Capa da Veja – Casamento Gay


Então é isso: a edição 2316, ano 46, número 16 da revista Veja traz estampada em sua capa em caixa alta “CASAMENTO GAY”. Ao fundo, a imagem da Daniela Mercury abraçada com sua namorada/futura esposa Malu Verçosa, jornalista de uma filial da Globo.

Fiz uma leitura rápida da matéria e, como já anunciavam os rumores no meio GLS, a Daniela teve outras relações homossexuais anteriormente. Será que todos os rumores sobre os artistas brasileiros, como esse do ator principal da novela das 19h na Globo são de fato reais? Vai saber…

O que devo considerar é que a revista de maior tiragem da maior editora do Brasil imprimiu de maneira clara essa realidade comportamental: a da homossexualidade. Felicianos, Mafalaias e seus seguidores têm aí uma voz do mesmo tamanho, ou até maior, se colocando contra.

Realmente não sei se a sociedade tem estrutura e base para aceitar leis que considerem o casamento gay. Mas ver a temática homossexual divulgada assim, e chegando em milhões de lares brasileiros, nas bancas e nas livrarias, tem explícito um valor importante para nós: a inclusão.

Os gays existem, são filhos de Deus, são amigos, músicos, artistas, empresários, professores, alunos, psicólogos, funcionários, são filhos, são pais e, agora, se estampa de tal maneira a questão dos direitos implícitos no casamento.

Embora exista a polêmica sobre a imparcialidade e veracidade da revista, sabemos que a Veja tem uma abragência nacional e, em se tratando de mídia impressa cultuada há décadas, existe uma responsabilidade importante de levar a qualidade da informação em suas páginas. Mesmo porque, como já comentei em outro post, de profissionais que são gays e que trabalham na Editora Abril conheço dez, sem fazer muito esforço.

Por outro lado, a ação “pró-gay” traduzida no semblante positivo de Daniela e Malu não corresponde necessariamente a um marco, muito menos a uma tendência da moda. Corresponde a um movimento claro no Brasil e no mundo, de que os homossexuais têm conquistado seu espaço igualmente nos ambientes públicos, nos lares, nas escolas e – sabendo que existe ainda sim a discriminação, a retalhação, o bullying e o preconceito porque essa aceitação ainda não é geral (não dá para dizer que toda população aceite) – há essa força contrária, que poderia dizer “pró-gay”, para a tolerância e respeito aos homossexuais.

Tenho que confessar que fico com um tipo de “dor de cotovelo” e inveja por esse retrato de capa não ser de dois homens! (rs) Mas quem fizer a leitura da matéria de capa poderá ver também os portadores de pênis apresentando seus relatos. :P

A mim, mais um passo dado: uma mídia de alta abrangência dando mais voz para os gays. Capa é capa.

 

 

9 comentários Adicione o seu

  1. Caio disse:

    Olá MGV. Sabe vagando na net achei outro blog Ele & Ela Ela & Ele, no qual descobri que o “Ele” é você, gostei também :D

    Bom, mas quanto ao post, digo sinceramente que não estou nem aí se a sociedade brasileira está pronta para aceitar o casamento gay. Quem não gostou vai ter que engolir. Chega de ter que viver segundo o que a “maioria” quer em detrimento das nossas realizações pessoais. É que nem aquele discurso do Maurício de Souza: “não vou criar um personagem gay na história da Mônica, pois as pessoas ainda não estão adaptadas para ver isso”. Só que ele esqueceu que o fato de ele criar um personagem assim, ajuda no processo de aceitação, e que se esperasse por aceitação natural do povo, teria que esperar muito. Ah detalhe, hoje acho que ele mudou de ideia e criou o Caio, num gibi a parte do principal, mas já é um começo (aliás, ele e minha mãe acertaram no nome, porque em russo se escreve “Gay” rsrsrsrs é o que o Google Tradutor diz)

    Além disso, já é uma realidade, a partir de 2011 a união estável passou a ser aceita em todo território nacional e agora já são 9 estados mais o DF a permitirem o casamento civil. Espero que logo os demais também.
    É, tudo está indo aos trancos e barrancos, mas indo…

    E por fim não me admira que não tenham colocado a foto de um casal de homens na capa. As revistas brasileiras são assim mesmo, cheias de machismo. Já é a 4ª vez que vejo capa de casamento gay com duas mulheres. Outra que ficou com segundas intensões foi a desse mês da Época. Nada contra as lés lés, mas homens também existem e também casam rsrs.

    Boa semana!

    1. minhavidagay disse:

      Isso mesmo Caio. O nome do Blog que participo com “Ela” é o que http://www.quegaysoueu.com.br

      Abs,
      MVG

  2. Cícero disse:

    Caio, explica melhor para a gente este lance do blog Ele & Ela Ela & Ele…Não consegui achar, poderia para o link? O blogueiro do MVG é o dono deste outro blog? Valeu

    1. Caio disse:

      Oi Cícero, na verdade o nome do blog é “quegaysoueu”. No momento de escrever o comentário eu não lembrei o nome, apenas o slogan Ele & Ela Ela & Ele. Mas o MGV já postou o link acima.

      Abraço.

  3. Carlos Rodrigues disse:

    Não sei se o uso dessa palavra está correto mas:

    – Poderíamos estar vivendo uma “revolução” nos valores sociais?
    Quem sabe, talvez sim ou talvez não.

    Basicamente, lembro que toda essa revolução começou com o Pastor Silas Malafaias discursando sobre Homossexualidade com a Gabi. Vi esse encontro e admito que gostei bastante terem colocado essa discussão em rede nacional, apesar de ter sido mais “favorável” ao lado dos preconceituosos e a rede, com toda certeza, ter feito isso para ganhar Ibope.
    Daí veio o novo Papa que, infelizmente, é conservacionista (o que provavelmente não adiantará muito só pelos fatores que estão acontecendo).
    Depois veio Feliciano, o grande responsável pelo Congresso de Direitos Humanos, com as suas frases de discriminação para o público.
    Etc…
    As vezes eu penso que tudo isso é só pra “alienar” a sociedade de uma forma diferente, ou tudo só para conseguir audiência mesmo.
    Globo já teve seu beijo gay com duas mulheres… De acordo com as informações que eu recebi de algumas pessoas que assistem a novela.
    A nova “moda”: Feliciano não me representa, ou, Feliciano me representa, e como imagem, um beijo gay ou um beijo hétero.

    Mas uma das coisas que mais me impressiona: Você vê mais um beijo lésbico do que um beijo gay. Porque isso?
    Daí vem o que Maurício disse:
    “…as pessoas ainda não estão adaptadas para ver isso.”

    Já percebeu que você ver um beijo lésbico pela primeira vez é mais “normal” que um beijo gay? Puro Machismo mesmo, afinal, estamos em uma sociedade machista: Duas mulheres se beijando é mais “normal” porque causa mais tesão no hétero… Mas há ainda aqueles que não se conformam com a homossexualidade…

    Em fim, sendo Ibope, tendo ou não beijo gay, representando ou não, sei que isso vai ajudar bastante na maneira que a sociedade vê os homossexuais.
    Não vou reclamar, afinal estão tratando de um assunto que era um Tabu (e ainda continua) e sei muito sobre esse assunto, então posso dissertar sobre o assunto até não querer mais! (Acho que vou até tentar o Enem esse ano, apesar de ainda estar no 2° ano do Ensino Médio, só pra ter a certeza de que esse assunto irá cair!)

    É como eu havia dito:
    – O mundo dá voltas, porque não acompanhá-lo também?

    1. Caio disse:

      Carlos é isso mesmo, puro machismo. Eles “exaltam” a imagem das lésbicas não por serem a favor da diversidade sexual, dos direitos que estas pessoas têm como cidadãs, mas apenas por ilustrar um fetiche de muitos homens héteros de verem duas mulheres se pegando. Pode ver, as capas de revista nunca colcam um casal de homens e depois inventam uma desculpa rídicula para “justificar”.

      E quanto ao beijo entre duas mulheres na grobo eu não estou sabendo, acho que não teve não. Que me lembro em 2004, em Senhora do Destino a Jennifer e a outra deram um selinho e só. Teve um beijo lésbico (que pra mim foi meio xoxo) na novela Amor e Revolução no SBT, que ficou conhecido como o 1º da tv aberta brasileira. E um gay na minisérie da grobo Queridos Amigos, mas foi fraquíssimo, um selinho sem graça e sem contexto e claro lá pela meia noite.
      Certo está você em dizer que devemos acompanhar as voltas que o mundo dá. Entretanto, quem tem que mudar são os bitolados, que infelizmente ainda são maioria e fazem de tudo para estragar a vida de quem vive diferente deles.

      Abraço.

      1. Carlos Rodrigues disse:

        Bom… Apenax concordo com você!

        Vlws aew por ler e pela atenção! ^^

  4. …Os gays existem, são filhos de Deus, são amigos, artistas, empresários, professores, alunos, psicólogos, funcionários, são filhos, são pais… Acrescentando SÃO FAMÍLIA também. :D

  5. Ali disse:

    Oi MVG!!

    Gostei bastante dessa iniciativa da Veja e da revista Época a respeito do casamento gay.

    Penso que falta para nós,da comunidade Glsbtxyz rsrs, é o DIREITO DE ESCOLHA.
    Os casais heterossexuais tem todo o direito de escolher se querem casar no civil ou no religioso,se querem apenas uma união civil.
    Mas e os casais homossexuais? Não tem esse mesmo direito de escolher de que forma querem ter suas relações reconhecidas??

    Notem que a principal reivindicação é pelo CASAMENTO CIVIL,as pessoas tendem a confundir com o casamento religioso e isso não é verdade!

    Aquele princípio constitucional que diz:”Todos são iguais perante a lei”.
    Me parece letra morta na situação política e social na qual nosso país se encontra.

    Tenho uma teoria que é o seguinte:
    A famigerada Homofobia,na verdade,é uma consequência do nosso velho conhecido Machismo.
    O Machismo,assim como o Feminismo,são formas exacerbadas de Sexismo.
    Então seria muito mais lúcido e teria muito mais valia,atacar a causa.
    Não devemos atacar a consequência,que é a Homofobia,devemos atacar diretamente a CAUSA,que é o Sexismo e especificamente o Machismo.

    É isso MVG,ontem mesmo fui ao Super-Mercado e no meio da fila no caixa avistei essa edição da Veja sobre o Casamento Gay,algumas pessoas pegavam a revista para ler e outras apenas olhavam para a capa de relance,fiquei pensando comigo mesmo:
    “Seria tão mais maduro se todas essas pessoas diversas,incluindo eu,pudessem lidar com questões que fogem de sua realidade com a mesma indiferença com qual folheiam uma revista com aquele conteúdo”.

    Penso que o convívio social civilizado e a ordem que se estabelece em certos locais públicos,é de uma certa forma “acolhedora”,você se sente IGUAL a todo mundo e não deve nada a ninguém.Você chega em sua casa e ninguém mais do lado de fora se importa com o que você faz do lado de dentro.

    Bom mas eu to viajando muito kkkkkk.
    Abraços!

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