“Modelo gay”

Por Enzo

Conversando com uma amiga sobre outros garotos da minha escola que são gays, me disse uma coisa que me deixou pensativo: ‘’tu não um gay normal, tu é diferente’’.  Eu ri e perguntei por que e ela disse: ‘’tu não gosta de Madonna e não dança bem, se tu não tivesse me dito nunca saberia que tu é gay!’’. Fiquei com isso na cabeça. Alguns dias depois, outra pessoa veio me perguntar porque eu não gosto de Glee: ‘’Todo gay gosta de Glee!” – ela me disse.

Então parei para pensar. Não, eu não gosto de música pop e não sou apaixonado pela Gaga. Não, eu não danço bem nem amo Glee. E daí? Não sou nem menos nem mais gay por isso. Mesmo com toda a informação que a sociedade tem acesso, muitas pessoas ainda nutrem esse conceito de que todos os gays são de um único jeito e agem de uma única e predeterminada maneira.

Se um garoto que anda sempre com meninas e é mais delicado é gay. Se uma garota joga futebol é lésbica. Esses estereótipos acabam nos definindo, tanto que foge do ‘’padrão’’ um homossexual gostar de corrida e não entender de moda. Se as pessoas imaginassem a quantidade de pessoas classificadas como ‘’normais’’ no meio social que na realidade são gays, ficariam espantadas.

Claro que existem gays que apresentam as características que eu descrevi, mas generalizar um grupo acaba sempre gerando preconceito. Acho que o fim disso começa quando as pessoas deixarem de enxergar estereótipos e começarem a conhecer e interagir com homossexuais, transexuais e etc. Assim verão que somos iguais, temos os mesmos gostos, falamos do mesmo jeito e também fazemos coisas erradas. A única diferença é nossa orientação sexual, que não deveria mudar em nada a maneira com que somos vistos.

3 comentários Adicione o seu

  1. Infelizmente as pessoas criam esses esteriótipos por várias influências externas: Seja na mídia, seja na parada gay, seja por um outro amigo gay, etc, etc, etc.
    Não vai ser a última vez em que eu ou você vai receber comentários do tipo: “Aahh, mas você não pode ser gay porque não parece gay!”, até porque homossexualidade, atualmente, não se discute muito e só tem uma imagem, e por mais que algum dia a imagem do homo não estereotipado comece a se mostrar presente, a do estereotipado vai continuar prevalecendo, afinal, esse é o tipo que mais “causa”, digamos.

    Sendo isso, ou sendo aquilo, não vai interferir na nossa sexualidade, somos gays e ponto!

    “Sempre há uma exceção para tudo”? Talvez seja essa resposta, mas se formos olhar para todos os gays existentes, veremos que estamos em igualdade entre estereotipado e não estereotipados.

    Whatever, o que nos resta é o respeito.

    Abraços do CR!!

  2. Caio disse:

    Sua amiga está tendo contato apenas com uma parcela de pessoas que se denominam gays. É natural do ser humano ainda mais uma menina que está no colegial fazer esta associação baseada apenas no que sabe. Ou seja, é um preconceito, mesmo que “inocente”. Quando adquirimos mais experiência ao ir envelhecendo e conhecendo mais sobre o mundo em que vivemos ou vamos atrás de informações devido ter curiosidade sem precisar esperar pela demonstração dada pela vida, acabamos por melhor entender o processo.

    Os homossexuais são vistos, tratados e julgados como um segmento único e de maneira que os indivíduos que o compõem são todos iguais ou muito parecidos. Isto porque por ser uma minoria frente aos indivíduos heterossexuais acham que todos nós temos os mesmos comportamentos, como por exemplo os seguidores de uma doutrina religiosa (que em tese deveriam ter por se dizerem seguidores de tal doutrina). Mas não, ao fazermos a separação entre hetero e homossexualidade apenas verificamos que são orientações sexuais diferentes, e que são apenas características comuns das pessoas. Já analisando o todo, assim como têm heteros das mais diversas formas e jeitos existem homos na mesma situação. Entretanto, a sociedade ainda se baseia no modelo de vida e nos comportamentos de uns que são mais visíveis e conhecidos e aplicam esta visão em todos os outros.

    Se caso os homossexuais em números estivessem em pelo menos quase em igualdade aos heteros e eles se mostrassem mais para o público (assumissem que são) a maioria não teria esse critério de opinião sobre eles (nós), pois enxergariam as grandes diferenças que existem. E como a visibilidade homo ainda está pequena, quem dirá da diversidade entre os homos, vai levar um bom tempo até isso se tornar real.

    Boa semana.

  3. Rodrigo disse:

    É exatamente isso que eu enfrento todas as vezes que algum “amigo” hétero descobre que eu sou gay. Sempre fui e vou continuar sendo do mesmo jeito que eu sou. Ser gay para mim é simplesmente gostar de alguém do mesmo sexo, é uma característica, simples assim. O resto é bobagem… nunca gostei de rosa, música pop, moda e afins… ao contrário do que imaginam, gosto de azul, esportes radicais, heavy metal e não apresento nenhum trejeito que possa causar desconfiança nas pessoas sobre a minha sexualidade. Nem por isso eu deixei de ser gay.

    Foram muitas as vezes que me perguntaram o nome da minha namorada e eu respondi “Rafael”. É triste ver a reação das pessoas e ouvir elas dizerem: MAS VOCÊ É GAY? MAS VOCÊ PARECE HOMEM?
    Então lá vou eu explicar para elas que isso não tem nada a ver com ser ou não homossexual. Depois elas cochicham umas com as outras e no fim se afastam. Mas aprendi a não me importar mais com essas pessoas, pois sou muito feliz assim e não escondo de ninguém o que sou de verdade!

    Espero que essa realidade mude conforme o tempo for passando e que as pessoas REALMENTE nos trate sem preconceito. Porque sim, ele ainda existe, e muito!

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