Minha Vida Gay – Entrevista sem compromisso


A “FP And”, escritora aspirante, entrou em contato e me enviou um questionário, do tipo entrevista. Achei interessante compartilhar suas dúvidas íntimas que as vezes vai “a fundo” nas questões do sexo entre gays.

Olá!

Finalmente consegui elaborar minhas questões…

Antes de qualquer coisa, quero te lembrar que sou uma pseudo-escritora e que minhas questões “técnicas” se devem a querer que minhas estórias sejam as mais realistas possíveis. Acredito que você saiba que o gênero de histórias Yaoi é muito popular entre garotas e até mesmo alguns garotos.

Algumas das dúvidas que tenho foram geradas por garotos que escrevem esse tipo de estória. É de se esperar que eles saibam do que estão falando, mas, ou são virgens ainda, ou péssimos escritores sem imaginação, ou eu estou complemente equivocada em algumas crenças…

Bom, parando com a enrolação, o objetivo aqui é te enviar minhas dúvidas, então, vamos a elas:

1 – O prazer que um passivo sente pode ser considerado maior? (Essa pergunta se deve ao fato de poder ser estimulado, tanto pela próstata como masturbando-se durante a relação sexual).

MVG: Pergunta curiosa a sua! Fisiologicamente o prazer anal e no pênis são reais. Mas não diria que o gay passivo tenha um prazer maior. Existem passivos que não ficam com o pênis ereto, por exemplo. E mais do que isso, a “quantidade” de prazer é muito relativa, tudo fruto não propriamente da parte fisiológica, do estímulos nervosos em si, mas das questões psicológicas que há por trás de uma relação sexual que, na maioria das vezes, seja em homens ou mulheres, tem uma influência importante.

Assim, não acredito que o prazer de um gay passivo seja maior do que um gay ativo. Depende de muitas outras variáveis da cabeça, do imaginário, das pessoas envolvidas e das situações do que somente da parte física.

2 –  Durante a penetração anal, o prazer do estímulo à próstata é constante? (Dúvida gerada ao ver vídeos em que a maioria dos passivos sequer mantém uma ereção sem estímulo direto ao pênis).

MVG: Creio que dependa totalmente de cada pessoa, de cada momento e de cada situação. Seria mais ou menos como a sua vagina: você tem sempre o mesmo nível de prazer? É algo constante na transa ou depende de inúmeras outras questões relacionadas ao seu dia, a como está a sua cabeça e quem é o parceiro? A mim, me parece a mesma coisa. Falo por experiência própria e por atualmente ser ativo/passivo (ou flex,  jargão conhecido no meio). Já fui muito ativo na maioria das relações. Não faz muito tempo atrás que descobri os prazeres da passividade, mas não digo que seja melhor ou pior, nem que seja constante durante todo o ato e todas as vezes.

3 –  De um a dez, sendo “1” o prazer apenas em satisfazer o companheiro e “10” o prazer que te faz chegar ao orgasmo, avalie a diferenciação de prazer entre ser penetrado e penetrar. (Sei que é uma questão genérica, e que isso pode variar de pessoa para pessoa, mas o que quero é realmente uma resposta genérica, mesmo sendo uma avaliação pessoal. E não, isso não é para saber se você prefere ser passivo ou ativo, ok?).

MVG: Não digo que sua pergunta seja genérica, mas sim, que varia muito até com o mesmo parceiro. E outra, ser penetrado não tem associação direta com satisfazer o parceiro. Chegar ao orgasmo não tem relação direta em penetrar. E assim, também vice-versa. Você pode querer satisfazer o parceiro penentrando ou penetrado. Você pode querer chegar no prazer do orgasmo penetrado ou penetrando. E, simplesmente, você pode querer os dois: satisfazer o parceiro e também chegar ao orgasmo. Acredito que a construção da sua terceira pergunta não funcione pois, talvez, essa dualidade seja mais frequente ou imposta na cultura heterossexual tradicional.

4 –  Já ouvi muito falar no “orgasmo seco” que a penetração anal pode proporcionar. Minha dúvida é: com que frequência isso pode ocorrer? (Mais uma vez, uma pergunta que é para ser genérica e a resposta pode ser em porcentagem se preferir).

MVG: A mim, na maioria das vezes isso acontece ao acaso e – pala falar a verdade – nem considero isso o suprassumo do orgasmo. Talvez essa impressão, de que o “orgasmo seco” é algo incrível esteja mais associado ao imaginário da mulher ou do gay que se identifica com a cultura / sensorial feminino(a) do que uma realidade. Nesse ponto 4 e não sei se mais para frente você vai levantar a questão, existem homens gays que se identificam mais com a figura feminina e outros mais com a figura masculina. Existem gays que se identificam com hábitos e cultura da mulher e outros com de homens. E isso “aflora” nos homossexuais de maneiras bastante diferentes, variadas e sutis, que não somente quando um gay é afeminado ou masculinizado, quando isso parece óbvio.

Em outras palavras, e sobre o orgasmo seco, não dá para medir assim. Eu diria que isso é tão normal e nada supervalorizado quando acontece. Outro gay pode achar isso uma maravilha, do tipo: “meu, com fulano aconteceu isso pela primeira vez na minha vida! Que incrível!” – como se esse tipo de orgasmo colocasse a relação num patamar diferenciado.

5 – Quando se penetra os dedos no ânus, pode-se sentir algo diferente, como uma saliência, ou mesmo textura, na próstata? (Posso estar errada, mas por alguma razão eu imagino que isso ocorra, mas quando a pessoa está excitada… Isso, é claro, no caso de leigos, não de médicos ao fazer o exame de toque!).

MVG: Bem, acho que você respondeu a questão! rs. Teria que ser um médico para perceber essas diferenças fisiológicas ou alguém que quissesse entender os efeitos físicos de excitação na próstata para responder essa pergunta! Não faço muita ideia se percebe-se uma diferença…

6 – A tal “limpeza anal” que é feita com a mangueira do chuveiro ou mesmo alguns outros métodos (que eu particularmente achei melhor não experimentar quando me foram sugeridos por amigos homossexuais) é prática comum ou hoje em dia apenas manter-se em dia, digamos, com a “evacuação” é mais normal? (Sei que a prática do “chuveirinho” é considerada não muito saudável).

MVG: A “chuca” nome popular para a tal limpeza com o chuveirinho não é uma prática tão comum assim. Minto, quem frequenta o meio e convive bastante com os gays, fica sabendo dessa “cultura” de limpeza pois vira assunto popular. Mas a tal limpeza colabora apenas para não ter contato com restos de fezes ou com odores mais fortes pois, de fato, não acaba com as inúmeras bactérias da região! Em outras palavras, é popular no meio sim, mas nem todos praticam.

7 – Qual a probabilidade de se (pergunta nojenta, eu sei, mas é necessária, acredite!) ter um “acidente” durante a penetração após um “jantar romântico”? (Pergunto isso por que já vi histórias em que havia a relação nessas circunstâncias. Eu, particularmente, não arriscaria!). Aproveitando essa questão, uma vez um amigo me aconselhou a não me alimentar, após fazer a “limpeza” e antes do sexo anal. Geralmente se toma esse tipo de cuidado?

MVG: Que absurdo! (RISOS). Então tem gente que deixa de se alimentar para não potencializar estragos? Essa é nova para mim e me parece falta de cultura! Estou para ver alguém cuja digestão é tão rápida assim a ponto de melar a transa depois de um jantar romântico!

Como você deve ter lido pelo blog, já namorei algumas vezes, namoros relativamente longos e, assim, transei algumas centenas de vezes (rs). Tive problema apenas uma vez, com um ex que inclusive era vegetariano. Ou seja, você pode comer 350 gramas de picanha e não ter problema nenhum e comer palmito e fazer um estrago. Cada organismo reage de um jeito e, pelo menos com meus amigos ou namorados, esse tipo de assunto nunca veio a mesa!

Tive conhecimento apenas de um caso que, na situação, melou a coisa. O resultado foi gente correndo para o banheiro! (RISOS).

8 –  Mais uma pergunta que pode parecer nojenta, mas é uma coisa comum em histórias, descrever-se o sêmen escorrendo pelas pernas após o fim da relação (como se isso fosse uma coisa sensual, mas enfim…). Pelo que me lembre, das vezes em que fiz, isso não ocorreu (eu sei, deveria ter usado camisinha!), pois consegui segurar muito bem. A questão é: depois de um tempo, “a coisa fica frouxa”?

MVG: Com que tipo de amigo você anda se relacionando? (RISOS). Não soube até hoje de gozo escorrendo pelas pernas. Por acaso esse mesmo amigo da chuca é o do sêmen que escorre? Talvez seja por isso que ele se preocupa tanto com o chuveirinho! (RISOS). Desculpe a brincadeira, mas apesar da pesquisa parecer ter uma proposta séria, todos os relatos que você obteve me parecem bem longe da minha realidade… (ou melhor e pensando bem, qual o problema de um acidente desse acontecer?).

9 –  A pergunta anterior me leva naturalmente a esta: me foi dito, uma vez, que se a relação anal é realizada com frequência, o corpo se acostuma e que fica muito mais fácil se for, por exemplo, praticada toda semana, e que depois de um determinado período de tempo, volta-se à “estaca zero”. Já em outra ocasião, insinuaram que depois da primeira, é sempre mais fácil, como se se “perdesse a virgindade”. Lembro-me que da última vez em que pratiquei, fiquei muito espantada por quase não sentir dor, apesar de já não fazer há bastante tempo. Imaginei que fosse devido à excitação e à vontade que eu estava de fazer aquilo… Qual é a realidade disso? Sempre sente-se algum tipo de dor, independente da frequência com que se pratica?

MVG: Novamente não existe um padrão. Mas quando sou penetrado mais frequentemente, me parece ser mais fácil sim. Mas tem vezes, dependendo do nível de stress, cansaço ou indisposição que não funciona bem mesmo depois de uma frequência. Mas vai por mim: não existe um padrão. Existe uma cultura exibicionista de algumas pessoas se qualificarem como “passivos natos” e ter algum tipo de status – em seus imaginários – por serem assim.

10 – Bem, eu creio que já coloquei quase todas as minhas dúvidas acima, mas como sou chata, vou completar 10 perguntas (rsrs). O prazer que se sente ao ser passivo, também tem uma conotação de dominação? Explico: no meu caso, quando fiz anal, muito do prazer que senti foi por uma espécie de entrega completa e satisfazer a pessoa que estava comigo (afinal de contas, mesmo sendo prazeroso, uma mulher não tem próstata para ser estimulada…), então muito daquele prazer era psicológico. (Creio que consegui me explicar, não?). E no caso do ativo, existe algo do tipo? (Por exemplo: “nossa, essa pessoa aqui comigo, totalmente entregue a mim!”. Sei que pode parecer uma questão estranha, mas enfim…)

MVG: Pois é, querida, o que vejo é uma mistura entre o que é ser homem e mulher na fisiologia e o que existe numa cultura, sobre a figura/papel feminino e figura/papel masculino no modelo de sociedade. Para conseguirmos tentar adquirir uma clareza maior seria ideal separar os valores. Existem ativos que se acham dominantes e passivos que se acham também. Existem gays que se identificam com alguns aspectos do modelo feminino e outros com o modelo masculino. E o prazer psicológico também está no homem e não somente na mulher! Por que alguns homens brocham na cama? Seria somente por uma questão fisiológica? Em alguns casos sim e em muitos outros não!

Bem ou mal os aspectos psicólogicos e culturais influenciam diretamente homens e mulheres. Claro que os machões heterossexuais acham tudo isso muita bobagem e alguns gays acham isso tão influente que em alguns casos se colocam como mulheres (no mesmo modelo machista).

A mim, o importante de tudo isso, no final, é que homens e mulheres, gays ou heterossexuais, em alguma medida irão absorver ideias da cultura e das propriedades da figura masculina e feminina. E de maneiras claras, veladas, conscientes e inconscientes. Algumas de suas questões não podem ser respondidas de maneira direta e objetiva não porque eu não quero, mas porque o ser humano, a bem da verdade e independentemente da sexualidade, tem fortíssima influência da psique, dos modelos sociais e dos hábitos culturais (bons ou maus que também são relativos).

Bem, é assim que penso e espero ter trazido referências e um outro olhar para suas questões íntimas, do sexo anal, prazer na próstata e o sexo entre gays!

Um beijo,
MVG

1 comentário Adicione o seu

  1. Marcos disse:

    A entrevista foi boa, mas pensei que haveria questões menos direcionadas ao gay passivo e a sexo como um todo. Questões sobre relacionamento e aceitação, poderiam deixar a entrevista mais rica e menos “cientifica”…kk

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