Homofobia – Depoimento de André


Depois do incidente no bairro nobre de Pinheiros que comento no post “Homofobia” e que coloca três personagens em destaque, o André, gay agredido, e dois “grandalhões filhinhos de papai” que evidentemente machucaram o rapaz, fica claro a falta de senso ainda presente nessa sociedade moderna! Para a felicidade do leitor “Caio” (rs), a minha vontade é dizer: “Vai tomar no cú, seus cambadas de filhos da puta!”. Mas vou me conter e deixar esse registro apenas no meu imaginário.

Onde estão os fundamentos no núcleo familiar desses dois jovens cujos pais buscam proteger esses rebentos sob todas as formas e dão ainda mais vazão a essa cultura cheia de latinidade de “meu filho terá sempre razão, mama”?

Vai querer justificar o quê num esquema “dois fortões contra um gay”?! Estão querendo enganar a quem?!

Justificar uma situação dessas chega até a ridicularizar os “meninões”! Percebem?

Coloquem advogados, utilizem dos melhores recursos e discursos familiares para proteger os dois rapazes agressores. Exponham a manifestação da irmã e continuem com esse discurso protetor a dois “rebeldes sem causa”, claramente mal resolvidos. Qual a idade desses meninos? 14? A velha piada: “tem músculo no lugar do cérebro?”.

Talvez eles nem sejam presos porque a justiça nesse país é um fracasso. Mas a fraqueza moral desses dois rapazes e de seus familiares ficará impressa e registrada, oras pois! O temor da exposição, as vezes, dá mais luz a justiça do que a própria justiça.

Ok, deixem esse assunto para a intimidade da família e para os tribunais, mas percebam que casos homofóbicos DEVEM ser comunicados e divulgados com louvor. Qualquer movimento de iguais contra iguais deve ser repudiado. Acho bastante importante que movimentos agressivos desse tipo sejam cerceados, encurralados e reprimidos. Devem ser, prioritariamente, comunicados, difundidos e reconhecidos.

Onde está a educação desse “casal” de marombas? Onde está a educação da irmã que ainda defende cegamente? Caiu na chuva agora nada mais justo do que se molhar, sob os olhares de espectadores. Cinco minutos de fama para vocês dois, como os vilões, sim, desse “curta metragem”! Não é bonito, papai? Não é gostoso, filhão?

O incidente aconteceu num bairro de classe média alta e contra um jovem estudante de direito da São Francisco. Bem ou mal, estamos falando de uma classe com mais consciência, de recursos e meios que favorecem quando surtos homofóbicos acontecem dessa maneira, próximo ao cotidiano da classe média e média alta. Estamos falando de consciência de inclusão.

Temos que divulgar sim, apresentar sim uma versão, principalmente numa situação em que dois “marombas” agridem um único gay e agora, belamente, carregam a descompostura de um discurso de que a versão de André é deturpada!

Mas vejam só que papelão pastelão?! Tinha que ser um episódio de novela brasileira!

Que esse ataque não tenha sido um surto homofóbico: a agressão dessa forma – sob o olhar de uma sociedade esclarecida – é injustificável.

4 comentários Adicione o seu

  1. Luis Augusto disse:

    Na minha opinião as agressões físicas e psicológicas motivadas pela homofobia devem ser divulgadas e discutidas tanto pela imprensa como pela população me geral.

    Casos, como esse provam que atitudes como essas independem de classe social e acesso á informação acerca do tema. Como disse no meu comentário do post Homofobia, fica ainda muito triste e decepcionado quando vejo situações como essa. Entretanto, tenho esperanças que no futuro esse quadro mude e que nós homossexuais possamos viver nossa vida plenamente sem restrições. Gostaria de fazer outra pergunta se não for muito incômodo(na verdade já fiz, apenas acho que você não leu esse meu comentário). “MVG, você acha que o preconceito da sociedade pode interferir num relacionamento gay, seja diretamente ou indiretamente? Beijo; tenha uma ótima noite.

    1. minhavidagay disse:

      Oi amigo Luis, tudo bem?

      Acho que o preconceito da sociedade, em si, não interfere num relacionamento gay. O que interfere, de fato, é a maneira que cada indivíduo que forma o casal age ou reage diante do que entendem ou sentem do preconceito da sociedade.

      Em outras palavras, quero dizer que o preconceito social existe aí e é igual para todo mundo, todos os gays. Mas a maneira como cada um sente o preconceito pode influenciar diretamente na maneira que conduzimos um relacionamento.

      Abs,
      MVG

  2. Caio disse:

    Pois é caro amigo, a vontade que temos é de extravasar com acontecimentos como este, ainda mais sabendo da morosidade e da falta de compromisso das autoridades competentes diante da sociedade. Tipo, quase mataram o garoto, só pararam porque foram pegos em flagrante. E agora sob alegação de réus primários, família “boa” e essas outras barbaridades. Acho que esses argumentos só são válidos quando o crime é insignificante, mas nesse caso de quase morte, aí é inadmissível.

    O pai dele deveria ser igual a um ex professor de matemática que tive, que reprovou o próprio filho, pois este não se dedicou o suficiente igual aos demais. Eu faria o mesmo com meu filho, ainda mais num caso como este, faria justiça.

    E o pior é que nem dá pra xingar com o “vai tomar no cú” afinal para nós e possivelmente para eles é quase um elogio, se é que me entende kkkkkkkkkkkkkkk.

    Fugindo do assunto, já percebeu que para nós gays xingarmos alguém é mais complicado, afinal temos um vocabulário limitado nesse sentido, justamente porque para os demais tudo aquilo que se refere pelo menos um pouco a nós é usado como xingamento rsrs, aí usá-los pode não pegar bem né.

    Enfim, até mais. :D

  3. A verdade dos dois lados disse:

    “Na minha opinião as agressões físicas e psicológicas motivadas pela homofobia devem ser divulgadas e discutidas tanto pela imprensa como pela população me geral.”

    Será que dentro do pessoal dos homo realmente não existem uns homonazi?
    Justifica isso?

    Fica para reflexão, pois sei que o dono do MVG é uma pessoa diferente e não se confunde com um nazi (nem de longe!). Mas é foda alguns gays fingirem que não existe essa galera militante e politizada-fanática que são atrozes e nazi.
    Fica a reflexão e a decepção com essas pessoas encrenqueiras.

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