Blog Minha Vida Gay – A batalha da adoção

Por Enzo – Colaborador do Blog Minha Vida Gay

Mesmo tendo apenas 17 anos, no auge de minha adolescência, eu as vezes me pego pensando no meu futuro, em como eu quero estar a daqui 10 ou 15 anos e me vem a cabeça um assunto que me preocupa bastante: adoção. Sei que pode parecer estranho, pois com essa idade ainda sou bastante imaturo em certas questões, mas acho importante debatermos o que isso significa para nós homossexuais.

Em muitas conversas quando todos começam a fazer planos e incluem ter filhos e formarem uma família, eu sinto que talvez nunca consiga ter esse sentimento e me pergunto o que leva as pessoas a pensarem que não seriamos bons pais, que não daríamos tudo que é necessário para garantir o desenvolvimento e principalmente a felicidade de uma criança. A verdade é que essas pessoas não pensam racionalmente e deixam o preconceito falar por elas. Pesquisando um pouco descobri que no Brasil a adoção por casais gays é legal, mas o conservadorismo contido na população atrapalha o decorrer normal do processo.

Uma pesquisa do Ibope mostra que 55% dos brasileiros são contrários a essa adoção, brasileiros esses que não imaginam o quanto isso pode ser importante para nós, brasileiros que não percebem que formar uma família deveria ser um direito de todos. Muitas pessoas têm como argumento o impacto psicológico que as crianças sofrem devido ao preconceito ou a falta de uma figura paterna/materna. Por outro lado estudos mostram que grande parte das crianças sofre algum tipo de discriminação, na maioria das vezes por cor ou classe social. Já a questão da falta de uma mãe ou um pai não é diferente da realidade de cerca de 20% das famílias no Brasil, formadas por mulheres solteiras e seus filhos.

Nossos planos para o futuro parecem se tornar tão vazios sem incluir a formação de uma família. O que tenho certeza é que somos completamente capazes de transmitir todo o amor e suprir todas as necessidades que ter um filho exige. Mesmo sendo difícil, não podemos desistir de abrir os olhos da sociedade e mostrar que queremos o direito de ser chamados de pai.

E vocês já tentaram adoção? Já pensaram nisso? Comentem a sua opinião sobre o assunto!

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MVG:

O texto do Enzo me lembrou a notícia que se espalhou essa semana, sobre o movimento em Paris contra a liberação do casamento gay na França. Poderíamos pensar em primeira instância que um país desenvolvido como a França não deveria manifestar um repúdio social contra esse tipo de assunto, parecendo até um contra-senso. O movimento foi bastante expressivo nas ruas.

Mas ao mesmo tempo, penso que a França é também formado pela cultura latina, de forte influência religiosa cristã e, assim, não ficaria tão diferente da grande maioria dos países da mesma origem quando o assunto gira em torno das questões do direito ao homossexual.

Qualquer influência da latinidade me coloca em um estado de suspeita quando o assunto pautado é a diversidade sexual.

1 comentário Adicione o seu

  1. Caio disse:

    Bom, desde criança nunca me preocupei ou pensei muito em ter filhos e cada vez estou chegando mais próximo da certeza de não querer tê-los. Para mim um família não precisa ter a estrutura convencional de casal e filhos. Num futuro espero sim ter um relacionamento afetivo, um casamento ao meu jeito com um homem que goste e ele será minha família.

    Mas por outro lado acho bacana os homossexuais terem a opção de adotar garantida pela lei, por inúmeras razões positivas que isso trás, além de que não prejudica a vida de ninguém, exceto dos calhordas que se preocupam em atormentar a vida alheia.

    Por fim, casamento e adoção para homossexuais, não servem apenas tornar essas práticas viáveis aos olhos do Estado. Dizer isso é o mesmo que dizer uma pintura apenas é colocada numa parede para decorar o ambiente. Sabendo que a razão dela estar ali é muito mais profunda. Isso quer dizer que a aprovação desses direitos garantirá uma maior visibilidade aos gays e uma visibilidade positiva oferecendo as pessoas uma visão mais natural e de aceitação diminuindo o preconceito ao longo do tempo, ou seja, normalizando a homossexualidade na sociedade, assim como normalizou o casamento inter racial, por exemplo.

    Aos próprios gays que são contra, por achar que isso é igualar o modo de vida aos dos héteros e com isso absorver toda a hipocrisia que eles muitas vezes vivenciam, ou que isso seja frescuras e uma não necessidade, eu digo: todos devem ter pelo menos a opção de poder se realizar, se não querem casar no civil e não adotar, tudo bem, mas deixem quem quer fazê-lo.

    Abraços a todos.

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