Minha Vida Gay – Sopa de letrinhas


Por que um Blog não poderia ajudar a trazer referências para gays?

Esse ano, quando conheci “P”, “Sammy” e “Fernando Lima”, leitores do Minha Vida Gay que deram alguns passos a mais em relação a suas sexualidades e valores de afetividade, consegui entender um pouco mais dos propósitos do MVG.

Há um pouco mais de um ano e meio não podia imaginar que num único dia poderia ter uma resposta com mais de 800 visualizações no Blog e não sabia que esse blog poderia se tornar um tipo de espelho para tantos homens, gays, bissexuais, heterossexuais, enrustidos, indefinidos e confundidos. Principalmente por ser formado apenas por textos e reflexões “filosóficas”.

Absolutamente, o Minha Vida Gay nunca teve a pretensão de trazer relatos gays, experiências próprias e conceitos que fossem de acordo com todos os modelos, hábitos e valores gerais. Como narrei em algum post recente, agradar gregos e troianos – além de utopia – seria uma tarefa inglória. É impossível trazer concordância para todos, principalmente nesse “caldo” chamado Brasil.

Assim, o Blog MVG fala com um público sim, prioritariamente que cultiva o hábito de leitura e que, segundo a pesquisa em “Perfil do Leitor”, estão na maioria cursando faculdades. Quando afirmo isso, não excluo de maneira nenhuma aqueles que chegam até o Blog e são jovens do ginásio, do colegial ou aqueles que não tiveram a oportunidade de concluir o ensino.

O MVG além de ter um diálogo aberto e lúcido com “jovens de 14 a 50 anos”, tem cultivado posts dos mais diversos relatos:

– Dos gays que viveram até bem pouco tempo atrás uma vida heterossexual e estão se permitindo dar alguns passos a mais em direção a suas realidades da homossexualidade;

– Dos gays “assexuados” que reprimem sua homossexualidade e não desenvolvem relacionamentos heterossexuais;

– De homens que não se definem como gays mas cultivam um prazer homossexual de tempos em tempos;

– Dos gays frequentadores do meio GLS e que por vezes se cansam da rotina da noite e vivem um tipo de busca constante por um par;

– De casais gays que trazem suas dificuldades e virtudes em relacionamentos duradouros;

– De adolescentes gays, ou simplesmente jovens, que se deparam com a primeira paixão por outro do mesmo sexo, na escola ou na faculdade e que gostariam (ou não) de levar a diante uma possível história homoafetiva;

– De heterossexuais que manifestaram em um único post suas carências por – as vezes – precisarem de um “colo de macho”, revendo um pouco o conceito do “homem machão”, trazendo ao debate o novo papel do macho perante a sociedade atual;

– De gays que assumiram casamentos com esposas, filhos e que hoje revêem suas condições;

– Dos gays que entendem que a afetividade entre homens é diferente e outros que entendem que é tudo a mesma coisa, independentemente dos gêneros;

– Dos gays que sentem preconceito com gays, colocando a maneira que nos apresentamos para o mundo em questão;

– Das esposas que desconfiam dos maridos e questionam se determinados comportamentos os caracterizam como gays;

– Do gay que ainda vive um idealizado do “príncipe encantado”, do heterossexual que poderia ser “convertido” para que o ideal se realizasse.

Muito se fala aqui no Blog sobre conceitos sociais que acabam rotulando nossa “espécie”: enrustidos, assumidos, passivos, ativos, masculinizados e afeminados. Vivemos muito dessas dualidades e, na maioria das vezes quando repudiamos ou super valorizamos esses modelos acabamos sofrendo ou provocando o preconceito. Lembrando que preconceito traduz-se em medo e/ou limitação.

Procura-se muito no MVG dicas para relacionamentos gays darem certo. Quais as dificuldades de dois homens construírem um relacionamento afetivo? Existem nuances no relacionamento gay em relação ao heterossexual? Sem querer acabamos heterossexualizando nossas relações afetivas? Por que homens gays tem tantas dificuldades para namorar? Esperamos realmente por esse príncipe para nos tirar de nossa “masmorra particular”, para funcionar como um impulso a mais para as nossas resoluções sexuais e afetivas? Freud explica? Lacan explica? Quem explica afinal?

O que sei é que ainda não apredemos sobre homossexualidade em nenhum lugar a não ser na própria prática.

E não menos importante, um gay bem resolvido não necessariamente significa ser assumido. Resoluções na vida envolvem outros campos que não somente a sexualidade: estudos, na relação familiar, no emprego, na aquisição de bens, no relacionamento afetivo e fundalmentalmente na busca por ser feliz consigo de maneira mais abrangente possível. Alguns posts do Minha Vida Gay retratam sobre esses assuntos, para contrariar um pouco essa nossa ideia de que assumir a nossa homossexualidade resolverá todos os problemas!

Por mais que alguns (pouquíssimos) leitores contrariem, o MVG é uma ode à diversidade sexual. Na realidade, ode à diversidade por sermos gays e buscarmos por resoluções sob os diversos aspectos da vida.

Aspectos sobre consciência da diferença tênue entre discrição e anulação, por exemplo.

Costumo dizer que o MVG faz sentido para aquele gay que sente algum tipo de desconforto com a sua condição atual, seja o gay assumido, o enrustido, o passivo, ativo, ou whatever. E finalizo esse discurso dizendo que o Blog não funciona para o gay que está feliz e satisfeito com a sua condição hoje. Esse sim, não precisa perder tempo no MVG!

Um blog. Sou um blogueiro das palavras, dos textos longos, das ideias, reflexões, exposição e abertura para assuntos relacionados a vida gay. Poderia fazer pós-graduação em psicologia ou sociologia mas na condição de profissional teria que me restringir as regras de conduta dessas áreas. Assim, preferi ser apenas um indivíduo, semelhante a cada leitor que busca por mudanças em suas diferentes fases da vida. Cumpro, de certa maneira, um papel social principalmente para aqueles que estão no limite entre o se aceitar e se assumir.

Os textos cabem bem também para aqueles que não pensam tão cedo em se auto-entitular “gay”, ou que entendem essa coisa de ser gay como algo complexa, “monstruosa” e que vai balançar com a estabilidade emocional das pessoas próximas caso a realidade venha à tona.

O MVG tem muito assunto “cabeção”, para quem busca por esse tipo de assunto. Não teria a habilidade e a naturalidade de materializar mais um Blog gay que falasse das gírias, dos maneirismos e das coisas engraçadas do meio. Ou outro Blog gay que idolatrasse o óbvio: o pinto, o corpo masculino, a gozada, o gostoso do BBB e o sexo. Muito menos um Blog ativista, dos direitos, das leis, da bandeira multicolorida e politizada.

Faço assim, na medida do meu tempo livre, dos fatos, relatos e do prazer, o Blog Minha Vida Gay. Faço por mim e faço por cada leitor que concede ao Blog o seu tempo, seu olhar atento e sua mente pensando, gerando senso crítico e criando imagens sobre os posts que aqui se encontram.

Parafrasenado um leitor: Aqui no MVG somos todos iguais embora no cotidiano enfatizemos tanto o que nos faz ou nos parece diferente.

Se é a sua primeira vez no Minha Vida Gay, seja benvindo! Se já é um leitor frequente, obrigado por dar sentido a esse Blog! :)

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