Nos perderemos entre monstros da nossa própria criação

Jairo Bouer, Renato Russo, meninos e meninas

O amigo e colaborador Fernando Lima mandou por esses dias um e-mail sobre uma nota do psicólogo Jairo Bouer em sua coluna no Estadão. A conversa foi a seguinte:

E-mail de Fernando Lima:

Oi MVG,

Espero que esteja tudo bem com você.

Segue artigo do Jairo Bouer, que saiu ontem no Estado, sobre a reação dos adolescentes ao filme sobre Renato Russo.

Gostaria de saber a sua opinião.

Abraços,

Fernando Lima

Vale ler o artigo para entender o contexto das minhas colocações abaixo. Jairo Bouer fala sobre sua percepção diante jovens dentro do cinema, enquanto assistiam o filme “Somos tão Jovens”, da vida de Renato Russo momentos antes da grande estreia do Legião Urbana no Circo Voador. Os meninos reagem de maneira decepcionada ao descobrirem que o Renato era “mais gay do que heterossexual”.

Download da matéria:

Jairo Bouer fala sobre a percepção dos jovens diante o filme “Somos tão Jovens”

Pensamentos de MVG sobre o artigo:

“Nos perderemos entre monstros da nossa própria criação”.

Oi Fernando!
Bom ter notícias suas.

Li a reportagem e assisti o filme. Curioso que meu namorado saiu do cinema dizendo: “as novas gerações andam perdidas. Naquele tempo o jovem tinha mais propósito”. Ouvi isso de alguém com 29 anos e confesso ter gostado. Deu um leve lustre no meu ego rs.

Achei o texto do Jairo Bouer meio “fraco”. Na realidade, um jovem com 15 ou 16 anos e heterossexual pode se decepcionar por seu ídolo ser gay. Por que não? Nessa fase queremos uma indentificação plena, sem ruídos. Acho que por isso me afeiçoei pelo Elton desde os 12 anos. Não teria erro rs.

Estamos vivendo uma fase de muita exaltação ao gay e, assim, os valores se misturam. Estamos num momento que tudo vira motivo para sugerir que fulano pode ser homofóbico ou retrógrado. (Acho que também por isso dei uma sossegada com o blog). Vivemos um momento de um certo ufanismo gay que anda me dando uma preguiça!

Fiz questão de entender o Feliciano e não julgá-lo pelo óbvio. Vi algumas diversas entrevistas e ele não exagera somente com o gay. É com o gay, com o negro, com os tipos de entretenimentos que considera prejudiciais no processo de educação, sexo antes do casamento e assim por diante. Um verdadeiro quadradão de todos os lados, um caixote de papel não reciclado! Mas o tomaram por definição, se fez o bode expiatório e agora o infeliz Feliciano é um mártir do movimento, ou do movimento que é contra.

Realmente é importante ter cautela hoje para avaliar as críticas sob a temática gay VS. hétero. Os holofotes estão muito acesos para o nosso lado e está consolidado um tipo de movimento artístico pró-gay que impulsiona mais a onda. Só que junto, vem também a sujeira do ufanismo, do oportunismo e do falso idealismo. Sujeira de “ismos”, por assim dizer.

Se eu já achava que ser gay era só um detalhe e faz alguns anos que nem lembro mais que sou gay, periga de me tornar um gay homofóbico diante uma luz sob mim que não quero receber! Rs Já pensou um novo rótulo social: gay homofóbico? As amigas passarão horas no divã para tentar entender! Rs

“Dá para me deixar de canto sem precisar me fazer lembrar que sou gay?”

Era mais simples o Jairo Bouer ter assumido sua homossexualidade no textículo, ao invés de projetar sua homo-insatisfação na postura de um punhado de meninos que nem tem a sexualidade definida ainda, chateados com as predileções (ou orientações) de um símbolo idealizado.

A sociedade criou seus monstros-gays de certa forma, assim como cria diversos outros monstros e nisso, e para variar, o Renato Russo tem razão. Agora, confesso que preciso de um tempo para respirar porque não me identifico em nada com essa maré! Rs Eu também não sei mais quando é capciosa a vontade de empurrar o gay para o mainstream ou quando o título de homofobia tem fundamento.

O que acha?

Forte abraço e devo postar essa troca de e-mails no blog.

Abro a pergunta aos leitores do MVG: o que vocês acham de tudo isso e mais um pouco?

4 comentários Adicione o seu

  1. Ler o artigo me deixou put* da vida.
    Não sei, não consigo explicar, mas imaginar a cena de aborrescentes comentando coisas assim me dão um ódio, uma raiva imensa.

    Já comentei o que eu acho sobre essa necessidade de se Autoafirmar no meu blog, e venho mais uma vez dizer: Não dá mano, eu não tenho paciência para pessoas que se autoafirmam exageradamente. Principalmente com héteros que fazem comentários como esse, pois ferem todos os meus conceitos (Apoio bastante as ideologias feministas, e comentários como esse só vai contra o que eu acredito).

    Não sei se aguentaria ficar nessa sala de cinema a ouvir comentários como esses. Talvez a pura energia de minha jovialidade me fizesse levantar e reclamar a todos que pelo menos ficassem calados, pois estão em uma sala de cinema, mas óbvio, seria anti-ético.
    O máximo que poderia fazer era sair daquela sala “P” da vida (e já estou “P” da vida só por saber da existência de atos assim).

    Acredito que as pessoas que fossem assistir ao filme devessem ter a consciência de que Renato Russo era gay! (Ou foram assistir por pura modinha, e já disse que odeio isso… Por isso que até agora não fui assistir, prefiro assistir Cazuza mesmo).

    E qual o problema de Renato Manfredini Júnior ser gay? Ser gay o faz ser menos Renato Russo? Tudo bem que algumas de suas letras (Daniel na Cova dos Leões) afirmavam isso, mas talvez essa intimidade de Renato só o fizesse ser mais Renato Russo e não menos.

    Bom, independente dos comentários ditos (Renato deve estar se remexendo no túmulo, ou não xD), gosto de Legião Urbana por suas letras, não por Renato ser gay (Faz parte também né? Assim como Cazuza, Fredy Mercury, etc xD).

    Infelizmente tenho certos momentos de extremismo intenso, mas é uma coisa minha, não consigo aceitar atitudes como essas. É nesses momentos que até concordo que ” a nova geração está perdida”.

    Mas voltando ao meu estado normal (não posso deixar que minha “extremidade” tome conta de mim, pois considero isso muita imaturidade), ainda não assisti ao filme (Provavelmente a mãe vai querer me levar para assistir, e eu vou) então não tenho o que comentar sobre ele. Mas as partes em que ele diz pra amiga dele que é gay e que tem uma paixão pelo integrante da banda, me tirarão um grande sorriso de identificação.

    Abraços do CR!!

  2. Luis Augusto disse:

    Em relação ao comportamento dos adolescentes no cinema, não fiquei surpreso. Eles estão numa fase em que a maioria sente uma necessidade imensa, de se autoafirmar como heterossexuais. E também porque o preconceito está tão enraizado na nossa sociedade, que atitudes como essa, fazem parte do nosso cotidiano (o diferente seria a aceitação plena).

    Acredito que a discriminação e o preconceito ainda estão em patamares altos, a diferença significativa entre antigamente e hoje; é que a intensidade foi reduzida. Porque vivemos em um momento histórico do “politicamente correto”.

    Assim como você, percebo que agora há muitos holofotes voltados aos gays. Nunca antes tivemos tanto visibilidade na mídia. O que acaba atraindo políticos oportunistas e falsos ativistas, em busca de dinheiro e poder. Contribuindo, para que ao mesmo tempo sejamos a sujeira da humanidade para alguns e a demonstração da diversidade para outros.

    Para finalizar gostaria de falar que adoro o seu blog e fazer uma pergunta: Porque você acha que poderá ser rotulado como um gay homofóbico? Beijos e bom dia!

    1. minhavidagay disse:

      rs… oi LA!

      O termo “gay homofóbico” foi apenas uma ironia. Mas não acho que vá demorar muito para pintar por aí nos jornais populares uma notícia: “Gay homofóbico agride casal homossexual na rua”. Formamos guetos, segmentos de segmentos e, infelizmente, a diversidade dentro da diversidade nem sempre é bem vista. Existe sim uma antipatia pelos estilos diferentes. Numa situação de “hiper-ego” VS. “hiper-ego” pode acontecer uns tabefes por aí.

      Bjo e boa semana,
      MVG

  3. Julio disse:

    Gente existem gays homofobicos sim! Eu conheco um e sei que tem mais espalhados por esse Brasil. Meu gaydar funciona superbem, esse cara sempre ficava falando coisas contra gays. Mas minha intuicao falava outra que ele gsta d homens. Como ja o conhecia a algum tempo, falei: sou gay etc… Pra que? Fiquei chocado! Um belo dia veio a minha casa, ficamos conversando, ate que me fez a revelacao q tinha ficado com homens. Ate ae tudo bem, ficamos batendo papo, meu gaydar funcionou kkk.. Sabe do nada ele comecou a dah emcima d mim, tentou me abrcar e bjar, e falei NAO p ele, tive o prazer d falar nao. Ate ouvi um “por favor” dele e novamente disse nao! Hj essa “pessoa” vive andando d maos dadas com sua namorada, desfilando, é batizado, é evangelico. Q lindo neh? Axo ridiculo esse kra. Pra mim ele é gay ate na alma, mas nao se aceita. Tenho alguns amigos q ja ouviu ele fazer comentarios homofobicos recentemente… A sociedade é falsa!

Deixe uma resposta