Namoros gays – Vivências

Namoro sério entre dois gays. Muitos procuram por relacionamento, tendo em vista as buscas no Google que fazem os leitores pintarem por aqui no Minha Vida Gay.

Relacionamento no geral, anda um pouco difícil de se estabelecer hoje em dia. Vivemos um momento de independência, do culto a liberdade, das buscas individuais pelo trabalho, viagens, cursos e outros projetos que fazem não sobrar tempo ou espaço para um namoro. Mas será que diante desse contexto não cabe mesmo, ou todos esses argumentos não passam de um pretexto para justificar o status “solteiro”?

Como diz o velho e batido ditado, “quem procura acha, mas quem escolhe muito acaba sozinho”.

Por que será que costumamos ser tão seletivos ou restritivos para construir uma história em formato de par? No geral, as pessoas realmente estão mais indepentendes, desprendidas e individualistas. Priorizamos um “subir na vida” e normalmente nessa subida não conseguimos conciliar com um relacionamento.

No específico, quando o assunto são os gays, existem algumas nuances quando dois homens se deparam com uma situação de envolvimento. Nessa minha vivência no meio, acumulei alguns relatos como espectador e personagem que vou dividir agora com os leitores:

A possessividade, a competição e o descontrole

Normalmente quando um casal heterossexual briga, a “delicadeza” feminina suprime a agressividade do homem. Já numa situação entre dois homens ou jovens gays, nem sempre é fácil controlar os instintos mais agressivos. Nesse tema tenho alguns casos:

– Fiquei um tempo com um cara, coisa de três meses e ele notoriamente tinha atributos físicos acima da média o que causa inveja e ciúmes para muitos gays. Mas a história não virou porque o relacionamento era curiosamente frio. Perdemos o contato por um tempo e, nesse mundo ovo que é o meio gay acabei reencontrando-o no Sonique, na época que o Café com Vodka promovida pelo Duda Hering, aos domingos, fazia valer a balada. Coincidentemente ou não ele estava namorando com um outro conhecido, que nem posso dizer “amigo”, mas que sempre que cruzávamos mantínhamos uma cordialidade. Passei a acompanhar o namoro mais de perto já que meu ex-ficante morava no mesmo apartamento que o meu namorado. As brigas dos dois por ciúme, provocações, possessividade e uma notória falta de maturidade e respeito eram cavalares. Coisas como um invadir o apartamento do outro, fazer escândalo e acordar os vizinhos. Coisa como brigarem dentro do carro a ponto de conseguirem quebrar o banco do passageiro e por aí foi;

– Minha amiga morava num apartamento da Frei Boneca. Narrou para mim dois incidentes: o primeiro, de gritos de madrugada no vizinho, quando um se pendura na sacada a ponto do corpo de bombeiros ser avisado. O segundo, de ouvir gritos, xingamentos e muitas coisas quebrando dentro do apartamento, também numa madrugada.

Tudo isso tende a traumatizar. Daí, acaba sendo mais fácil ficar aqui e acolá sem muito compromisso.

O desejo de um relacionamento sereno e estável

Os gays costumam a idealizar demais o homem. Vivem numa busca quase que constante de alguém perfeito nos quesito beleza, riqueza, desenvoltura, masculinidade e inteligência. Alguém perfeito que tenha um envolvimento por nós no mesmo nível de envolvimento que podemos ficar por ele. Mas esquecemos na maioria das vezes que – mesmo esse gay belo, rico, desenvolto, másculo e inteligente – não vai garantir jamais um relacionamento sereno e estável por todo sempre. Para mim é muito claro: se um relacionamento não tem divergências ou desentendimentos de tempos em tempos alguma coisa anda errado! Faz parte de relacionamentos, no convívio e na frequência, surgirem as divergências de ideias e comportamentos. Já tive um relacionamento no formato de namoro que durou um pouco mais de um ano e que aparentemente era “lindo assim”, sem brigas nem divergências. Mas confesso que havia saído de um “casamento” cheio de drama, excessos e intesidade que, em sequência, me fez ser omisso a mim mesmo, numa fuga – inclusive – de viver o relacionamento seguinte com plenitude, podendo ser eu mesmo, na totalidade.

Quantas vezes não omiti a minha opinião contrária a alguma colocação do meu ex-namorado com receio de cair em situações divergentes? Vivi definitivamente a ideia de que “homens gays odeiam D.R.”, e foi uma bosta (rs).

A paixão que nunca acaba

Alguns gays gostam de viver a tal da “intensidade”. Enquanto o fogo da paixão que alimenta o desejo e o sexo persiste, as relações parecem se estabelecer. Quando o namoro tem a oportunidade de virar para a página dois, e a paixão começa a abrir espaço para um compreendimento maior do outro, das virtudes e dos defeitos, da intimidade, parece que a vontade esfria e logo se prefere voltar para a “carreira solo”.

As resoluções quanto a própria homossexualidade

Uma coisa é pessoas próximas e importantes, como pais e amigos íntimos, saberem de nossa homossexualidade. Outra coisa é lembrá-los com certa frequência que somos realmente gays com a materialização de um namorado ao nosso lado, frequentando nossa casa e possivelmente as festas de pessoas da família. Assim, tendemos a viver vidas duplas: a do “bom filho gay, solteirão e assumido dentro de casa” e a vida gay com um namorado (ou da vida gay na ferveção das noites) longe dos olhos dessas pessoas, num estilo “o que os olhos não vêem o coração não sente”. As vezes nos parece que colocar um namorado no meio da família é como água e óleo. Podemos até fazer viagens a dois, curtir um relacionamento em diversas situações diferentes, mas tendemos a não demonstrar essa realidade – por exemplo – com fotos em álbuns do Facebook. Amigos gays, amigos e amigas heterossexuais podem sair na foto. Agora, NAMORADO, as vezes parece que vai ser motivo certo de comentários indesejados!

Costumamos tratar esse assunto com o nome “discrição”. Mas a dúvida para se pensar é: o quanto é realmente discrição e o quanto é o receio da intervenção ou choque de pessoas quando notam evidentemente que temos um HOMEM como namorado? “Esses dois transam? Esses dois fazem carícias e beijam na boca?! Meu Deus, que indigesto!”.

Parece, as vezes, que sair na foto com um monte de homem sem camisa é aprovado. As amigas pagam pau e enaltecem nossos egos. Agora, colocar a foto junto com o namorado é como se a imagem expelisse o cheiro de uma verdadeira intimidade que deve ficar oculta e velada. Parece que, num acontecimento do tipo, teríamos que sair falando para todo mundo e esse tipo de situação pode ser uma desgraça!

Assim, queridos leitores, além de uma realidade social que coloca luz à independência do indivíduo, entre dois homens gays PODE ter dessas coisas. Para quem busca sair de relacionamentos que duram apenas semanas ou meses, ficam aqui as reflexões no MVG! ;)

8 comentários Adicione o seu

  1. P disse:

    Esses dias numa das conversas que tento manter com meu pai para não deixar “esfriar” o assunto da minha sexualidade, ele afirmou que ser homossexual está relacionado exclusivamente ao sexo, afinal ele também desenvolve afetividade por outros homens na vida dele, mesmo sendo heterossexual. Eu perguntei então se o sentimento que ele tinha pela minha mãe quando eles estavam apaixonados no começo do namoro é o mesmo afeto que ele sente pelos homens dignos de seu afeto, o silencio foi a melhor resposta que eu poderia ter, então falei para ele que desejava o que ele desejou com a minha mãe, mas com um homem, ele de maneira ríspida disse que não é possível dois homens terem um relacionamento como um homem e uma mulher podem desenvolver, tentei mostrar que um relacionamento vai além de homem-mulher, homem-homem, mulher-mulher, trata-se de pessoa-pessoa, e neste sentido o respeito, amor, dedicação, zelo e paciência fazem a diferença para o amadurecimento de um relacionamento. Longe de mim achar que casamento e filhos seguram um relacionamento, isso é mais velho que andar para trás. Fechei essa parte da conversa falando que estudos estimam que 10% da população mundial é homossexual, dividindo por dois, 5% são homens homossexuais, dentro deste pequeno espaço amostral estamos nós. Numericamente já é mais difícil ter um relacionamento, se aplicarmos a mesma proporção dos relacionamentos heterossexuais que não dão certo nos poucos 5% de homens gays, nossa aí sim que as pessoas vão dizer que é muito difícil um relacionamento gay duradouro, mas me conforta conhecer casos de casais gays que vivem juntos a mais tempo que muitos casais heterossexuais.

  2. Wicked disse:

    Lendo seu relato, MVG, me veio várias perguntas na cabeça sobre a parte “Paixão que Nunca Acaba”:

    Por que a intimidade tira essa intensidade de ficar juntos?

    E quando o tal do fogo da paixão não persiste, essa não seria a hora de partir, já que não se sente a coisa????????
    Pergunto isso porque pensando com os meus botões, se ficar só no compreendimento do outro e perder esse fogo…acaba virando uma amizade do que algo a mais, não?

    1. minhavidagay disse:

      Oi Wicked, te explico:

      No meu ponto de vista existe a paixão e existe o amor. São coisas separadas. Já está cientificamente comprovado que os hormônios que são liberados quando estamos apaixonados permanecem em média durante os dois primeiros anos de um relacionamento. Isso é uma média.

      E depois disso, o que acontece? Acontece que entra a história do amor, quando a pessoa ao lado não é mais idealizada, não é mais a melhor pessoa do mundo e as diferenças e divergênicias começam a se apresentar. Nos tempos atuais não estamos muito dispostos a lidar com essas “dificuldades”. Preferimos viver apenas de “intensidades” e não damos espaço para passar por questões em relacionamentos.

      Enquanto apaixonados, a pessoa não tem defeito e a vontade de viver ao lado é frequente. Quando acaba, tem que necessariamente acabar a relação? No meu ponto de vista não, mas muitos não se dão a oportunidade de cultivar o amor, que é paciência, concessões, respeito e tudo mais que começa a ser exigido depois que acaba o deslumbramento da paixão.

      Abs,
      MVG

  3. Olha, num tenho achado nem marydo pra papo de dias… quiçá pra semanas ou meses, rs! A coisa não tá fácil pra ninguém!

    1. minhavidagay disse:

      Amigue, vc não está muito exigente não? rs
      Li sua história da noite na Rua Augusta. Hi-lá-rio! E a do tipo do terno? Melhor ainda… rs

      1. Gatha, juro que não estou exigente. Sou quase um bolsa-escola ou um bolsa-família… quero dizer: incluo quase tudo, rs! Eu penso estar vivendo aquele comercial da Mastercard (lembra?): quando entro numa porta, meu marydo sai pela outra… só pode ser! kkkkkkkkkk

  4. Romulo disse:

    Namorei durante 4 meses com um cara, que era digamos “enrustido” (apenas 3 amigos íntimos sabiam de sua sexualidade)…No início do namoro tudo era muito agradável, ele conseguiu conciliar sua vida comigo e com sua vida social agitada já que é bastante popular no meio da alta sociedade. Eu não o julgava porque, além de estar apaixonado, sei que a questão de “se assumir” é pessoal e deve ser tomada com cautela levando em consideração muitos requisitos, então respeitei, o que aconteceu foi que depois de mais ou menos, ele não conseguia mais conciliar muito as duas vidas, e a que mais pesou foi sua vida “SR. balada com os amigos” e eu fui ficando de segundo plano. Eu não tenho muitos amigos, estou muito satisfeito com os que tenho, e todos sabem de mim. Durante o relacionamento tentei preservá-lo ao máximo pra preservá-lo, chegando a inclusive negar uma saída com seus amigos, no qual eu seria apresentado como uma amigo de um “curso de línguas”, não sou o tipo mais sociável do mundo, ainda mais com um meio em que me sinto totalmente deslocado, como é o caso da alta sociedade do qual ele faz parte, isso tudo culminou em saídas não avisadas previamente pra baladas com os amigos e mentiras, e ele mesmo terminou comigo porque disse que não tinha estrutura para levar o relacionamento adiante. . Bom, durante todo o relacionamento eu fiquei me sentindo de certa forma deslocado (e isso acabou com minha auto estima) porque eu percebo que ele é do tipo de pessoa que liga muito pra status, por viver no meio rico, e eu, apesar de ser um cara bonito e simpático, não tenho nada de status a oferecer pra ele, nem tenho condições de acompanha-lo em viagens em busca de baladas no exterior de 6 em 6 meses, nem tenho um corpo sarado que, apesar de ele não ter me dito, ele tanto cultua. Entrei no que alguns psicólogos chamam de “comparacite” com o mesmo, “ele tem isso e eu não tenho”, “ele pode ir e eu não posso, o que fazer?”, “ele mora em uma cobertura e eu moro em um bairro mais humilde”. Enfim fazem mais ou menos 3 meses, no sábado recebi a notícia de uma colega que anda no meio dele dizendo que ele “se assumiu”. Eu, que apesar de não ter superado completamente mas estava bem mais tranquilo, entrei em um novo colapso mental, “porque ele se assumiu?”, “pra quem ele se assumiu?”, “será que ele está com uma pessoa TÃO melhor do que eu pra ter feito isso?”….Entrei em choque, porque achava a ideia de ele fazer isso tão remota por causa de sua ligação com status e pelo fato de uma das coisas que mais desgastarem nosso relacionamento foi o fato de ele ter sido enrustido. ISSO TUDO é meio que pra dizer que eu sou um cara que como já disse, me considero bonito e interessante, mas tenho um GRANDE problema de baixa auto-estima, talvez pela minha criação de pais aéreos, e também por não ser rico nem nada do tipo, e isso faz com que eu seja um pouco problemático e tenha dificuldades de engatar um relacionamento (NO QUE DIZ RESPEITO À MINHA PARTE), queria fazer algumas perguntas. Você acha que quando existe muitas divergências de personalidade, um namoro pode dar certo( pessoa baladeira x pesso caseira; Pessoa rica x Pessoa CM; Pessoa que cultua status seja por beleza quanto econômico/fama na sociedade x Pessoa madura : Todos esses exemplos existiam no namoro). O que você acha que significa “SE ASSUMIR”? Tirando em experiências seus relacionamentos nesses anos todos de experiência que você relata como assumido e exalta tanto no blog, acha que é normal depois de 3 meses de término eu ainda pensar tanto na pessoa? O que significa superar uma pessoa pra você? Quando se está com problemas de auto-estima, acha que é melhor evitar em situações sérias de relacionamento pra evitar que a carência faça com que eu aceite muitas coisas erradas (sou uma pessoa que se apega com facilidade) ou melhor “subir na vida” primeiro, e como vc citou em outro post, levar o trabalho como primeira carta do baralho pra me sentir bem comigo mesmo? e pra finalizar, o que você faria em minha situação, levando em conta que eu ainda sou meio apaixonado(não conheci ninguém novo nesses 3 meses, nem pra nada casual E morando numa cidade que não há muitos caras que me atraiam) Iria atrás dele pra saber os motivos dele ter se assumido? tentaria esquecer?. Fico grato se puder me responder, sei que você não é psicólogo mas fiz as perguntas por você ser uma pessoa experiente. Obrigado,

    1. minhavidagay disse:

      Oi Romulo,
      achei que seu comentário irá enriquecer o blog. Assim, como faço com alguns casos, vou transformá-lo em post, ok? Aguarde meus comentários por lá.

      Abs,
      MVG

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