Vida gay – Nos resumindo aos esteriótipos

Feira gay no Rio de Janeiro. Vale a segmentação?

O leitor “P” mais uma vez contribuiu com uma reportagem para o Blog MVG referindo-se a questão dos esteriótipos que nos assola! Cá está o link que deu no G1, referente a Feira Gay que ocorre no Rio de Janeiro.

Começou no dia 17/11/2012 a primeira feira destinada para o público LGBT, seguindo a Parada no Rio de Janeiro. E o que está rolando por lá:

– Concurso de abdômen “tanquinho”;

– Beijo sexy;

– Corpos musculosos;

– Gangnam Style;

– Sexshops e materiais pornográficos.

O “estilo de vida gay” se resume a isso? WTF! Por que eventos para gays são tão condicionados a um universo restrito dessa forma?

Ok, existem os mais fervidos que gostam de fechar o próprio quadradinho no modelão: sexo, corpo sarado, posto 9 e pornografia. O que existe é uma dificuldade tremenda em definir – com clara estratégia de segmentação – produtos e serviços para gays. Afinal de contas, existe produtos e serviços para gays?

No meu ponto de vista, não, quase nada e graças ao bom Deus que não! Gays consomem produtos e serviços que não se segmentam a sexualidade! Ok, que tem cuequinha, algumas músicas e filmes pornôs que ornam com esse público é verdade. Talvez algumas viagens temáticas para lugares carimbados funcionem? Talvez.

Mas temos uma mania de querer segmentar produtos e serviços para o público gay, numa busca de diferenciação ou destaque. É uma tentativa em vão. Não tem motivo de buscar essa diferenciação e o jogo de marketing é errado porque gay não é gênero! Do ponto de vista de negócios, gay é homem. Certo? Hello? Anybody home?

Gays consomem Hyundai i30, roupas da Zara, restaurante Sujinho, havaianas, perfume da Burberry, cuecas Calvin Klein, jeans Diesel, óculos Rayban, Omo, arroz Tio João, tevê LCD da Samsung, viagem de cruzeiro, apartamento Loft ou Duplex, etc. Podem consumir também Chevrolet Celta, roupas da Hering, Mac Donald’s, Boticário, Lupo, C&A, Chilli, tevê da Buster, viagem de ônibus leito, kit net, etc.

Mas efetivamente, o que de gay tem nisso? Absolutamente nada diretamente gay e a gente tenta que tenta segmentar.

Restringe tanto que inclusive essas marcas que poderiam oferecem gordos patrocínios para eventos desse tipo – Feira gay – perdem seu interesse. Perde-se em negócio e mantém essa imagem desgastada, restrita e até chata de que gay só pensa em curtir sexo, de que gay é fácil e é objeto.

Eu, pelo menos, estou bastante cansado. O foco me parece outro: é interessante profissionalizar os negócios para o público gay sem necessariamente restringir. A restrição não faz sentido nenhum e banaliza a identidade gay. Juro, cansei da ideia da imagem de gay ficar associada a cueca colorida ou camisinha da Olla! Não tem como ir além não, produção?

Saimos do armário para entrar no dark room? Ou seria numa casa de bonecas? Ou numa piscina de bolinhas?

Dá para virar o disco?

Acho que dá e tem um grande potencial. A maneira que lidamos hoje com marcas e o público gay está desgastada e merece uma revisão. Será mesmo que gay está tão interessado nesse mundo de abdômen “tanquinho”? Sempre tem a meia dúzia que gosta, mas e os outros quinhentos?

O fato é que produtos do sexo promovem um tipo de venda que não tem muito erro. Falta-nos criatividade e estratégia de bons negócios.

4 comentários Adicione o seu

  1. Caio disse:

    Bom dia MGV. Bem, também concordo com você com relação a ampliar a visão de negócios que possam envolver os homossexuais, pois assim como nós somos pessoas normais e comuns também utilizamos produtos e serviços destinados a qualquer um sem restringir por sexualidade. No entanto, os gays como sempre ficaram largados diante do mercado e alguns viram nisso uma oportunidade para se criar um nicho específico.

    No caso da feira no Rio, em partes pode ser interessante, com relação ao entretenimento e temas específicos (quase nunca tem nada para descontrair, por exemplo vários de nós gostariam de poder assistir por exemplo um seriado na televisão que nos retratasse da maneira real, mas eles não existem, no mais o que têm são as são as novelas em que têm 1 ou 2 personagens e sempre esteriotipados, sem emoção, frios e sem destaque)

    É aí que vejo a “necessidade” de uma maior atenção a esse público, que no contexto descrito por você enquadra a tal feira. Afinal os héteros têm muito disso, ai fica a questão: por que os gays não podem também?

    É como eu disse, não dá pra ficar só em apenas um segmento dentro do público homossexual, como você mesmo disse (no caso as “barbies”), mas para ser sincero praticamente todos gostam de ver um corpinho gostoso com uma carinha sexy, não é? rsrs E é por aí que vai se criando essa ideia de programações específicas para os gays.

    No geral vejo que avançamos muito, afinal hoje não existem apenas os circuitos de festas e de feiras como esta, mas o público homo no geral já conta com uma maior atenção como o festival de filmes Gays e Lésbicos do Rio. Portanto posso crer que outros projetos relacionados possam sem desenvolvidos daqui para frente.

    Escrevi meio que correndo, então pode ser que fique não muito claro em algumas partes (faltou desenvolver mais o texto), ta corrido aqui…..

    ps: se eu tivesse no Rio, gostaria de ir na tal feira pra ver como é :D

    Abraço e boa semana.

  2. Caio disse:

    Oi MGV, gostaria de usar o espaço do seu blog para pedir a você se puder assinar e divulgar, bem como a todos os leitores algumas petições interessantes que estão presentes no site abaixo com relação aos gays: em favor do casamento gay na França, Movimento Mães pela Igualdade no Brasil, Pedir o fim da punição contra gays na Nigéria, etc.

    http://www.allout.org/pt

    E como cidadãos que também somos, pelo fim dos desmatamento no Brasil

    http://www.ligadasflorestas.org.br/

    E pelo fim da usina de Belo Monte (esse trágico projeto brasileiro que vai onerar e muito o país se continuar sendo executado. É possível ampliar o potencial energético do país de outras maneiras)

    http://movimentogotadagua.com.br/

    Bom pelo menos é uma mínima contribuição que podemos dar, se quisermos mudar nossa realidade para melhor e não custa nada ajudar.

    Obrigado pelo espaço.
    Abs, Caio.

  3. Ali disse:

    Oi!
    Bom acho que você misturou um pouco nesse texto,a questão,sob o ponto de vista do empresário/administrador e também como um homossexual insatisfeito com essa realidade.

    Os héteros tem também um mercado abrangente,com marcas de cerveja,carros,roupas etc…
    Voltadas PRINCIPALMENTE, e não EXCLUSIVAMENTE ao publico heterossexual.

    Não vejo diferença quanto a isso,com relação ao mercado e ao marketing voltado ao publico homossexual.

    Não quer dizer que um gay não possa fazer uso de um produto ou adquirir uma marca de determinado produto que tem os héteros como público-alvo e vice-versa!

    Da mesma forma que,de acordo com as “metas de lucro ” de determinada empresa,resolver criar um hotel “exclusivo” para o público GLBTXYZW rsrs
    não significa uma discriminação aos héteros e nem vice-versa.
    Porque se um hétero quiser passar a noite nesse hotel ele ou ela,não será impedido de o fazer,desde que a e$$$tadia do dito hotel seja muito bem paga.Você amigo MVG que é empresário/administrador,sabe muito melhor do que eu dessas “artimanhas”.

    Não penso que tenha alguma ligação com esteriótipos ou qualquer outra “propriedade”,além de ser principalmente uma questão de Marketing,de tudo vale desde que venham alguns milhõe$$$ como resultado.

    No final das contas,é tudo uma questão de CONSUMISMO IRRESTRITO e EXACERBADO, que rege o sistema e nossas vidas como um todo hoje em dia,independentemente de ser o que for!

    Abraços!

    1. minhavidagay disse:

      Oi Ali!
      Tudo bem?

      O que quis dizer no post é que não cabe muito a existência de produtos e serviços exclusivamente para gays. Não faz sentido essa ideia no momento que somos todos homens. O que critico é a mania de alguns em associar a imagem do gay a produtos eróticos, pornografia e sexo. Essa Feira Gay nada mais é que uma ode ao esteriótipo e que não define muitos gays.

      Para a sociedade que é leiga, a Feira Gay contribui diretamente para a alienação. No momento que divulgamos uma “Feira Gay” e associamos a produtos eróticos, pornografia e sexo, damos brecha para os mais alienados pensarem que ser é isso, é sexo e putaria.

      No final é uma briga porque batalhamos para ser além desses modelinhos básicos, mas sempre alguém vai bater na mesma tecla, vendendo sexo e atrelando a imagem do gay e, assim, criando uma identidade limitada perante a sociedade.

      Não existem marcas propriamente gays porque somos homens. É sob esse ponto de vista que os idealizadores desses eventos deveriam criar.

      Abs,
      MVG

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