Coisas do homem heterossexual?

Lembro bem quando uma vez trabalhou um gay na minha empresa. Um não, na verdade dois, mas foi com um que meu envolvimento misturou profissional e pessoal. O outro era e é amigo e, apesar de chamar muita atenção por onde passa, não me desperta libido. Tive essa experiência de envolvimento por um funcionário numa época em que as demandas e a configuração de uma empresa organizada, madura e alinhada ainda não era uma preocupação evidente para quem tinha 25 anos e apenas dois anos como micro empresário.

Recentemente, integrou-se à equipe uma menina jovem, de 18 anos. Não quero esteriotipa-la, mas para caracterizar nesse relato preciso trazer algumas referências para dar sentido a história: a menina é do tipo “Sandy”, não o furacão que embrulhou Nova York recentemente (rs), mas a Sandy, a mocinha bonitinha, pequenininha, meiguinha e delicadinha e outros “inhas” que faz jus a esse estilo.

Um de meu sócios, que trabalha comigo há 10 anos e que entrou na sociedade esse ano namorou durante cinco ou seis anos com uma menina desse perfil.

Depois de 12 anos levando a frente de uma micro empresa, aprendi fortemente em quais “pedras” do caminho eu não gostaria de pisar de novo para não ter que escorregar e correr atrás de uma possível perda de tempo. A exemplo disso, dividir o profissional do pessoal é uma das tarefas árduas quando se tem uma empresa e se dirige pessoas. Enquanto funcionários, não nos preocupamos muito com isso se – por acaso – aconteça uma caidinha por alguém no trabalho. Essa responsabilidade, muitas vezes, fica nas mãos dos superiores ou, quando a empresa é maior, nas mãos do departamento de RH.

Não sei se por esse fato – do meu sócio ter curtido já um tipo “filé mignon a moda Sandy” e o fato dessa menina carregar essa figura da “mocinha” que algumas coisas estão acontecendo. Eu, como sócio majoritário da empresa e um cara deveras observador, firme, crítico e analítico (como vocês notam no próprio Blog), sou responsável em manter a empresa alinhada, organizada e com foco profissional para resultados. Resultados, bem ou mal, implicam em atender prazos, oferecer as melhores ideias, serviços ou produtos com um custo competitivo, antever as expectativas dos clientes, ter um bom discurso de venda e conhecimento, e preservar a equipe em constante alinhamento, motivados e focados num propósito único: o crescimento da própria empresa, nem mais nem menos. Só assim chegamos nos “louros” a não ser que se ganhe na loteria.

Nesse fluxo, deixo bastante claro a todos que precisamos cada vez mais ganhar autonomia e responsabilidades. A geração Y, da “Sandy” e do “MC”, os mais jovens da equipe, adoram esse tipo de coisa e pedem, indiretamente, para tratá-los de igual para igual. Eis uma característica diferente dos X’s e dos Baby Boomers: o sentido de compartilhar responsabilidades, ter bonificações periódicas e não assumir tratamentos de relação “superior e subalternos” são necessidades dessa nova geração.

Me sinto um bom chefe, apesar de ter que assumir posturas cada vez mais firmes ou amadurecidas para manter o trem na linha. Quanto mais ambiciosos e caros os projetos, maior o nível de cobrança e responsabilidade e isso independe de geração. Em outras palavras, realmente trato jovens de 18 anos de igual para igual. Dentro da minha empresa, não vejo diferença de idade, nem diferença de sexo. Estamos todos nos alinhando constantemente para pilotar o “foguete” e a mim e a meus sócios cabem ensinar, formar e lapidar jovens de 18 anos para absorver o senso de autonomia.

Autonomia tem preço, não só para engordar o bolso, mas para as sinapses, para o amadurecimento intelectual, a capacidade mais apurada de comunicação entre pessoas, a segurança individual e o aprimoramento técnico de cada função na empresa. A promessa é que, se tudo seguir em linha, ao final de 2013 os dois jovens da geração Y terão também participação nos lucros. Promessa boa para quase dois anos de trabalho e alto grau de despojamento do “big boss” que aqui escreve essas linhas! Não é uma delícia, além de ganhar o salário acordado, ter uma participação nos lucros mensais em menos de dois anos de trabalho?!

Acontece que algumas coisas estão acontecendo como comento acima. No contexto, a tipo “Sandy” tem alguns comportamentos do tipo: “Você vai pegar água? Pega pra mim?”, referenciado-se ao meu sócio “comedor de Sandy” (rs).

“Ai, estou com frio” – e toca meu sócio prontamente a se levantar e desligar o ar ou fechar a janela.

“Onde eu deixo o copo?” – lá vai ele pegar o copo para deixar na mesa do evento porque a Sandy tinha vergonha!

Nessa toada, que tenho pacientemente e sutilmente construído uma representatividade de autonomia e amadurecimento dos “Y”, me sinto arianamente irritado com essas atitudes e hoje foi incontrolável: “Sócio, nada de pegar o copo dela! Sandy, coloca lá na mesa e para de vergonha besta!”.

Voltei do evento de inauguração e me controlei para ter um diálogo sensato com meu sócio, apesar de estar me sentindo numa onda contra a maré: “Sócio, com esses seus gestos ‘gentis’, será que você não está infatilizando a relação, mimando, e indo contra as responsabilidades que temos com esses meninos para menos de um ano, quando ganharão participação nos lucros? Já tivemos situações parecidas na empresa, nas quais as meninas subiram nas suas costas e você perdia seu poder de gerência. Será que não corremos o risco de repetir o erro? Na realidade, não tenho medo de repetir o erro. Mas quando aconteceu, eu tive que bancar e rever todo o comportamento dos profissionais da empresa para chegarmos num nível de profissionalismo maior, inclusive perdendo gente que não aguentou as mudanças. Não estou a fim de correr o risco de ter que intervir em situações semelhantes de novo. Você pode ser ‘gentil’ como quiser desde que banque esse jeito. Vai encarar e assumir o bom e o ruim dessas posturas?”.

Ainda no discurso reinteirei: “Isso é coisa do pinto querendo uma buceta? Me explica com clareza se for porque você sabe que eu entendo pouco disso. Minha intuição me diz que pode ser e, se for, tenha seu tempo para me dizer se é mesmo. Se realmente for coisa de ‘macho e fêmea’ a gente vai precisar trazer isso para a consciência e ver juntos o que fazer porque a mistura que pode dar – e que já deu antes – é penosa para separar. Não temos que mimar funcionário, principalmente numa promessa de participação dos lucros!”.

E foi assim que esse caso me soou pertinente ao Blog MVG que trata tanto de relacionamentos e comportamentos humanos. Enquanto falava com ele, me vinha a memória as “gentilezas” que tinha com meu funcionário gay, numa mistura entre trabalho e querer agradar com gestos para ser querido. Foi uma grande merda na verdade, uma perda de tempo.

Meu sócio já passou por situação semelhante com minha sócia no passado, quando eram dois X’s aprendendo. Misturaram, brigaram e teve uma situação de precisar apartar a briga dos dois no meio do trabalho a ponto d’eu dizer assim: “vou para reunião agora e, na volta, se vocês não se acertarem, escolho por um dos dois, ok?”.

Para quem não tem empresa e é funcionário, isso parece uma exposição, coisa que não chega aos ouvidos ou que nem se imagina. Para quem tem empresa ou trabalha no RH, sabe bem como é ter que lidar com crises desse tipo e muitas outras crises também!

No final, pintos e bucetas, pintos e pintos, e bucetas e bucetas no ambiente do trabalho – principalmente quando tem sociedade na parada e promessa de participação dos lucros – tem que saber além do trivial, do arroz com feijão do ser funcionário e do comprometimento das oito horas de trabalho.

Fica aqui meu desabafo!

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