Respeito à diversidade. Difícil de alcançar?

O penúltimo post do “Relato no Minha Vida Gay: Até quanto gay?” rendeu uma sequência de comentários de gays e heterossexuais. Não posso deixar de dizer que levei um “susto” ao me deparar com alguns héteros deixando suas reflexões num tom imperativo, que naturalmente me fez ficar mais armado, levando os pensamentos de maneira mais pessoal e menos “MVG”, por assim dizer.

Mas no final, o “chefe” dos “machos supremos”, termo que se apresentou em meio a nossa conversa, se reportou de maneira um tanto emocional apontando para esclarecimentos e uma convergência. Falamos muito seriamente, mesmo que em tom de brincadeira.

A situação, que definitivamente trouxe mais riqueza ao MVG e estará lá para quem quiser se afundar em textos e textos de comentários, conceitos e pontos de vista me fez pensar em um novo post.

Respeito a diversidade. É difícil de alcançar?

Gays e heterossexuais. O quanto concorrem e o quanto compartilham?

Puxando relatos daqui e dali, comentários e e-mails que vão se acumulando em um ano e meio de Blog MVG tenho notado uma mudança significativa na maneira que essas orientações estão se posicionando em terra brasilis e de alguns cantos do mundo. Claro que não falo pela totalidade geral já que o Blog MVG conversa com uma pequena parte de leitores com um certo nível de intelectualidade e que se dispõem a ler laudas de textos normalmente sem imagem, situação que está cada vez mais difícil nessa sociedade mais visual. Vá bem que Blogs, e-mails e redes sociais não deixam de ser um resgate da leitura.

Ponto de vista do homem gay

Andar na Rua Augusta de mão dadas, apesar de não ser uma preferência pessoal, tem uma representatitivade simbólica definitiva na liberdade e naturalidade de expressar o relacionamento afetivo gay sem medo ou barreiras e em público. Mesmo que os “tradicionais” entendam esse gesto como algo feio e que fere a nossa imagem (UAU!), não estamos falando de beijos e amassos heterossexuais tão comuns em banquinhos de Shopping Center, que afugentam velhinhas e enchem de libido os mais tarados! Isso sim, a mim, é uma exposição fortemente desnecessária.

Estamos cada vez menos (e assim busco acreditar) idealizando o “príncipe encantado das projeções cinematográficas”. Na vida real nem o homem heterossexual é tudo isso. Não existe o eterno mar de rosas em qualquer relacionamento e, normalmente, quando a paixão vai abrindo espaço para o amor maduro entre um casal, aquela pinta nas costas do tal príncipe há de incomodar. Eu, meu namorado, e um punhado de amigos que namoraram se desprendem com mais facilidade desse tipo de “ternura” e da esperança do homem idealizado. A esperança assim é que o gay cada vez menos idealize o “macho” e passe a valorizar muito mais o que o nosso “mercado” oferece, embora esse perfil seja tão vendido e difundido em formato de serviços e produtos.

Reforço que algumas dezenas de jovens de 12 a 17 anos que chegam ao MVG apresentam uma naturalidade incomum até hoje de tratar sua paixão homoafetiva. Há uma fluidez como se, no meu tempo, eu me encatasse e relatasse esse encanto por uma menina. Não se definem ainda como bi, nem como gays. Também pudera: nessa idade, a sexualidade está se formando e os rótulos sociais – felizmente – não soam como ressoam quando nos tornamos adultos.

Ainda assim, vejo muito o estigma do “gay ativo” e do “gay passivo” ou, “do comedor” e da “moça”, modelo totalmente heterossexualizado, dessa sociedade que a milênios implantou esse jeitão. Bem lá atrás, enquanto rústicos e muito próximos dos animais poderíamos levar firmemente assim. Hoje, modernosos ou não, apresento uma consciência de que o fato de ser gay nos permite ser diferente disso. Quebrar esse ritmo secular é difícil, claro, mas não deixo de lembrar que é importante pensar nisso pois, nos encaixotar em “ativos” e “passivos” diminui drasticamente as oportunidades de nos relacionar intimamente.

Ponto de vista do homem heterossexual

O leitor “Pleno”, amigo heterossexual, representante ávido dos machos, que gentilmente deixou um excelente e amplo comentário no “Relato no Minha Vida Gay” disse que um gay não poderia discorrer claramente da sua espécie! (rs). Tentarei faze-lo já que tenho um alguns argumentos: meu pai, o pai de todos meus namorados, meu avô e os pais de todos meus amigos são heterossexuais e são referências ávidas em minha memória da relação com suas mulheres. Fora o meu convívio com um punhado de amigos heterossexuais que não são poucos e não são amizades pouco íntimas. Não sou heterossexual mas a minha vida inteira os vivi sem necessariamente nega-los depois que me encontrei como gay.

Para mim é claro: depois de toda movimentação feminista, das mulheres se emancipando dos homens e assumindo postos morais e profissionais de igual para igual, não tem como dizer que a “nova mulher” tem influenciado a sociedade, inclusive, na questão da “guerra dos sexos”. Esse pensamento não tem nada a ver com uma “ode gay a amiga fêmea”. Os dados e fatos estão aí, visíveis dentro das casas, nas corporações e na sociedade. Porém e não menos importante, não quer dizer que todas as mulheres partiram para esse modelos. Muitas “Amélias” seguem o modelito servindo seus machos supremos, o que não quer dizer nem bom, nem mal. É modelo milenar.

Não podemos descartar também a ideia do novo homem, que é denominado metrossexual e que não é gay, mas está assumindo características e atribuições que o tiram dessa supremacia mais tradicional. São heterossexuais mais sensíveis a essas novas condições e se rendem sim a algumas atribuições outrora classificadas “de mulher”.

E também temos aquele tipo de “homem objeto” que essas “novas mulheres” adoram usar, abusar e, se possível, colocar uma coleirinha. Homem objeto, de novo, é esteriótipo.

Na realidade, a ideia de quem fica “por cima” ou quem fica “por baixo” na sociedade está mudando para o “side by side“. Notar e vivenciar essas movimentações e mudanças nas “hierarquias” dos sexos é bastante positivo. Já se vê por aí que, embora o autoritarismo na política faça ainda líderes perpetuarem seu poder, o mundo no geral critica fortemente esse modelo. Tim Cook, CEO da poderosa marca “Apple” é gay e responsável pela empresa mais cara do mundo. Jovens como Mark Zuckerberg são tão poderosos quanto o shape de experiência e história de Bill Gates.

O que estou querendo dizer é que a sociedade tende a se horizontalizar e deixar fluir novos padrões que até bem pouco tempo atrás eram muito mais lineares e de cima para baixo. No âmbito empresarial nunca se falou tanto da complexidade em acolher e preservar as novas gerações de profissionais (filhos da geração Y) que não aceitam facilmente a autoridade, são extremamente críticos e querem ser tratado de igual para igual. Como micro empresário que lido com dois jovens de 18 anos sei bem o que é conviver com isso e, sinceramente, acho ótimo, saudável e engrandecedor.

O movimento feminista e o atual movimento “pró-gay” é – no meu ponto de vista – reflexo dessa necessidade: mulheres buscando novas posições na sociedade e os gays, hoje, estão cada vez mais “na moda”. (Me preocupa um pouco as pessoas acharem que o gay está na moda pois, alguns podem acreditar. E o acreditar não quer dizer que uma pessoa vai virar gay porque está na moda! Isso de certo é um absurdo porque, quem é gay sabe que não se vira gay por tendência! Repetindo: não se torna gay por uma tendência de moda e não se torna gay por nenhum estímulo externo. Mas, a sociedade, os leigos, alguns gays e alguns heterossexuais botam fé nessa ideia).

Por mais que parte dos gays gostem de “vampirizar” heterossexuais para converte-los, como bem disse o Pleno em seu comentário, para mim essa possibilidade é de resultado nulo. Gay que é gay na naturalidade de envolvimento por outro do mesmo sexo e bem resolvido como tal sabe que não existe conversão. O que pode existir é uma tendência e, quando influenciado, acaba acontecendo ou não dependendo de quanto o indivíduo se permite ao sexo homo e mais dificilmente a afetividade homo.

Assim, nessa ideia de horizontalização apontamos para uma sociedade compartilhando a posição do expoente “machão hétero”. Esse post pode ter um toque de utopia, mas não parece que é para isso que estamos caminhando?

Obviamente que existem regiões do Brasil e do mundo onde tradicionalismo, coronelismo e todos os modelos e “ismos” mais arcáicos da concepção de sociedade continuam praticamente originais. Esses avanços ou mudanças costumam a acontecer a partir das grandes capitais e, assim, pessoas que visam esse tipo de abertura costumam a buscar por esses lugares.

O fato, querido leitores, gays e heterossexuais, é que a conversa que se gerou pelo post referenciado materializa de maneira mais clara o tal do respeito a diversidade, da inclusão e da possibilidade de um diálogo franco e até mesmo emocional entre um machão convicto com o MVG, como está registrado aqui no Blog. O mundo de hoje e espero que cada vez mais, está aberto a novas opções de estilo de vida. Opções não sexuais porque no caso dos gays não se opta ser gay, mas opções de encontrarmos terrenos, pessoas e estilos que nos acolherão da maneira que rege, no caso, a nossa sexualidade, nosso jeito de ser, agir e pensar independentemente dos rótulos.

Não estou dizendo que é fácil, ou que se ficar parado ou omisso haverá contribuição para que aconteça alguma coisa. Estou dizendo que as variantes estão aí, saltando aos olhos de quem procura. “Quem procura acha” e cada vez mais.

Será que a sociedade está de fragmentando em grupos, segmentos e nichos? Creio que sim e vejo isso com muito bons olhos pois deixamos de lado as generalizações e os esteriótipos e somos “forçados” a nos adaptar a uma realidade cada vez mais mista. Nesse fluxo, gays e mulheres que antes tinham uma posição periférica passam a assumir o centro também e trazem uma carga importante do compartilhar, o oposto do centralizar.

É engraçado que esse texto parece um sonho idealizado. Mas por instantes parei um pouco para pensar e é exatamente nesse nicho que eu vivo.

O Pleno, em seu relato, comentou algumas vezes que me vê como alguém que “quer vencer”. E sem querer me gabar, posso dizer que parte já venci e colho desses frutos. Ter 35 anos, ser dono de empresa há 12, compartilhar meu cotidiano com jovens com 18 anos e 26, homens e mulheres todos heterossexuais, lidar com clientes das mais diferentes idades e áreas de atuação, pais que me aceitam na medida de seus limites, namoro estável, tempo para o Blog MVG, família do meu namorado, amigos gays e heterossexuais a minha volta e uma sensação boa de poder ir e vir são algumas das retribuições.

Um dos segredos, se é que posso dizer que há um segredo, é aprender a gostar e admirar pessoas sem pensar muito nas questões de julgamento, que se faz ou que se recebe. Pessoas estão acima das sexualidades, gêneros, raças, poder material e crenças. E nos livrar do valor de julgamento nos tornam mais sábios pois, sem essas barreiras, podemos enxergar o mundo, talvez, de maneira mais ampla.

Dá para gays e heterossexuais viverem em paz? Não vi em qual capítulo da cartilha que diz que não dá.

8 comentários Adicione o seu

  1. Roberto disse:

    Parabéns, MVG.

    Penso como vc. e adorei o trecho: “Um dos segredos, se é que posso dizer que há um segredo, é aprender a gostar e admirar pessoas sem pensar muito nas questões de julgamento, que se faz ou que se recebe. Pessoas estão acima das sexualidades, gêneros, raças, poder material e crenças. E nos livrar do valor de julgamento nos tornam mais sábios pois, sem essas barreiras, podemos enxergar o mundo, talvez, de maneira mais ampla.”

    É isso aí. Disse tudo. O segredo é amar ao outro, independente do que diga o rótulo da garrafinha. Amar, independentemente de orientação sexal, gênero, raça, crença ou poder material. Aliás, não foi isso que um revolucionário barbudinho disse há uns 2000 anos atrás? Talvez agora, finalmente, estejamos começando a entender sua mensagem.

    1. minhavidagay disse:

      Valeu Roberto!

      Acredito que já estamos nessa onda faz um tempo. Mas o processo é invisível. A sociedade é uma massa gigante, sem bordas, orgânica e que está sempre em movimento. O bom é que é assim. No passado já teria virado pó (ou purpurina rs) julgado como aberração por alguma instituição. rs

      Abs!

  2. Roberto disse:

    Cresci ouvindo meus pais dizerem que era a Era de Aquário estava chegando. Meus amigos espíritas e exotéricos ambos me dizem que a Terra está mudando de nível e um mundo melhor está surgindo. Será que é isto? Espero…

    1. minhavidagay disse:

      Pode ser um pouco disso. Mesmo os Maias falam um pouco dessa ruptura no final desse ano… que no meu sincero ponto de vista nada tem a ver com O FIM.
      De qualquer forma, além dos fluxos energéticos invisíveis (rs), da astrologia, dos Maias ou da Era de Aquário, acho que com o passar do tempo nos afastamos mais do animal que éramos e desenvolvemos mais a tal da consciência. Só que essa evolução é quase imperceptível, extremamente lenta e processual, como Darwin anunciava. A gente esquece, mas a teoria da evolução é aceita mundialmente e está constantemente em processo e, por exemplo, entendemos o porque da girafa crescer o pescoço e se diferenciar da zebra. E o que estamos nos tornando? Quais são as adaptações que estamos realizando nos diversos campos da ciência, tecnologia, filosofia, humanidade? Estamos aí já vivendo esse processo evolutivo invisível há milhões de anos e a história não parou e não pára…

      Até bem pouco tempo atrás a homossexualidade era tida como doença para o Conselho Nacional de medicina. Hoje, depois de tantos estudos, os gays não são mais classificados assim.

      Tivemos uma primeira guerra mundial de pólos em conflito. Tivemos uma segunda e hoje pronunciamos a palavra globalização e batalhamos para preservar essa união.

      O que vem mais por aí eu não sei. Mas estamos sim constantemente nos adaptando, evoluindo fisicamente (os jovens estão cada vez mais altos), psicologicamente (nunca as pessoas tiveram tanto acesso a informação para uma busca de auto consciência) e espiritualmente (vivenciamos religiões, lições de espiritualidade e acima de tudo fé).

      No meu ponto de vista, Roberto, é tudo isso e linhas e linhas de outras coisas (rs).

      Abs!

  3. Ali disse:

    Oi, gostaria que você desse uma lida no meu comentário do texto “Relato no Minha Vida Gay: Até quanto gay?”

    O meu depoimento é o último hehe

    Bom, as horizontalizações no que tange a criação de novos padrões e modelos sociais atualmente, é algo inegável e até certo ponto perceptível.

    Gostaria de analisar essa afirmação:

    “Um dos segredos, se é que posso dizer que há um segredo, é aprender a gostar e admirar pessoas sem pensar muito nas questões de julgamento, que se faz ou que se recebe. Pessoas estão acima das sexualidades, gêneros, raças, poder material e crenças. E nos livrar do valor de julgamento nos tornam mais sábios pois, sem essas barreiras, podemos enxergar o mundo, talvez, de maneira mais ampla.”

    Pois bem, é algo bem bonitinha e politicamente correta essa afirmação.

    Mas um detalhe, o que se quer dizer com “amar” o próximo independente do rótulo?

    No que diz ao significante de respeitar e acolher o próximo em um gesto fraterno, está absolutamente certo,perfeito!!

    Mas se o significante de “amar”, é sentir atração física,sexual e um envolvimento afetivo/sentimental para com o próximo?!

    Tenho que discordar, isso me parece de uma ingenuidade e uma espécie de utopia muuuito leviana.

    Temos que aprender a amar quem nos ama,quem nos quer naturalmente,espontaneamente como somos,sexual e emocionalmente.

    Não vejo problema nenhum em amar o próximo dentro da minha garrafinha rotulada!!

    Não é algo que me irrite profundamente ao ponto de querer quebrar as garrafinhas alheias.

    O camarada transou com outro homem(independente se for hetero ou homo), mas não quer ter um GAY ou BISSEXUAL bem grande estampado na sua garrafinha?

    Depois diz que não é preconceituoso e não tem nada contra.

    Pra poder se livrar dessa frustração e do medo de ser chamado dessa palavrinha de ter letras G-A-Y, resolve subtrair todos os rótulos sexuais dizendo que eles são obsoletos.

    HIPOCRISIA é pouco pra essa gente.Pior que depois quando essas pessoas são confrontadas por questionamentos como esses,feitas por pessoas como eu(dentro de suas míseras garrafas onde tem GAY escrito bem grande no rótulo) nos chamam de preconceituosos, hipócritas e de mente fechada.

    Triste realidade essa, em que um preconceito interno tenta ditar comportamentos sexuais, que excluem a essência de cada indivíduo.

    Ser gay pra muita gente e pra mim também,não é só o fato de gostar de homens,mas também dividir experiências, fazer parte de um grupo que tem características em comum, sem precisar ir em paradas gay, e o melhor, essas pessoas se sentem confortáveis e completas por fazerem parte desse grupo.

    Mas os libertinos que odeiam rótulos, rotulam toda essa convivência como GUETO,onde acontecem as maiores atrocidades como o fato de gostar de homens sem precisar se esconder de ninguém.

    Quantas saunas e bares gays meus caros leitores que se dizem DE BEM, vocês tiveram que frequentar para poderem bater no peito e dizerem que são 100% heterossexuais???

    Amigo MVG o que você quis dizer com:

    “Não sou heterossexual mas a minha vida inteira os vivi sem necessariamente nega-los depois que me encontrei como gay.”

    Não entendi??

    Abraços e um bom final de semana!!

    1. minhavidagay disse:

      Oi Ali,
      tudo bem?

      Todo debate revela que existem pessoas que preferem se abstrair dos rótulos pelos seus motivos. Outros, como você, já entendem que viver dos rótulos é uma maneira de se assegurar e estar próximo a grupos que estejam em sintonia.

      Essas variações também fazem parte da diversidade. Mas o fato é que todos nós, em alguma medida, vivemos algum tipo de rótulo. Isso é sociedade, linguagem e isso é ser humano. Mesmo um ermitão que abandone a nossa realidade, do ponto de vista da sociedade também será avaliado, rotulado e taxado de alguma maneira. O julgamento faz parte da natureza humana, faz parte do convívio social e é praticamente impossível nos desprender.

      O que não pode acontecer é a gente ficar vivendo angústias e sofrimentos pelo que somos. Precisamos buscar resoluções independentemente dos rótulos ou das garrafinhas. Aliás, rótulos e garrafinhas nem sempre garantem a paz que buscamos para nos enquadrar socialmente. Angústias e questões são individuais que comparamos ou não, lançamos ou não com referências externas.

      Não entendi as características que você diz que é hipocrisia. Seria o fato de algumas pessoas preferirem viver sem rótulos para não serem “condenados” como são perante a sociedade e auto-definidos por si mesmo? Se for isso, isso é também é opção e é necessário ver o quanto – em sociedade – essa ideia se pratica e se mantém.

      Sobre a frase: “Não sou heterossexual mas a minha vida inteira os vivi sem necessariamente nega-los depois que me encontrei como gay.” é que muitos homossexuais quando se assumem acabam abandonando antigas amizades e passam a viver na maioria do tempo com gays. Foi isso que quis dizer com essa frase. Eu busquei preservar meus relacionamentos de amizade heterossexual e com isso pude acompanhar o desenvolvimento da vida desses amigos sem perder essa referência.

      Abs,
      MVG

  4. Juca disse:

    RESPEITO À DIVERSIDADE. DIFÍCIL DE SE ALCANÇAR? Voce usou uma boa pergunta no titulo do seu post. MVG sigo seu blog há um bom tempo, a diversidade é um dos temas que você mais desenvolve e articula nos seus post mas eu percebi que voce em alguns casos não “respeita” alguns tipos de gays (principalmente os machoes, os que não vivem o lado colorido da força, que não vivem a sua vida gay com tanto feminismo ou os que simplesmente não querem ser rotulados como tal), os comentários de leitores que vão totalmente ao contrario do modo que tu pensas e acaba elaborando uma forma de mostrar que o modo que vc vê o mundo e vive é o mais “maduro, correto e saudavel”, deixando-os e dando a entender que são imaturos, mal resolvidos. preconceituosos ou estão presos a um “modelo” ou “padrão” qualquer de vida que eu não faço muito questão de explicar.

    Eu tenho a impressão que vivemos uma forma de “gayzismo”, onde se voce não se enquadrar nesse “modelo” que é impostos pelos “gays bem resolvidos ou assumidos”, voce não é aceito e é a ovelha negra do rebanho. Cadê o respeito a diversidade?

    Sou gay, passei pelos mesmos processos e conflitos que muitos homens passaram e estão passando para aceitar sua homossexualidade, mas não vejo a homossexualidade como voce vê e muitos leitores expõem nos comentários neste blog. Ser gay para mim é apenas eu gostar e me relacionar afetivamente e sexualmente com outro homem. Vou usar a frase que li em outro blog “ser gay é só um detalhe”, as pessoas complicam demais, ficam procurando respostas, criando teorias, falando… falando e chegando em nada. ser homossexual não é facil, mas poderia ser uma coisa simples se nós não fossemos tão burros e não inventássemos tantas coisas para complicar nossa vida.

    Porque o gay precisa ou tem que se assumir para os outros?
    Por que não pode ficar no armario?
    Por que o que se parece “enrustido” ou discreto é menos bem resolvido como o que é assumido ou o que apresenta o parceiro para amigos e familia?
    Por que temos que nos rotular ou agir de determinada forma?
    Por que temos que nos “achar” diferentes?
    Por que nos sentimos “vitimas” da sociedade ou sofremos “preconceitos” por algumas coisas, atitudes e ações que nós mesmos criamos contra nós?
    Por que gay tem que ter tipo de gay? e assim vai…

    A graça da vida está em ser do jeito que voce é, independente se você é isso ou aquilo que acham de você! O respeito à diversidade é isso. Cada um É cada um, respeitando o seu modo de pensar, de falar, de se expressar, de viver, de se relacionar e de conviver, independente se o que a pessoas faz te agrada ou é contrario a tudo o que você pensa e acredita.

    espero que este comentário não cause tanto.(rsrs)
    Abraço MVG,

    1. minhavidagay disse:

      Olá Juca!
      Tudo bem?

      Não estou aqui para justificar, mas como um gay “macho”, ou melhor, masculinizado, acho sim que a grande maioria “de nós” não se manifesta abertamente para a nossa autonomia social, a não ser de maneira reativa, como você (rs). Onde foi que pegou pra você que a gente pode resolver?

      Reclamamos sim, com uma boa frequência, dos gays expostos e afeminados por esses oferecerem uma visão parcial do que somos. Fazemos uma linha do tipo: “não gosto mas respeito”.

      Tendemos sim a ficar “ocultos” não provocando nem buscando provocar uma mudança social para que a sociedade, inclusive, adquira um olhar mais pleno sobre a homossexualidade. O MVG funciona para mostrar que temos um papel social sim, que começa ao lado das pessoas próximas, para esclarecer a sociedade do que somos. Isso é um engajamento e creio que esteja claro aqui no blog. Segue quem se identificar, não é verdade?

      – Assumir (e isso implica para outros) é a melhor maneira de trazer conscientização do que somos para as pessoas próximas e ao mesmo tempo é uma maneira de parar de criticar as “bichinhas”;

      – Ficar no “armário” para muitos é sofrimento, é viver a vida parcialmente e, a esses sim, acho importante sair do armário como aconselho. Se para você é ok, continue no armário!;

      – Não precisamos rotular, nem agir de determinada forma. Mas esse “debate” entre gays “machos” e gays afeminados rola há décadas e aqui não estou dizendo para ser nem um nem outro. O blog serve para trazer reflexões e reunir essas variantes gays. E, agora, pela minha boa surpresa, também heterossexuais que se interessam por alguns textos;

      Em essência, Juca, o MVG apresenta referências. Não tem verdades absolutas. Agora, gostaria de saber o por quê do seu incômodo? Você se sentiu rotulado pelo MVG? Sua condição atual já lhe é satisfatória? Algum dos posts criticou seu estilo de ser gay?

      Compartilha sua história que eu posso tentar de ajudar!

      Não sou contra a nenhum perfil gay, muito pelo contrário. Estou em convívio direto com diversos deles, nas mais diferentes fases de vida.

      Concordo totalmente que: “A graça da vida está em ser do jeito que voce é, independente se você é isso ou aquilo que acham de você! O respeito à diversidade é isso. Cada um É cada um, respeitando o seu modo de pensar, de falar, de se expressar, de viver, de se relacionar e de conviver, independente se o que a pessoas faz te agrada ou é contrario a tudo o que você pensa e acredita”. Mas muitos sofrem ainda um peso do preconceito e dos medos. É por isso que também o MVG serve: para mostrar que a vida emancipada, aberta e assumida pode ser mais satisfatória do que é hoje.

      Por fim, querido Juca, não peço a você para que mude nada na sua vida se você está bem como está. Agora, aqueles que buscam por mudanças, pensamentos e referências tem o MVG para frequentar, para compartilhar ou não. Tem gente que é mais atuante, que divide relatos e tem aqueles que ficam apenas espiando.

      Como comentei ontem para um leitor que encontrei pessoalmente, a tendência do gay que está preparado para viver a sua vida gay sem amarras e preconceito, é de não mais precisar acessar o Blog MVG.

      Mas no seu caso, onde está o incômodo que eu não entendi?

      Abs!
      MVG

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