Minha Vida Gay – Amor, como chegar lá?


Hoje é dia de Oscar e muitos – daqueles que gostam de avaliar e sentir todo o glamour da premiação – estarão conectados na tela para conferir o palpite dos vencedores. Tive a oportunidade de assistir todos os filmes concorrendo à categoria “Melhor Filme do Ano” e “Amour”, filme austríaco falado em francês, revela a sublime maneira de se amar, daquele tipo de conquista de viver com a mesma pessoa por décadas até a velhice, que muitos admiram a beleza, a convicção, a superação e a ternura envolvidas no tema, mas que hoje em dia nos parece tão difícil de conquistar.

Por que será que é tão difícil de chegar nesse amor “superior”? O amor é um sentimento que normalmente admiramos profundamente em nossos avós ou pais que efetivamente conquistaram uma velhice juntos em harmonia, com compreendimento, aceitação e resolução. Vejo pelos meus pais, minha mãe que fará brevemente 68 anos e meu pai que tem hoje 71. Nesse auge da vida são exemplos máximos – a mim – de superação pois, como acredito ser em 100% dos casos bem e mal sucedidos entre casais gays ou heterossexuais, passaram por centenas ou milhares de crises, desentendimentos e insucessos da própria relação.

O problema não são as crises, os desentendimentos e as diferenças porque essas existem e existirão envoltos no ar de todos os casais e em tempos diferentes da vida. As pessoas são naturalmente diferentes e quem acha que existe plenitude eterna se equivoca infantilmente.

Me faz bem questionar como essas duas pessoas, meu pai e minha mãe, foram capazes de superar inúmeras situações de atritos, dessas, muitas presenciadas por mim e por meu irmão e hoje se mostram plenamente capazes de preservar um senso de companheirismo, amizade e unidade que ultrapassa estratosferas da grande maioria das pessoas desse planeta. Como depois de inúmeras situações que nos surgiram entre a família e que provocaram sentimentos negativos, dolorosos ou de discórdia, meus pais são hoje capazes de curtir a vida juntos em viagens, de rever hábitos dentro de casa para melhorar, de estarem em paz um com o outro e ainda com novos projetos de vida sem a interferência de ninguém a não ser deles mesmos?

O amor é feito de uma força muito grande e é feito de dezenas de outros nomes e conceitos que lhe dá forma.

Desses conceitos, acredito acima de tudo na fé, componente do amor, fé no sentido da certeza de querer prosperar, transformar e superar qualquer obstáculo com o mesmo indivíduo sem a influência alheia, sem se deixar influenciar como um consolo para o ego individual. É a relação que se resolve em si, que não precisa de referência externa nem se deixa influenciar pela parcialidade alheia. É a relação que não precisa sair sobre quatro cantos ou quatro ventos dividindo as mazelas pelo tendencioso hábito humano de precisar de apoio externo, de buscar uma razão por meio do outro para obter um conforto ilusório a si.

Acho também que tem a ver com a certeza, uma convicção íntima, de que não precisamos de outras experiências com outros indivíduos para saber que a pessoa que estamos juntos é a certa. Aliás, quem disse que há pessoa certa se não a nossa própria certeza de querer caminhar sem ter experiências com outras pessoas? Acredito realmente que o mundo de hoje dá abertura para que todos nós vivamos inúmeras experiências para encontrar alguém “certo” para algo que vá além. Acho realmente que viver múltiplas experiências é extremamente válido e no que se refere aos hábitos modernos até necessário, ao contrário da época de nossos avós ou pais que se focavam cedo demais em uma única pessoa. Válido, atual, moderno, mas não me venha falar que assim é amor.

7 comentários Adicione o seu

  1. Do jeito que o mundo se encaminha, é capaz das pessoas acreditarem em amor in vitro.
    Acredito que amor é feito pra grandes e fortes corações.
    E se o coração é pequeno e frágil, com amor, ele crescerá e se fortalecerá.
    De que adianta tentar amar alguém se na primeira controvérsia terá a oportunidade de tentar amar outra? Vai ficar pulando de galho em galho?
    Estou sendo falso moralista, confesso. Gostaria muito de pensar dessa forma, de tentar até o fim com uma pessoa. Porém, precisamos nos adaptar ao meio em que vivemos, Gerações estão sendo alienadas para se formarem e produzirem! Pessoas esquecem de amar para desesperadamente ganhar seu próprio dinheiro e depois perderem tudo em lazer novamente. De que adianta ganhar muito dinheiro se o lazer recebe tudo de volta? A vida foi feita para ser sentida. Conquistas são boas, quando se almeja. Ser forçado a tal coisa… não. Tem gente que estudar sem ao menos saber o porquê, e quando menos se espera tá no lugar errado, porque fulano e ciclano disse que seria o melhor caminho porque é a profissão tendência da geração. E aí? De que adianta construir um caminho que não vai tão longe?
    Não são todos, claro. Uns ou outros nasceram com o dom de saber amar.

    “Não tenha pena dos mortos e sim dos vivos, principalmente daqueles que vivem sem amor.”… de Harry Potter.

    Sou apaixonado por suas publicações! Toca muito na real situação.
    Muita gente nem imagina que o maior erro está em nós mesmos.

    Estão tão alienados que esquecem de lapidar o próprio coração.

    E digo mais, estou incluso nessa de pessoas que não sabem amar.
    Mas é um grande avanço saber disso… E as pessoas que nem sequer sabem que não sabem amar e querem ter um grande amor pra a vida toda? É lamentável, né?!

  2. Carlos Rodrigues disse:

    Não vou comentar muito (estou sem tempo).
    Até por que o “Amor”, é algo que eu ainda não entendo.

    Infelizmente, não assisti a absolutamente NENHUM filme que foi concorrido ao Oscar… Me senti muito “triste… Mas fiquei até as 2 horas da manhã assistindo ao Oscar pela TNT.
    As únicas coisas que eu assisti, foram os Curtas de animação (Paperman realmente merecia o Oscar… Um ótimo Curta da Disney),alguns Longas de animação, com excessão de “Detona Ralph” (Estava torcendo para Valente, que no caso ganhou!) e vi a apresentação de Ane Hathaway em Les Miserábles (que no caso foi ótima e o Oscar foi merecido)
    Vi que o ator que fez Lincoln ganhou o Oscar de melhor ator.
    Basicamente é isso que eu me lembro…

    Já tava com saudades MVG!
    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!

    1. Carlos Rodrigues disse:

      Respondendo ao post (me esqueci xD!).

      Não vivi nenhum amor, não tive absolutamente nenhuma experiência com alguma outra pessoa, apenas vivi 2 grandes paixões (platônicas digamos) em meus 16 anos de vida…
      “Vivi” um “namoro” de 1 mês, tentando apenas conhecer essa vida amorosa de duas pessoas…. Não deu certo…

      MVG, não sei se seria certo eu dizer, mas acredito que tudo tem seu tempo…
      Acredito que aprendemos a amar com o passar do tempo, até que aprendemos e conseguimos nos estabilizar com 1 só pessoa durante a vida. O que impede no nosso aprendizado, talvez seja essa moda de pular de galho em galho…
      Mas ,quem sabe, essa moda de pular de galho em galho, na verdade seja apenas o início do aprendizado de saber amar?
      Não sei…

      O futuro é meio incerto quanto a minha pessoa…
      Mas gostaria de viver grandes amores futuramente…
      Como vou fazer isso?
      Não faço a mínima ideia….

  3. Fernando Douglas disse:

    Adorei esse blog, muito interessante, aborda temas atuais que acontecem na vida gay.O que posso dizer sobre os temas abordados acima? Amor, ja amei muito um cara namorei por 2 anos, ele mora em São Paulo eu Moro em Campinas, no começo tudo uma maravilha, mas depois tudo se perdeu, eu sou uma pessoa extramamente ativa, no trabalho, nos estudos na familia, e ele era totalmente o oposto, não tinha amigos, não gostava da familia e tinha um emprego simples, que para ele já era o suficiente, abri uma empresa, cresci progredi, e ele não conseguiu acompanhar meu ritmo, e não foi por falta de estimulo, eu o ajudava em tudo, financeiramente,moralmente em tudo, quando percebi que estava sendo mais amigo que namorado, ele me traiu, me largou e uma semana depois estava casado com outro cara. Já faz um ano que nos separamos. Quando veio a separação , para superar comecei a trabalhar muito, para não pensar nele. Hoje vejo que de certo modo isso me atrapalha nos relacionamentos que tento, nos dias de hoje, eu não sei acho que assusto os caras, por que todos eles somem depois de um tempo sem dar a minima satisfação.

    Estou apaixonado por um, que veio me procurar dizendo , que gostaia de me conhecer entrar na minha vida, tudo bem, me dei essa oporunidade, no começo ele esta otimo, mas agora ele some, se eu não ligo, não envio sms, não convido para sair ele se quer dar sinal de vida. Ai vem a pergunta na minha cabeça. Onde estou errando? por que todos somem? Quão dificil encontrar um cara onde você se dedique e essa dedicação seja reciproca, não de maneira total, mas pelo menos que onsiga sentir que tambem sou amado.

    Não sei mas o que fazer, e como sempre enfio a cabeça no trabalho tenho 3 empresas para Administrar e estou abrindo outra. Isso acabou sendo um refugio, para esquecer minha vida pessoal e amorosa . Não é a primeira vez que me relaciono com alguem, e o cara diz que , quer ter algo mais depois de tempo some sem ao minimo dar uma satisfação.

    Bom isso foi apenas um relato Obrigado!!!

    Virei fã da pagina um forte abraço e sucesso !!!

    1. Fernando disse:

      Fernando eu entendo o seu caso, comigo aconteceu algo parecido, mas foi ao contrario, vou explicar! Rsrs

      namorei por 3 anos um cara que eu amei muito. Ele era super ativo, nao parava por nada, tem duas empresas, é um administrador competente e admiravel, como pessoa ele é cheio de energia, impussivo, alegre e cheio de vigor, muitos adorariam ser ele, mas como namorado e companheiro ele era um cara cansativo, chato, implicante e egocentrico. Sou um cara agitado, adoro sair, tambem sou administrador, tenho um ótimo salario, mas nunca era o bom suficiente para ele, ele era carinhoso e dava atençao, mas até nisso ele queria se sobressair e nao se satisfazia com nada.

      Nos dois primeiros anos amava ele e atura suas chatices, depois disso fui aguentando, empurrando com a barriga e suportando suas chatices… Até chegar o momento que eu nao o suportei mais e chutei o balde, nao ligava e nem o procurava mais, praticamente sumi da vida dele, terminei com ele e me afastei totalmente dele. Ele ainda me procura, mas sinceramente nao rola mais nada. Ele se achava demais por estar prosperando financeiramente, ele sempre era o esforçado eu eu nao, ele era bom em tudo e eu em nada… Ninguem suporta gente assim

      pelo fato de vc ser um workholic assumido, nao ter espaço para uma vidinha normal, coisas simple e mais tranquilas, sem voce perceber sera que tu nao tornastes um cara chato, cansativo que ninguem quer por perto?

    2. Gabriel disse:

      Fernando Douglas,

      Muito bacana você expor sua experiência aqui no blog. Curti bastante!

      Me identifiquei contigo no ponto de trabalho, de ser ativo, buscar crescimento e tals. Sempre fui assim…

      Mas busco sempre dar espaço para conhecer as pessoas e me relacionar também. Acredito que algo bacana para ti seria se entregar a um relacionamento e ao processo de conhecer alguém com mais cautela. Muitas pessoas não estão prontas para amar: e amar envolve aceitar o parceiro como ele é. Muitas vezes, deparam-se com algum defeito e já caem fora.

      Atualmente, estou solteiro e vejo que toda a ansiedade que eu tinha por estar com alguém está cada vez mais sob controle. Namorei, terminei, namorei de novo… E agora eu estou com mais calma, conhecendo lugares, pessoas, permitindo que eu me surpreenda com coisas diferentes e novas.

      Faça isso: deixe-se surpreender.

      Abçs, Gabriel
      gfalves09@hotmail.com

  4. HeiT disse:

    seria valido mudar de sexo por amor ou que sa uma paixao ,o que voce acha… tenho um amigo que me trata diferente dos amigos heteros dele,me assemelho mais com uma amiga para ele do que um amigo…

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