Vida Gay – A obsessão pela estética


Todo mundo tem que se sentir bem, bonito e feliz consigo e não são esses valores que devo avaliar. Mas de um modo geral, a sociedade global, ou pelo menos boa parte dela, foca muito dos seus valores na estética.

Quando passam a se aceitar, muitos gays apelam para mudanças no visual na pura necessidade natural de encontrar uma nova identidade, uma nova maneira de se expressar. Cortamos o cabelo de um jeito novo, compramos roupas diferentes, trocamos óculos por lentes de contato, entramos numa academia e assim vai…

O Brasil é o segundo país que vende mais cirurgias plásticas no mundo, o que inclui pacientes mulheres e homens. Perde apenas do líder da sociedade de consumo, os EUA. Estamos atentos a dezenas de propagandas diárias vendendo produtos de beleza, serviços de beleza e moda.

As referências da mídia, atores, atrizes, cantores e personalidades estão sempre com um personal stylist a tira colo, o que diria a nossa presidente a partir de suas campanhas presidenciais.

O bombardeio com a ideia: “Seja belo” é constante e quase inconsciente.

O que realmente coloco em questão é quando os valores da beleza nos escravizam. Fato bastante comum entre mulheres, gays e homens heterossexuais que acabam sendo rotulados como homossexuais justamente por esse apego. Por que se veste bem e tem uma “pele boa” é gay? Claro que não…

Os valores da estética, dependendo da medida, segrega, confunde, exclui e nos tornam maníacos. A estética contribui para criar cisões sociais, influenciando até na escolha de um funcionário entre os concorrentes a uma vaga.

E nesse ritmo, muitas vezes nos pegamos desejando a beleza do outro, submentendo a nossa própria beleza ou beleza pessoal a patamares inferiores em detrimento a imagem alheia. Não deveria ser assim, mas as vezes temos inveja, as vezes cobiçamos e em mais algumas hipóteses gostaríamos de ser até a própria pessoa.

Da mesma maneira que comecei o post, dizendo que todos devem se sentir bem e felizes, afirmo que retomei a academia depois de alguns meses de ostracismo no trabalho, estou revendo meu guarda roupa, busco me cuidar para a jornada dos 40 anos e como um bom comunicólogo de formação fui educado a prestar atenção nos detalhes, desde os gestos que falam até o tamanho dos cílios.

De qualquer forma acho importante trazer esse texto ao MVG para essa reflexão: até que ponto o envolvimento pela estética ou o repúdio pela mesma não acabam restringindo a nossa capacidade de socialização? Até que ponto não nos restringe a conhecer pessoas diferentes que aparentemente não tem a ver? O quanto efetivamente a nossa “embalagem” traduz a pessoa que somos? O quanto tudo isso é importante? Será que todo mundo é o que aparenta ou normalmente pensamos assim para nos “localizar” socialmente?

Você sabe dimensionar a sua beleza? Deveria, antes de se ver no outro…

6 comentários Adicione o seu

  1. Carlos Rodrigues disse:

    Bom… Digo que até já me senti chateado só pelo fato de eu não me sentir tão bonito quanto a pessoa que eu gostava. Digo logo que sou do tipo de pessoa que gosta de competir (internamente) com os outros. Compito quando sinto que sou o melhor (natação por exemplo). Quando vejo que existe alguém que chega ao meu patamar, vou logo competindo.
    O problema era que essa competição me afetava (até o ano passado). Eu me obrigava a sempre vencer e a sempre ser o melhor.
    Hoje não, essa competição se tornou “saudável” para mim, pois eu já não me martirizo tanto.
    Mas continuando sobre o critério de estética:
    – Sim, eu me sentia chateado por achar alguém mais bonito que eu! Mas como eu disse, essa “competição interna” foi até o ano passado. Acho que isso aconteceu pelo fato de eu aprender a me achar bonito.
    Sou muito vaidoso com o cabelo, e nesse ano fiz um corte novo. É engraçado pois foi esse corte que aumentou minha auto – estima!.

    Ano passado eu estava na academia, já esse ano não!

    Mas por que Carlos?
    – Eu particularmente estou sem aquela vontade e aquela energia de ir a academia. Então acredito que eu não me deva obrigar a ir, entende? Mas eu continuo fazendo o básico para ficar em forma!
    O problema é que de vez em quando eu recebo aqueles comentários :
    – Você tá gordo!
    Ou:
    – Você tá magro!
    Isso é muito perturbador véi! Decidam-se!!… No fim das contas, eu acabo me incomodando um pouco com isso. Mas isso é tudo coisa da minha cabeça pois eu estou com um corpo atlético até hoje! São 71 kg de um corpinho “gostoso”!! Mas claro que eu tenho aquelas gordurinhas a mais, digo: Não tenho a barriguinha de tanquinho, mas de qualquer forma, é uma barriguinha em forma.
    Por que todo esse comentário?
    É só um exemplo de que, querendo ou não, sempre vai existir alguém que vai dizer isso ou aquilo, ou seja, sempre as exigências vão estar em cima de você e isso faz com que você não se sinta satisfeito com isso!.

    Então chegando a uma pequena conclusão:
    – Acredito que nós temos que parar de nos comparar aos outros e parar de ouvir o que os outros falam e olhar para nós mesmos!
    É uma conclusão bem básica, pois é o que todo mundo fala. É fácil falar, complicado é fazer!
    De qualquer forma:
    – Não se martirizem por estética!

    1. Fernando disse:

      Carlos do começo até o meio do seu comentario te achei super futil e presunçoso, mas quando li a conclusao na qual voce diz nas entrelinhas que caiu a ficha que estetica nao é tudo eu concordo plenamente com vc.

      No meio gay temos os homens normais que gostam do que é belo e os que super valorizam a beleza, perseguem e querem para si o “modelo de beleza perfeito” que na minha opiniao são um bando de pessoas vazias e sem conteudo.

      1. Carlos Rodrigues disse:

        Pois é….
        Digamos que eu era assim como você diz. E que realmente, depois de um tempo, a ficha cai!
        Mas devemos lembrar que isso tudo é só por causa de mídia véi… Nós somos influenciados bastante!

        De qualquer forma, eu agradeço pelo comentário!

  2. Caio disse:

    Eu na adolescência não era nada atraente, tinha um rosto que era meio redondo e que depois ficou muito magro, um corpo magrelo e usava óculos rsrs. Na época eu queria ser mais bonito, mas não me importava muito com aparência (ficava só no querer), pois levava minha vidinha na boa. Depois lá pelos 17 que comecei a me interessar mais em melhorar minha estética. Meu rosto foi melhorando naturalmente (ainda bem) até chegar ao que é hoje, muito melhor do que era, mas o corpo continuava magro. Com a correria da universidade deixei de lado a prática esportiva só fui começar a fazer academia no último ano com 21. Ao começar estava com a massa muscular abaixo do normal, imagine só, eu estava quase anoréxico rs. Depois coloquei na cabeça que quero um corpo bem mais volumoso. Ganhei bastante músculos com muita dedicação e uma alimentação bem regrada.

    Hoje quase 2 anos depois me sinto bem melhor comigo mesmo, minha saúde esta em alta. Continuo me esforçando para alcançar mais um objetivo e aos poucos chegarei lá.

    Esse lance de querer ser bonito e atraente de forma a você se valorizar mais e sentir bem com o corpo que deseja ter não significa que você seja fútil e vazio como a maioria diz. Não é uma causa efeito, então não dá pra generalizar.

    Até mais.

  3. Jerfeson e Fabrício disse:

    oi para todos os gays amo vcs de paixão sigam sempre em frente vcs venceram sempre vamos nos unir p acabaram todos preconceitos beijos me chamo geovana e desejo a todos vcs uma vida cheia de felicidades bastante amor e vencao… vencao… sempre confio em vcs bjjjosssssssssssss

    1. Fabricio disse:

      minha amiga mau-mau chegou e já ta botando banca.Ela é um amor…
      sim..nos dedicaremos a vencer esse preconceito bobo que só serve para nos fazer sofrer e acabar com a união da família.

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