Alôca, três anos depois

Alôca, balada gay em São Paulo localizada na Frei Caneca continua trazendo novos jovens (e não tão jovens assim) para as quintas-feiras no comando do DJ Pomba.

Voltei ontem depois de 3 anos sem adentrar naquela caverna para comemorar o aniversário de um amigo. Caverna, em todo bom sentido clássico das músicas dos anos 80, 90 e 2000. Chegamos por volta das 23h30 e começamos a bebemorar no “Bar do Zé”, que para a grande maioria é uma extensão da balada. Assim, tratarei Alôca e o Bar do Zé como uma coisa só porque quem frequenta, sabe dessa dobradinha.

Alôca, balada clássica e GLS em São Paulo.
Alôca, balada clássica e GLS em São Paulo.

O que mudou:

– A garrafa de Original no Bar do Zé era R$ 4,50. Pagamos R$ 8,00! (de foder);

– O bar ganhou um novo espaço no fundo digno de um PF e de tardes embriagantes no boteco. Virou lanchonete :P;

– O Zé das Medalhas está muito mais grisalho;

– Novas gerações de gays, dos mais diferentes tipos, do estilo urbano e All Star no pé, continuam a se manifestar por lá;

O que continua:

– Léa Bastos, hostess, minha “colega” desde a época do Director’s Gourmet continua por lá dando sua ar de graça, cabelão e poder. Mandou beijinhos para mim e fez o aniversariante da turma exclamar: “Olha, o MVG reconhecido!” (Ui!);

– Sabia que iria encontrar alguém das antigas e voilá: um ex do meu ex estava por lá;

– A decoração da balada continua igual. Me parece que abriram uma parede para dar mais ventilação na caverna. Os objetos temáticos egípcios e bizarros permanecem e a Silvetty Montilla também, mumificante :P;

– Voltou a modinha do boné (fucking piolhos).

O James Franco não estava lá dessa vez…

Gostei bastante do que vi e, apesar de estar com 36 anos, não me senti nada deslocado! Ou os jovens estão mais barbudos hoje em dia e adultificando suas fisionomias rapidamente, ou por coincidência muitos jovens da minha idade (rs) compareceram.

Para aqueles que tem preconceito do nome, da caverna e das lendas da Lôca, não se preocupem! A rapaziada interessante que dá por lá (para quem estiver solteiro ou na ansiedade de pular a cerca) e que incrivelmente lota a balada todas as quintas são bastante suficientes! Tenho dito (faz tempo).

Para quem quer começar a tirar o pé do armário, reafirmo a minha dica: o mundo da Lôca é uma das menos esteriotipadas ou “carão” que existe ainda hoje na noite LGBT de São Paulo. É clássica, continua a lotar a partir das quintas-feiras (e lota mesmo) e dá gente de todos os gostos e tipos.

Fiquei bastante feliz com um fato que percebi e, apesar de parecer preconceito, não é: os gays que vi, salvo algumas exceções, me parecem muito menos “montados” ou “personificados”. Há cinco anos atrás, para se contextualizar como gay, tinha ainda aquela coisa que bem sabemos, dos traquejos, dos modelos. As coisas têm mudado… e a mim para melhor.

Bom final de semana a todos e não se esqueçam: Lôca de quinta e matinê de domingo valem a pena! ;)

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