Relato – Meu filho, 13 anos, imita o primo gay

A Sonia deixou um post bastante interessante para todos nós, leitores do Blog Minha Vida Gay. Transcrevo aqui seu breve relato, sobre seu filho de 13 anos, e deixo também meu comentário:

Sonia:

“Tenho um filho de 13 anos que diz para a psicóloga que gosta das coisas de mulheres. Isso eu já sabia. O que me preocupa é a forma de se comportar. Ele parece estar copiando o comportamento de um primo de 29 anos que se assumiu e que tem um comportamento promíscuo, que não esconde de ninguém o que faz e conta tudo em detalhes: com quem , onde e o que fez. Ou seja, meu filho fala e age de uma forma que está me parecendo querer ofender e chamar atenção dos outros. É petulante nas respostas que dá quando eu pergunto ou faço algum comentário sobre a aparência dele.

Parece que tudo na vida de um homossexual é festa e alegria e sei que não é. Quero mostrar a ele que é muito mais, que pode ter a orientação sexual dele, mas não precisa agir como se todos tivessem que participar de sua intimidade. Quero que ele leia relatos de homens que assumiram e que passaram por situações ruins. Só encontro relatos de quase felizes para sempre. Quero que ele veja a realidade como ela é realmente. Preconceito, agressões, mortes, perda de amigos, perda de empregos, etc. Depois disso eu espero que entenda que não precisa ter o mesmo comportamento do primo para ser feliz”.

13 anos é idade para definir sexualidade?

MVG:

“Oi Sonia,
tudo bem?

Desculpe por demorar em responder. Li seu caso com atenção. Não sou nenhum psicólogo ou profissional especializado em comportamento de jovens, mas creio que posso te dar algumas dicas como gay. Como bem sabemos, todos nós criamos afinidades com nossas referências. Não sei se é certo dizer isso, mas se o seu filho se referencia demais ao primo e isso desagrada, talvez seja melhor afastar um pouco, sem radicalismos. É importante insistir em conversas, dividir suas angústias com a psicóloga do seu filho e perceber que ele é ainda muito novo para ter a sua sexualidade formada.

Não existem outras pessoas que sirvam de referências como homossexuais? Seria interessante mostrar a ele outras referências, artistas na tevê que são e que possuem comportamentos diferentes. Ao meu ver, talvez o que falte são novas referências. Como seu filho já tem uma predileção pela identidade feminina, a imagem do primo seja de identificação imediata e próxima.

Não acho que de maneira negativa, apresentando preconceito, agressões, mortes, perdas, etc, seu filho entenderá a mensagem. Eu apontaria para situações positivas, de gays que se “deram bem” com o mundo e conseguiram ter respeito, inclusive, pelo fato de não seguir com maus hábitos.

Um abraço,
MVG”

8 comentários Adicione o seu

  1. Fatima disse:

    Sônia,
    Se vc gostar do seu filho ser gay, tente alguma coisa de humor no Facebook: procure as comunidades “moça, seu namorado é gay”, “bixa da depressão” e “gay da depressão”.

    Se vc não gostar, só mesmo onde tem mais gay hoje em dia: na igreja e na boite. Tlz, queira homens gays mais velhos. Ou os ex-gays. Sempre tem testemunho deles na net e no site “closet full”.
    http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=ejLQYBh8CPA . Nesse, tem até o contato do cara e a história dele num programa de rádio.

    Tem outros como:

    http://ohomossexualismo.blogspot.com.br/
    http://www.oexgay.com/
    http://conhecendoams.blogspot.com.br/
    http://mudarsepode.blogspot.com.br/
    http://narthparabrasileiros.blogspot.com.br/

    E tem livros sobre isso também.
    Se quiser saber porque o seu filho se identifica com coisas femininas e é homossexual, o melhor é o capítulo 5 (“E a homossexualidade masculina?” do Flávio Gikovate em “Homem, o sexo frágil?”. Rapidinho você lê e vê que é algo que se constroi ao longo da vida.
    http://luzecalor.blogspot.com.br/2012/06/homem-o-sexo-fragil-5-flavio-gikovate.html

    Nos consultórios de psicologia, hoje, é muito comum pais e filhos quererem a reversão da homossexualidade, mas os psicólogos não podem tratá-la (apesar de conseguirem), o que é todo esse tema do Marco Feliciano. Muito bem explicado aqui: http://www.youtube.com/watch?v=LcClBBNeczc

    Tente ler o livro todo. Vai entender seu filho dos 0 aos 13 anos e até os 80 anos. O livro é de 1989 e sempre vende bem. Tem ele todo no mesmo site, mas é difícil de ler, né?

    http://luzecalor.blogspot.com.br/2012/06/homem-o-sexo-fragil-flavio-gikovate_23.html

    http://books.google.com.br/books?id=EOlFwYBI2z8C&printsec=frontcover&hl=pt-BR&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false

    No mais, ser gay é bom e respeitável, assim como ser hetero.
    Mas entendo a dor de uma mãe e seu desespero.
    Ainda mais num mundo cheio de mentiras onde alguns dizem que “é doença”, que “vem do DNA” e que é imutável …. coisas que confundem a todos. Freud reverteu uma lésbica porque ela quis a mudança, mas também advertiu a mãe dessa paciente no sentido de que ela aceitasse a filha como ela é: sendo hetero ou homo.

    Tem um livro com 10 terapias de re-orientação sexual possíveis, hoje, publicado. Chama-se “Homossexualidade Masculina, Escolha Ou Destino?”. Pra comprar, só na editora:

    http://www.thesaurus.com.br/livro/1831/homossexualidade-masculina-escolha-ou-destino/

    http://pt.scribd.com/doc/52583615/HOMOSSEXUALIDADE-MASCULINA-escolha-ou-destino

    Também tem os livros do Joseph Nicolasi que são da Terapia de Reparativa que trabalha a Teoria do Apego, exatamente isso que vc vive com seu filho. De alguma forma, o seu filho está preso a vc e não consegue desenvolver seu lado masculino por falta de referência. Ele se apega ao que tem (mãe), mas procura sexualmente o que não tem (pai, irmãos etc). Bem simples. Não tem nada de choque elétrico, pílula, hipnose, possessão demoníaca e nem nada disso.

    Freud reverteu a paciente lésbica, mas falou a mãe dela que aceitasse a filha pelo o que ela é, sendo hetero ou homo. Isso é muito importante e como toda mãe, sei que quer o melhor para seu filho. Seu apelo me comoveu muito.

    Um texto muito bom do Dr. Joseph Nicolosi:

    Homossexualismo: sintoma de problema emocional –
    http://noticiasdireitas.blogspot.com.br/2011/04/tratamento-para-homossexualismo.html

    Sou a favor do livre fluxo das pessoas.
    Beijos de outra mãe
    Só as mães amam de verdade.

    Agradeça a toda equipe do MVG por publicar o seu pedido de ajuda, pois eles são gays valiosos e muito honrados que querem conversar sobre o tema e ter uma vida feliz. Não é todo site que deixa um pedido de ajuda como o seu ser publicado e nem o meu comentário ser exposto (será que foi publicado? Hihihi).

    Os meninos do MVG são muito lindos e valiosos e sinto que foi meio constrangedor serem procurados pra falar o que há de ruim na vida gay … é a mesma coisa de procurar uma mãe pra ela falar o lado ruim da vida materna pra mostrar pra outra pessoa. Temos que agradecer a Deus por esses meninos serem amorosos e terem entendido o seu apelo e publicado a questão com o tratamento tão carinhoso. Mas também temos que entender que é difícil pra eles falar o lado negativo como você demanda e eu falar o lado que pode ser de você querer o seu filho ainda homo ou mudá-lo para hetero. Mais uma vez: agradeça aos meninos e não a mim. Eles é que foram extremamente MISERICORDIOSOS com vc e foram gays honrados e cidadãos de grande estatura…. meninos de valor e marca maior.

    Equipe MVG é a favor da cidadania da felicidade, seja dos homo ou dos heteros.

    Beijos a todos vcs, preciosos seres humanos do amor.
    Fatima

    1. Ernandes disse:

      Olá! Eu vi que você colocou o meu blog aqui, bacana. Então, sou ex-homossexual. Sempre vivi uma homossexualidade egodistônica, ou seja, as minhas práticas nunca foram condizentes com quem eu sempre quis ser. Graças a Deus tudo passou, e hoje sou prova viva de que sim, é possível mudar. Não vivo uma vida reprimida como alguns dizem e nem aceito a mentira, pelo contrário eu havia dado minha palavra a Deus que só pisaria numa igreja se Ele me mudasse e “plin” Ele me ouviu. Hoje vivo feliz com corpo e mente, amo ser homem e poder sentir tudo que eu sempre quis sentir por uma mulher e me deleitar com ela em pensamentos e ações. É uma delícia.

      1. minhavidagay disse:

        Oi Ernandes,
        Bom dia!

        Você realmente pode ser um ex-gay, embora não acredite nesse termo. O que realmente acredito é que a juventude hoje tem mais permissão para transitar e experimentar as sexualidades com menos repressão. Nos sentimos cada vez mais abertos a matar nossas curiosidades e vontades.

        Flávio Gikovate, um renomado psicólogo, estuda essa assunto há anos e acabou de lançar um livro que fala do sexo lúdico na qual o indivíduo tem uma tendência a ser bissexual durante seu processo de formação.

        Daí, sobre Deus, o ser humano vive distonias em diversos aspectos da vida. A religião, de alguma maneira, ajuda alguns a encontrar a fé e por em ordem a nossa mente/espírito. Mas acho que isso é possível sem a necessidade de frequentar um templo, por exemplo. A conexão com Deus é direta, e é o homem que inventou intermediários.

        É bom que você tenha se encontrado e o meio que fez chegar a sua paz é muito particular. De qualquer forma, a busca foi sua e somente sua. No post relatado aqui existe uma expectativa de uma mãe sobre o filho, natural.

        Mas no final, essa criança irá crescer e não será a mãe quem vai definir a orientação de seu filho. Como disse, a busca assim como a sua, a minha e de qualquer outro indivíduo é pessoal e “intransferível”. Aliás, muitas vezes os pais erram em depositar tanta expectativas nos filhos que, normalmente, acabam colhendo frustração. Isso também é natural e acontece por gerações de pais e filhos não somente no tema da sexualidade.

        Abs,
        MVG

      2. Vladimir Pacheco disse:

        Caralho, que louco.

        MVG vc é o unico cara fodão da net que tem um site gay que heteros e ex-gays até vêm dar uma olhada. Tá vendo como vc é muito maior que um clichÊ de sexualidade? Caralho, melhor que esse Ernandes falar é CONSTATAR o gabarito que é o seu trabalho.

        Meus parabéns! Te admiro muito.
        Sempre discuto com contigo, sou oponente e concordante tb.
        Mas este momento é de reconhecimento: tu é foda, MVG.

        Não e todo site gay que recebe mães, heteros e ex-gays.
        Vc chega a ser família. Na boa, um gay como vc .. todo mundo quer. \o/

      3. Vladimir Pacheco disse:

        Só um adendo MVG quando tu diz:

        ► Flávio Gikovate, um renomado psicólogo, estuda essa assunto há anos e acabou de lançar um livro que fala do sexo lúdico na qual o indivíduo tem uma tendência a ser bissexual durante seu processo de formação.

        O Gikovate faz esse marketing do “lúdico”, mas isso é uma ideia velha da própria natureza do inconsciente. Isso é psicanálise e nem psicologia. O Giko é psiquiatra e psicólogo eu acho.

        Minha visão sobre o assunto:

        1) Givovate = apesar de ser psiquiatra e psicólogo, caminha um pouco para a filosofia. Tem ideias boas e vanguarda, mas uma abordagem muito feminista. Cuida da aristocracia paulistana: as mulheres dos empresários, no seu consultório.

        ► Bônus: melhor autor brasileiro pra tratar da formação da homo. Sabe que a mudança é possível.
        ► Ônus: entra no discurso político (e não científico) da aceitação da homo, em acordo com ego-sintônicos e desacordo com ego-distônicos. Crítica: não entra em polêmica porque ele é empresário, além de filósofo e homem de mídia. Qualquer rejeição às ideias dele, se refletem nos consultórios dele e na tiragem de livros.

        2) Freud = como a base dele é o inconsciente (psicanálise), ele acredita na bissexualidade generalizada e afirmada uma orientação no ambiente pq o inconsciente não vê o biológico.

        ► Bônus: acha que a sexualidade é auto-afirmável e transitória. Reverteu uma lésbica.
        ► Ônus: apaga totalmente o biológico da percepção do consciente e inconsciente. Crítica: ora, como não vê? Meu inconsciente não vai ver que o meu corpo tem só 1 buraco e não 2?

        3) Foucault = trata de identidade, linguagem, poder, disciplina e regras sociais (norma) (pós-estruturalista). Usa a coisa da heteronormatividade para falar de como o ambiente já vem pronto pra heterossexualidade.

        ►Bônus: acha que a sexualidade é um processo histórico, assim como Freud, além de ambiental. Ele era gay e sabia que não era genético, mas fruto de escolhas e auto-afirmação.
        ►Ônus: como ele tem foco na individualidade vê tudo e todos como opressores da subjetividade. Ataca muito as instituições: os tribunais, as prisões, os quartéis, os hospícios, as escolas, os hospitais psiquiátricos, a medicina, as universidades, a imprensa. Crítica: o ser humano só é livre quando morre e libera seu espírito do corpo. Pra o autor, o corpo é uma prisão, a sociedade é uma prisão, a consciência é uma prisão …. só é livre o transcendente. E o Foucault meio que é um revoltado e valoriza tudo que é liberdade pela liberdade caindo quase na supressão do super-ego: valoriza a bandidagem e desvaloriza a polícia; valoriza a loucura e desvaloriza o manicônio; valoriza a anarquia e desvaloriza a hierarquia militar; no fundo, ele é contra as instituições. Falta valorizar o transcendente e desvalorizar o corpo humano, vendo-o como uma prisão da alma. Tudo pro Foucault é opressão, prisão, controle, punição … só a morte libera. Só a loucura resolve. Só a anarquia solta. Só a desobediência ensina. E por aí vai.

        Um autor bom pra tu ler é mesmo o Gikovate. Leia esse livro do Homem Sexo Fragil, tu que tá com 36 anos, vai adorar reconhecer todas essas suas fases e já vai descobrir o que vem nos 40 pra ti.

        Outro autor ótimo sobre homo é o Lacan. Freud era contra homossexuais na psicanálise. E Lacan abriu isso. Mas Lacan tb tem hora que acha o amor homo “perverso” pq é a soma de iguais, acreditando que a diferença suaviza. Enfim, cada autor tem o seu bônus e ônus. O que vale é ler mais eles. Tu vai adorar.

        Eu, propriamente dito, não acho a homo DETERMINADA por biologia, gene, gestação e tudo mais. Mas não posso dizer por a + b que não seja INFLUENTE. Pode ser uma combinação. Mas a paternidade da homo realmente é entre os as sociais (sociologia, antropologia) e a saúde (psicologia e psiquiatria).

        Mas só completando o elogio que ti fiz acima comentando o Ernanez.

  2. Leandro disse:

    Quem que é essa louca da Fátima?
    Falando de cura gay justamente neste momento.
    Aff, era só o que me faltava.

  3. minhavidagay disse:

    Bom dia Leandro e Fátima!
    Eu tenho que concordar parcialmente com o Leandro. Apesar de você, Fátima, não dizer claramente sobre uma cura, a classe médica e psicológica tem como definido que não existe tratamento para conversão.

    O psicólogo que se dispõe a tratar a homossexualidade é na realidade um indivíduo corrupto ou um péssimo profissional. Não existe terapeuta sério e comprometido com a sua profissão que afirme a possibilidade de “cura” ou qualquer termo que faça um homossexual deixar de ser.

    No meu ponto de vista, que faço terapia há anos e que portanto lido com um profissional de psicologia, alguns indivíduos são mal resolvidos e infelizes consigo. Então, esses maus profissionais de terapia induzem seus pacientes a REPRIMIR sua sexualidade. Não é a satisfação ou a insatisfação da mãe quanto ao seu filho gay que o fará mudar. Isso é um erro conceitual tremendo, doe a quem doer.

    Temos que ser práticos e objetivos: se o Feliciano alega que alguns de seus seguidores “se curaram”, na realidade subentende-se que esses indivíduos são extremamente mal resolvidos consigo e tanto igreja quanto terapia podem reprimir, numa falsa sensação de conversão.

    Acontece só que repressão tem ligação com o retorno do reprimido, ou seja, cedo ou tarde o que está reprimido volta a se manifestar. Isso é estudo e cientificamente comprovado.

    Assim, às “mães que não gostam de ter filhos gays”, não entrem nessa ideia de que filhos devem atender os desejos e ideais de seus progenitores quando o assunto é a sexualidade. Isso não existe. E, no máximo, vai retardar, atrasar e complicar ainda mais as relações.

    Estamos num momento de focar em avanços e simplificações da vida. Não pensem de maneira retrógrada. As ciências humanas, sociais e médicas já avançaram o suficiente em detrimento as religiões e as condutas que algumas pessoas que prometem conversões mas que, no fundo, querem ganhar dinheiro. Nesse caso, se o propósito não for ganhar dinheiro de maneira corrupta contrariando o que está estabelecido perante a classe médica, não existe outro pois não há uma possibilidade de conversão. Isso se chama ilusão, de iludir, enganar, ludibriar.

    Abs,
    MVG

  4. Vladimir Pacheco disse:

    Sônia,
    vc foi 10. Tá de parabéns … vou ler tudo. Vai me ajudar muito nas minhas pesquisas. Obrigado imensamente pela contribuição.

    MVG,
    Freud reverteu uma lésbica. Estudo clínico dele comprovado.
    Seria ele um mau profissional? Um religioso fundamentalista? Reflita.

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