Homens heterossexuais, que coisa…


Faz alguns anos que não tenho frequentado o meio gay. E esse início pode ser repeteco para aqueles que costumam acompanhar o Blog MVG. O que não quer dizer que não trouxe para minha vida amizades gays, daquelas que não se interferem no meu namoro e que não precisam falar de assuntos da patotinha. Esses amigos, fora a semelhança por serem gays, têm inúmeras outras preocupações e questões na vida, vida “normal” da preocupação com a grana, um trabalho, estudo, namoro, questões existenciais como indivíduos e assim vai, no ritmo de qualquer pessoa.

Nesse contexto, sou mais um qualquer e isso me faz bem. Amanhã mesmo vou até a casa de um desses amigos, junto com meu namorado. Ajudarei a instalar o Time Capsule na infra que está montando em seu futuro escritório home office. Darei dicas e uma consultoria informal sobre marca, nome de empresa, modelo de gestão e negócios, minha praia há 12 anos. Somos gays e isso, hoje, é uma diminuta ocorrência.

Minha vida não tem sido voltada para o mundo heterossexual ou homossexual, esse último, como alguns leitores já sabem. Não transito em questões de sexualidade com meu namorado, nem com seus amigos, nem com seus pais, irmã ou parentes. Quando estou com meus amigos, gays ou heterossexuais ou com meus pais é a mesma coisa: minha sexualidade não é mais assunto faz alguns anos e bem recentemente, papai que ainda tinha barreiras, se motivou a ir todos juntos à festa de aniversário da minha cunhada. Assim, ele, minha mãe, meu namorado e eu fomos todos no meu carro. Tudo tranquilo, sem ansiedade, sem nada, sem tudo. Normal.

Tão focado estou nos planos e estratégias do trabalho que, como costumo brincar, minha equipe e meus sócios são assexuados.

Mas não pude deixar de notar com curiosidade que um amigo, homem heterossexual de 29 anos, oferece um caso interessante. Não sei ao certo se isso é modelo de homem heterossexual sabendo que existe muito mais de um modelo para tudo ou quase tudo nesse mundo.

Faz pouco tempo que ele terminou um namoro. Pouco, talvez um ano e meio. O namoro também foi bem curto, os mesmos um ano e meio. Terminou e “tocou o terror, mano” como costuma dizer. “As mina tão todas dadas e é fácil de transar na primeira noite”. E, mesmo com seus 29 anos, esses eram os tipos de assuntos que sempre gostou de auto-afirmar nas horas mais descontraídas em nossos encontros.

Foi assim durante meses, num trânsito frenético de mulheres. Era uma na sexta, uma no sábado e outra no domingo e tinha um cardápio inteiro para a semana, se precisasse.

O assunto foi nessa linha durante meses. E eu, meio abestalhado, as vezes lembrava que fiz a mesma coisa em algumas fases da minha vida. Outras, esquecia que fui assim e ficava meio assustado pela necessidade de precisar dizer tanto, comentar tanto e “se achar” tanto por tanta buceta! Até aí, vá bem, homem gay também é cheio de querer por alguém na fila e depois tirar da fila.

Mas o interessante, e acho que é o que difere de mim (e não sei se porque gay faz um pouco diferente do hétero, mas estou considerando que sim) é que ele sempre deixou uma brecha com a ex-namorada e vice-versa. No meio do bololô de tetas, as dela as vezes estavam presentes, ora numa intenção de retorno, ora numa intenção da auto-afirmação apenas, namorico.

Entre noites frenéticas nas cavernas úmidas, as vezes se encontravam para viver um tipo de resquícios de namoro. As vezes não podiam mais estar juntos porque a coisa parecia não dar certo com convicção e, assim, meu camarada-meio-irmão seguia sua vida de “machinho” contabilizando as moças dadas.

Duas semanas atrás, voltávamos de carro de qualquer lugar e puxei o assunto da vida pessoal. Falou dos encontros, das atitudes na balada, da revelação com uma nova oportunidade diferente das “tranqueiras” e de que, com a ex, definitivamente não havia mais esperança.

Hoje, num papo com amigos em comum, soube que ele estava namorando novamente. Até brinquei: “Está bem. Vou acreditar nisso daqui há três meses se ainda estiver assim”.

Os amigos completam: “Pois é, ele voltou com a ex”.

Na hora pensei: “CATSO”. E naquele breve instante minha mente formou um monte de pensamentos, amarrando a heterossexualidade com essas posturas que, a mim, tem a ver com baixa auto estima. Vieram minhas reflexões em silêncio: “Meu amigo transitou anos no meio de dezenas de ‘novas’ mulheres e não colheu ninguém interessante?! Como isso é possível? E aquela que ele disse que era diferente? E como pode voltar com alguém que ele fez questão de dizer que não servia para ele?”

E outra: “Essa relação com a ex-namorada na fase solteira, meio que de coito interrompido, punhetinha com dois dedos, acabou virando namoro de novo?! CATSO, de novo!”

E mais: “Como pode? Como presta? Como uma mulher se permite a isso? Como um homem consegue fazer assim?”.

Pensei comigo que a mulher reclama do homem, mas é troxa! Mas meu amigo também está no mesmo saco, de voltar com alguém que nunca foi suficiente… talvez ele não fosse suficiente?

No final, nesse período auto afirmou sua masculinidade, macheza e potência de pegador. O assunto foi esse durante UM ANO E MEIO. Mas no final, parece que optou pelo prato morno. Não repudio, apesar de ter achado ultra estranho quando soube do retorno. Mas também não me identifico em nada…

Se isso é coisa de homem hétero, do tal de “H” maiúsculo, sou mais macho que muito homem!

“Coito interrompido. Punhetinha com dois dedos”.

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