Revista Veja fala sobre gays – Colunista J. R. Guzzo


Deu na revista Veja dessa semana a reportagem do colunista J. R. Guzzo de título: “Parada gay, cabra e espinafre“. O colunista apresenta seu ponto de vista sobre o estilo de vida gay atualmente, as relações com a sociedade, a busca dos direitos dos homossexuais, casamento com cabras e espinafre.

Quem me passou o texto para o debate foi o leitor do Blog MVG, Fernando Lima. Quem quiser saber mais a respeito da reportagem pode fazer o download clicando no link: Revista Veja fala sobre gays – Reportagem de J. R. Guzzo.

Trocamos um e-mail a respeito e já deixei meus comentários após a leitura. Se quiserem saber mais qual a relação do gay, com cabras e espinafre, vale a pena baixar o PDF e seguir com a leitura:

Fernando Lima:

Olá Pessoal,

Tudo bem com vocês?

Segue artigo de J.R. Guzzo sobre gays na edição desta semana da Veja.

Quando uma revista como a Veja publica um artigo desses, fico preocupado…

Por que gays não podem se casar? Pelo mesmo motivo que um homem não pode casar com uma cabra, nem com a própria mãe!

Não é brilhante?

Fora os erros habituais: homossexualismo e não homossexualidade, preferência e não orientação, etc.

Gostaria de saber a opinião de vcs.

Abs,
Fernando Lima

MVG:

Oi Fernando!

Coloco aqui minhas considerações:

O colunista J.R. Guzzo entoa um discurso muito bom e até mesmo convincente. Apresenta dados e levanta questões sobre a parada e seus porta-vozes que em certa medida eu tenho que concordar, quando comenta dos excessos. Mas apesar do texto bem escrito, coerente e lógico, o jornalista embasa todos seus argumentos num tipo de aceitação social que ainda não existe. Talvez, o grupo de gays que faz parte de seu círculo social ou de alguns outros grupos que já adquiriram uma emancipação perante pessoas próximas, correspondam à “células” sociais que possuem uma autonomia e não precisam tanto levantar suas questões de direitos. Mas são células e não equivalem a uma percentagem acima da média.

Quero dizer que esse “mundo que se aderiu ao o que é gay” não é geral e ainda nos coloca num tipo de periferia.

Guzzo inicia seu texto enunciando o caso do “Kit Gay” que não foi bem difundido. O kit foi rechaçado pela maneira que foi distribuído, sem plano, sem estratégia, sem um pensamento de inclusão. Pais e alguns políticos se armaram contra e, no meu ponto de vista, ter em destaque a imagem de dois meninos (crianças) se beijando foi um erro tremendo, um choque, uma confusão, uma comunicação totalmente mal embasada que levantou guarda dos mais preconceituosos.

Já o caso da Marta acusando a masculinidade do Kassab, nada mais é que um “efeito PT” dos argumentos radicais e impulsivos, pronunciados pela nossa conhecida ex-prefeita, das dondoquices, dos excessos feminista, do marketing pessoal “do cabelão” e pró-gay.

Os interesses dos gays sobre a união, casamento, dos discursos de nossos “porta-vozes”, da questão de doação de sangue, entre outros que o jornalista enumera podem realmente ter lá seus exageros e falta de foco quando expressados. Mas nada tem a ver com comparações estapafúrdias com panelas de teflon ou cabras. Tem a ver com a necessidade dos gays quanto a inclusão numa sociedade real, que não é ainda essa que ele apresenta em seu discurso. Seria, por exemplo, se ensinassem sobre homossexualidade nas escolas, se os pais – hoje – tratassem com naturalidade a orientação de seus filhos, ou melhor, se não houvesse diferença de reação entre heterossexualidade e homossexualidade. A diferença existe e, no geral, nos falta naturalidade sobre essa realidade.

Assim, gays protestam pelo casamento, nossos porta-vozes assumem as vezes um discurso radical, e alguns levantam fortemente a bandeira dos direitos porque ainda não nos encontramos em igualdade, ou melhor, naturalidade. Quem é gay sabe disso. Os guetos ou “comunidade gay” como ele nomeia existem claramente, que são os lugares como a Frei Caneca, onde nos sentimos mais a vontade para expressar homoafetividade em público como andar de mãos dadas.

O Brasil de inclusão ao gay como ele sugere está um pouco longe e acho que ele tem consciência disso. O texto, no final, não passou de uma provocação quase que bem humorada, mas perdeu o essencial de vista, tentando nos iludir com o secundário: panelas de teflon e cabras.

Abs!

4 comentários Adicione o seu

  1. Rodrigo disse:

    Bom, só no mundo imaginário deste jornalista gays são tratados de forma igual para conseguir trabalho…e engraçado que o crime de discriminação racial, que não deixa de ser um crime de ódio, é muito bem especificado na constituição, por que o de homofobia não poderia ser tal e qual? Sobre o casamento e a cabra, bom, nem vou comentar…U.U’

  2. Caio disse:

    Já deixei meu comentário acerca desse texto em outro site e o achei uma porcaria. Essa revistinha mequetrefe é um lixo que não tem como ser reciclado. Não só isso, o Grupo Abril é um covil de manipulação de informações e produção de matérias tendenciosas. E aos que se indignam por um tempo atrás a VEJA lançar reportagens pró-gays, eu digo que era apenas interesse e busca por público, querer ser a diferente e inovadora por abordar tal tema em sua publicação. E agora presta mais um desserviço social ao permitir que esse idiota escreva isso. Já não basta a população chucra e escrota que se encontra sobre este país que por natureza já é cheia de preconceitos, ainda vem esse cabra reforçar essa visão depravada dos homossexuais.

    No final de tudo, você sempre vê as vezes na internet ou televisão que as pessoas dizem que o mundo esta ficando mais liberal, mais inclusivo e menos preconceituoso. Mas na verdade o que eu vejo é que essa “evolução” está ao mesmo passo do retrocesso, afinal o conservadorismo se viu atingido e quer o troco a qualquer custo, então começamos a ver que os ganhos de cidadania para nós gays estão se perdendo e sendo ameaçados. No EUA, por exemplo, teve até votação popular para ver se o casamento gay em um dos seus estados que já tinha sido aprovado deveria ser proibido novamente. A que ponto chagamos. Se for para conceder um direito que ele seja eterno perante a Justiça e não passível de ser retirado por interesse dessa máfia hipócrita.

    1. minhavidagay disse:

      Parece que o texto está virando um bafafá, inclusive dentro do Abril! (Tenho alguns contatos por lá).

      Veja só, não? O JR Guzzo é além de colunista da Veja, diretor geral da revista EXAME! Me diga, o que um cara focado em negócios vai se meter a falar se comportamento, sociedade e homossexualidade?

      Primeiro que erra feio – e o editor chefe da Veja ainda deixa passar – os conceitos de HOMOSSEXUALISMO e PREFERÊNCIA SEXUAL. Primeiro que o termo homossexualismo foi “banido” e não se usa mais. Depois que “preferência sexual” subentende uma escolha do tipo “prefiro cabra à espinafre” e sabemos muito bem que não se referencia a sexualidade como preferência sexual e sim, tão difundido, como ORIENTAÇÃO sexual.

      A partir daí foram apenas argumentos mal embasados. Uma confusão que mexeu com muita gente, até com profissionais da Abril que conheço.

      Abs,
      MVG

  3. Marcelo disse:

    Senhores, vim aqui através do Google para saber o que esse cara tinha escrito, porque uma amiga minha lésbica tá irritada no facebook e aquele político Jean não sei das quantas parece que escreveu algo a respeito. Eu não sou gay. Li o artigo e fico me perguntando o que ocorre. Pergunta: o texto vale mesmo toda a irritação que está causando? Eu, por exemplo, sendo negro, não tomo sequer conhecimento do que diz o “movimento negro” e suas “lideranças”. Nesse ponto, eu me identifico com o que diz o jornalista; não vou deixar minha identidade ser camuflada pelo movimento negro, movimento míope ou movimento dos que gostam de dormir no sofá. E concordo: ninguém é obrigado a gostar de mim. Uai, vc não gosta de mim? F…-se. MAS…. se vc me criar algum tipo de problema, posso sempre recorrer à justiça.
    Resumindo, não li naquele texto que “a vida dos gays” no Brasil é fácil. Mas fiquei com a impressão de que, mesmo com cabras e espinafres, o pessoal andou lendo o que não foi escrito e essa polêmica se deve ao veículo que publicou o texto. Não renderia metade do debate se fosse na Istoé, creio eu.

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