Padres gays e pedófilos


Parafraseando os comentários do post anterior, Marco Feliciano está sendo um “bom laranja” para dar luz a alguns temas, como a existência da Comissão dos Direitos Humanos, assunto que nunca antes foi tão difundido pelo povo brasileiro, pelo movimento gay e pelos simpatizantes que se mostram tão firmes, fortes e certos de seus ideais de igualdade. Nesse ritmo de religião VS. homossexualidade (porque o Feliciano tenta se desviar dizendo que é a Bíblia que diz isso ou aquilo sobre gays e negros) um tema que esteve bastante em pauta há bem pouco tempo, foi o dos padres, da homossexualidade e da pedofilia.

Daí levanto a questão no Blog MVG: Faz sentido alguns padres serem gays e terem tendências à pedofilia?

Antes de mais nada, vou desconstruir essa pergunta capciosa. A pedofilia – que é a atração de um indivíduo maior (a partir dos 16 ou 17 anos) por crianças – é considerada um desarranjo mental, doença e não tem nenhuma ligação direta com a homossexualidade. A homossexualidade, como bem sabemos por aqui, é em essência a atração sexual e afetiva de um indivíduo por outro do mesmo sexo e, por fim, padres, no sentido mais básico da interpretação, são “Pais” segundo a língua grega. Têm como objetivo pregar, difundir e disseminar as palavras de Jesus, da Bíblia e de Deus (das vertentes Romanas, Ortodoxas, Presbiterianas e Anglicanas. E se falta alguma igreja que entitula seu “servo” como padre, por gentileza, que se manifeste um conhecedor!).

Em um sentido pueril e idealizado, os conceitos de “pedofilia”, “homossexualidade” e “padre” seriam como água e óleo. Mas no momento que o padre, apesar de aprender a exercitar sua fé, é um ser humano como todos nós, a história pode mudar de figura.

Em alguma medida, o Ratzinger (Papa Bento XVI) abdicou de seu trono papal por um grupo de crises políticas e sociais em seu “reinado”. Uma das crises, que acabou espirrando na mídia recentemente foi a do caso de padres gays e pedófilos. Já cansado e adoentado, Ratzinger não se sentiu apto para lidar com as demandas “infernais” do Vaticano (inferno dentro do Vaticano? Pois é). Eis que Papa Francisco veio para substituí-lo para tentar reinventar um pouco os modelos da igreja católica, transmitir um evidente carisma (coisa que o Ratzinger não tinha), e lidar com as questões de pedofilia, homossexualidade, corrupção, entre outros.

Evidentemente que soa amargo, indigesto e corrupto um padre homossexual e/ou pedófilo pois, pelas próprias leis dos dogmas da igreja católica, padre abdica de sua sexualidade. Padres copulando com crianças e meninos chocam diretamente na espinha dorsal da igreja católica e gera discórdias com o povo.

A minha racionalidade entende a coisa assim: quando jovem e adolescente, passamos a reconhecer nossas orientações sexuais. Alguns seguem pela homossexualidade com a naturalidade da heterossexualidade, que só pode virar motivo de vergonha, omissão, mentira, ou angústia – na maioria dos casos – porque a sociedade cria um caldo de preconceito, intimidação, repressão e desigualdade que nos envolve. Aprendemos nesse mundo, ainda na maioria dos casos, que ser gay é um tipo de “nível social rebaixado, excluído e rejeitado”; que gay, em determinados ciclos sociais e culturais, jamais conseguirá ter uma vida digna e completa se exteriorizar.

Alguns de nós, negando essa possibilidade de ser gay, abominando a situação e enojados de si, acreditam que a igreja pode tirar esse mal limitador. E lá, inside church, alguns se doutrinam numa ilusão de transformação pela benção de Deus. Mas de fato reprimem. Reprimir é um ato bastante abordado em salas de terapia. E o ser humano, qualquer um, consegue reprimir vontades indesejadas. Mas nunca se sabe por quanto tempo.

Não vou abranger os assuntos da pedofilia pois é um tema que não tenho nenhuma habilidade. O que sei é que existe na psicologia o termo “retorno do reprimido”. É como se uma vontade fosse acumulando dentro da gente, sem consciência, e que quando enche, explode em sonhos, em projeções em outras pessoas, em fantasias de situações e – de fato – não há Cristo aqui ou no céu que consiga dissipar.

E aí, aquele homossexual que quando jovem achou que teria a “cura” por meios divinos, pela entrega a Deus e por seguir a doutrina com resiliência, se pega desamparado, sedento e “louco” para realizar seus desejos. Só que como padre, toda a carga da própria religião desaba em seus ombros. Onde fica a moralidade – assunto tão pregado dentro das igrejas – quando um padre leva a seus fiéis a ideia do pecado da sodomia e, depois que tira a batina, pede “massagens” para o coroinha?

À exceção da pedofilia (como disse, não tenho subsídio para comentar), esse “padre gay” não é nada diferente do gay que reprime sua realidade homossexual, abomina, se enoja e força-se a namorar uma mulher, casar, ter filhos e vira um indivíduo compulsivo pelo trabalho. Da mesma maneira irá se reprimir e da mesma maneira, em algum momento e de alguma forma, virão as projeções de suas vontades, dentro do metrô, no banheiro do escritório, no autorama, nas saunas, nos cinemões, caminhando na Avenida Paulista e assim por diante, de acordo com o impulso da imaginação e do reprimido.

Gays que reprimem, evitam pensar no assunto e negam a si seus desejos, tendem a desviar prendendo-se em alguma compulsão: religião, trabalho, esporte, e assim por diante, da maneira que cada gay reprimido encontra para amenizar o contato com a própria realidade.

Não condeno os homens que viram padres e que na realidade são homossexuais. Nem os homens que casam, têm filhos e que na realidade são gays. São pseudo padres e pseudo heterossexuais que negaram ou negam sua essência em detrimento à própria repugnância de si, causada por essa atmosfera social que não acolhe e que promove essa rejeição/limitação desde que todos os homens são crianças.

Sabe, eu gay vos absolvo. Assumir é a palavra da salvação, amém.

(Agora os ignorantes, que confundem homossexualidade com pedofilia, vão todos para o quintos).

3 comentários Adicione o seu

  1. Carlos Rodrigues disse:

    Obrigado pela benção xD!!

    Mas até que sua opinião sobre o mesmo faz sentido. Nunca havia imaginado esse lado…
    Infelizmente, a vontade reprimida volta com mais força, e a aceitação parte de cada um não é?

  2. Ali disse:

    Ótimo texto,assunto caro a própria religião.
    MVG,se prepara porque aqui vai um comentário ÉPICO!!! kkkkkk

    A priori esses três termos (Homossexualidade=Pedofilia=Padre) NÃO TEM NADA A VER UM COM O OUTRO.

    Eu já li alguma vez,que a pedofilia é uma orientação sexual,mas também já li e na qual eu concordo,que a pedofilia é na verdade uma TARA assim como a podolatria,a zoofilia etc…

    1-Mas quando analisamos que o padre é homossexual,o que eu vou chamar de “Homopadre” rsrsrs…

    2-Notamos também que o “Homopadre” é um ser SEXUADO,ou seja,ele biologicamente necessita de SEXO.Agora vou passar a chama-lo de “Homopadre Sexuado” rsrs…

    3-Quando o “Homopadre Sexuado” por questões de juízo moral da religião e também por uma questão de culpa pessoal,resolve REPRIMIR sua sexualidade,fazendo uso da “castidade” e do “celibato”,ele já está reprimindo duas questões em sua própria vida,a “Homossexualidade” e o fato dele ser “SEXUADO”.Vou chama-lo agora de “Homopadre Sexuado e Reprimido” rsrs…

    4-Vejamos agora,que o “Homopadre Sexuado e Reprimido”,durante o início da sua caminhada religiosa de encontro ou submissão a Deus,ele passará alguns anos em algum Seminário e durante essa estadia ele conviverá com vários outros garotos nas mesmas condições que ele.Para um “Heteropadre Sexuado e Reprimido” essa convivência próxima e diária com outros garotos não é problema,mas como será que o “Homopadre Sexuado e Reprimido” lidará com isso?

    Ou melhor,como o agora “Homopadre Sexuado e Reprimido/Sofrendo Tentações” lidará com isso??

    5-Notemos também,que as chances de um “Heteropadre Sexuado e Reprimido” de sofrer tentações durante os anos de confinamento e estudos são MUITO menores,já que as garotas (futuras freiras),estão confinadas em Conventos e os garotos nos Seminários,ou seja,tanto garotos e garotas estão confinados em lugares diferentes.Deve ser assim por algum motivo,não acham?! rsrs

    6-Depois que se tornam devidamente padres,temos também que analisar e é aí que a tal da pedofilia entra,que o “Homopadre Sexuado e Reprimido/Sofrendo Tentações” será auxiliado pelos Coroinhas na realização de suas missas,que geralmente são GAROTOS MENORES DE IDADE.Isso pode ser uma “nova tentação” como pode NÃO SER!

    Sem falar nas “tentações externas”,já que agora o “Homopadre Sexuado e Reprimido/Sofrendo Tentações” não está mais confinado e terá que lidar com toda espécie de pessoas,incluindo alguns eventuais rapazes muito bonitos ; )
    Mas isso serve também para o “Heteropadre Sexuado e Reprimido”,só que dessa vez com o sexo oposto.

    Observemos,que o “Homopadre Sexuado e Reprimido/Sofrendo Tentações” também não quer correr o risco de se aventurar em “lugares de pegação” e ser descoberto por alguém com a boca-na-botija!
    Muito menos ele quer correr o risco de dar uma cantada e se engraçar para o lado de um companheiro de Seminário ou outro “Heteropadre Sexuado e Reprimido”.Correndo o risco de ser denunciado e eventualmente ser Excomungado!

    A culpa também não dá trégua,e volta e meia vem confundir a cabeça do “Homopadre”.

    7-Finalizando,agora juntando todos os fatores vistos e levando em consideração que estamos falando de um “Homopadre Sexuado e Reprimido/Sofrendo Tentações”,podemos constatar que dificilmente um “Heteropadre Sexuado e Reprimido” cederia a tentação de consumar o ato carnal com outro homem,mais especificamento com o nosso “Homopadre Sexuado e Reprimido/Sofrendo Tentações”.

    Sendo assim,somando todos os fatores anteriores,o que resta para o coitado do “Homopadre Sexuado e Reprimido/Sofrendo Tentações” é tentar consumar o ato com um inofensivo e ingênuo Coroinha,que como eu falei antes é quem ajuda o padre em suas missas e geralmente é um GAROTO MENOR DE IDADE!!

    Complicado,não é?!

    EU,ainda prefiro ter a porta do armário escancarada e sair dele quando eu quiser,ter um namorado que dê “conta do recado” na cama e amar e ser amado até ficar doido rsrsrs…

    Não é fofo quando você chega em um almoço de família,de mãos dadas com o seu amor sem vergonha e nem medo?!
    Ouvir dos seus pais e parentes desejando pra você e o seu amor TODA A FELICIDADE DO MUNDO?!
    Tem coisa melhor?!
    Acho que não!!

    Abraços!

  3. Caio disse:

    Ali você descreveu exatamente o que eu penso em relação a pedofilia dos padres para com os meninOs que são abusados. A auto repressão, a necessidade natural pelo sexo, a ausência de parceiro para consumar o desejo reprimido; estas são as palavras chave que ilustram o caso e geram esse contexto.

    Abraços.

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