Lady Gaga é para o público gay?


A representatividade de Lady Gaga para alguns grupos gays

Basta clicar nessa página para notar os “tipos” fantasiados que foram assistir ao Show da Lady Gaga aqui em SP.

O show da Lady Gaga está acontecendo agora em São Paulo e como moro perto do Morumbi, é inevitável não ouvir a ovação e comoção vindas do estádio, junto com a “Bad Romance”, hit da artista pop.

Providente postar algo sobre o evento no Blog MVG, embora não seja fã da Lady Gaga e conheça apenas uma ou duas músicas como “Born this Way”, nome dado inclusive para essa turnê.

Show da Lady Gaga no Rio de Janeiro - 2012

Lady Gaga é uma espécie de ídolo gay que surge de tempos em tempos – normalmente no cenário musical – para aproximar e representar parte da comunidade gay no Brasil e no mundo.

Obviamente que aqui se incluem jovens heterossexuais – meninos e meninas – embora a figura andrógina/travestida repleta de cores e penduricalhos da Lady leve em seu discurso uma simpatia grande ao público gay mundial.

Claro que, como reforço bastante nos posts por aqui, o ‘perfil gay Gaga” não se resume apenas aqueles que se fantasiaram, se travestiram e se maquiaram para comparecer a esse momento de idolatria. Não precisamos nos enfeitar para exercer nossa sexualidade, mas alguns, aqueles mais fãs, que estabelecem uma relação de abertura e identificação maior com a personagem, se concedem “um dia de libertação Gagay” no qual jovens – bem jovens mesmo – se identificam com a figura e com as palavras da artista e permitem-se caracterizar, gestualizar e personificar um pouco dessa mistura de paixão e envolvimento.

Não há como negar que as figuras fantasiadas viram alvo à críticas: “sou gay e acho uma vergonha esses caras se vestindo desse jeito!”. Mas quem conhece sem limitações o meio sabe bem que essas “personagens” estão na noite todos os dias e não impõem necessariamente uma condição ao gay, embora o meio hétero alienado e com baixíssimo contato com o universo gay acaba acreditando que ser gay é ser essas personagens. Nesse ponto, como digo por aqui, se o problema é a sociedade entender a gente de maneira parcial, está esperando o quê para mostrar um outro olhar a respeito?

Toda essa coisa de fãs em fantasias, visto com bons olhos, não passa também de uma brincadeira, uma “brincs”, assim como homens heterossexuais se travestem de mulher em bailes de Carnaval.

Lady Gaga transpira essa liberdade estética e de gêneros que nem sempre quer dizer bom gosto e na maioria das vezes choca por vontade. Lady Gaga vende em seu discurso a liberdade sexual e aqueles gays e heterossexuais que se encontram nesse momento no Estádio do Morumbi, faça chuva ou faça sol, estão todos numa mesma sintonia, focando olhares, ouvidos e atenção para um artista popular, para sonoridades, luzes e trejeitos.

A Gaga não é meu estilo e não é de muitos gays que são leitores do MVG. Mas não há como discordar que – assim como Gloria Gaynor, Village People, Pet Shop Boys e muitos outros artistas que já tiveram seus momentos de destaque e estrelato – vez ou outra dialogam com o público gay, com a sociedade e – mesmo sem querer querendo – levam à essa sociedade os conceitos e valores da homossexualidade, nem que seja um “viu, gente: nós existimos, gagamos e somos felizes”.

A música não tem mais um papel político e social fortemente marcado como antigamente. Mas são nesses surtos ou rompantes de estrelato que o artista passa a ser um interlocutor de massa de algumas ideologias, mesmo que de fundamentação contestável ou parcial.

O efeito Gaga há de continuar e cabe a cada um, com lucidez ou não, colher o que de bom a idolatria proporciona.

O discurso da Gaga é gay e se vende é porque tem público para isso.

(Se não vendeu tanto quanto se esperava no Brasil não foi pela baixa representatividade dos gays brasileiros ou de conflitos existentes entre os tipos gays ou heterossexuais. Não vendeu porque, convenhamos, é um absurdo um show de pista custar R$ 340,00. T4F, a empresa que está promovendo esse show no Brasil e que promoverá a Madonna em dezembro, precisa rever seus conceitos ou saber precificar melhor seus negócios. Depois, ficar vendendo ingresso com ações promocionais massificantes do tipo “compre 1 e leve 2” – do ponto de vista de quem trabalha com publicidade – fica bastante feio).

1 comentário Adicione o seu

  1. Caio disse:

    É isso aí MGV. Eu compartilho da sua mesma visão. Eu gosto das músicas dela, e até mesmo acompanho um pouco sobre sua trajetória profissional. Não sou um fã fanático, apenas aprecio. Ao meu ver temos que respeitar quem gosta de se fantasiar e ser espalhafatoso, mas ao mesmo tempo a sociedade tem que saber discernir que eles fazem parte de uma diversidade dentro de outra diversidade, ao invés de ficarem apontando que todos os gays são desse jeito ou que todos os que gostam das músicas dela, no caso, também são assim. Isso porque eu e muitos outros também não somos. Vários escondem que gostam de seu trabalho para não serem motivo de chacota, da mesma forma que vários guardam sua sexualidade somente para si pelo mesmo motivo. Então, ta na hora do povão se tocar e saber respeitar e não ficar criando associações ridículas. Todo mundo já têm um bom conhecimento sobre o assunto (homossexualidade), só não entendem porque não querem, preferem viver em mundo de ilusões.
    É verdade os preços praticados pela T4F são abusivos, aqui no Brasil é sempre assim querem enfiar a faca, no caso porque ela faz sucesso no mundo, é a primeira vez dela no país, e de certa forma a nossa economia está mais favorecida que de vários outros países. Se os preços fossem mais humildes, enchia as áreas dos shows. Vários não foram por este motivo.

    Abraços :)

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