Homofobia


Mais um caso de homofobia

Depois dos ataques homofóbicos ocorridos na região da Paulista, pensava em não falar mais sobre o tema da homofobia no MVG, pelo menos esse ano. Primeiramente porque medos, normalmente os gays acumulam aos montes, para assumir, para revelar para um amigo, para contar para um pretendente, família e assim vai. O Blog MVG tem como princípio revelar assuntos e referências mais positivas do que negativas e, fobia, por si só já é a manifestação do negativo que – embora normalmente aponte para resoluções de maturidade e positividade com o avançar da vida – quem tem seus medos (e todos têm) sabe lá como é ter que criar situações para se esquivar ou superar.

Em segundo porque esperava uma trégua nesse ano de 2012 sem ataque a gays que virasse algum tipo de notícia, sem agressões físicas contra homossexuais, sem a manifestação da homofobia. Mas quem disse que a gente tem controle sob as atitudes e loucuras do outro? Não temos.

Na segunda-feira ocorreu um ato de agressão contra um gay no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Para quem não sabe, além da região da Paulista, Pinheiros, Vila Madalena, Perdizes e Pompéia são bairros com um grande número de moradores gays.

A diferença nesse caso – que é evidentemente representativa e apresenta a sociedade mais esclarecida que almejamos – é que as pessoas (heterossexuais) que presenciaram a cena truculenta de dois saradões metendo porrada em um gay, ajudaram, socorreram, ligaram para polícia e manifestaram o devido apoio oferecendo depoimentos contra os “gostosões” malhados.

Para quem quiser ter mais detalhes sobre o caso de homofobia em questão, clique aqui. Esse post tem a colaboração do leitor Fernando Lima novamente. Agradecido! ;)

Afinal, será que indivíduos homofóbicos podem ser gays enrustidos?

Entre uma notícia e outra sobre surtos homofóbicos nas ruas, vejo muitos leitores comentarem sobre essa questão de heterossexuais homofóbicos terem grandes chances de ser gays mal resolvidos e enrustidos. Diante dessa questão, também tenho um ponto de vista:

Parte dos homofóbicos realmente pode ser gays enrustidos e mal resolvidos. Para embasar minha afirmação, começo refletindo sobre o significado da palavra homofobia: de maneira bem objetiva, “homofobia” é o medo, aversão e repulsa ao homossexual. O significado da palavra não se muda. Fobias ou medos se manifestam das mais diferentes maneiras. Algumas pessoas, quando num acesso de alguma fobia (ou de algum medo), podem ter calafrios, podem sentir enjôos, tonturas, podem agir com desprezo, um tipo de “pseudo indiferença” ou de maneira agressiva.

No caso da homofobia, normalmente estamos acostumados a associar o ato homofóbico com uma ação agressiva, como aconteceu no caso relatado acima.

Abstraindo: o medo é freio para que o indivíduo se preserve. “Eu não vou pular da ponte pois, se eu não morrer, vou me machucar bastante!”.

Mas e quando a fobia diz assim: “eu não vou andar na mesma rua que aquele gay!”?

O medo também se manifesta de maneira mais intensa – como a agressividade ou repulsa extrema – quando existe alguma situação psicologicamente mal resolvida ou incutida na mente que nos move fortemente contra àquilo que nos causa medo. Por exemplo, e exemplo clássico, é o medo de baratas. Quantas pessoas (homens e mulheres) não sentem pavor de baratas porque socialmente, desde que somos muito pequenos, colocam aquele pequeno inseto marrom como algo pavoroso, sujo, ágil, “dos esgostos” e traiçoeiro? A barata é um grande vilão da noite que nos toma a atenção quando se materializa a nossa frente, com aquelas antenas “enormes” e aquela “voz” dizendo “eu vou grudar em você e comer a sujeira do seu ouvido!”.

Mas barata, de fato, é um pequeno inseto, centenas de vezes menor que um indivíduo de 1,50m, portador de menos bactérias que a nossa boca, que ao contrário de algumas abelhas e formigas nem pica e que – na realidade – se faz como um “monstro” pelo exercício fértil de nosso imaginário imposto socialmente! O mesmo acontece com o tubarão que – sim – ganhou grande fama de “bicho papão de gente” pela forte influência dos filmes sangrentos!

O indivíduo homofóbico, da mesma maneira, coloca o gay num plano imaginário muito fértil. Inclusive (e porque não?) pode ter sonhos homoeróticos e repudia tanto a ideia, MAS TANTO, que na primeira projeção de um gay a sua frente, se sente impulsionado a agredi-lo para tentar apaziguar o inconformismo que tem por si mesmo. Por mais que um indivíduo homofóbico que é gay tente reprimir suas vontades homoeróticas, quem estuda um pouco de psicologia sabe que o reprimido vem à tona sem o nosso controle, a qualquer hora. E se está reprimido, não está resolvido.

Para uma pessoa bem resolvida com a sua sexualidade não faz sentido nenhum ser agressivo mediante a presença de um gay. A agressão gratuita é uma das formas de manifestação do medo e de algum tipo de falta de resolução ou insegurança própria quanto ao tema. Se um indivíduo heterossexual é bem resolvido quanto a própria sexualidade não há motivo para agir com agressividade pois não existe medo. Existe consciência, resolução e definição quanto ao que se é e quanto ao que se gosta. Livre os casos que fogem à fobia e tangem as doenças mais graves da mente ou a própria falta de cultura. No Brasil, mesmo em bairros nobres como Pinheiros, a segunda é bastante provável!

Um homofóbico, de fato, é um medroso (ou como os gays preferem dizer: covarde) que exterioriza sua fobia por meio da agressividade. Ter uma atitude agressiva não quer dizer que não existe medo. Pode até camuflar, mas um “maricas” pode ser agressivo.

Um homofóbico pode ser um gay mal resolvido, reprimido, e pode ser um heterossexual agressivo. Mas a mim, um heterossexual agressivo assume atitudes agressivas em situações diferentes que o contradizem, e não somente quando o gay lhe é a única contradição.

Se você tem algum amigo que se coloca agressivo apenas quando o assunto é o gay, suspeite. Ele pode ser uma bichona enrustida e totalmente mal resolvida com a sua sexualidade! Na verdade ele se odeia bastante quando lhe vem a mente alguns desejos homoeróticos ou fantasias relacionadas a ideia de ser gay e acaba projetando essa decepção e frustração no primeiro homossexual que lhe aparece na rua!

Muitos homofóbicos-gays-enrustidos vão tentar reprimir a vida toda ou, pelo menos, o quanto suportarem. O soco na cara de um gay não vai resolver seus desejos.

PS: Para esse tema, vale ter como referência o filme “Beleza Americana“. O pai “sargentão” do menino problemático estava louco para chupar uma bela pica.

7 comentários Adicione o seu

  1. Caio disse:

    Ótimas palavras MGV. Mas como você também disse, com relação de não achar que pelo menos esse ano haveria mais uma notícia de agressão homofóbica assim, na verdade poderia ser aquelas de grande expressividade na mídia como esta sendo este caso, pois infelizmente acontecem vários casos, mas a maioria não é noticiada ou não é tão difundida, como o própria vítima diz no recente vídeo que postou no Youtube pedindo justiça http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=BgzJKI-lYdI

    E com relação a sua análise do perfil de alguém homofóbico, ficou muito claro a razão para esses seres desprezíveis existirem. Porém apenas complementando, como sempre tem gente que reclama e diz que isso é explanação sem sentido, aqui tem uma publicação de uma pesquisa que comprova que a maioria deles (se não todos, aqui eu digo aqueles capazes de matar memso) são mesmo gays enrustidos
    http://dialogospoliticos.wordpress.com/2012/04/11/pesquisa-comprova-homofobico-e-gay-enrustido/

    Gostei de suas palavras mais soltas digamos assim, como “bichona enrustida” e “louco para chupar uma bela pica” rsrsrsrs, devido a variar um pouco o vocabulário do blog, ficou engraçado, embora o contexto do post seja triste.

    bjo e até mais.

  2. Mateus disse:

    Coincidenteme, ontem pensava nesse assunto.
    Olha, não creio nisso de “grande parte/a maioria dos homofóbicos é um gay enrustido”. Acho que esse pensamento tende a excluir a responsabilidade que outros fatores têm em cima da homofobia, de forma que a única responsável passa a ser a própria homossexualidade. Uma forma de pensar que inverte posições e serve pra aliviar a carga nas costas de muita gente, eu diria…
    Porém, não sou extremista a ponto de diziar que não há gay enrustido homofóbico. Há, apenas.

    1. minhavidagay disse:

      Sim, Mateus, concordo!

      Disse que parte dos homofóbicos PODE ser gays enrustidos.

      Abs,
      MVG

      1. Mateus disse:

        Sim, sim.
        O problema é extrapolarem essa possibilidade para uma certeza (por exemplo, no caso recente de Pinheiros e na afirmação feita no comentário anterior ao meu).

        Abraço, MVG

    2. Caio disse:

      Mateus querido, eu não disse ser uma certeza que todos os homofóbicos são gays enrustidos, apenas mencionei que isso existe e é claro muito mais do que você possa imaginar, alias até apresentei uma notícia que apresenta o resultado de uma pesquisa nesse sentido. Por fim, em vários comentários de vários sites e blogs espalhados pela net você encontra opiniões iguais a minha de pessoas creem e comprovam que é real, infelizmente.

      Abraços.

  3. Luis Augusto disse:

    Que coincidência estava pensando nesse assunto á poucos dias atrás. Infelizmente a homofobia e os ataques homofóbicos ainda fazem parte da realidade da sociedade brasileira. Fico muito triste e decepcionado quando penso nessa situação lamentável.

    Assim como você, acho que uma parte significativa dos homofóbicos são gays que não aceitam a sua sexualidade e por isso descontam todo seu ódio que tem de si mesmo na primeira pessoa que aparente ser homossexual. Entretanto, há um parcela desses agressores que são realmente pessoas desinformadas e que são agressivas por natureza.

    Concordo também que quando essa agressividade é concentrada apenas nos gays, essa pessoa muito provavelmente é gay ou lésbica. Por exemplo, quando tinha 11 anos, sofria muito bullying por ser tímido e muito educado. E os garotos apontavam isso como uma possível homossexualidade. Mas entre todos esses garotos haviam três que se destacavam. Eles eram mais velhos do que eu e apresentavam uma grande raiva e repulsa em relação á mim, principalmente o mais velho. Eles ficavam me perseguindo a escola toda e o único alvo de suas agressores era eu. Contudo, na época percebi duas situações, que dois desses garotos(um de cada vez) tentaram se aproximar de mim(no sentido de querer namorar, ficar ou algo do tipo). Foram bem educados comigo nessas situações e pareciam outras pessoas.

    Gostaria de perguntar algo para você: “Você já foi vítima de discriminação, seja física ou psicológica, em algum ambiente?. Beijos e tenha uma boa noite.

    1. minhavidagay disse:

      Oi amigo Luis,
      tudo bem?

      Diretamente nunca sofri algum tipo de discriminação física ou psicológica, em nenhum ambiente. Talvez pelo fato de não ter realmente nenhum “indício” que gere algum tipo de desconfiança.
      Certa vez estava descendo a Rua da Consolação a pé com um ex-namorado e um carro parou ao nosso lado, o rapaz estava sozinho, e ele começou a nos xingar. Minha reação imediata foi me dirigir a pessoa e tomar satisfação mas meu namorado não deixou (rs). Não sei de onde o rapaz do carro imaginou que fôssemos um casal pois não estávamos andando de mãos dadas nem nada. Talvez, pelo fato do meu ex ter um “jeito” mais gay. Vai saber…

      Só sei que existem atos de violência gratuitas sim sobre diversos motivos, incluindo agressões contra homossexuais.

      Beijos,
      MVG

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