A difícil tarefa que é a adolescência – Por Enzo

Pensando no que eu iria escrever hoje, resolvi trazer minha visão da homossexualidade como um todo, como é a vida de um adolescente gay não assumido e também sobre as amizades que criamos ao longo da vida e que tanto ajudam na nossa caminhada.

Ser adolescente já é bastante conturbado, ter que viver cheio de inseguranças e dúvidas, se sentir perdido no mundo, e ser inundado de hormônios que transformam você, a pessoa mais gentil do mundo, em um verdadeiro carrasco em questão de horas ou até minutos. Mais difícil do que ter que arcar com esse combo de situações nada agradáveis é passar por isso se escondendo e com medo de ser quem você é. A sociedade nos impõe um peso emocional que não estamos prontos para aguentar. Um adolescente que sente atração por pessoas do mesmo sexo não deveria ter que ouvir que isso não é natural, pois na verdade é a coisa mais natural que existe. É simples.

Tudo começa logo na infância, onde não nos sentimos iguais àquele nosso amiguinho, sabemos que algo está diferente, mas a inocência não nos permite saber o que é. E justamente nessa época de formação, qualquer indício de homofobia demonstrado por nossos pais, professores e qualquer outra pessoa que influi na nossa vida podem nos marcar profundamente.

Logo depois, por volta dos 12 ou 13 anos (para alguns até mais cedo) junto com os hormônios vem o desejo sexual e a primeira masturbação, as vezes repleta de culpa por estarmos pensando naquele colega bonito ao invés da garota que todos acham gostosa. É a idade onde a maioria começa a achar que é gay, mas também é uma fase difícil, pois o sentimento de que ser diferente é errado se torna muito forte.

Com cerca de 15 anos a ideia da homossexualidade já está mais clara em nossa cabeça. É nessa idade que começamos a entender nossa orientação e a criar uma identidade sexual, mesmo que ela seja pouco ou nada explícita. No meu caso, foi quando comecei o processo de aceitar quem eu sou e deixar de ter vergonha de ser gay, porque mesmo sem ser assumido nós guardamos um sentimento de vergonha imposto pela sociedade.

Em alguns momentos o sentimento de solidão e a falta de alguém disposto a ouvir e compreender o que sentimos atrapalha bastante. Há um tempo pensei em me assumir para meus pais, pois o apoio deles seria super importante, então comecei a comentar sobre o assunto, levantar o tema nas conversas, mas me senti cada vez mais sem espaço, sem voz, dentro da minha própria casa, minha família. Eu não culpo totalmente eles por esse sentimento homofóbico, já que uma parte disso vem junto com toda uma cultura ultrapassada e ainda muito presente no país. Depois dessa ‘’tentativa’’ fiquei profundamente desanimado e desisti de assumir minha sexualidade.

Procurei então me abrir mais com meus amigos, aqueles que sei que estarão lá para me apoiar e que não me definem pela minha orientação sexual e sim por quem sou. Eu acho que é extremamente importante ter o apoio das pessoas que realmente importam para você, assim você nunca poderá se sentir sozinho. Na verdade, essa é a chave para viver de bem consigo mesmo.

Agora eu queria saber de vocês, como foi a sua adolescência? Quem foi a primeira pessoa a saber da sua orientação sexual?

42 comentários Adicione o seu

  1. É engraçado, porque da infância até o adolescência, ocorre muita coisa que ocorre com todo jovem gay:
    – Na minha infância era muito inocente para saber o significado da palavra homossexual, afinal, nem sabia que esse tipo de relação existia.
    Na minha adolescência (por pura curiosidade), vi meus primeiros vídeos homossexuais e troquei aquelas garotas da sala pelos garotos nas horas de meus prazeres individuais.

    Basicamente, até essa parte, é tudo igual para o jovem homossexual. Começa a ser diferente a partir do 1º beijo, que ocorre no tempo de cada um (eu nunca dei um beijo em outro garoto).

    Mas vamos a resposta de sua pergunta:
    – A primeira pessoa que eu falei, foi para um super amigo meu de Piauí. Era dia 21/12/2012 (SIM! ERA O FIM DO MUNDO! KKKKK!), e eu estava com uma coisa na cabeça:
    – Vou entrar na onda de fim do mundo (não acreditando que ele ocorreria), e vou usar essa onda para “renascer”. Não serei mais o gay enrustido que as pessoas conhecem.
    Então falei pra ele no bate-papo do facebook, eram mais ou menos umas 00:00 h. Ele aceitou normal!
    Depois disso fui falando para algumas outras pessoas mais íntimas, até que cheguei a um ponto de que todos da minha sala de aula já sabiam.

    Acredito que isso foi um grande passo para mim, pois hoje eu estou bem mais maduro para viver a minha vida gay.
    No fim, já fazem quase 5 meses desde que me assumi para alguém pela primeira vez, e nem parece!

  2. Fulano disse:

    Enzo, eu tenho 17 anos e só poucos amigos sabem de mim. Poucos eu digo, 2, que eu nem posso ver e conversar todo dia. Os amigos com os quais eu ando todos os dias são homens e são ótimos amigos, mas ainda assim me sinto muito inseguro de falar. Até pra minha família, que certamente apoiaria, eu me sinto inseguro, e principalmente, constrangido, muito constrangido. Eu sempre tive dificuldades sociais desde pequeno, sempre fui muito tímido, sério, o mais “nerd” (eu ainda nem cheguei a namorar ninguém e nem sequer beijar). Não vou dizer que não consegui melhorar isso, até melhorou, me entrosei mais com o pessoal e fiz os tais amigos dos quais mencionei acima, mas ainda assim, permanece aquela sensação de vazio, tanto por causa da falta de afetividade, quanto por falta de compreensão e impossibilidade de poder ser quem eu sou nesse aspecto. O problema é que se eu conto pra eles, acabo contando pra escola inteira, não porque eles são infiéis ou traidores, mas porque é realmente difícil de se manter segredos lá. E tudo o que eu queria era poder viver como um outro cara qualquer, sem tudo isso me incomodando e sem todo mundo achar estranho, porque de qualquer forma iriam achar ou iam pelo menos ficar surpreendidos, mesmo que respeitasse, iam acabar me tratando meio diferente (diferente não num bom sentido). Eu me aceito nesse aspecto, só tenho medo dos outros mesmo.

    Bom, esse ta sendo o pior ano da minha vida, porque além de toda essa problemática emocional, é ano de vestibular. To pra ir num psicólogo pra ver se ajuda o meu lado emocional ficar mais desenvolvido e se minha autoestima aumenta, até porque chega a atrapalhar os estudos. De qualquer forma, planejo sair do armário quando começar a faculdade, pois vou enfrentar menos estresse e conhecer pessoas novas, imagino eu…mas quero estar preparado. Ainda não perdi as esperanças xD

    1. namoradoecia disse:

      Estou mais ou menos na mesma situação que você. Moro com minha tia desde 2011, por causa dos estudos. Este ano resolvi contar pra ela que sou gay, até porque, ela é, mais do que ninguém, a pessoa da qual eu sabia que iria receber apoio incondicionalmente! Desde então o convívio com ela tem sido bem mais fácil. Esses últimos dois anos que vivo com ela têm me ajudado a evoluir. O vestibular é um saco mesmo. Este é meu último ano de EM também… Até o início do ano, eu queria fazer CC… decidi que vou fazer Medicina 0_o
      Este tem sido o ano das minhas experiências gays também. Nunca beijei, nada… tento conhecer alguns caras legais… Não vejo necessidade de contar pra todos que sou gay.

      1. namoradoecia disse:

        Ahhh… tenho um blog: http://namoradoecia.wordpress.com/
        Quem quiser, dá uma olhadinha… ;)

    2. Enzo disse:

      Fulano: me manda um email, é sempre bom ter alguém pra conversar…
      Email: enzo_mvg@outlook.com

    3. Gabriel disse:

      Faço das palavras do Enzo as minhas….

      Caso tenha interesse em conversar, ter opiniões de gente que viveu uma situação difícil com a tua… estamos aí:

      gfalves09@hotmail.com

    4. J disse:

      O fulano se vc esta passando por esse momento dificil, tem um historico pessoal meio problematico no passado, cara de boa pare de se cobrar, tire por enquanto essa ideia de querer se assumir e relaxe. Se assumir @agora, depois que entrar na faculdade ou em outro momento da vifa vai ser totalmente desnecessario e prejudicial a voce! Primeiro coloque a sua vida em ordem, venca seus fantasmas, lute com seus conflitos, coloque a cabeca e o coracao em ordem. Depois de fazer tudo isso se vc quiser se assuma para quem tu quisrres. As vezes pensamos que se assumir gay e a solucao para muitos problemas, isso e ilusao! Se nao tivermos uma base solida ( emocional, psicologica e ate financeira numca se sabe…) que nos mantenha fortes e preparados para aguentar o que der e vier da vida, se assumir em vez de ser um passo a felicidade pode se tornar um tropeco e um obstaculo a mais para ser pulado! Eh isso o que eu acho fulano, relaxe e tente ser feliz agora no presente do jeito que vc esta!

      1. Dreamer disse:

        Falou tudo.
        Quando somos adolescente existe essa necessidade de se assumir, achando que vamos solucionar todos os nossos problemas.

        Eu estou buscando minha independência financeira, até lá, pretendo continuar no armário. Sem pressões ou cobranças de mim mesmo.

  3. Enzo disse:

    Toda a sala?! Bem corajoso! A minha situação é aquela onde eu contei pros meus amigos íntimos (amigas na verdade, tenho apenas um amigo que sabe que sou gay) e o resto da sala desconfia, mas ninguém fala nada. Essa desconfiança dos meus colegas que deu coragem pro meu namorado chegar em mim…mas isso eu vou falar no próximo texto.

  4. Gabriel disse:

    Olá, bom dia!

    Na transição da infância para a adolescência o termo “gay” tinha um significado muito impactante em minha mente… Era algo acusatório, uma ofensa, uma infâmia, uma vergonha. Por volta dos 13, 14 anos eu pensava: “Mesmo que eu fosse gay, jamais me assumiria”. Ao passo que pensava isso, sentia uma atração irresistível por homens.
    Exteriormente, eu buscava manter um equilíbrio: estudos, cursinhos, etc. Mas o medo da desaprovação era terrível: eu fingia ser “hétero” e criava mecanismos de defesa.
    O contexto religioso católico era cenário de toda essa realidade. Mas, ao invés de me prejudicar ainda mais como muitos podem pensar, o contato com a espiritualidade me fez amadurecer a ideia da busca pela “Minha Verdade”. E foi através de muitos questionamentos que rompi um relacionamento com uma mulher, e para ela, antes de qualquer outra pessoa, que assumi minha homossexualidade. Depois cheguei em casa e me abri com meus pais: minha mãe chorou copiosamente; meu pai me abraçou como nunca. Isso tudo ocorreu quando eu tinha 18 anos.
    Daí em diante aprendi o que é ser feliz. Fui amadurecendo cada vez mais e escolhendo sempre a minha identidade como prioridade. Todavia, “ASSUMIR-SE” não para nesse instante: a vida me exige posicionamentos diários. E hoje sou o gay, homem discreto por natureza, reconhecido profissionalmente, que adora malhar, estudar e viajar e que escolheu vivenciar relacionamentos saudáveis e respeitosos. Feliz!

  5. Ali disse:

    Olá!
    Olha,pra mim o processo de auto-aceitação da homossexualidade na adolescência foi a coisa mais NORMAL e TRANQUILA do mundo.
    Não tive nenhuma grande “crise de identidade”,claro,eu tive meus questionamentos e dúvidas,mas nunca fiz da minha sexualidade algo inaceitável ou transformei meu desejo intrínseco por homens em um GRANDE problema em minha vida.

    Cresci e fui educado em uma família relativamente liberal,por isso a compreensão e carinho dos meus pais e familiares foi bastante nítida quando eu resolvi me assumir.
    E quando eu falo em me “assumir”,não falo em reunir toda a família e contar para todos da minha sexualidade.Me refiro quando algum familiar,amigo ou qualquer pessoa me pergunta se eu sou gay e eu repondo:SIM,SOU GAY!!
    Afirmo isso sem problema nenhum ; )

    Sempre soube que meu negócio é HOMEM e pouquíssimas vezes precisei negar isso(fingir que gostava de garotas) antes de me aceitar como gay e me assumir.
    Por isso já comecei de onde eu queria,meu primeiro beijo e minha primeira vez foram com garotos.

    A minha homossexualidade foi algo que eu deixei rolar naturalmente,agora estou aqui,FELIZ e em paz comigo mesmo.

    Abraços!

    1. Enzo disse:

      Ali, é bastante raro alguém ter uma situação tão clara e aberta quanto a tua, parabéns!

    2. Fulano/Marcos disse:

      Eu bem que deveria ter seguido o seu exemplo viu xD

  6. Gabriel disse:

    Olá. Recentemente, completei 18 anos. Tecnicamente, deixei a adolescência para trás, mas de muitas outras maneiras, não me sinto ainda um adulto. Mesmo assim, tenho praticamente 100% de certeza da minha homossexualidade. E, no ponto em que estou agora, não há mais a possibilidade da minha vida voltar a ser o que era antes.

    Na minha infância sofri bullying por, apesar de não saber se tinha atracão por homens, possuir tendências afeminadas. Isso me deixou com uma cicatriz emocional forte, e uma personalidade deprimida, com auto estila baixa. Nos anos seguintes, passei a interessar-me, apenas romanticamente, por algumas garotas bonitas. Mas como era tímido demais, nada foi para frente.

    Foi em torno dos 13/14 anos que tive os primeiros sinais de que ainda me lembro que apontavam para este lado. Nas piscinas, passei a reparar nos meus amigos seminus, e esperava ansiosamente para pode-los ver de toalha ao sair do banho. A medida que a puberdade avançou, fui ficando cada vez mais curioso sobre as mudanças no corpo masculino, e passei a pesquisar sobre o assunto na internet. Ao ver aquelas lindas fotos, gradualmente me dei conta que me excitava com elas. E pouco depois comecei a ver pornografia.

    Mas o mais curioso desta historia foi que não senti quase nenhuma angustia. Não me sentia bem, mas também não sofria por dentro. Para mim mesmo, eu gostava de mulheres, apenas não queria fazer sexo com elas.

    No final de 2009, me mudei para o exterior, em um ambiente totalmente diferente. E foi lá que conheci um garoto um ano mais velho, um menino maravilhoso. Bonito, engraçado, inteligente… E hetero. Foram anos de sofrimento, não apenas pelo amor não correspondido, mas pela extrema solidão e falta de amigos em que eu vivia mergulhado. Foi lá que conheci uma amiga muito simpática, que apesar de ser graciosa e feminina, se vestia de forma masculinizada. Descobri que ela era uma transexual (de mulher para homem), e logo depois resolvi contar a ela meu segredo. Como era esperado, tudo correu bem, oq me deu mais coragem. Contei para o meu melhor amigo em 2011, quando ele veio dormir na minha casa. Ele ficou apavorado (lol) mas levou tudo numa boa.

    De lá pra cá, quase todos os meus amigos ja sabem, e o restante da escola certamente suspeita disto. Me sinto muito feliz agora, mais tranquilo e verdadeiro, apenas super ansioso para namorar e transar com um cara e saber como e’ que e’ haha. Tenho um professor gay também, adoraria se rolasse algo mas não encontro tempo para falar com ele. A vida segue e agora meu foco e’ nos estudos (vestibular). Mas tirando a parte de me assumir para meus pais, me sinto maus otimista do que pessimista em relação ao futuro.

    Muito obrigado pelo excelente artigo, como sempre!

    1. Enzo disse:

      Também passei por um momento de dúvidas, como todo mundo, mas com o tempo as coisas se acertam. Obrigado pelo comentário!!

  7. Taz disse:

    Opa! Tudo bem? Carne nova aqui. (:

    Eu tenho 17 anos, hoje só 2 pessoas sabem que sou gay. Uma menina que eu costumava conversar pela internet, e meu (acho-que-ex)-melhor-amigo (ainda estou tentando trabalhar isso).

    Eu sempre tive muita dificuldade em conseguir amizades, não gostava de sair, tinha medo de compartilhar coisas com os outros, até que me mudei de cidade, e conheci um grupo bem bacana, com mais 2 meninos e 3 duas meninas (3 casais certinho, rs), e com um certo menino começei de desenvolver uma amizade muito bacana, eu tava sempre na casa dele e ele na minha, etc. Na escola, falavam que nós dois eramos o casal gay da escola, apesar de todo mundo [s]saber[/s] pensar que nós eramos heteros. Ele é. Eu não.
    O engraçado de tudo é que eu desenvolvi uma amizade de melhor amigo com um dos caras mais populares da escola, o que era o queridinho das meninas, pegador e tudo mais..

    Enfim, acho que nos identificamos porque não ligavamos muito pra futebol, curtiamos exatas e ficavamos competindo quem terminava os deveres primeiro (neerds), e eramos extremamente melosos. Tipo, nossa amizade foi de um “E ai cara”, pra abraços, lutinhas, ficar puxando o pelo da perna do outro, até dormir juntos na mesma cama (pra eu não ter que deitar no couxão duro) extremamente rápido, que incluiam conversas sobre meninas enquanto estralavamos os dedos do outro, e abraços deitados quando falavamos algo embaraçoso.

    Foi nesse meio tempo que começei a me tocar que tinha alguma coisa de diferente. Ele comentava de meninas, o quão bonitas eram e tal, e eu não conseguia sentir aquele tesão todo que ele sentia.. começei a reparar que eu não virava o rosto pra olhar meninas, mas sim pra meninos, percebi que quando via videos “educativos” eu raramente olhava pras meninas, tava sempre de olho no tanquinho do rapaz, e essas coisas assim tavam começando a me corroer, eu ficava agoniado quando pensava nisso, quando me tocava que eu tava olhando pro cara, eu parava, saia da área, ia deitar ou coisa assim.. Por muito tempo foi bem chata a situação.

    Nesse tempo, comecei a prestar mais atenção na minha amizade, começei a me abrir mais com ele, conversar mais sobre mim, e tal. Confiei pra caramba, tentava todo fim de semana ir pra casa dele pra tentar conversar mais, acabou que um dia ele me deixou meio preso, quando tavamos conversando, eu tava meio que abraçando ele, e ele perguntou se eu era gay (por causa da agarração toda)… Eu congelei ali… Mal tinha me aceitado e ia falar? Eu neguei, virei as costas e mandei ele ir dormir.. A partir daqui vou resumir.. tá ficando muito grande.
    Acabou que depois de alguns meses (mais ou menos 1 ano de meio atrás), rolou uma situação desagradável entre nós dois por causa de sexualidade, e começamos a nos afastar, ele começou a ficar estranho, arrumou novas amizades (fácil pra ele), eu começei a ficar estranho e minha confiança foi lá pra baixo..
    Nós fomos pra escolas diferentes, turnos diferentes, e tudo contribuiu pra gente se afastar.
    Yup.. perdi o melhoramigo que já tive porque sou gay (y).

    Hoje eu amadureci pra caramba em relação à tudo isso, mas por causa dessa falta de confiança não consigo me abrir. Meus pais por exemplo, são super liberais, falam de direitos homossexuais, brigam com quem fala besteira sobre isso, e tudo mais, mas eu não tenho a confiança que preciso pra dizer pra eles que sou gay, muito menos pra meus amigos novos no colégio.. Acho que tenho medo que a situação que tive por mais de um ano, de me sentir completamente sozinho no meio e duas mil pessoas volte e me quebre denovo. :/

    Uma coisa que me atrapalha também é a expectativa das pessoas, porque tipo, eu, como uns 90% dos gays ai fora no armário, não me encaixo nesse esteriótipo homossexual.. Eu gosto pra caramba de esportes, não ligo de jogar futebol, apesar de não gostar, jogo volei, handball, birosca, o que for eu to lá, não gosto de pop, eletrônica e afins, sou apaixonado pelo meu violão <3, sou quieto, na minha (se vier na minha rua de madrugada, provavelmente eu vou estar sentado na calçada tocando violão), não mexo com ninguém, mas sei me defender.. acho que isso gera uma "expectativa hetero" nas pessoas… Tipo, o meu grupo atual é composto por 5 idiotas (no bom sentido), eles tão sempre lá fazendo brincadeiras, praticando algum esporte, chingando um ao outro, brigando, e eu to sempre no meio e tem sempre aquelas brincadeirinhas gays de agarrar o outro, dar tapas no saco (sim.. gente estranha), e chamar o outro de gay. Eu não me importo na verdade, brinco namoral. Me chamam de gay eu confirmo, me chamam de viado, eu agarro eles, e vou nessas brincadeiras na boa, acho até legais, mas eu sempre regulo quando faltam respeito com alguém em relação à sexualidade.. E eu brigo mesmo. Defendo mesmo o cara que for. Nem que tenha que entrar na porrada com meus amigos (já aconteceu uma vez)…

    Sei lá… acho que é isso.. Eu ainda to na fase de tentar conseguir força pra me sustentar e contar pros meus pais pelo menos, principalmente que agora eu to sentindo muito na vontade de ter alguém do meu lado denovo, de começar um relacionamento legal. Quero ter tudo certo com meus pais antes..

    De qualquer forma, desculpa pelo texto massivo e obrigado pela oportunidade de me abrir. Tem tempos que não me deixo levar assim falando de mim.. Feels good. (:

    1. Gabriel disse:

      Se eu tivesse uma amizade masculina tão intima e com contatos físicos como a que você tinha, acho que não teria resistido rs. Brincadeira, o que realmente ocorreria e’ que ficaria muito angustiado pela interpretação que ele poderia dar ao meu afeto por ele (exatamente o que aconteceu com você). O mesmo quase aconteceu comigo, quando me assumi para um amigo pela primeira vez (sou o Gabriel que diz no post que já morou no exterior). Ele ficou com medo, mas depois fez piadas sobre o assunto e passamos a noite rindo e reclamando das mulheres xD. Mas, por outro lado, eu nunca quis ter nada com ele.

      Seu comentário foi longo, mas bem elaborado. Gostei dele, pq me identifico muito. Também prefiro andar com amigos homens, curte esportes diferentes do futebol, e até mesmo toco violão. Mas eu não tenho o sangue frio seu de encara-los de frente caso sejam homofobicos. Faço brincadeiras quando me chamam de viado, mas caso seja um insulto sério a alguém, fico calado. Já perdi amigos demais durante a minha curta vida. Uns pela distância, mas muitos outros por causa de mim mesmo.

      E’ muito bom postar as coisas por aqui, não acha? E’ a primeira vez que comento neste site, e adoraria fazer algum amigo aqui, ou falar com o MGV. E além disto, gosto de que tenha algum lugar na net brasileiro que funcione como um espaço agradável para uma minoria ao mesmo tempo tão visível e invisível. E não se sinta estranho ou diferente por não ser o gay típico: eu também não sou, e posso afirmar uma coisa: a grande maioria das pessoas não são nem masculinas nem femininas. Somos como um espectro, sendo algumas mais extremas, mas reunindo características dos dois lados. E isto e’ bom. Quando você ver um cara dando pinta de machão o tempo todo, pode ter certeza, não e’ natural. No final das contas, o que vale e’ a diversidade.

      Espero que você consiga assumir-se tranqüilamente para a sua familia.

      1. Poutz! Vocês arrasaram na resposta aí! (Apenas me encaixando na conversa)

        Assim ,uma coisa que eu percebi em vocês dois, é que:
        – Vocês ainda tem muito a imagem do gay afeminado na cabeça de vocês. Talvez seja porque vocês ainda estão abrindo os olhos agora para esse “mundo” gay (olha quem fala, 5 meses de assumido só). Mas relaxem! Só o que tem é carinha que nem é masculinizado e nem é afeminado (Eu!).
        Acredito que com o tempo vocês começaram a perceber que existem gays que não sentem a necessidade de se autoafirmarem para o mundo, todo, ou seja, são aqueles nem afeminados e nem masculinizados, apenas gays xD!.

        Em fim, se vocês quiserem conversar mais sobre o assunto e talz (e estou na busca de fazer novas amizades), deixo aqui meu email:

        carlosrodrigues857@gmail.com

        É só mandar uma mensagem pra ele (se quiserem podem mandar o facebook, aceito numa boa).
        Vlws aew!

    2. Enzo disse:

      Adoro ler comentários como o seu! Deve ter sido bem difícil se separar do seu amigo, é horrível que a sexualidade ainda cause esse tipo de situação :(
      Mas se quiser alguém pra ouvir tu desabafar, pode me mandar um email, para mantermos contato!

      enzo_mvg@outlook.com

    3. Matheeus disse:

      Ai cara, to atrasado aqui mas só achei o blog ontem HU33 e to me metendo na conversa pq eu sou desses u.u
      Então, caraaa um amigo assim que eu queria ter meu Deus *0* -qqq (que fosse gay…obvio!) ok, parei.
      Agora falando sério, por mais que meus pais aceitem e algumas amigas tbm, sei lá, eu me sinto sozinho tbm, solidão é algo que vem e rasga tudo dentro da gnt, sei lá, sinto falta de um ”melhor amigo gay” vamos dizer assim, ou até de um namorado. Meu melhor amigo é hétero e é homofobico ou seja, não posso ter conversas ”cabeça” com ele, pq ele é mto cabeça dura…aff! Meu irmão por sua vez é gay tambem, mas ele não mora comigo e não tenho muito contado com ele.
      Então sei lá, to sozinho nessa…eba, que emoção. Também não sou do tipo afeminado, curto um pouco de futebol, rock e por aí vai.
      Esse blog meio que me ajuda, pq vejo experiencias dos outros adolescentes e vejo que não sou o único que sofre com essas coisas.
      Enfim, estou torcendo para que você se acerte, que faça novas amizades e se precisar estarei aqui. u.u

      Segue meu e-mail se quiser conversar >< : matheus.almeida.96@hotmail.com

  8. Luis Augusto disse:

    Oi Enzo, tudo bem? Essa é a primeira vez que comento em um de seus posts e gostaria de dizer que admiro a sua forma de escrever. Em relação a minha auto-aceitação, ela foi muito rápida e natural. Desde os meus 11 anos de idade, aceito a minha homossexualidade; nunca tive vergonha ou repulsa em relação a isso.

    Hoje com 14 anos, já me assumi para os meus pais(exatamente hoje, faz 7 meses que sou assumido). Entretanto, infelizmente não tenho o apoio nem a compreensão deles. Eles adotaram uma postura de total indiferença ao fato de eu ser gay(posso afirmar que a indiferença machuca tanto quanto a rejeição). Em um e-mail que enviei para o MVG, ele me disse que meus pais ainda não reagiram de fato a minha sexualidade, que ainda estavam sentindo o choque. Então, seguindo essa lógica, parece que eles continuam até hoje, na cadeira elétrica.

    A primeira pessoa que contei sobre a minha orientação sexual foi um colega de classe, que não era nada íntimo meu, acho que contei porque estava sufocado. A reação negativa dele, me deixou muito triste. Contudo ,não me impediu de cometer esse erro mais duas vezes(acabei contando de novo para pessoas que não eram nem minhas amigas).

    Assim como o Fulano, tenho dificuldades sociais desde pequeno, sou muito tímido, considerado o “nerd” e também nunca beijei ou namorei ninguém. Só que tem um “ponto crítico” até agora não tive a capacidade de construir amizades. O que acaba contribuindo para que um sentimento de solidão tome conta de mim, ocasionalmente; mas o blog acaba se tornado um “amigo imaginário” para mim Beijos, tenha uma boa noite.

    1. Enzo disse:

      Nossa Luis, fiquei muito triste lendo seu comentário, se precisar de ajuda é só dizer! Vou deixar meu email, se quiser conversar.

      enzo_mvg@outlook.com

  9. W. disse:

    Ser adolescente é complicado, confuso. É como se todo dia fosse o ultimo dia. Queremos viver tudo intensamente, com expectativas de que é a melhor coisa que existe e vai durar pra sempre. Ou nos negamos, e sofremos sozinhos, achando que aquela dor é pra sempre. Mas não é. A vida não é dificil. Somo nós que complicamos ela. Me auto-aceitar bissexual foi complicadíssimo, pois eu me negava a dizer que era assim e tinha medo de ser a decepção dos meus pais. Mas depois tudo melhorou. Ainda não me assumi, mas não tenho mais medo que esse momento chegue. Dar o primeiro beijo foi a maior expectativa. Acha que seria uma sensação fora do comum. Algo arrebatador rs. Mas não é bem assim. Foi algo tão simples que quando acabou eu me perguntei: “É isso? Isso é beijar?” rs.

    Nada é pra sempre. O importante é viver um dia de cada vez e deixar que vida nos surpreenda. ;)

  10. J disse:

    Ate os 12 anos fui um garoto normal, jogava bola, brigava na escola, batia tazo, brincava na rua… Mas foi nessa fase que comecei a perceber que eu tinha atracao por homens, mesmo assim.continuei a viver normal como um piah comum. Apos os 15 anos a coisa comecou a pegar, passei a viver uns conflitos internos sobre como aceitar ou lutar contra o que sentia mais acumulado com a rebeldia da idade.

    No ensino medio tive uma gase ruim da vida todos meus amigos estavam comecando a namotar e transar e eu nao aceitava o que eu desejava, olhava os outros caras mas so os desejava em pensamento, nao tinha coragem de fazet nada e ficava me enganando e forcando a barra comigo mesmo para ser normal, nisso eu ficava e transava com as meninas da minha escola.

    Quando estava no final do terceiro ano me enchi daquilo tudo, chutei o balde e decidi que nao ia mais fingir quem eu sou! Sozinho sem contar para ninguem comecei a encarar meus problemas, enfrentar meus medosdos, acabar com ideias e besteitas que tinhha na cabeca sobre homossexualidade. Conheci um cara bem mais velho do que eu que acabou se tornando um confidente e um anjo na minha vida, muito do que eu sou, principalmente na questao de ser bem resolvido como.gay aprendi junto com ele.

    Depois disso passei ao.ataque e comecei a ter uma vida sexual ativa com homens.
    Q
    Hoje com 23 anoz vivo uma vida super normal, me considero feliz, sou assumido somente para meus pais ( eles me aceitatam e me respeitam pelo o que sou, com quem eu durmo ou deixo de dormir para eles e indigetente)

  11. J disse:

    Ate os 12 anos fui um garoto normal, jogava bola, brigava na escola, batia tazo, brincava na rua… Mas foi nessa fase que comecei a perceber que eu tinha atracao por homens, mesmo assim.continuei a viver normal como um piah comum. Apos os 15 anos a coisa comecou a pegar, passei a viver uns conflitos internos sobre como aceitar ou lutar contra o que sentia mais acumulado com a rebeldia da idade.

    No ensino medio tive uma gase ruim da vida todos meus amigos estavam comecando a namotar e transar e eu nao aceitava o que eu desejava, olhava os outros caras mas so os desejava em pensamento, nao tinha coragem de fazet nada e ficava me enganando e forcando a barra comigo mesmo para ser normal, nisso eu ficava e transava com as meninas da minha escola.

    Quando estava no final do terceiro ano me enchi daquilo tud, chutei o balde e decidi que nao ia mais fingir quem eu sou! Sozinho sem contar para ninguem comecei a encarar meus problemas, enfrentar meus medosdos, acabar com ideias e besteitas que tinhha na cabeca sobre homossexualidade. Conheci um cara bem mais velho do que eu que acabou se tornando um confidente e um anjo na minha vida, muito do que eu sou, principalmente na questao de ser bem resolvido como.gay aprendi junto com ele

    Depois disso passei ao.ataque e comecei a ter uma vida sexual ativa com homens.
    Q
    Hoje com 23 anoz vivo uma vida super normal, me considero feliz, sou assumido somente para meus pais ( eles me aceitatam e me respeitam pelo o que sou, com quem eu durmo ou deixo de dormir para eles e indigetente)

    1. J disse:

      Gente peco desculpas pelos erros grotescos de portugues meu pc deu pau e estou comentando do celular sacomeh neh! Rsrs

  12. alysants disse:

    ENZO Texto muito bom cara gostei mesmo, sempre acesso esse blog mas sei lá ficava sem jeito de comentar resolvi comentar nesse seu post!
    Bom minha adolescência foi quase igual em partes com oque que você cita no texto, exceto por eu não contar a ninguém amigos,família para todos eles sou hétero e qualquer coisa diferente disso não se passa pela cabeça deles pelo menos que eu saiba,também em partes por eu ter sido um pouco mais na minha tenho o jeito bem serio… resolvi esconder isso só pra mim enquanto descobria e mim descobria aos poucos nesse ‘novo mundo’, cheguei a namorar serio com uma garota por cerca de ano com medo que alguém pense algo diferente sobre mim. Enfim ainda não tive esse coragem para falar as pessoas que mas mim importam (só a elas devo essa satisfação) sobre quem eu realmente sou, admiro muito quem tem essa atitude e oportunidade, e principalmente acho que se nem eu to preparado em alguns pontos pra lidar com tudo isso, imagina eles então ainda não apareceu o momento certo.
    Apesar de já ter 19 anos a primeira pessoa que eu contei faz pouco tempo foi uma amiga do trabalho ela é lésbica(ela também levou um certo tempo até falar que era lésbica escondia até a namorada) então foi um pouco mais fácil mim abrir e conversar sobre isso,o estranho é que ela nem desconfiava e eu achando que por ela ser lésbica deveria ter percebido alguma coisa… até então eu havia tido contato a ponto de chegar e conversar numa boa com pessoas gays ou lésbicas… mais acabamos perdendo o contato então voltei a estaca zero de pessoas que sabe sobre mim!

    1. Enzo disse:

      alysants: se quiser conversar mais, manda um email
      enzo_mvg@outlook.com

  13. Brother, muito bacana o seu post e blog. Bom! Pouquíssimas pessoas sabem sobre a minha orientação sexual, primeiramente por que eu não sou do tipo que divulga isso e não levanto bandeira. O meu problema foi ter aberto para pessoas que eu não deveria. Penso que é um assunto muito cheio de tabu na nossa sociedade ainda e não é todo mundo que merece saber das nossas vidas através de nós mesmos. Dá uma força aí, tenho um blog de temática “gay no armário”.

    http://umuniversonoarmario.wordpress.com/

    1. Mais um blog para eu ler!

      1. Ahahah querido. Obrigado. Lerei o seu também.

  14. Ali disse:

    Que bacana esse clima confessional e de desabafo que rolou a partir desse texto ; )

    Se alguém quiser conversar e dividir ideias,aqui vai meu email:

    ali_maiesky@hotmail.com

    Qualquer coisa,conselhos etc…
    Estamos aí!kkkk
    Abraços!

  15. Luan disse:

    Sei que é um pouco tarde para postar meu comentário, mas como li o post só agora, aproveitarei esse momento para desabafar.
    Acredito que já apresentava indícios da minha homossexualidade desde a 1° infância. Tenho na memória lembranças de “brincadeiras” apimentadas que aconteciam com um amiguinho lá pelos meus 6, 7 anos. Claro que nessa fase ainda não entendia muito bem o desejo de fazer aquilo, mas já sabia que algo seria diferente.
    Até os 9 anos, tudo foi tranquilo, tinha muitos amigos e me dava muito bem com os meninos (mesmo já não fazendo aquelas brincadeiras, rs) até que algo se modificou em mim, a partir daí passei a me dar melhor com as meninas e me afastar cada vez mais do meninos, não praticava esportes e não me identificava com o comportamento infantil dos garotos, estava crescendo e as coisas já mudavam de rumo. Nessa fase comecei a sofrer bullying e todo tipo de tortura psicológica. Resultado, toda comunicação e felicidade, deram lugar a retração e agressividade.
    Com 10 anos, passei a viver no inverno, nessa época sofri com todo tipo de violência, por parte dos meus “colegas” de turma, xingamentos, tapas e ofensas fizeram parte de todo o meu ano. Não bastando o inverno na escola, acabei sofrendo com assédio de um vizinho enfermeiro que exibiu por várias vezes o seu órgão sexual, no intuito de me seduzir, acabei fazendo um escândalo e ameacei de contar tudo para meus pais, fazendo com que o mesmo nunca mais tentasse chegar perto de mim. Em meio ao total desespero fiz amizade com um menino 2 anos mais velho, que demostrava um comportamento afeminado. Ele passou a ser uma espécie de porto seguro pra mim, pois era o único que não me maltratava e que me ouvia. Nossa proximidade levou ao surgimento de comentários de que tínhamos um relacionamento, algo sem pé nem cabeça, com 10 anos nem sabia o significado de namorar, imagina namorar um garoto. A situação ficou insuportável, já não aquentava mais sofrer daquele maneira, por isso, fui trocado de escola. O pior foi que perdi a única pessoa que me entendia.
    Na nova escola, já com 11 anos, sofri ainda mais e acabei tendo que adotar um comportamento agressivo para sobreviver. Não consegui fazer amizades e acabei tendo que me adaptar com aquela realidade onde qualquer diferença seria vista negativamente. Com isso, acabei dando meu 1° beijo, em uma garota, na frente de todo mundo para me livrar do rótulo de “veadinho” que começava a surgir.
    Mesmo com a pressão diária, o desejo começou a surgir. Os garotos da escola começaram a chamar minha atenção, os personagens da TV cada vez mais me interessavam. Nesse meio tempo comecei a consumir pornografia e na cabeça só pensava em sexo. Com 13/14 anos, já entendia que meu desejo era total por homens, com medo da desaprovação e do desprezo, me fechei e passei a sofrer cada vez mais. Pra piorar a situação o preconceito começou a tomar forma novamente, estava em uma turma nova e os rumores de que eu era gay só aumentava cada vez mais, o que levava muitos a me maltratar, como já não tinha mais força acabava fingindo que não era comigo e ia vivendo do jeito que dava, até que o Ensino Fundamental acabou e iniciei uma nova fase na minha vida.
    No 1° ano do Ensino Médio, fui estudar em uma escola onde a abordagem artística era muito forte e vivi o momento mais feliz da minha vida, fiz muitos amigos, especialmente homens, e tive paz finalmente. Já com15 anos, confirmei pra mim mesmo que era gay e que aquilo não atrapalharia minha vida. Foi o ano onde pude me comportar naturalmente, sem me preocupar com nada, fiz teatro, cantei e dancei, sem que ninguém olha-se feio pra mim. Mas como nem tudo são flores, acabei tendo que mudar de escola no 2° ano, em 2010, acabei parando em uma escola tradicional e cheia de preceitos e preconceitos.
    Na escola nova fui indagado sobre minha sexualidade durante a 1° aula do ano letivo, neguei ser gay, mas não passei tanta credibilidade assim. Fui pauta de vários assuntos ao longo de semanas, até que comecei a desenvolver uma amizade com garota um ano mais velha, eu tinha 16 e ela 17, passamos a ser mega íntimos e logo ficamos amigos, não demorou muito ela se apaixonou por mim, eu queria ser apenas amigo, mas ela queria mais. A consequência foi que todos passaram a falar que a gente estava namorando, eu tentava fugir, mas não adiantava, cada vez mais ela se aproximava e me provocava. Foi ai que senti algumas dúvidas sobre minha condição e me permiti ficar com ela. Acabamos namorando durante 1 ano, inclusive perdi minha virgindade com ela. Prestes a fazer 18 anos, em 2011, acabei tendo a certeza de que meu negócio era homem e acabei terminando o namoro, que já não me fazia mais bem, me sentia muito culpado em enganar a pessoa que mais me mostrou sentimento ao longo te todo esse tempo. Ela foi a primeira pessoa a saber da minha condição e vai fazer 2 anos que ela não fala comigo (tenho muita saudade da amizade dela, quero muito conversar com ela um dia).
    Acabei entrando na faculdade no ano passado, 2012, conheci muita gente, mas não fiz nenhum amigo que valesse a pena comentar sobre minha homossexualidade. Tive minha primeira relação homo no fim do ano passado, atualmente venho conhecendo algumas pessoas. Contei, agora no início desse ano, 2013, para duas amigas, através do facebook que sou gay, ambas lidaram bem com a situação, mas por mais que tentassem, não conseguirá me passar a segurança que precisava naquele momento. Tenho conversado com alguns caras também gays, mas ainda não tenho aquele amigo confidente, muitos dos que eu conheço querem amizade colorida, mas não é o meu foco. Queria um amigo e só!
    Daqui a 48 dias completo 20 anos, e estou aprendendo a cada dia a lidar melhor comigo mesmo e com os outros em relação a minha condição.
    Se tiver afim de conversar pode mandar um email para: sbrnmachado541@gmail.com
    Um grande abraço a todos e obrigado pelo espaço!
    Att,
    Luan

  16. Kell disse:

    Nossa! parece que voce descreveu a minha vida nessse texto, ser gay realmente não eh facil, eu tenho 15 anos, nao sou assumido e tambem nao pretendo me assumir nem tao cedo, tenho mtt medo do que pode acontecer, como eles irao reagir e por isso ainda nao me assumi, eu nunca beijei na boca, nunca tive uma experiencia sexual na vida mas quando tiver, espero q seja com alguem especial….

  17. Thiago disse:

    Eu tenho 13 anos , moro com meus pais e meu irmão … A familia do meu pai é totalmente homofóbica . Minha tia (de parte de pai) ja se meteu muito em minha vida por causa disso , ela chegou a me ameaçar e dizee coisas do tipo ” você vai ser a vergonha da familia … Minha mae ja aceitaria com mais facilidade , mas eu me sinto triste por não tem amigos para contar meus problemas , penso coisas do tipo. ” eu nao quero me assumir para minha familia nao ter vergonha de mim , se afastar ,.nao me aceitar ” , e eu ja tive muitos ficantes mas nada sério , quando vou sair minha mae pergunta pra onde vou e eu minto , queria poder dizer a verdade mas tenho medo da reaçao deles . .e aqui em casa meu tio mora tambem , e ele sempre me ajuda quando preciso , e eu queria saber ele é gay , porque ele nunca teve namoradas , sempre dá saidas sem explicaçao , além disso ele tem 22 anos e eu só penso nele :/ Meu ex-melhor amigo quer descobrir se sou gay pra colocr a boca no trombone , ta tudo muito difícil :/

  18. Patrick disse:

    É muito difícil ser gay e adolescente ao mesmo tempo, são turbilhões de sentimentos passando por você e vários amores da sua vida que você inventa e tantas incertezas, e olhe que a maior parte da minha adolescência eu passei triste, sozinho e me isolando de tudo e todos, e eu só tenho 16 anos. Só 5 pessoas sabem que eu sou gay, três delas souberam por acidente e uma delas é meu ex melhor amigo
    e depois que ele soube que eu gostava
    dele nada foi igual. Se alguém quiser falar comigo me manda um e-mail patrick_.winchester@hotmail.com

  19. Beltrano disse:

    Bem, sou gay tenho 15 anos, me aceito, mas não sou assumido, em junho do ano passado com 14 anos contei para minha mãe que sou gay, foi o dia mais difícil e emocionante da minha vida, ela disse que me aceitaria do jeito que eu fosse, só pediu para não contar pro meu pai que é homofóbico, ele teria um infarto, pois um dos seus maiores temores é ter um filho “viado”, e eu pensando que depois da nossa conversa , eu e minha mãe conversariamos mais sobre o assunto né, mas não isso não aconteceu, ás vezes parece que que toda a nossa conversa nunca aconteceu, tipo ela sabe que sou gay mas finge não saber. Estou pensando em me assumir ano que vem com 16 anos e no 1¤ ano do Ensino Médio.

  20. Beltrano disse:

    Meu pai acha que todo gay é afeminado, que quer ser mulher, falar como mulher, se vestir como mulher, (nada contra os afeminados) mas eu não sou assim, sou um homem de 15 anos que gosta de outros homens. O fato de eu ser gay não mudará meu caráter nem meu jeito de agir e pensar. Será que é tão difícil para eles aceitar isso?

  21. lu disse:

    tenho 16 anos e desde que nasci tenho uma educação religiosa, meus sao evangelicos a muito tempo são otimas pessoas, me divirto muito com meus amigos, estudo, mas mesmo assim sou uma pessoa muito triste por dentro, acho que to com depressão, e muito dificil as vezes eu choro muito, so queria alguem, ta pior a cada dia, não to mais sabendo lidar

  22. Matheeus disse:

    Eu tenho 17 anos, me aceito e contei pro meus pais… Eles levaram super na boa o que me surpreendeu muito. Alguns amigos meus sabem e me apoiam mas mesmo assim me sinto mega sozinho…tipo, demais.
    Sinto falta de ter um namorado perto de mim e tudo mais e tive o azar de gostar de garotos héteros também. O resto da minha família é toda homofobica entao eles fazem piadinhas ridículas e eu me sinto um lixo, um nada. Isso tudo meio que causou um turbilhão de coisas na minha cabeça, sinto uma dor enorme por estar sozinho (em termos amorosos), já cheguei a me cortar até minha mãe descobrir e falar muito. Eu realmente não sei lidar com carencia / solidão…

  23. João Vitor disse:

    Desde os 9 anos meus colegas da escola me perguntavam se eu era gay, eu sempre dizia que não, enfim eu nem sei sabia o que eu sentia direito e já bombardeado com essa pergunta, foi só questão de tempo até eu começar a ter atração por meninos e eu já pensava que eu preferia passar minha vida sozinho do que com um homem, e foi depois disso que eu desenvolvido uma vontande de saber mais sobre o que eu estava sentindo, já compreendia o que era ser gay e que eu era, e sempre me perguntavam a mesma coisa e respondia que não, mas quando eu completei 14 , depois de muita pesquisa e muito esclaricimento , eu decidi falar para uma amiga e obvio que eu falei que era bi achando que isso me tornaria melhor que gay, e foi ai que eu meio que sai do armário pelo menos na escola, e eu comecei a pesquisar sobre contos gay, e eu achei muito deles, e a maioria dos que eu lia era sobre amor entre colegas de classe e eu
    fantasiava sobre isso, e fantasiava tanto que quando eu um colega me
    fez um comentário dizendo que seu eu fosse mulher, namoraria comigo eu me apaixonei perdidamente por ele e eu resolvi contar pra todos isso,
    eu fantasiava muito cara, eu viajava muito na maionese por ele, e por muito tempo eu pensava que ele gostava de mim e apesar de noutro ano a gente não estava na mesma sala eu aindava gostava, e achava que mudando meu cabelo poderia chamar a atenção dele, e até sofri porque eu descobri que ele era afim de uma colega minha, mas mesmo assim não parava de pensar nele. Em 2012, eu já sabia que em ano seria da turma dele e pensava que devia emagrecer pra mostrar o que ele tinha perdido( hahaha não acredito que eu tou dizendo isso). E nesse ano eu percebi que ele tinha mudado
    e que eu já estava maduro o bastante pra perceber que ele era hetero e que eu vivi uma fantasia ridícula por quase 3 anos, e hoje eu estou maduro para dizer que eu não me arrependo disso pq se não fosse ele ia ser outro enfim, eu aprendi muito com isso. Eu espero que alguem que esteja passando por isso, perceba o que está fazendo, por favor não leia contos gays, eles me deram falsas esperanças, e esse foi só uma parte do meu drama adolescente, existem outras mas essa daqui eu acho que essa vai ajudar mas que as outras. E hj com 17 anos, estou bem terminando o ensino médio , e indo para faculdade
    não me dando falsas esperanças .

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