Vida gay – Como a cultura latina influencia os gays brasileiros?


Cultura latina, comportamento gay, comportamento.

O Minha Vida Gay não é um Blog voltado à política. A mim, política, é um nome que vem carregado de valores de interesses duvidosos, conchavos e corrupção. Mas não tem como negar que a política é recurso definitivo para composição de uma sociedade e, apesar de parecer longe da vida da gente, nos influencia e é reflexo de cultura, hábitos e valores de cidadãos que optam por exercer um cargo político. Político no Brasil é antes de mais nada brasileiro e não faz parte de um grupo isolado e diferente da gente.

Os Maias anunciaram o fim do mundo em 21 de dezembro de 2012. Apesar dessa data estar equivocada, já que nesse ano encontraram o calendário maia mais antigo que se tem notícia (e assim o original) – que revela “novos” cálculos que nada apontam para 2012 como o ano do juízo final e a mim parece mais simbólico do que uma explosão solar – notamos o “centro do mundo”, a Europa, onde toda essa brincadeira de civilização começou, perdendo seu poder e vivendo por crises evidentes, em relação ao que se entende de crise hoje em um contexto moderno. Desemprego na Espanha, instabilidade da moeda (Euro) e os gregos que no começo da brincadeira de sociedade, lá atrás, compartilhavam com os romanos as rédeas do mundo, vivem hoje de uma doença de estado inchado com milhões de pessoas se beneficiando do poder público, enfraquecendo assim o próprio país. Em outras palavras, os bisavós europeus dos valores fundamentais, dos hábitos e das bases que se tem conhecimento de sociedade ocidental (que inclui Brasil e os países da américa latina) estão enfrentando questões que outrora se reservava a países de terceiro mundo.

Os EUA, comandado pelo recém reeleito Barack Obama, deixa bem claro: o presidente está menos preocupado com a crise que muda a percepção que temos hoje da Europa e está totalmente atento e com bastante interesse em depositar energia nas boas relações com o Tigre Asiático, fundalmentalmente, China e Coréia do Sul, expoentes que estão transformando os pólos de riqueza do mundo.

Nasci numa época em que tudo que era considerado bom e de qualidade era “Made in USA”. Vivi a juventude e a adolescência buscando por sonhos de consumo “Made in Japan” e, hoje, não há como negar que tudo que é bom e ruim – tudo de tudo – é “Made in China”.

Não aprendi sobre Fernando Henrique Cardoso, URV e Plano Real na escola. Vivi esse tempo da grande mudança que aconteceu no Brasil depois que conseguimos segurar a inflação e abrir o país para o mercado mundial. Vi jovens da minha idade e um pouco mais velhos, ufanistas de caras pintadas, indo as ruas para arrebatar o presidente Collor ou cabular as aulas regulares. Vi o que foi a ditadura militar e a luta das “Diretas Já” que culminou no mandato do Tancredo Neves que nem chegou a tomar o poder. Veio o vice Sarney que, sem tato, nem profissionalismo, nem capacidade política suficiente, deu os primeiros passos para essa nova democracia brasileira que se estabelecia depois de anos de imposição anti democrática.

Acreditem ou não, o Brasil hoje com seus 500 e poucos anos é extremamente parecido com a Roma de séculos atrás de Julio César. Julio César, para quem não sabe, ajudou a construir as bases de mundo europeu e ocidental que conhecemos hoje. Não dizem que a Europa é o berço do mundo? Taí um dos motivos para tal título.

Vejo a Cristina Kirchner, “dona” de nossa vizinha Argentina, dar alguns passos de séculos para trás, tomando conta da mídia e indo contra a liberdade de expressão, segurando os argentinos para não operarem com o dólar e fechando lojas de grifes mundiais estabelecidas no país por meio de ações governamentais contra a importação. Esse modelo ditatorial e manipulador a lá Hugo Chavez, da Venezuela é prática antiga, secular e que – vejam só – foi adotado por Julio César quando o ser humano mais nobre ainda andava de carruagem! Não soa totalmente retrógrado?

Enquanto isso, tem o tal do mensalão no Brasil, ministrado sob as vistas “finas” de nosso ex-presidente Lula, eleito duas vezes por nós, que ajudou a colocar recentemente a presidente Dilma no poder e que, numa ação camarada com o Maluf (o cúmulo da contradição ideológica esse tipo de parceria!), ajudou a por o Haddad na prefeitura de São Paulo.

E o que somos diante todos esses contextos? Assim como na época de Julio César, podemos até ser de uma classe média ou média alta com algum nível de referência mais abrangente, mas permitimos ser reféns dessas arbitrariedades. Somos de uma maneira geral, da cultural latina, que tende a assumir uma postura mais de vítima na qual a “culpa” de algo não andar bem é sempre do outro.

Somos de uma cultura latina que normalmente não brigamos pelos nossos direitos, não reunimos força para ir evidentemente contra aqueles que corrompem e, assim, permitimo-nos ser corrompidos e manipulados. A gente literalmente deixa a coisa acontecer no momento que poderíamos tomar as “rédeas da coisa” para que ela acontecesse como gostaríamos.

“Cultura latina” ou cultura cujas bases surgiram das sociedades com o latim como língua (os amigos romanos, no caso – rs) é hoje em alguns momentos um termo pejorativo.

Já ouvi um ex-namorado culpar categoricamente o pai por ser gay. Naquela época eu vivia uma fase de omissão, de evitar totalmente conflitos e discussão de relação. Mas dentro de mim aquela afirmação soava o puro exercício de latinidade. Pensava – “Então agora a gente é gay pelo comportamento do outro? Nem gay a gente consegue ser por vontade própria?!” rs

Falo de uma latinidade, essa que cultua “Carminhas e bichinhas” da tevê, a postura ogro-machão-BBB e a nova versão de Carrossel no SBT. Que se sujeita deliberadamente a essa política panis et circenses.

Latinidade que, bem ou mal, trocou há séculos os movimentos politeístas e desde o tempo do nascimento do “hippie barbudinho” propagou o monoteismo, do consolo e da esperança para nossas dores e amores!

Latinidade que, inclusive, na época do Renascimento na Itália (olha aí o terreno do tio Julio César de novo em evidência), fez o barbudinho Jesus ser aloirado, branco e um verdadeiro modelo de passarela de cabelão!

Latinidade que faz sermos de uma sociedade muito ogulhosa, sorridente e emergente. Mas que ao mesmo tempo, por esse mesmo orgulho, nos tira a humildade e nos faz contentar com pouco.

Latinidade que super valoriza as diferenças de classe, dos valores do enriquecimento individual e não coletivo.

Latinidade de pagar pau para a Europa do tipo “Paris é tudo” (e que por “coincidência” é também o latino que “dá certo”).

Latinidade de estar em todo o canto do planeta no subemprego e achar, coitados, que assim somos dono do mundo!

Responsável pelos modelos, ora do patriarcalismo, ora do matriarcalismo que em certa medida nos tornam dependentes ou impõem uma depedência.

Innfluências tem aos montes. O que falta é uma consciência.

2 comentários Adicione o seu

  1. lebeadle disse:

    Essa reflexão da culpa é algo que tenho começado a fazer. Percebo que já tem algumas hipóteses – interessantes essas vinculadas pela mídia e que refletem ou impõe modelos – , de mais a mais a culpa: a que pomos nos outros, a que pomos em nós, pode ser uma espécie de vício ? Você já viu um livro intitulado ‘Reflexões sobre a Questão Gay’, de Didier Eribon ?

    1. minhavidagay disse:

      Não li não, Lebeadle. Do que se trata?

      Não diria culpa e sim responsabilidades. Temos responsabilidades perante a sociedade, a grupos, famílias e amigos. Não propriamente culpa… precisamos ter consciência sobre o que fazer com essas responsabilidades…

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