das pessoas colocarem umas as outras dentro de estereótipos é que eu admiro algumas abordagens aqui do MVG. Aliás, tu, MVG, é o único gay da internet que eu ainda teria vontade de ser amigo. Espero que isso seja um elogio, pois o MVG (o autor, no caso) é um cara gente finíssima e que quer vencer.

    Todos devem estar se perguntando como eu conheço tanto algumas coisas gays sem sequer frequentar o meio. Bem, Facebook, RSS e internet estão aí pra isso, né? Eu sei como é a The Week todinha e até onde cheiram cocaína lá por causa de fotos, relatos, blogs e coisas na net que procuro. Tenho um perfil fake com 4.000 pessoas no Facebook, praticamente todas de militância e de vida em guetos LGBT. Queria até fazer amizades com alguns caras nesses programas pra celular como o Grindr (que substituem o antigo disponível, manhunt, gaydar …. ) e descobri tudo o que acontece nesse ambiente só por um blog e um perfil humorístico do FB. Aliás, quem quiser, esse fala o lado b do Grindr (http://www.facebook.com/gaytroller), esse fala o lado B e mais estereotipado da vida gay (http://www.facebook.com/gaydapressao/, http://www.facebook.com/gaydadepressao, http://www.facebook.com/gaydepressivo.dasilva) e esse fala o lado dos gays que querem vampirizar heteros que eles dizem ser enrustidos (http://www.facebook.com/mocaseunamoradoegay). Sem falar em ambientes que promovem à caça aos machistas (http://www.facebook.com/MocaSeuNamoradoEMachista), os bem machistas do jeitinho que eu sou e gosto de ser (http://www.facebook.com/OrgulhoHetero.Brasil, http://www.facebook.com/MetendoaReal) ou a idolatria das periguetes (http://www.facebook.com/avadiaeoidiota).

    Eu uso essas comunidades pra entender melhor as pessoas e estar sempre comendo mais xota, fazendo amigos legais (heteros com o meu ritmo de macho supremo; e gays que, por terem outra visão e ritmo, podem ser meus confidentes, como está sendo o caso do MVG por agora). É disso que o Bird falava de colo de macho. Nós, heteros, não podemos estar conversando sobre sentimentos uns com os outros. Isso é uma camisa de força. E é muito chato. Apesar de, às vezes, querer me abrir com alguém que não seja uma namorada ou esposa, não me sinto à vontade com um amigo. Por isso que, os machos bebem iguais a uns loucos, choram e contam seus dramas no bar, ninguém escuta e todos voltam mais aliviados pra casa. A bebida no universo do macho, além das drogas (hj em dia), em uma função primordial de diminuir a nossa dor de não poder entrar em contato com os nossos sentimentos (pq homem que é homem é encorajado a não viver isso) e de falar sobre nossos dramas, pois não podemos fazer isso sempre com nossas mulheres … Mulher, já viu, né? Elas usam tudo pra te torturar com discussões de relacionamento … já tão falando de traição e o escambau. É uma merda. Fora que vc falar de sentimentos com mulher, ela acha que tu é fraco, sendo que vc tem que ser o lado forte da parada. É foda ser macho. E descobri recentemente que eu precisava de homens mais “sensíveis” com os quais eu pudesse conversar e não fosse de uma forma entorpecida pelo álcool ou drogas. Foi aí que eu percebi que eu podia fazer alguns amigos gays e conversar essas coisas. Mas o problema é esse: os gays têm uma visão muito feminista e misândrica. Eles não entendem a função, o poder e até o peso de ser um macho alfa reprodutor, provedor em casa, pegador de mulher, competidor com outros machos pra estar no topo da hierarquia masculina. Fora que muitos amigos não veriam com bons olhos eu tendo um amigo gay, nem mesmo a minha mulher. Sem falar na complicação óbvia de o cara sentir atração por mim. Eu já fiz sexo com homens, mas isso não quer dizer que eu sinta atração por homens. Foi uma eventualidade.

    Não sou de nenhum clichê, tribo ou estereótipo que eu não queira entrar ou sair a hora que eu bem entender. Aliás, nem preciso explicar como eu vim parar aqui, né? Ou me identificar …. Então, num mundo já tão plural assim, ainda querem falar de estereótipos?

    Pro Roberto: eu sugiro acompanhar melhor blogs e perfis no Facebook sobre mulheres, casados, divorciados, pais e alguns sobre sexualidade e ideologias, como a machista, feminista e gayzista. Vai te ajudar muito a conhecer um mundo que eu acho que tu ainda seja cru e não tenha contato pela sua idade (40 anos), trabalhar, ser casado e ter 2 filhos, ou seja, não ter tempo.

    Discordo, pela 1ª vez do MVG sobre o Bird, em “Taí o “gay machista” a que me refiro, que é gay mal resolvido e que ainda é bissexual assumido”, porque eu acho que esse “resolvido” aqui, do qual tu fala, é dentro de uma estereotipia. Se tem alguém aqui convicto e DE BOA, além de mim e do MVG, é o Bird. Lógico, além dos outros caras que o Bird citou lá em cima, que foram fodas nos seus comentários também.

    Eu não acho que os modelos que o Bird fala estejam, como o MVG disse: “falindo, fragmentando e, se aqueles que não se adaptarem as novas realidades óbvias de comportamento, assumindo posições claras perante a sociedade e seus grupos, tendem a viver da periferia social ou exclusão, e é o que já está acontecendo”.

    O buraco é muito mais embaixo e a coisa muito mais crônica.

    Eu acho que as pessoas estão muito deslumbradas com a causa gay hoje. Uma grande lavagem cerebral. Todas as novelas, filmes, astros, estrelas, músicas … tudo gay de 2010, pra cá. É a agenda da ONU e a tentativa de diminuir a população, além de desenvolver a defesa de direitos humanos, né? A ditadura tácita pros países signatários da pomposa e nobre carta de 1948. Vem cá: vcs acham que a sociedade vai mudar mesmo algo milenar por causa dessa campanha de 2 ou 4 anos de gay na mídia? Assim como tivemos as utopias dos anos 70 com a sociedade alternativa, tem muita coisa que é utopia hoje. Acordem! O mundo não é gay e nunca será. No máximo, está simpatizante e friendly. Mas isso não vai durar a vida toda. Saiam desse estereótipo e vivem suas vidas. Não fiquem igual aqueles hippies anti-materialistas dos anos 70 que acabaram … uma hora, o sonho gay vai acabar, como o sonho hippie acabou. A sociedade tem MILHARES de demandas. Existem outros assuntos pra estar na mídia, serem tratados e vividos. Não se agarrem a suas sexualidades como o barco pra ser feliz. Agarrem-se a suas vidas. Chega de tanto papo de gay, de homo de tri, de pan de metro …. foda-se! Vivam suas vidas para muito além da estereotipia. O estereótipo é reducionista e se importa com um conceito; não se importa com vc.

    Discordo do MVG de novo. Essa visão dele é muito misândrica e feminista. Fora da realidade de qualquer macho e qualquer cara que esteja comendo ou pegando mulher em 2012: “essa cultura tradicional de que homem pode tudo, inclusive transar com outro homem e ainda se colocar como macho é uma posição que tange a alienação. Assim, a ideia de “outro planeta” não é tão absurda como parece. O anarquismo nunca entrou como modo-de-produção porque, em sociedade, provou-se que não se aplica há séculos atrás”.

    Achei isso muito coisa de gay mesmo. É exatamente o ponto de “sensibilidade” sobre mulheres que só os machos podem ter (por mais que sejam uns ogros, macacos), pois eles sabem que mulher gosta de pica, comando, poder, austeridade masculina, pegada e fortes emoções. Não é um gay que conhece a mulher. Gay conhece “azamiga”, não é assim que falam? E as amigas sapatonas são afetadas pelo feminismo e misandria. Cai na mesma coisa. Raros os gays que sabem realmente o que as mulheres normais querem. Você, MVG, é um cara que eu admiro pela inteligência e sensibilidade, mas eu só poderia tratar com vc, na minha necessidade de ter um amigo pra tratar questões da vida dos homens (que o Bird chamou de “colo de macho”), no que tange qualquer coisa que não as mulheres. Uma visão feminista coloca as mulheres como vitaminadas e poderosas. Sendo que a mulher que tá comigo me quer porque eu é que sou o fodão e poderoso. A mulher que tá comigo não é direitos iguais, nem misândrica, nem feminista. Ela só é uma fêmea que quer um macho. Simples assim. Sua visão esbarra no que eu disse dos gays serem muito paga pau de mulher (veem elas como divas), sendo que nós damos é surra de pau nelas (vemos elas como amantes). É muito diferente. As divas são divinas e elas são superiores aos gays, que as admiram. No meu caso, eu é que sou o Deus e as mulheres e os gays é que me veem como superior. Nossos lugares de fala e de visão, além de posicionamento nos relacionamentos, fazem total diferença. Lógico, cada um com suas qualidades e defeitos (que eu e vc com certeza temos).

    Na fala do MVG, discordo e concordo: “esse círculo de homens onipotentes, que inclusive se sobrepõem às mulheres e ao o que você entende como gay, estão realmente fragilizados”.

    Na verdade, os homens onipotentes (ou machista e retrógrado como é como me chamam cotidianamente), como eu, estão perdidos com os novos valores? Fato!

    Mas lembre-se que esses mesmo homens onipotentes e “perdidos” ainda ocupam o posto de predadores da cadeia alimentar, do topo da hierarquia masculina e, POR ISSO e, EM FUNÇÃO DISSO, são caçados pelas mulheres e também pelos gays. Ou vcs preferem trepar com biluzinhas? Diga-me.

    Acho massa é que nos perfis de pegação (disponível, grindr, manhunt) os caras colocam em letras garrafais: QUERO HOMENS FORA DO MEIO GAY. Pq essa rejeição ao gay e atração ao macho retrógrado burro grosseiro e “perdido”? Será que os modernosos também não avançaram demais e estão tão perdidos quanto os machos que ficaram pra trás junto com os primatas? O Minha vida Gay não é um site de uma nova sexualidade (ou pelo menos emergente) onde os caras estão perdidos tanto quanto e se indagam sobre isso todos os dias, como agora? Então, somos todos iguais, minha gente. Acordem! Como bem disse o Bird: não é pq é gay que e deixou de ser homem. Não é pq tem pavor de xota que deixou de ser homem. Não é pq nasceu de cesariana pra nem encostar em vagina que não é homem.

    Esses nomes idiotas da saúde, psicologia e senso comum (HSH, hetero, homo, bi, be-curious, enrustido, assumido) estão separando uma coisa que é única: o homem. É isso que o Bird falou. E vcs não entenderam porque estão usando as lentes de catalogação do homem e não de VIVÊNCIA DAS COISAS, que é o recado dele pro Roberto.

    Acho que o Roberto e muitos homens, sim, precisam de um parceiro e um “colo de macho”. Se esses machos fazem sexo entre si (HSH) ou não ( \o/ ) … só os dois vão poder dizer, fazer, evitar, resistir, fuder .. seja lá o que for. O Grindr e Disponível com caras com anúncios de amizade podem ser ridículos, mas mostram muito bem isso: homens que não querem sexo com outros homens (HSH), mas querem companhia de outros homens só pra passar o tempo. E isso não é paixão! Parem de romantizar tudo também. Nem tudo na vida é sexo e nem amor. Pode ser companhia, passatempo, camaradagem e fuleragem mesmo, porra! Quem nunca foi jogar bola e ficou peladão no vestiário com a galera? Só curtição. Porque um cara não pode ir no grindr querendo somente arranjar um amigo confidente sem qualquer relação sexual ou amorosa? Me diz!

    Bem, agora, vamos criar uma classificação pra homens que passam tempo com outros homens? …. que tal HPTH? HTH? Hehe …. Tosco.
    E os que querem apenas estar com outros machos e passar o tempo junto, como no futebol e no bar, já tem o nome de “colo de macho”.
    O que acha de criarmos a estereotipia e mais uma ENÉSIMA sigla inútil pra separar o que é igual: o homem?

    O Bird fala muito bem dos psicólogos, mas sem dizer claramente. O que ele diz que é que não adianta psicólogo pro Roberto, pois o CFP proíbe alguém de ser ajudado pelo psicólogo para se auto-afirmar como hetero, como machista e coisas tais (RESOLUÇÃO CFP N° 001/99, procure na net! É a mordaça e censura dos psicólogos). Agora, tá tudo liberado pra ser gay, feminista e misândrico.

    Quem entende de lei, saúde e psicologia sabe. É uma mordaça que existe desde 1999 no mercado de psicologia no Brasil. Apesar da OMS julgar existirem heteros e homos que são ego-distônicos (não estão em conforto psicológico com a sua orientação sexual) e ego-sintônicos (os que estão DE BOA), os distônicos têm sonegado o seu tratamento. A própria psicologia, como opção de saúde, está afetada, aparelhada e ideologizada contra o macho supremo, com todo um discurso feminista, misândrico e gayzista. A resolução nega tratamento e amparo aos ego-distônicos e só dá a opção de eles serem sintônicos. O que é uma aberração! Pq não joga ele pra hetero ego-sintônico então?

    O MVG fala sobre o Bird que em “certo tom firme e radical em seu comentário é reflexo dessa fragilização [dos machos plenos, supremos, soberanos]”. O que eu tenho a dizer sobre isso é que qualquer coisa que eleva a moral do macho prontamente é rechaçada por mulheres (feministas) e gays (homofobia), sendo os dois adeptos também da misandria (desprezo a coisas masculinas).

    Tudo isso faz com que só corrobore o que Freud fala da fêmea ter inveja do pênis. Ela tem inveja do poder, da liberdade e do papel social do homem. E isso tem achado espaço com os LGBT (muitos, não todos!). O orgulho gay nada mais é que a inveja do orgulho do machão. Diferentemente das mulheres, os homo que são homens também têm pinto. Mas eles não olham para o seu pinto com orgulho. Olham para o pinto dos outros. E esses outros não são os modernetes (biluzinhas), mas os retrógrados (macho supremo).

    Veja quem é o padrão do macho cobiçado pelo gay: o fora da cena, o machão, o fechado, o viril, o másculo e por aí vai. Não é o gosto da maioria, mas é certamente o discurso mais alto e mais alimentado pelo grupo social. Tanto que vira simbologia e até cultura. Estou mentindo?

    Voltando, o psicólogo não ajuda o Roberto pq ele está autorizado pelo CFP somente a ajudá-lo a se auto-afirmar como homo, nunca como macho, RESOLUÇÃO CFP N° 001/99. O Bird não precisa de psicólogo. Ele, assim como eu, vinhemos aqui por causa de um amigo nosso que nos mandou um email falando que havia um cara com um relato sinistro aqui. E vinhemos ajudá-los porque nós, sim somos machos, temos nossas mulheres, nossos filhos, nossos parceiros machos (que podem ser amizades ou sexo …ou qualquer porcaria de companhia, diversão ou não). Esse é o limite aqui no blog, até pq vcs só entendem da vida gay. Não ocupam o lugar de macho alfa e nem de macho supremo. Vcs não são os retrógrados, não são os machistas, não são os possíveis “misóginos”, não são os provedores das fêmeas, não são os reprodutores dos rebentos e TAMBÉM não são o objeto máximo de adoração dos gays, por serem másculos e tudo que os próprios gays não são. Pra mim, muitos gays não estão interessados em ser gays, mas interessados em um dia achar um macho supremo, mas pela via sexual. Sendo que é possível, sim, ter a companhia de um macho sem misturar com coisas sexuais ou conjugais. Os gays costumam achar que o afeto de um macho por outro é amor gay … sendo que pode ser 1000 outras coisas. Costumo dizer que a fêmea quer agarrar o falo do macho (em Freud) pela xota. E que o gay quer agarrar o próprio macho, sendo ele também macho e também tendo falo. Mas ele não tem orgulho do seu próprio falo (gay), ele precisa de um falo de macho austero e ciente do seu poder macho (macho onipotente, fodão).

    Preconceituoso esse comentário do MVG contra o Bird: “claro que esse conselho, a você e pelo que parece, não cabe porque “macho” não precisa tratar da cabeça, não é mesmo?”.

    E ainda por cima é improcedente. Ora, se o bird é o topo da cadeia dos machos e objeto de desejo das mulheres e dos gays porque é o macho supremo, porque ele é que tem que tratar a cabeça? Não é ele o topo da hierarquia masculina e o desejo das mulheres e dos gays?

    Quem tem que tratar é quem tem a fantasia sexual ou necessidade emocional de ser igual a ele (e não consegue!), pois tenho certeza que ele não sonha em ser gay e nem em ter algum relacionamento gay, no sentido sexual, porque nada nos impede de termos amigos gays (coisa que já existe) e coisa que seria possível com pessoal elevadas como o MVG (autor).

    Acho engraçado como quase 100% dos gays são misândricos (desprezo às coisas masculinas), mas ironicamente são atraídos exatamente pelo macho mais masculino de todos: o machão da novela das 6 (o que invalida esse discurso do MVG: “essa sua postura de inferiorizar mulheres, dizendo que todos os gays as acolhem por serem gays, é até cômico, do tipo discurso de personagem machão de novela das seis, da masculinidade total, que é esteriótipo”).
    É uma conta que não fecha.
    Quero ver o dia que o machão da novela das 6 vai ter o tesão de pegar uma biluzinha ou de ser uma. Hahahahahah, isso, sim, é cômico.
    Tlz, ele precise da sensibilidade da biluzinha pra se vestir melhor ou pra confidente.
    Mas em quê a biluzinha pode ajudar um macho supremo sobre o assunto mulheres, que é o centro da vida do macho topo de hierarquia?

    Agora, MVG foi genial com isso aqui. Concordo 100% e assino em baixo: “o “gay arco-íris” e o da “masculinidade total” deveriam sair de mãos dadas juntos para que, inclusive essa intolerância entre nós mesmos acabasse”.

    Não é à toa que eu e o Bird estamos aqui no blog, enquanto muitos estão achando que somos enrustidos por vi aqui. Hahahahahahah … Outra conta que não fecha: porque os gays querem entrar em paz com os machões supremos, mas quando os supremos entram em contato com os gays sempre são alijados como farsas? Viu como a estereotipia afasta as pessoas?
    Eu não sou homofóbico e enfrento qualquer biluzinha que tentar me ofender de gay por eu estar escrevendo aqui.
    Eu sai do meu quadrado, tanto de possível homofóbico, machista e misógino. Mas e vcs?
    Conseguiriam sair dos seus quadrados, se colocar e frequentar os lugares dos machistas, retrógrados, misóginos?
    Fica o desafio, rapaziada.

    Sei que um dos poucos que vai me respeitar é o MVG. Mas sei que estou sendo julgado neste momento por pessoas de mente pequena que juram que eu sou um enrustido e “mal-resolvido” por estar vindo aqui. Hahahahahahahahaha
    Querem “refletir”, sim, mas só sobre o que convém: feminismo, misandria e gayzismo.
    Vai ver se eles tentam entender pq as pessoas gostam de machismo, masculinismo e sexismo.

    Pra esses, eu só digo o seguinte: eu sou tão supremo que ando e perambulo pelas xotas, pelos gays, pelos “colos de macho” e qualquer lugar exatamente porque eu sou homem, além de macho supremo, aquele que é ridicularizado como o burrão, retrógrado, inimigo das mulheres e dos gays. Mas que, apesar de tudo isso, é objeto de desejo de todas as mulheres e de todos os homens, porque é um macho intacto: sem modernidade e frescura alguma.

    Aliás, muitos devem estar se perguntando como um cara tão machista pode escrever mais que 2 linhas, né?
    Duvido se não ouve esse tipo de estranhamento.

    Sei que muitos podem me achar primata e gutural, talvez até perdido no passado ancestral de macho. Mas será que a galera modernosa também não está perdida na complexidade de tantos nomes idiotas e vazios (hetero, homo, bi, be-curious, enrustido, HSH, HSM, heteroafetivo, heteronormativo, misândrico, misógino)?
    Será que vcs não avançaram tanto que perderam o bonde do que é ser macho legítimo e ironicamente vivem correndo atrás de um?
    Será que nós, retrógrados, não nos afastamos tanto das nossas emoções e sentimentos pra sermos durões e competitivos lutando pelo posto de número 1 da hierarquia dos machos que nos submetemos a qualquer buceta como salva-vidas?
    Será que a buceta entende do que é ser homem?
    Será que um gay entende do que é ser um macho supremo?
    Será que o macho supremo consegue sentir a dor e o peso de ter ficado pra trás na hierarquia?
    Será que o macho supremo consegue se colocar no lugar daqueles que não são tidos nem como machos e nem como homens?
    Será que um gay não pode ser mais amigo dos machos do que das mulheres e sem sentir desejo por esse amigo?
    Vale um post isso aqui, hein.
    Vai na linha que o MVG sabiamente apontou: saia do gueto! Seja um ser humano e não só um gay.

    MVG pra mim é um gênio. Concordo com tudo aqui: “nem um lado, nem outro contribuem em nada com a sociedade. Por um lado o “arco-íris” personifica nossa realidade parcialmente, imprimindo um modelo exagerado. Por outro lado o “machão” vive essa pseudo realidade hétero-gay, fragmentada, perdida e omissa a si mesmo negando boatos, fofocas e comentários para a preservação de sua integridade, mas também não fazendo nada para mostrar para as pessoas próximas que o “arco-íris” não é a única referência. Machões tendem a preferir o anonimato, o não envolvimento, mas são os primeiros a apontar as “atrocidades” dos “arco-íris”. Esteriótipo VS. Esteriótipo. Mas quem sou eu para tentar mudar a cabeça dos esteriótipos? Esteriótipos são rígidos, rigorosos consigo e intolerantes”.

    E, assim como todo ser humano, eu me incluo em alguns estereótipos, assim como MVG também está contido. Mas o importante é entrar em contato consigo mesmo. É o que o Bird falou pro Roberto. É ser dono da sua vida e tocar o foda-se pras convenções sociais. Ora, sair do armário pra quê, Roberto? Vc não tem que prestar contas pra ninguém. Aliás, vc nem tá dentro de um armário, pra começo de conversa. Pq não sair da caverna e assumir o macho enrustido que existe em muitas biluzinhas aqui? É outra questão.

    Sou fan de novo do MVG e assino embaixo aqui tb: “que bom que o post gerou tantos relatos controversos, de um segmento de bi-gay-whatever-machão que é o oposto simétrico ao universo do arco-íris. Ambos extremistas, ambos com um discurso impositivo. Esteriótipos são todos iguais, emanando e provocando preconceito, sejam os excessivamente expostos ou os omissos e apáticos, um acusando o outro pelas mazelas da nossa representatividade social mas, de fato, não fazendo muita coisa para melhorar uma condição que deveria ser coletiva e compartilhada”.

    Por fim, pontual pro Roberto:

    – assuma o controle da sua vida e toque o foda-se pros heteros, pros gays e qualquer raça.
    – vc é provedor de fêmea e reprodutor de rebentos … com 40 anos já tá bem grandinho pra se assumir como macho, num tá não?
    – vc tem que se desapegar da dúvida ou transitoriedade do bi. Me parece que vc se agarra a isso como um bote salva-vidas
    – se vc for bi mesmo, do que vc está reclamando? Vc tem sua esposa, seus filhos e pode ter o cara que quiser pra amizade ou sexo.
    – assuma o controle do seu coração e saiba que ninguém vai te amar mais que os seus filhos e esposa.
    – assuma a sua idade e saiba que sempre é possível recomeçar, mas será que todos recomeços compensam?
    – assuma que a gente não consegue ser tudo na vida … e depois dos 30 isso já é muito claro … que dirá aos 40
    – assuma que a vida tem coisas que são realizáveis e irrealizáveis. E tudo tem um tempo.
    – é sempre hora de recomeçar o que vale à pena e sempre hora de desistir do que não vale à pena. A sexualidade pra vc é mais ou menos importante que o casamento ou a família. Faça uma tabela com a suas prioridades e aceite que tudo é funcional e disfuncional. Tudo bem bônus e ônus.
    – mergulhe mais no mundo das pessoas pela net. O anonimato na rede pode te ajudar muito em sites, blogs, perfis em redes sociais
    – precisar de um macho que seja cúmplice e parceiro não é a mesma coisa que buscar um amante ou uma foda. É diferente!
    – “colo de macho” todo homem procura … os bares, jogar pelada com os amigos, trocar confidências tando drogado e bêbado é isso.
    – existem homens da sua idade que podem ter o mesmo problema e até o mesmo contexto … o que acha de um perfil na net pra amizades?
    – vc não é o único homem com este conflito. Eu próprio resolvi isso e vivo muito bem sem prestar contas a ninguém: só a mim!
    – vc já tem 40 anos e deve prestar contas somente a seus filhos e esposa. E tem hora que fêmea não entende o macho. Tu sabe disso! Então, pare de contar suas coisas pra ela. Maior merda que vc fez foi falar que desejava homens e instalar uma crise totalmente desnecessária no casamento. Se foi vc que criou a crise, será que a sua mulher é tão a culpada assim?
    – o MVG tem um blog gay de mesmo nome e está de certa forma te ajudando. Explore mais os blogs na net.
    – o Bird e eu nem te conhecemos e estamos de ajudando. Explore mais as possibilidades de contato na net.
    – o que chamam de bissexualidade é um fardo muito pesado porque pra muitos é mais uma incógnita ou improviso do que uma certeza. Se for o seu caso, talvez o seu problema não seja de sexualidade (desejo, sexo?) mas de identidade (quem eu sou?).
    – perguntar quem eu sou é importante …. mas também é importante perguntar e saber quem vc não é. Saber o que vc não é já alivia e também já te dá identidade e respostas. Não foque só as afirmativas da sua vida, mas também as negativas.
    – esteja atento q nem todas as respostas podem ser respondidas. E ninguém precisa ser infeliz por isso. Identidade e sexualidade é complicado.

    Pro MVG:

    Sugiro sempre manter os comentários com opção de anônimo.
    É um meio de aumentar a participação sem comprometer as pessoas.
    Acho salutar. Seu blog é bem cabeçal e complexo .. não acho que dê spammers aqui.
    Muito obrigado pelo seu blog … ele é muito sobre temas gays, mas ler algumas coisas aqui me fez ter A CERTEZA do que eu não sou. E ainda me ajudou a me reforçar no que eu sou. Tenho amigos gays e gosto muito deles. Nem te conheço, mas te considero como amigo. Desculpe pelas palavras fortes, mas quis atacar alguns argumentos e não a sua pessoa. Vc, pra mim, é um cabeção a serviço de ajudar as pessoas a vencer. Só isso! Firmeza pra ti.

    Algumas vezes, eu posso ter sido arrogante. Mas isso faz parte da minha índole e do meu posto. Machões (muitos, não todos!) que se acham fodões costumam ser meio esnobes, cheios de austeridade e se acham …. Daí, começam a esbravejar. Gays (muitos, não todos!) costumam ser muito melindrosos, achar que tudo é rejeição e que tudo é preconceito (tipo fan dessa cantora aí: lady gaga). Mas existem pessoas além desses extratos. Seu blog conseguiu reunir aqui vc, Roberto, Bird e eu. E isso é foda! Se vc tinha dúvidas se podia ter amizades com machos supremos ou viver fora do gueto gay, saiba que vc conquistou isso e está mais que aprovado.

    Também te falo a real do mundo dos machos: é muito bom ser o topo da hierarquia masculina e fazer o que quiser com homens (amigos), mulheres (xotas) e gays (admiradores). Mas é um preço muito caro. Nós somos muito sós no que diz respeito não a companhia pra festa, orgia, viagens, namoro, casamento e coisas tais. Somos solitários nos sentimentos e confidências. Eu, próprio, tenho amigos cumplices pra dormir no hospital se um dia eu for internado, pra sair para pegar a mulherada, experimentar drogas, encher a lata bebendo até cair … tudo! Mas me faltam confidentes e o tal do “colo de macho”, mas do macho que é mais sensível. Tem coisas que as minhas mulheres não entendem de mim. Buceta não entende o homem, se relaciona com ele. Tem coisas que amigo gays não entendem de mim. Misândricos e gay-orgulhosos não entendem o homem, se relacionam com ele. Fique atento a isso! Pode fazer muitos amigos. Pode aprender a ser homem (e não macho). No seu blog, eu aprendi um pouco a ser mais homem (e não gay). Eu realmente vejo, aqui do topo da hierarquia masculina, como é chato quem ficou pra trás. Como, às vezes, os “campêões” maltratam os derrotados. Sendo que nem estamos competindo. Estamos vivendo. Somos todos homens. Saiba também que a dor de ser rejeitado por um homofóbico é a mesma de ser rejeitado por uma feminista ou um misândrico.

    Eu espero que eu tenha sido um machão-retrógrado que cruzou o limite e quis ser legal com gays-modernosos que estão querendo cruzar limites. Acho que os homens estão perdidos na masculinidade. Uns, atrasados. Outros, adiantados. Uns, presos em cavernas. Outros, soltos dos armários. Acho que todos precisamos de ajuda. Vc está fazendo sua parte com o blog. Espero que possa olhar um dia pra minha galera de fodões cheios de austeridade com bons olhos. Se um dia eu abrir um blog (anônimo, lógico!), eu farei parceria contigo. Daí, os homens poderão ser o que quiser: retrógrados, modernos e o escambau. Vai ser comédia. E não vai ser pra converter homens em machões ou em gays. Nem de vampirizar ninguém. Mas de apontar caminhos pra todos. Tá todo mundo perdido! Hehe

    Abraços

    1. minhavidagay disse:

      Querido Buceteiro,
      tudo bem?

      Tenho que confessar que num primeiro momento, que perdurou durante a leitura de praticamente todo seu relato cheio de emoções, desabafos, intelectualidade, conteúdo e avaliações, eu jurava (e talvez ainda jure) que você era/é um grande amigo meu gay, “casado” com um amigo mais velho, emancipado, bem resolvido e que faz anos-luz de terapia sim. Ainda estou na dúvida pois, tal qual você, ele é demasiadamente astuto, inteligente e de cuja maneira de se expressar se assemelha muitíssimo! E se faço essa comparação, atenção: em nenhum momento estou notando semelhanças pela sexualidade, mas sim pela maneira de escrever e pelo nível de repertório.

      Porque ele faria isso? Para dar mais uma luz ao Blog, claro! Vez ou outra o chamo de meu “marketeiro pessoal”, rs.

      Mas, assumindo que você seja realmente um tremendo de um buceteiro desconhecido a mim (rs) que teve uma única e singela experiência sexual com outro homem, fico extremamente lisongeado por esse exemplar heterossexual se manifestando aqui, topo da cadeia alimentar, um verdadeiro leão, arrogante (rs) e esbravejando pontos de vista do macho-meio-machucado pelas mudanças sociais que inclusive o colocam no Blog MVG para ter o “colo de homem”. Meu colo a seu serviço pois, antes de mais nada, também sou homem! rs

      Terei grandes dificuldades de superar o tamanho de seu post, que não é válido somente pela quantidade mas pela qualidade de conceitos e honestidade emocional. Sinta-se privilegiado por ter expresso o maior (e bastante rico) texto no MVG e ainda, ao contrário das expectativas gerais, de um MACHO ALPHA (com PH mesmo porque aqui é uma área gay! rs).

      Fico ainda mais feliz pela repercussão do MVG, antingindo inclusive esses exemplares da comunidade heterossexual do machão, do apoio voraz ao amigo Bird, e do apoio ao “Roberto” (que sim é um nome falso e não pretendo expor ninguém aqui), esse último recorrendo ao blog para buscar uma luz, uma referência, dentre todas as referências que nesse site estão contidos.

      Amigo Buça – perdão pela intimididade antecipada – feita a introdução empolgada, pela sua presença dar ainda mais luz à diversidade que deve ser compreendida aqui no MVG, não tenho a mínima intensão de dar o cú para esse tal macho supremo! Talvez, na minha adolescência enquanto me entendia como gay idealizava alguns amigos da escola mas não pela masculinidade do macho em si, mas pela descoberta da minha vontade com a figura do mesmo sexo. A sociedade tem mudado sim, amigo e – talvez – eu seja um dos exemplares gays, dentre tantos outros que estão por aí que não cobiçam o heterossexual machão, fato é que aconselho periodicamente para que nós, gays, nos desprendamos desse perfil que está falindo (ou agora, se revitalizando)! rs

      Quando aconselhei o Roberto, fiz naturalmente no momento que recorreu ao Blog DENOMINADO “Minha Vida Gay” (acho que está bem claro que o ponto de vista aqui é de um gay, certo?) para tentar dar luz às suas questões pois, convenhamos, esse espaço é para mostrar o ponto de vista de um gay para todos que aqui procuram por conselhos. Em outras palavras, em nenhum momento estou aqui para tira-lo de sua rota de macho! MAS, pelo visto, Bird, Buça e os demais estão aqui para tentar mostrar o contraponto, dos machos que não gostariam de perder mais um integrante de sua comunidade que, agora, pelo que estou entendendo, estão abrindo concessões para o colo do amigo!

      Sim, essa vertente de MACHO que precisa de MACHO, assumindo esse valor abertamente a mim é novidade. Será a tentativa do machão supremo em se adaptar as novas realidades pós feminismo e pró-gay? Será uma evolução da espécie? Assim espero! rs

      Entendi bem o conceito de misogenia, ideia que não tinha clareza até então porque realmente não está em pauta hoje em dia proteger o machismo, muito pelo contrário. E, até agora, você foi o melhor, senão o mais preocupado em materializar e proteger a sua espécie! Não só se expressou de maneira que demonstra essa possível evolução do macho supremo às novas realidades, como ajudou a fazer entender o amigo Bird que, convenhamos, radicalizou ou não soube se expressar direito – fato é que você precisou traduzir suas linhas. Radicalizar, aqui, fica um pouquinho difícil pois, assim como você, também tenho uma índole e me coloco num posto que não é muito diferente do seu, amigo Buça e sou gay.

      Confesso que ainda a maneira que o Bird classificou a mulher continua deveras preconceituoso e antiquado a mim. Foi um grito de desespero do macho supremo perdendo a majestade perante a buceta que efetivamente come? rs Não sou daqueles gays adoradores da mulher, muito pelo contrário. Tenho mais amigos homens e até bem pouco tempo atrás eram na sua maioria heterossexuais. E continuam sendo! A diferença é que nessa vida heterossexual tem a coisa do casamento, dos filhos, do sustento familiar e, naturalmente, os amigos héteros estão na maioria das vezes mais cansados. Ou, se não estão cansados, abordam esses assuntos de “macho supremo”, do cuidado dos filhos, das questões de que o mundo deveria ser poligâmico, da barriga que anda crescendo, dessas questões todas da mulher em cima do homem que ora persegue, ora dá o mel que alimenta a vocês, da esposa que acha estranho um pai de família ter amigo gay – embora essa estranheza seja velada – e enfim, naturalmente os vejo menos, mas continuo com afeto pelas pessoas que são, pela troca de clareza que também é possível ter com machos, machos-supremos ou machinhos rs. No final é tudo bicho-gente como reforço tanto por aí no MVG.

      Seu texto e nesse complemento que faço servem para mostrar que cada um está no seu quadrado mas que dá para cruzar partes, buscando romper com essa barreira social, heterossexualizada aos montes.

      Agora, o ponto central que culminou todo esse debate foi o relato do Roberto. Um “gay supremo” mostrou seu ponto de vista na medida que foi procurado, eu, MVG, num blog feito para gays, parentes de gays e amigos de gays. Um grupo de “machões supremos” se manifestou mostrando valores e pontos de vista em cima desse post. No final, cabe ao próprio Roberto pesar, buscar outras referências, sem que tenhamos que vangloriar necessariamente nenhum dos lados pois, da minha parte, não tenho em absoluto a necessidade de trazer mais uma para a minha “tchurma”, catequiza-lo, persuadi-lo, mesmo porque uma das máximas a mim é que ninguém vira homossexual. Mas o despertar para a homossexualidade pode acontecer sim depois de muito tempo de vida heterossexual e padrões sociais vividos.

      Se se vangloriar por um Roberto, Alfredo ou João que passam por situação semelhante e acabam se resolvendo como héteros é coisa de machão supremo, que honra o pênis e as calças (rs), problema de vocês! :P Um “gay supremo”, como eu, não tem desse tipo de necessidade. Se for isso mesmo, confesso que foi difícil de entender! Precisava muito, mas muito menos!

      Prazer imenso, Buça! :)

      Abs,
      MVG

  5. Roberto disse:

    Cara, que repercussão… Nunca que esperava por isso. Acho que este post vai entrar para a história…

    Me sinto orgulhoso por ter trazido à baila tantas opiniões tão inteligentes, bem fundamentadas e diferentes. Adorei muito ler todos esses comentários e, acredite, isso tudo me ajudou muito.

    Essa discussão toda me ajudou a perceber uma coisa que eu mesmo pregava, mas que tinha me esquecido: dizer “foda-se”.

    Veja só: como te disse antes, nós temos a tendência a rotular tudo, em busca de uma classificação que torne fácil entender as coisas. De repente, lendo esses comentários, percebi que isso realmente não tem importância alguma.

    Desde que minha esposa, acidentalmente, descobriu meu interesse sexual por homens, meu casamento virou um inferno. Ela não soube que eu tive relações no passado, mas somente aquela que, infelizmente, ela tomou conhecimento. Antes disso, porém, embora já enfrentássemos problemas, nunca esse meu desejo atrapalhou o casamento (assim como também não atrapalhou o outro). É óbvio que pioraram os problemas, pois mulheres, é verdade, buscam um macho alfa perto de si e, com certeza, essa descoberta fez ruir toda a imagem de macho alfa que eu tinha aos seus olhos. E assim o casamento e nossa vida sexual pioraram, e por isso meu desejo sexual aumentou. Por mulheres e por homens.

    Só que até então eu vivia bem. Tinha meus encontros sexuais eventuais com homens e os de rotina com ela. Não vivia em conflito e nem sentia necessidade de definir-me. Esta “necessidade” de definição surgiu quando ela perguntou qual era minha opção sexual. Eu não soube responder e, a partir daí, tentei responder, a mim mesmo, qual era essa opção. E entrei num conflito e numa busca enorme por identificar-me, rotular-me, achar meu grupo. Mas, percebo agora, será que realmente preciso disso? A quem devo essa satisfação? A mim ou aos outros?

    Vejamos, o ser humano tem a tendência a dividir tudo pelos extremos opostos, como já tinha dito antes. Só que entre o branco, que é a total ausência de cor, e o preto, que é a junção completa de todas as cores, existem milhares de cores e subcores. A sexualidade e afetividade humana também são assim. Cada um tem seus gostos e preferências e entre o homem hétero total e a mulher hétero total existem milhares de subdivisões as quais por vezes transitamos.

    A sociedade atual, graças a Deus e ao sofrimento de outros tantos mártires, nos oferece agora a possibilidade de nos enquadramos em vários grupos. É como se existisse uma prateleira com várias garrafinhas, cada qual com seu rótulo: hétero, bi, gay, trans, etc. Cada um tem a oportunidade de entrar numa dessas garrafinhas e dizer, ei, galera, olha, eu estou nessa garrafinha aqui, viu?

    Todos nós, pessoas “do bem”, filhos dos hippies dos anos 60, buscamos sermos todos esclarecidos e sem preconceitos. E, pior, os homens dessa geração sentem-se ainda mais confusos pois aprenderam de seus pais conceitos de igualdade entre sexos. Todavia, MVG, é verdade o que disse o Pleno que as próprias mulheres que pregam igualdade na realidade buscam no parceiro aquela velha atitude ativa, dominadora e por vezes arrogante de macho alfa (isso que elas agora chamam de “pegada”). A sociedade inteira também é assim. Ao mesmo tempo que afirma ser bonito um homem chorar, o massacra pela sua fraqueza ao fazê-lo.

    Ou seja, o homem realmente moderno não tem onde praticar sua modernidade. Como ser de fato liberal e aberto se a sociedade não admite que o façamos? Ela nos oferece essas garrafinhas e diz: escolha! Mas, ei, por que eu tenho que escolher uma delas e viver engarrafado? Por que não posso ser o que quiser? E se um dia eu quiser ser passivo e no outro transar com mulher? Quem tem alguma coisa a ver com isso?

    Ah, a sociedade não vai aceitar! Ora, foda-se a sociedade! Fodam-se os gays! Fodam-se os héteros! Eu, Roberto, gosto de comer boceta e dar a bunda. Adoro enfiar a língua numa vagina bem cheirosa e mamar umas tetas tanto quanto gosto que chupar um pau. Adoro lamber a bunda macia e grande de uma mulher quanto sentir a rigidez e os pelos da bunda de um homem. E dai? Por que eu tenho que escolher um e me privar do outro só porque a sociedade diz que eu tenho que me rotular?

    Se este meu casamento terminar talvez eu busque um novo relacionamento. Se vai ser com homem ou com mulher, não sei ainda. Na hora eu verei. Pode ser que eu não consiga me relacionar emocionalmente com homens ou pode ser que eu apenas não tenha encontrado o cara certo. Tanto faz, desde que o meu próximo companheiro(a) me faça feliz. Se eu sou ou serei hétero, bi ou gay, já não importa mais, ninguém tem nada a ver com isso. Eu sou eu, e isso me basta!

    Pois acho que hoje coloquei uma nova garrafa nesta estante. Uma garrafa cujo rótulo diz, somente, Roberto. E eu estou ali dentro. Eu sou eu, morador desta cidade de São Paulo, 40 anos, filho de ex-hippies, formado no exterior, empresário bem sucedido, viajado, cabeça aberta, sem preconceitos e sem religião (graças a Deus). Sou homem (subclassificação não conhecida), pai de família, profissional respeitado, bom chefe, bom filho, bom marido e bom pai.

    Como diria o velho Raul (ídolo dos meus pais): “Prefiro ser, essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”.

    Mas, sabe o quê? Ninguém tem nada a ver com isso… FIM

    Agradeço muito a vcs, todos, que me ajudaram nessa busca e em especial ao Blog MVG, que serviu de base a todas essas minhas divagações. Espero que todos tenhamos aprendido um pouco com as lições trocadas aqui.

  6. Roberto disse:

    Em tempo: quando vc afirma: “Sim, essa vertente de MACHO que precisa de MACHO, assumindo esse valor abertamente a mim é novidade. Será a tentativa do machão supremo em se adaptar as novas realidades pós feminismo e pró-gay? Será uma evolução da espécie? Assim espero! rs”

    Acho que, sim, vc está certo. Talvez os homens hétero tenham superado o preconceito e consigam ter sexo com outros homens sem necessariamente sentirem-se gays, bi, etc… Por isso estejam começando a praticá-lo dentro do padrão masculino: sem traumas e/ou preconceitos. Sem vínculos emocionais e/ou remorso. Sem que sintam-se menos “machos” por isso.

    Pode ser que eu mesmo me enquadre nesta “espécie” que vc. agora percebeu começar a existir. Afinal, para os homens alfa o sexo sempre foi desvinculado do amor e, como aconteceu comigo, simplesmente descobri que sexo “lá atrás” também é bom. De qualquer forma, e se for mesmo este o caso, rótulos, para mim, passaram a valer nada.

    Por último, quando, no comentário anterior, eu disse “Adoro enfiar a língua numa vagina bem cheirosa e mamar umas tetas tanto gosto que chupar um pau”, leia-se “Adoro enfiar a língua numa vagina bem cheirosa e mamar umas tetas tanto quanto gosto de chupar um pau.” Se for possível, favor corrigir o erro de digitação.

    Mais uma vez, obrigado.

    1. minhavidagay disse:

      Boa Roberto!

      No final, essa segurança é o que vale. A mim, fica aqui essa nova percepção que se inicia sobre as variações da sexualidade.
      Me pega a questão moral em relação a sua mulher e filhos. Mas como comentei e você deixa claro por aqui, esse é seu problema.

      Abs,
      MVG

      1. Roberto disse:

        Amigo MVG (espero já poder chamar-lhe de amigo, pois já o considero desta forma),

        realmente as questões morais são uma preocupação constante, mas o conceito do que é moral ou imoral se altera rapidamente, com a evolução da sociedade. Quem sabe daqui a 100, 50 ou 20 anos todos estes conceitos estejam superados. Machos alfa fazem sexo com outros parceiros sem sentirem remorsos, assim como predadores matam sem pensar nas vítimas. Quem vai saber?

        Sobre este tema, tenho questões interessantes a conversar contigo, mas não queria tratar disso publicamente. Por isso, caso seja do seu interesse, me escreva no meu email e posso te dar algumas informações que o ajudarão a entender essas minhas colocações.

        No mais, um grande abraço.

  7. Caio 2 disse:

    Bom tive que colocar meu nome como Caio 2, pois outro escreveu primeiro e ele não sou eu rsrs. Bem, lendo os longos comentários (1ª vez que vejo um comentário tão grande assim num blog) pude perceber um aspecto em comum neles, talvez não na mesma intensidade, mas que apresentam o mesmo contexto. Neles o GAY é um ser representado por coisas do chamado “meio gay”: moda, azaração, festas, brincar de boneca quando criança, etc….Os caras ai que escreveram dão a entender que macho não pode ser GAY e GAY não pode ser macho, fazem o que sempre reprovo: ficam com esse papo de que não existe orientação sexual, que é um esteriótipo ERRADO dizer que alguém é GAY, HÉTERO ou BI, pra no fim das contas ser algum deles e se recusar a dizer que é….e ainda chamam os outros de hipócritas.

    Outra, pra mim homem bissexual não existe conforme significado formal do termo, pois nenhum sente-se afetivamente/sexualmente atraído por ambos os sexos na mesma intensidade, sempre tem um lado que pende mais, no caso dos homens o lado masculino (já reparei muito nisso para chegar a tal conclusão). Aí sempre se usa o artifício: pra relacionamento só vale mulher porque é o que a sociedade realmente aceita, homem é só sexo e nada mais (clandestino). É um pouco do que vejo no caso do “Roberto”, ele foi levado a se interessar por mulheres, por ser algo natural da juventude (modelo imposto pela moral: homem gostar de mulher e vice versa), sendo jovem ele poderia muito bem ter uma inclinação por elas, mesmo que não fosse com elas que seu desejo mais profundo ocorresse (percebi isso pelo seu relato em que ele diz sobre si depois da maturidade, quando não é possível mais oprimir os desejos porque estão mais fortes do que nunca), mas por ser jovem ele conseguia se excitar, justamente porque jovens conseguem cada coisa não é mesmo…
    Mas ai com o passar dos anos foi amadurecendo e vendo que realmente gostava de outros caras e acabou por não deixar se envolver emocionalmente com eles para não ferir a sua masculinidade.

    Em relação ao que o Caio 1 disse: qual o problema em 2 homens conviverem numa boa ao lado da família, ao invés de terem que ficar ocultos para o mundo? Não precisa dizer aos 4 ventos, mas também se fechar como o MGV disse, fará com que a relação não dure muito.

    Isso pra mim é uma resposta nítida da aceitação da mordaça social para cima dos gays, o que faz com que tenhamos que aceitar viver num mundo hipócrita sem ao menos tentar mudá-lo, apenas engolindo-o de guéla abaixo. Sou totalmente contra essa ideia. Temos sim que saber conviver e fazê-los nos respeitar, e não nos excluir só porque uns e outros se acham donos da verdade e não gostem do fato de existirmos.

    Também digo que a sociedade esta muito mal acostumada a julgar as pessoas por nomes simplesmente, o que quero dizer com isso é que não há problema nenhum em dizer que tal cara é gay, isso teoricamente só significa que ele gosta de homem e não seria um julgamento de valor, que só ao dizer isso automaticamente entenderíamos: que ele é delicado, que deve ser estilista, adora fofoca, gosta disso e não daquilo.etc. Acho que ta na hora de parar de ficar pensando dessa maneira, pois é por ela que o pessoal dos comentários acima estão tão convictos que quem é macho não é GAY e quem é GAY não é MACHO. E que se curte um MACHO que seja nas escondidas, o tal “colo de homem” pra ninguém lhe taxar disso ou daquilo. O que vejo nisso tudo é o que o MGV disse: a sociedade foi tão cruel com a ideia de orientação do desejo sexual e afetivo que conduziu vocês a pensarem assim como machistas.

    Em resumo de tudo isso, basta você saber encarar tudo o que há na vida levando apenas em consideração os NOMES que damos a tudo para nos comunicarmos e não aos julgamentos que outrem possam expressar deles, pois é por causa desses julgamentos que muitos não conseguem ir mais além em suas vidas. Como você “Roberto”, que até então me pareceu ter sido condicionado por essa visão da sociedade. Você pode continuar se relacionando com outras mulheres ou com outros homens, mas que pelo menos faça isso por iniciativa própria e não por um padrão que a sociedade impõe, o que pra mim ficou bem explícito no seu relato.

    O mundo ideal para mim: parar com essa besteira de que homem (macho, viril, simbolo do desejo) é o hétero e o Gay é apenas um ser masculino mas que nunca será HOMEM;
    – Que quem realmente gosta de homem, possa gostar de homem por completo: amar, transar, e tudo mais, sem ser de forma clandestina…
    – Que as pessoas parem de julgar tudo (coisas e pessoas) pelos nomes que levam e julguem pelas atitudes ou pelo que causam (no caso das pessoas, de forma individual e não no coletivo)
    – Que as pessoas não precisem gostar, apreciar ou aceitar forçadamente alguém, mas que saibam conviver e respeitar o seu espaço.

    Esses três pedidos são muito simples em sua essência, mas dificílimos de se realizar, mas na minha vida estarei sempre praticando-os e espero que os demais também façam sua parte.

    Não sei se me fiz entender, mas pelo menos pude expressar o que já está engasgado em mim a muito tempo e que nesse post vi a oportunidade ideal para dizer.

    “Roberto” desejo que você encontre sua verdadeira vontade, deixando sua própria mente conduzi-lo ao invés da sociedade e que se realize assim.

    Abraços a todos.

    1. minhavidagay disse:

      É Caio 2!

      Como não concordar com os seus pensamentos também?

      Realmente tenho que dizer que uma coisa é darmos apenas nomes para codificar e compreender do que se está falando, afinal, linguagem e comunicação é exatamente isso. Outra coisa é taxar usando o nome, levar a força do preconceito, do rótulo e do esteriótipo por trás da palavra. Essa diferença existe sim. Não vejo mal nenhum amigos meus me chamarem de gay, viado ou bicha pois os valores por trás tem uma representatividade que eu codifico. Outra coisa é alguém usar esses nomes no exercício do preconceito, da taxação, da agressão, coisa que definitivamente não acontece nos meus textos quando me refiro a qualquer um dos nomes dados às orientações e sub categorias, por assim dizer.

      Mas as coisas ficaram claras no final, Caio 2: o Roberto vai seguindo sua vida a maneira que hoje ele entende que lhe é seguro e saudável. “Pleno” e seus amigos continuarão heterossexuais convictos e achei bastante honesto apresentarem a importância da emoção e afetividade entre homens machões. E a possível tradicionalidade do gay continua existindo sim porque é difícil nos desvincular do modelo heterossexualizado instituído para formar o nosso próprio modelo; é difícil separar as coisas com uma compreensão mais ampla. É difícil entender o que nos acomoda e o que transgride para poder melhorar. As tradições temem o que o meio atual gay oferece e o meio atual gay protesta ao ver as tradições caladas e inexpressivas no que diz respeito a orientar, ensinar e mostrar outras vertentes gays para a sociedade. Temos um chão pela frente e concordo totalmente que corroborando, mesmo sem querer, com os aspectos da sociedade padrão e que nos deixam em situações confortáveis – do não enfrentamento – que na maioria das vezes nos escondem, nos poupam ou nos resguardam, não conquistaremos nada perante a sociedade, assim como não conquistaremos nada apontando o dedo para os gays que são mais expostos e personificam os esteriótipos. Os esteriótipos morrem ou perdem a graça a medida que a sociedade se esclarece.

      O MVG está aqui para quem quiser pensar em tudo isso e mais um pouco. Pensar normalmente dá trabalho!

      Pessoalmente, fico de consciência tranquila por, além de fazer o MVG para essas reflexões importantes, levo na prática da minha vida tudo isso que tenho apresentado. Sou atuante sem precisar me personificar.

      Assim, Caio 2, continue com seus ideais pois ideologia hoje em dia é diferencial. Atue a sua maneira, provoque a sua maneira e continue ajudando a dar mais clareza para as pessoas próximas a você dessa coisa de ser gay para além dos quadradinhos. Isso faz diferença para aqueles que querem trazer mudanças ao mundo, mesmo que esse mundo seja o mundo particular. Funciona assim e muito bem assim desde sempre. O que funciona a gente não precisa transformar.

      Agora, quem não batalha contra o preconceito e os modelos excludentes sucumbem a eles mesmos. Depois que se tem clareza e consciência, o nível hard é começar a quebrar os paradigmas que serviram de resguardo antes da própria consciência. A sensação que me fica é de não querer perder meu precioso tempo e seguir sem frustrações ou arrependimentos! rs

      Abs,
      MVG

  8. Ali disse:

    Eu sinceramente não entendo esse ranço, essa desconfiança plena que certas pessoas tem com relação aos “rótulos sexuais”.
    Qual é o problema em ser tachado de GAY?

    Qual o problema em a pessoa se descobrir e se sentir GAY,Hétero ou Bi?

    Em querer assumir pra si mesmo ou até assumir para as demais pessoas,essas variantes sexualidades?

    Não deixo de perceber que isso é de uma hipocrisia e de um preconceito latente.
    Por que,principalmente esta palavrinha GAY, perturba tanto os ditos “Machões”?

    Eu não entendi o motivo de comentários tão extensos, mas ao mesmo tempo sem chegar a uma conclusão palatável? Sem chegar a lugar nenhum,terminou no mesmo lugar onde começou.

    Eu sou GAY, me defino, me rotulo, me limito assim whatever. Qual o problema com isso??

    Ser gay ou Homossexual não me limita. É algo que me define perfeitamente,me completa,me sinto confortável assim.

    É ótimo saber que homens heterossexuais tenham em algum momento na vida, tido alguma relação mais “íntima” com outro homem, não necessariamente sexual ou afetiva.

    Mas isso não pode virar regra, as sexualidades EXISTEM, as sexualidades sempre existiram e regem nossas vidas sexuais,regem até mesmo nossa convivência social, como todos somos assinantes desde que nascemos do Contrato Social.

    Rotular as sexualidades de rótulos, também não deixa de ser um rótulo,entende?

    Os relatos e afirmações aqui mostradas são de uma generalização absurda. Como se todas as pessoas não tivessem sexualidade,como se todos fossem de todos e ninguém é de ninguém.

    Não entendo esses “relativismos sexuais” que estão tão em voga hoje em dia.
    Se o seu amigo gay assumido quer ficar ou transar com uma mulher, a priori, isso é problema exclusivamente dele.
    Mas se analisarmos em um contexto geral, isso é algo ILÓGICO.

    Não deveria se julgar de preconceituosas ou mentes fechadas,pessoas que demostram estranhamento para com situações como essas.

    É uma reação natural para com uma situação que se mostra ILÓGICA!

    Se ele é gay,por que ele quer ficar com uma mulher?

    Ainda mais quando se sabe, é consenso geral o fato de as pessoas nascerem assim, e não poderem mudar o que são.

    Me parece, que pessoas que “experimentam” algo fora de seus padrões,não deixam de ser influenciadas para cometerem tal ato, já que,ainda tem-se a ideia de que se “você não provar, você nunca vai ter certeza do que gosta”.
    Essa é a hipocrisia mascarada dessa libertinagem sexual da atualidade,onde estão cada vez mais ganhando voz pseudo-intelectuais que pensam que rotular não está com nada.

    Você leitor homossexual, todos os homens que você namorou e ficou, na verdade não existe, vale a mesma coisa pro leitor heterossexual, onde estão as suas esposas e ex namoradas?

    Já que segundo o raciocínio desses grandes pensadores com a cabeça de baixo, a qualquer momento você leitor homossexual,pode se apaixonar, namorar, transar e se casar e ter filhos com uma mulher na maior da suposta “naturalidade”, o mesmo vale para o leitor heterossexual.

    Será que isso é o efeito dessa individualização cada vez maior da nossa sociedade neste século?

    Será o efeito do consumismo desenfreado da atualidade, que está afetando também nossas vidas sexuais? O PRAZER PELO PRAZER?

    Será que estamos chegando em um tempo, em que as pessoas não terão mais controle de seus desejos, vão sair nus pelas ruas em busca de prazer com qualquer um que lhe apeteça?

    Podem dizer que isso é um preconceito meu,mas eu digo que muuuito mais preconceituoso é,quem relega seus desejos e sua verdadeira sexualidade latente e fica se escondendo atrás de uma suposta “liberdade sexual”.

    Em uma situação hipotética,mas que de acordo com os relatos,parece ser bem realista:

    Um homem ou mulher héteros, 100%, tem esporadicamente relações íntimas (sem precisar especificar se são relações sexuais ou afetivas) com pessoas do mesmo sexo. Agora me responda:
    Você acredita em um hétero de mente aberta ou em um gay enrustido?

    Ninguém precisa me chamar de preconceituoso, nem de querer colocar rótulos em tudo e todos. Mas essa é uma situação em que eu acredito cada vez mais na velha teoria de Alfred Kinsey, em que existem variantes e diferentes níveis de sexualidade humana. Teoria essa que comprova que os homossexuais e heterossexuais puros(que nunca tiveram contato sexual com pessoas do sexo oposto e mesmo sexo respectivamente),são na verdade uma RARIDADE, e as tendências bissexuais predominam entre a maioria das pessoas

    Da mesma forma que a Teoria de Malthus faz muito sentido hoje, em que “a população cresce em progressão geométrica, e a produção de alimentos cresce em progressão aritmética”,lembram?

    A respeito do “macho alfa” que também “quer” transar ou já transou com outros homens,como o “Roberto” e o “Pleno”.

    A questão é, o que você considera um “macho alfa”?

    Se eu pudesse conceituar(me desculpem a sinceridade) ,mas esses dois caras e muitos outros homens por aí,estariam FORA da minha definição de “macho alfa”.
    Machos alfa são o meu avô,o meu pai, os meus tios e vários amigos meus,que também são todos heterossexuais,100%,mas com uma diferença, eles nunca precisaram de um “colo de macho” pra poderem se realizar como homens, nunca precisaram beijar ou ter contatos mais íntimos com outros homens para terem sua heterossexualidade salvaguardada perante as fêmeas.

    Roberto eu acredito em bissexualidade, não aperte o botão do “foda-se”, seja um bissexual feliz sem precisar ME chamar de preconceituoso e julgador.

    Aceite o seu rótulo,ele é tudo que te define como alguém nesse mundo cada vez mais disperso em polaridades,se é que vocês me entendem?!

    Não dê ouvidos a quem diz que rótulos sexuais limitam o indivíduo, isso é balela pós-modernista e pós-revolução sexual.

    Sabe por que eu coloquei o querer entre aspas?
    Porque querer não é poder.

    Entre TER uma fantasia sexual com fulana ou siclano, e REALIZAR essa fantasia existe uma distância como daqui até a Lua!!

    Portanto, senhor bissexual enrustido, você não é hetero 100% nem aqui nem na Lua rsrs.

    Se você leitor já percorreu essa distância, sinta-se tachado como um homo,hetero,bi, pan etc…
    Mas tenha a humildade de assumir isso pra si próprio,não se esconda atrás de uma suposta liberdade sexual ,que mais anula quem você é, do que te liberta.

    O que há de tão ruim com amores platônicos,hein?!

    Olha o adendo do consumismo em nossas vidas sexuais!

    Hoje não basta apenas admirar o indivíduo, você tem que possui-lo somente pra si mesmo,encher a pessoa com seu Ego, e oficializar essa posse com um namoro ou até um casamento parecido com um comercial de margarina. rsrs

    Já ouviram falar da “ditadura da felicidade”??

    Pois é, tudo hoje em dia é válido, desde que a pessoa envolvida esteja “feliz”. Mesmo que essa “felicidade”, esteja acompanhada de muuuita FRUSTRAÇÃO.

    As pessoas que pensam assim,algum dia já pararam pra pensar na felicidade de um pedófilo quando está abusando sexualmente de uma criança?

    Bom, meu comentário tomou vários rumos, mas a minha mensagem é a de que ame aquilo que te define,aquilo que você olha na rua ou na tv e pensa:
    “Nossa,eu sou assim, gosto de ser assim”.
    No meu caso, quando eu vejo dois homens ou duas mulheres de mãos dadas na rua, é assim que eu me sinto.

    Não me sinto nem um pouco identificado ou a vontade vendo uma pessoa homossexual levando uma vida heterossexual e vice versa.

    Ainda mais quando isso é legitimado por interferência de pessoas que não estão seguras nem de quem são, nem do que gostam.

    Mesmo que isso seja um maldito-preconceituoso-limitador-nojento de um mero mas importante RÓTULO!!!

    Abraços. Viva a diversidade consciente e consequente.

    Sou homossexual e amo ser tachado assim, e daí?

    1. minhavidagay disse:

      Oi Ali,
      creio que não consegui entender todos os conceitos que você lançou em seu comentário.

      De qualquer forma, estamos falando de visões de moral, de valores formam uma sociedade e de uma constante busca de estarmos em paz consigo.

      O ponto que acho primordial em toda essa discussão é que tenhamos paz e sejamos felizes com o que somos sem tentar dizer o que é melhor ou pior ou se determinada condição sexual nos soa como X, Y ou Z. O MVG não tem objetivo de mudar ninguém, muito menos ficar dizendo que ser gay é super legal e que somos melhores por nos aceitarmos como tal. No meu ponto de vista não existe sexualidade melhor ou pior, mas existe o estado de paz e resoluções que temos com nós mesmos em diversos âmbitos: relacionamento entre amigos, vida profissional, relacionamento familiar, sexualidade, entre outros.

      O fundamento do Blog MVG, além de trazer referências diversas de minhas experiências e relatos de usuários, é apresentar um universo mais amplo da diversidade que muitas vezes vai bem além da nossa garrafinha. Tem coisas que digerimos bem, tem coisas que não, dependendo de nossos valores, crenças e moral. Nenhum heterossexual é iguai, nenhum gay é igual, nem bi, nem transgênero nem transexual. Somos seres humanos, buscando por definições ou não.

      Eu, pessoalmente, busco definições, razões e respostas de meus por quês para praticamente tudo. Carrego essa filosofia de viver filosofia comigo que não é uma carga e pode sofrer a crítica que for. Busco sim entender as variantes e possibilidades de sexo ou afetividade sem colocar bloqueios (preconceito) e me coloco aberto para absorver antes de julgar.

      Não tenho dúvidas que toda essa troca nesse post polêmico, que inclusive teve manifestações de heterossexuais, me colocou a pensar um pouco mais sobre bissexualidade, por exemplo. Ideias que estão se formando e que possivelmente virará um post em breve.

      Até antes desse post entendia sim a bissexualidade como uma “camuflagem” para os gays que estavam em processo de aceitação. Digo isso por namorados que se diziam antes bissexuais e que hoje são plenamente homossexuais, ou até mesmo artistas que, protegendo-se das retalhações se assumiram prioritariamente bissexuais para a mídia para depois apresentarem-se como homossexuais.

      A mim, essa camuglagem faz sentido pois dentre tantas maneiras do gay se esconder até o momento que se define como tal, o conceito de bissexualidade garante esse tipo de proteção.

      Depois de todas essas conversas nesse post, foi a primeira vez que um homem dito bissexual me fez entender um pouco mais de sua realidade, seus hábitos e maneira de entender a vida. Passei a dar atenção para isso pois até então minhas referências foram as que comentei acima. Estou ainda processando, digerindo e esperando o que pode dar.

      Além disso, ver um heterossexual “vomitar” sentimentalidades e vontades me faz pensar sobre essa ideia do “colo de macho para macho” que a mim não quer dizer necessariamente o sexo MACHO vs. MACHO, mas a necessidade de homens heterossexuais em compartilhar um pouco mais de sentimentalidades e emoções entre outros homens heterossexuais sem serem taxados como gays ou frouxos ou menos machos. Depois que o Pleno se referiu a isso e depois desses dias que tenho pensado a respeito, fico feliz e me sinto mais pleno por ter amigos heterossexuais que jem alguns momentos usaram do meu ombro amigo (e vice-versa) para dividir angústias e sentimentalidades sem necessariamente terminar em sexo ou dúvidas quanto a sexualidade. Em outras palavras já atingi situações de afetividade com amigos heterossexuais livre dos julgamentos sociais. Fizemos essa troca afetiva, foi prazeroso e cada um de nós seguimos nossos caminhos sem taxações.

      Se lermos com atenção a sequência de posts (e se não for na sequência não faz sentido nenhum), talvez em algumas passagens notemos realmente uma “briga de classes”, vomitando rótulos, excessos, tons imperativos e preconceito.

      Mas no final houve convergência, aceitação e exercício do respeito e, a mim, isso é o mais importante.

      Que seja muito benvindo esse novo modelo horizontal que está se configurando. Para aqueles que acreditam nessa ideia, que continuem valorizando, praricando e ampliando esse conceito pois me soa muito mais evoluído. E aqueles que não acreditam, também vão existir, e vão continuar com seus valores e crenças nessa sociedade que é gigante, plural e diversa. Não existe um final para a história da sociedade a não ser que, por exemplo, o Sol apague. Ela é orgânica e constantemente mutável.

      Ali, esse post não foi um briga entre gays e heterossexuais, rótulos e esteriótipos. Na aparência sim, mas foi um pouco mais do que isso.

      Abs!
      MVG

  9. Bruno disse:

    Roberto, não vou escrever um livro como os demais, serei sucinto.
    Cara, tu fostes burro ao abrir o jogo para tua mulher. Não fale mais para ninguém. Procure ajuda porque é nítido que não tens condição sozinho de lidar com isso, tendo em vista que já és quarentão e ainda não se entendeu; procurar um psiquiatra não é se diminuir, ao contrário, é mostrar-se racional, prático e esperto.
    Ninguém tem que saber o que tu curte ou deixa de curtir, o que tu faz ou deixa de fazer. TU TENS QUE SABER O QUE\QUEM QUERES E VIVER\FAZER TUA VIDA PARA TEU BEM-ESTAR E NÃO DE OUTREM.
    Procura um bom psiquiatra(e saiba que podes não gostar do primeiro, do segundo, etc., podes te dar bem só na quinta, sexta tentativa; enfim, acha um médico com quem tu te dês bem e que não seja preconceituoso, pois tem psiquiatra preconceituoso também.
    E,definitivamente, filhos não têm que saber de tudo, NINGUÉM tem que saber de tudo da nossa vida. Acorda, lindão!
    E se fores alto e bonitinho, well, call me maybe, tsá? rs
    Bjão e fica bem ae

    Bruno

  10. salete disse:

    PREZADO SR. ROBERTO:
    Não o conheço, certamente, então fica dificil falar sobre algo que não sabemos, que não vemos ou ouvimos frente a frente. Diria que resta tudo no mero campo de suposições.
    Seu relato e suas dúvidas, embora revestidos de grande e admirável sinceridade, me conduz a grande tristeza em refletir como o ser humano hoje vivencia e coloca o prazer sexual como seu ápice de vida e alegria. Não é somente o seu caso, mas de milhares de pessoas que têm se perdido dentro de si mesmo, sem saber identificar a realidade do que signfica felicidade, alegria real, bem estar e Paz! os valores de vida foram totalmente deixados de lado e hoje priorizamos e discutimos como se sente melhor o prazer : se com individuos do mesmo sexo, se com animais, se com crianças e outros tipos de busca indiscriminada pelos minutos que levam o ser humano a contorcer-se em gemidos como se esse momento fosse o extase de sua vida e nada mais houvesse a seur redor. Fazemos grandes discussões sobre sexo…. mas nos esquecemos de todo o resto á nossa volta, daquilo que realmente tem valores ao longo de nossa vida.
    Pois bem Roberto, acredito que o sexo faça realmente parte de nossa natureza, mas se coloque a pensar : É realmente isso que voce vem buscando em sua vida? São esses os valores e tipo de vida que quer transferir a seus filhos? Voce parece ser um pai amoroso, então reflita se quer que seus filhos tomem o mesmo caminho que hoje voce tem! É facil descobrir o que somos e o que queremos quando envolvemos sentimentos com relação aos filhos. Rapaz, voce esta numa encruzilhada perigosa de vida. Nossa vida reflete puramente nossas escolhas sobre ela. Refita se em sua velhice, o que não esta tão longe, voce vai gostar de lembrar desses grandes momentos sexuais ou vai querer lembrar de que exatamente? Quando os anos lhe castigarem e retirarem seu vigor sexual, o que lhe restará então se voce não fez nada que não fosse a bem de sua busca sexual?
    Um grande abraço Roberto
    lorienetelra@yahoo.com.br

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