Gay Brasil!


Dá para afirmar que o Brasil tem um perfil de homem gay?

A gente pode até tentar ou buscar privilegiar aquele perfil que nos chama atenção e provoca nossas fantasias. Mas, na realidade, assim como não possui uma unidade cultural, nosso país não tem um perfil de gay brasileiro definitivo. Pelo menos esse é meu ponto de vista.

O gay do Brasil pode ser negro, mestiço com um “toque” indígena, mulato, loiro e alto, baixinho e moreno, oriental ou árabe. É quase um complexo do ego um desses perfis se auto-decretar “o perfil do gay brasileiro” pois, de fato, somos extremamente plurais na fisionomia. Bem diferente quando falamos dos gays em países nórdicos, por exemplo, quando o traço fisionômico acaba seguindo alguns poucos padrões, ou até mesmo os gays do Japão que, num primeiro relance ou até mesmo para aqueles mais desentendidos, são todos iguais! rs

Além das diversas etnias, e aí sim, se assemelha a muitos países, o Brasil também copia os modelos das tribos: bears (ursos), barbies, geeks, poc poc (ou quá quá), fashionistas e assim vai, na medida que o mundo vai criando suas tribos.

E mesmo assim, a nossa cultura de exportação pornográfica ou realmente de cultura-cultura tendencia a vender o modelo “gay latino” como o perfil do gay brasileiro. Ok por um lado, que apresentamos ao mundo corpos torneados, pele morena (e mega dotes). Complicado por outro que não deixa de ser um esteriótipo meio “jungle-selvagem” que não está muito distante da mulata do Carnaval. O mundo vai acreditando que o homem gay brasileiro tende a ter um “Q” de Capitão Caverna, tem atributos só da carne. Isso é coisa para se orgulhar?!

Temos por aqui tipos que vão do charme e “cafagestagem” do George Clooney à pureza e juventude de Leonardo Di Caprio. Temos exemplares da latinidade cigana do Orlando Bloom à bela nipo-mistura de Keanu Reeves. Mas o que vendemos para o mundo? O “selvagem brucutu”! Da pornografia à tentativa da invasão do Brasil no Oscar, é isso que a gente gosta de dizer que é “brasileiro”.

A coisa selvagem, a coisa da favela e a coisa da pobreza. Será que o produto cultural do Brasil para o mundo se resume nessas três fórmulas? São esses modelos que nos resta? Por que se não é o homem pornô que é pedreiro, índio, piscineiro ou bicho-do-mato, é o homem da favela, do drama social que nos assola e que tenta vender (emocionalmente) o Brasil para as premiações do cinema.

O Brasil tem um pouco mais de 500 anos e a se comparar com a América do Norte, Europa e Oriente somos realmente caçulas. E raras vezes pensamos ou nos fazem pensar a respeito dessa identidade do brasileiro para o mundo.

Não soa as vezes pobre? Não digo da pobreza de classe, mas da pobreza ou vazio de cultura mesmo. O homem gay Brasil vira fetiche, vira objeto, longe – muito longe – de qualquer referência orgulhosa de intelecto.

Gays brasileiros, cada vez mais emancipados e autônomos nesse país, poderiam ajudar a virar essa chave.

9 comentários Adicione o seu

  1. Caio disse:

    Não acho que uma nação tenha um tipo geral, todos os lugares têm uma certa variedade, uns mais outros menos. Mas o Brasil vende mesmo a imagem do latino sexy torneado e etc.

    Como você mesmo disse, em todos os lugares também aparecem os subgrupos, formados pelos semelhantes netre si. E em falr nisso qual a diferença entre poc poc, fashionistas e pão com ovo? pensei que formacem o mesmo sub grupo rsrs

    Bom eu sei que de uma maneira geral não me atraio pela imagem de homens passada pelos escandinavos, ingleses e alguns da Europa central, decididamente não fazem o meu tipo, prefiro os brazucas mesmo hehehe.

    Até mais amigo.

    1. minhavidagay disse:

      Oi Caio!

      O Pão com Ovo e o Poc Poc são realmente semelhantes/sinônimos. Os fashionistas são ligados verdadeiramente na moda e ficam atentos às tendências. Os Poc Poc ACHAM que são ligados, rs, rs, rs… que preconceito feio… :P

      Abs,
      MVG

  2. Carlos Rodrigues disse:

    Prefiro ficar com o argumento de que o Brasil não possui um modelo gay definitivo. Até por que me imaginar que estou sendo “representado” pelo “pedreiro, índio, piscineiro ou bicho-do-mato” me deixa me sentindo muito “animal” (não me martirizem pela palavras, todos somos humanos!).

    De qualquer forma, prefiro viver as diferenças, do que viver os esteriótipos!

    1. Bruno disse:

      Fica tranquilo que a patrulha do politicamente correto não chegou por aqui ainda…Eita povo chato!!! rs

  3. Luis Augusto disse:

    Não acho que exista um modelo do homem gay brasileiro, porque afinal não existe uma imagem da população brasileira. Isso é um retrato da necessidade humana de dividir e diferenciar. Nosso país é formado de mistura de várias etnias, culturas e comportamentos.Entretanto, concordo com você, o Brasil tenta passar uma imagem para o mundo, de que aqui é um lugar repleto de pobreza e violência; principalmente em premiações internacionais do cinema.

    Em relação a filmes pornográficos, não posso nem comentar porque nunca vi nenhum.Ao contrário do Caio, sinto atração por homens de fisionomia escandinava e inglesa(rs). E você MVG, qual tipo de fisionomia chama a sua atenção? Beijos, tenha um bom dia.

    1. minhavidagay disse:

      Oi Luis,
      tudo bem?

      Confesso não ter um tipo físico predileto. Vejo beleza em praticamente todas as etnias.

      Bjo,
      MVG

      1. Bruno disse:

        MVG, concordo que há beleza em todas as etnias, entretanto em algumas é mais fácil encontrar…rs

  4. Bruno disse:

    Em geral, acho o gay brasileiro médio horrível e muito feio. Não poderia ser diferente, uma vez que o segmento gay é um extrato da população em geral que em grande parte também é feia, então não dá para se observar milagres no grupo gay da população.
    Sem querer adotar o estilo e síndrome de “viralatas”, mas os gays oriundos da Europa ou da Argentina são interessantes na média, cenário bem diferente do Brasil.
    O fato de ser um povo multifacetado e de dimensões territoriais gigantes implicam em ter diversos perfis também, em essência feios e com cara de “desfavorecidos” ou “desprovidos” de beleza (termo politicamente correto e que deve ser usado para não causar problemas…rs).
    Em geral, o gay brasileiro médio e o brasileiro médio têm cara de coitados e feios… Claro que existem os bolsões onde se obtém maior chance de encontrar algo interessante (vide Rio Grande do Sul)…rs. Desculpem mais é probabilidade…rs

  5. Ali disse:

    Não entendi,você está falando em “diversidade brasileira” mas cita nomes de astros americanos??

    Não só os homens gays brasileiros sofrem com esse esteriótipo,as mulheres brasileiras também.

    Como se nós fossemos pedaços de carne bronzeada prontos para sermos degustados pelos gringos!!

    Pior,que os gringos vem pra cá,se esbaldam com os belos machos tupiniquins,como diria um ditado popular aqui no Sul:

    “Comem até engraxar o bigode”,depois voltam pros seus países de primeiro mundo e ficam difamando o nosso país e a nossa cultura.
    Como se todos nós fossemos da mesma laia.É o americano que fala pro sueco que aqui no Brasil só tem mato,futebol e putaria,é o francês que fala pro alemão que aqui é só chegar e pegar a primeira mulata e o primeiro cafuçu que aparecer pela frente.
    E como aqui é o terceiro mundo,ninguém liga pra isso.

    Se eu penso que o Brasil tem um tipo específico de homem gay?? Óbvio que NÃO!!

    Mas os gringos já pensam muito diferente de mim,graças ao esteriótipo do Latin Lover!!

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