Será o universo sexual somente homo-hétero?


Nasci numa família heterossexual, de irmão heterossexual e avós heterossexuais. Primos, tios, tias – todos – iguais. Por sorte ou espiritualidade não tive um pai evidentemente machista, embora fosse “militar”: me cobrava moral, respeito aos limites do outro, conduta firme para levar minha vida, disciplina, estudos – muitos estudos – e cultura de prevenção, contra o ato de remediar!

Ao mesmo tempo, quando percebia uma aptidão para tirar música de ouvido no piano do amigo, me colocava na escola. Se notava meu desejo em desenhar, me botava em cursos e concursos, se minha amiga estava brincando de Barbie eu podia ser o Ken e – ao contrário da maioria das famílias brasileiras – nunca me cobrou aquela firmeza de macho para trazer uma mulher, para foder uma mulher. Não precisei provar virilidade, coisa que muitos gays e héteros precisaram/precisam em sua juventude/maioridade.

Minha mãe vinha de uma educação de “viva experiências para aprender, faça as coisas que lhe dê prazer, mas sempre atento aos seus limites” e, com pai e mãe desse jeito, não tive grandes crises entre o meu “eu masculino” e meu “eu feminino”, coisa que homens – héteros e homos – todos têm (não as crises, mas os lados). Assim, pude “optar” ou pelo menos vivê-los e acabei “preferindo” por me formar pela figura masculina, masculinizada.

A mente humana está acostumada a dicotomizar, bipolarizar, bidimensionalizar porque assim há o conforto do ego. Mas será mesmo que a sexualidade não é uma abstração?
A mente humana está acostumada a dicotomizar, bipolarizar, bidimensionalizar porque assim há o conforto do ego. Mas será que a sexualidade não é uma verdadeira abstração?

Depois que me assumi gay, a partir dos meus 23 nos, conheci bastante a minha homossexualidade e a homossexualidade de dezenas de outras pessoas: namorados, “ex-marido”, amigos, amigas, colegas e etc.

Posso dizer que tenho mais referências positivas do universo hétero e homossexual do que negativas. Esses dois mundos fluem em concordância dentro de mim, não tenho crises e – consequentemente – não tenho necessidades hoje de levantar alguma das duas bandeiras. Já levantei as coloridas nos anos iniciais fora do armário. Mas foi aquela coisa de precisar me auto-afirmar como jovem e gay, cheio de vontades, curiosidades e desejos potencializados, juventude essa que tenho consciência que prosseguiu até meus 33 anos de maneira intensa, quando reuni todos meus ex-namorados e seus respectivos namorados (façanha egotrip) na minha última grande balada de aniversário.

Se tudo me agrada dos héteros? Não, não gosto dos excessos e do personagem demasiadamente agressivo. Mas na mesma medida que não gosto daquela figura gay muito invasiva, egóica, super-gay. E não confundam super-gay com as bichinhas. Já namorei e fiquei com alguns deles e não tenho nenhum problema em lidar com a feminilidade em homens.

Daí, aqui pelo Blog MVG tive a oportunidade de conhecer alguns bissexuais. Até então, bissexualidade para mim não era orientação mas sim processo de transição. Hoje entendo a bissexualidade de maneira bastante diferente: por que um homem resolvido com suas características físicas, pênis e etc. não pode transitar a vida toda entre a heterossexualidade e a homossexualidade? Passei a assumir a bissexualidade, não a minha, as das pessoas que se sentem felizes assim.

Fui cara de pau e resolvi trocar uma ideia por e-mail com o Laerte Coutinho. Inesperadamente gentil, falamos sobre os conceitos do transgênero e do transexual (temas que me equivocava na época). Compreendi as diferenças e passei a buscar mais informação a respeito: vi diversas entrevistas do próprio Laerte, vi reportagens com a Roberta Close e – quando sobra tempo ou alguma notícia chega a mim – continuo me informando. Daí, para esclarecer: transgênero é o indivíduo que transita em si entre os gêneros masculino e feminino. Tende a viver um conflito (da psique) entre a figura masculina que é e a figura feminina que também é. O transgênero não faz cirurgia de mudança de sexo. Já o transexual nasce com a identidade trocada. Pode ser uma mulher que nasceu no corpo de homem e pode ser um homem que nasceu no corpo de mulher. Os transexuais tendem a sofrer com as suas genitálias originais e, normalmente, preferem tomar hormônios e fazer a cirurgia de mudança de sexo para sua realização pessoal e plena. A psique do transexual costuma ser bem definida desde muito jovem. O que não existe é uma satisfação com o corpo.

Passei a assumir a transgeneridade e a transexualidade, não a minha, as das pessoas que se sentem felizes assim.

Hoje, aqui no Blog MVG, ainda muito se discute a questão da reversão do gay, assunto até já esgotado devido a Felicianos, religião evangélica, machos que querem ver seus amigos gays convertidos, psicoterapeutas freudianos que afirmam a possibilidade de reversão e intriga não falta. E o que acontece no final, num Blog denominado Minha Vida Gay, é aquele sentimento reacionário, de ultraje e indignação dos gays que acham um absurdo essa ideia de cura/reversão. E realmente, convenhamos que cura não é pois não é doença. É muita ignorância tratar homossexualidade como homossexualismo.

Mas será que nesse universo que é a sexualidade a ideia de um gay tornar-se hétero é realmente impossível?

Tenho refletido a respeito – porque sim, meu hobbie aqui é exercitar meus neurônios – e convido os leitores a um pensamento abstrato: imagine a sociedade desprovida das ações de instituições religiosas contra os gays e desprovida também do movimento a favor dos gays. Nessa mesma sociedade não existiria também os heterossexuais frustrados ou indignados ou espantados com “moda gay”, chateados com o movimento feminista e obrigados a dividir seu altar masculino com mulheres e homossexuais. Assim, também não existiriam os gays revoltosos contra esses machões cavernosos e “escrotos”. Imagine também que Freud não fizesse parte dessa Terra e que, assim, Flávio Gikovate acabasse virando qualquer outra figura que não um psicoterapeuta freudiano.

Imagine, em suma, que a nossa sociedade não cultuasse ou defendesse “partidos sexuais” e tivesse o foco no indivíduo, no ser humano. Nesse contexto desprovido de egos, de conflitos de valores, de regras impositivas, de escolas, de classes de intelectuais, acredito que assumiríamos um universo sexual muito mais amplo, que incluiria sim um ex-gay ou ex-hétero. Mas nessa sociedade, não existiriam todos esses nomes pois não faria sentido. E o meu problema não está com os nomes, mas com a necessidade enorme que na nossa sociedade real – em dicotomia, em bipolaridade, em bidimensionalidade – tem de defender ou ir contra aos ex-gays/ex-héteros por tomarmos partido da nossa ego-homossexualidade ou da nossa ego-heterossexualidade.

Eu acho sim que possam existir ex-gays/ex-héteros. Mas não por causa da instituição religiosa/cura, ou por causa do hétero que vem perdendo seu altar e precisa recompor sua auto estima, ou de psicoterapeutas antiquados, ou do gay que se revolta contra pelo factual histórico de repressão. Levando a frente do MVG, conhecendo relatos e descobrindo novas referências, tenho entendido a sexualidade como uma manifestação abstrata na qual grupos e vertentes divergentes e contraditórios precisam negar sobre “ex” para confortar o ego, para preservar a própria “espécie” em sua integridade (ou o que se idealiza dela).

A questão basal não seria a felicidade do tal ex-gay/ex-hétero? Creio que sim, desde que feliz sem a forte influência dessas vertentes que, no final, querem se proteger, querem acumular seguidores.

Não serei menos gay por existirem ex-gays. Tampouco serei hétero.

5 comentários Adicione o seu

  1. Fernando Lima disse:

    Oi MVG,

    Creio que esta é uma área bastante pantanosa e fértil para polêmicas.
    Você pergunta se um gay virar hétero é impossível e faz uma série de abstrações: se não houvesse Igrejas, movimento LGBT, heterossexuais frustrados, Freud, etc.
    Na verdade, você parte da hipótese da ausência de qualquer pressão a favor ou contra.
    Em princípio haveria uma infinidade de comportamentos sexuais possíveis, variando daquele 100% heterossexual ao 100% homossexual. Não existiria a noção de orientação sexual, apenas possibilidades de comportamentos a serem vivenciados e cuja predominância na vida de uma pessoa também seria variável.
    Entrariam em cena conceitos como felicidade e gosto – totalmente subjetivos- vinculados a opções/escolhas.
    Mas, o que origina um gosto? Preciso ter as necessidades decorrentes dos meus gostos atendidas para ser feliz? O que é felicidade? É algo perene? Seria possível percebê-la na ausência da tristeza e da dor?
    Quando fechamos os olhos, conseguimos, de fato, realmente entender o que somos e sentimos, ou pensamos que somos e sentimos?
    Será que a satisfação das vontades do ego é o que traz a felicidade? Não nos tornaríamos escravos do pior ditador? Quantas vezes achamos que não podemos viver sem um determinado bem material, há aqueles com compulsão pelas compras, que rapidamente se mostrarão absolutamente supérfluas, voltando a sensação de insatisfação/incompletude.
    Poderíamos transpor essa realidade facilmente para as relações interpessoais, nas quais há tantos desencontros, expectativas, tentativas de dominação, imposição, manipulação, exploração, especialmente na esfera da sexualidade, uma das expressões mais intensas de relacionamento interpessoal.
    O que direciona a sexualidade? É uma força cega? Qual é a fonte de nossas pulsões?
    Não tenho resposta para nenhuma das questões acima, que para mim ficarão sempre abertas.
    Diante desse quadro extremamente amplo e dominado pela subjetividade, qual seria o caminho?
    Creio que a observação da realidade concreta. Acho que não deveríamos abstraí-la, mas utilizá-la para tentar entender o que de fato somos.
    Da observação da Natureza podemos tirar alguns dados interessantes.
    Qual a maior preocupação?
    A perpetuação das espécies, assim sendo, a maioria dos animais é heterossexual – a vida toda.
    CONTUDO, há inúmeros relatos claros de comportamento homossexual entre animais, e como sou totalmente adepto da monogamia (rsrs), gosto de citar o exemplo dos casais gays de pinguins imperadores – gays a vida toda.
    Claro que transpor a realidade do mundo animal para a sociedade humana é um passo grande demais. No entanto, devemos lembrar que também somos animais, apesar de não gostarmos muito disso…
    Imagino o caso dos transexuais, será que algum deles vai querer voltar ao sexo anterior em algum momento de sua vida? Sei que é um exemplo extremo e que não representa a situação da maioria dos gays e lésbicas.
    Há uma série de condicionantes sociais que nos precedem e nos afetam. Um dois principais deles: a sociedade é majoritariamente heteronormativa.
    Portanto, mesmo antes de nos percebermos gays, somos inconscientemente afetados por este fato na construção de nossas identidades, o que pode ter consequências imprevisíveis em termos de imagem própria, auto-aceitação, etc.
    Lembro-me do início da epidemia de AIDS na década de 80, em São Francisco. Acho que foi o pior momento na história recente da comunidade LGBT.
    Será que naquele contexto horroroso, não teria sido mais fácil simplesmente deixar de ser homossexual? Isso não ocorreu, a comunidade se uniu e discutiu como enfrentar tão grande problema.
    Acredito firmemente que a orientação sexual é uma característica da pessoa, como a cor dos olhos, para citar o exemplo já tão gasto pelo uso… rsrsrs
    Não tenho o benefício da sua experiência, em termos dos inúmeros relatos que você recebe pelo Blog. Contudo, tendo a considerar, talvez de uma maneira muito simplista, que são casos de pessoas confusas, que não conseguem se aceitar diante de tantas pressões da sociedade e que buscam os caminhos mentais/psicológicos mais tortuosos e, às vezes dolorosos, para lidar com a situação.
    Não posso entender a sexualidade como uma manifestação abstrata, como você diz, como se fosse uma questão teórica, um debate acadêmico, no qual os grupos divergentes se digladiam pela vitória na discussão.
    Ao contrário, vejo como algo eminentemente concreto, fonte de grandes atritos entre grupos humanos com crenças e valores contraditórios, que tentam impor a sua verdade pessoal/identidade àqueles que ousam sentir-se diferentes, e apesar disso, contra tudo e contra todos, buscam a sua felicidade, novamente a subjetividade, sem negar o que são.
    Abraços,
    Fernando

  2. Ali disse:

    Tenho lido ultimamente muitos blogueiros/autores gays falando nessa “cura gay”,e não sei por qual motivo,o autor sempre acaba abstraindo a sexualidade humana e tentando,através disso,gerar uma certa “cura” para a sexualidade alheia.
    Porra MVG,logo você vai acreditar nessa falácia? Logo você que eu pensava ser um dos últimos blogueiros gays sensatos na internet??

    Se tudo fosse tão simples assim?!
    Nem tudo é constituído de abstrações meu caro MVG.
    Lembre-se que quando não se sabia se a terra era redonda,existiram várias teorias que hoje,sabendo com 100% de certeza que a terra É redonda,consideramos esdrúxulas e desproporcionais.
    Com a teoria do heliocentrismo foi a mesma coisa.

    Penso que abstrair uma característica tão individual como a sexualidade,é algo bastante danoso e até de certa forma leviana.
    É como se fossemos abstrair a cor dos olhos de uma pessoa,a cor da pele,a personalidade,os gostos pessoais etc…

    Não penso que a discussão com relação a veracidade da existência do ex-gay ou ex-hetero seria resolvida ou minimizada com a inexistência de militâncias pró e anti gay,UM NÃO EXCLUI O OUTRO vale ressaltar!

    É como se eu pudesse afirmar que a felicidade pode ser alcançada sem precisar da companhia ou a ajuda de ninguém,somente eu comigo mesmo.O que seria uma grande mentira do ponto de vista filosófico ou psicológico.
    Ou eu pudesse afirmar que o bem poderia sobreviver sem a existência do mal,ou que a cura/saúde poderia existir na ausência de doença.

    Acreditar nisso,é uma utopia tão grande quanto acreditar ser capaz de acabar com TODAS as desigualdades sociais do mundo,acabar com TODAS as guerras etc…

    Não estou afirmando que essas dicotomias devam ser universais,conflitantes uma com a outra e auto excludentes,estou afirmando é que UMA DEPENDE DA OUTRA PARA EXISTIR.
    Se fosse o contrário,se tudo que existe no universo do espaço-tempo fosse auto-suficiente e acontecesse de uma maneira totalmente independente,não haveria razão para a existência dos mesmos.

    Não sei se você me compreendeu?!

    Então quando você afirma que a existência do ex-gay ou do ex-hetero seria possível ou menos polêmica sem a existência de igrejas,felicianos da vida,militância pró-gay etc…
    Eu te respondo que isso é absolutamente IMPOSSÍVEL de acontecer!
    Porque é exatamente essa dicotomia conflitante entre essas duas vertentes distintas uma da outra,que abastece e faz com que sobreviva esse mito do ex-gay ou do ex-hetero.

    Sem a igreja reacionária e sem a militância pró-gay,os ex-gay e os ex-heteros NÃO EXISTIRIAM ou não teriam nenhum motivo lógico\racional ou transcendental para existirem.

    Porque foram exatamente esses dois pólos opostos quem os criou!
    Então se não há um criador,NÃO HÁ CRIAÇÃO,e consequentemente não haveriam criaturas!!

    Na filosofia oriental,existe um pressuposto universal chamado YIN e YANG,onde acredita-se exatamente nessa dualidade quase sempre conflitante mas sempre necessária,que permeia e dá sentido para todos os valores universais e criaturas em que nele existem.

    E quando você fala na felicidade do ex-gay e do ex-hetero como sendo o mais importante,isso por si só já é uma abstração,quer conceito mais abstrato que o de felicidade?!

    Felicidade pode ser alcançada de várias maneiras,seja de uma maneira boa ou ruim.
    O conceito de algo importante,vem de “importar”,ou seja,algo que vem de fora e adquirimos para nós mesmos.
    Sinceramente a felicidade de um ex-gay ou ex-hetero não é algo que eu deseje “importar” para mim.
    Da mesma maneira como não desejo “importar” para mim a felicidade de um mentiroso ou de um assassino!
    Estou apenas sendo sincero.

    Aqui tem o link de um video do filósofo Mario Sérgio Cortella que fala sobre a busca da felicidade e do auto-conhecimento.

    Você mesmo MVG já disse em um texto,que a figura do ex-gay é uma ilusão inventada por pessoas mal informadas e mal intencionadas que não sabem e nem querem saber lidar com as nuances da sexualidade humana,de não terem ou não quererem ter o conhecimento a respeito de pessoas que por um espaço indefinido de tempo durante o qual transitam sexual e afetivamente por entre os dois gêneros sexuais.

    No momento em que você afirma que a figura e o mito do ex-gay existe,você estaria de certa forma se contrariando daquilo que você disse anteriormente e fazendo com que a balança pese para um lado.
    Afirmando isso,você não estaria tentando dar o último nó na corda para o seu próprio enforcamento?!

    Mais uma vez afirmo que abstrair a questão NÃO É A SOLUÇÃO!!
    Precisamos encontrar uma resposta de maneira clara,lúcida e objetiva,e quando acharmos essa resposta,se é que vamos achar,inevitavelmente a balança vai pesar para um lado.

    Outra teoria que eu tenho com relação a sexualidade humana no geral.
    Penso que NADA EXISTE POR ACASO,por trás de cada coisa que exista ou venha a existir no universo,TUDO contém uma pré-formulação para existir e ter uma determinada função.
    Com as diversas sexualidades existentes na natureza e no ambiente antrópico(homem) não seria diferente disso.

    Uma sexualidade ou orientação sexual como preferirem chamar,possui essa mesma pré-formulação e pré-função,é uma visão muito mais abrangente do que o determinismo genético ou biológico,mas também é um raciocínio filosófico tão complexo quanto.
    Não gosto de determinismos genéticos e biológicos,tão pouco gosto de me fixar em teorias psicológicas,sociológicas,comportamentais etc…
    Acho que são visões muito limitadas para poderem oferecer uma explicação clara para uma questão desse porte.

    Ultimamente tenho lançado fortes críticas a esses “pensadores” que vivem dizendo que toda sexualidade humana é culturalmente “construída” e que portanto ,assim como a cultura,pode ser desconstruído.SIMPLESMENTE ASSIM kkkkkkkk

    Minha crítica se baseia no fato de a grande maioria desses “pensadores”,desdenharem muito dessa visão filosófica e criacionista,e serem centrados demais na visão cientificista/positivista de mundo,que ao meu ver é muito mais limitada e dogmática que a filosófica.
    Também não me espanta pensarem desse jeito,já que a maioria dos cientistas,pesquisadores,intelectuais que estudam essa área da sexualidade humana são ateus,agnósticos ou céticos,e que invariavelmente não acreditam,não dão credibilidade para essa visão não-cientificista.

    O que mais me deixa indignado com esse tipo de raciocínio de que “tudo é determinado pela cultura e é socialmente construído”,é que é um raciocínio muito simplista,limitado demais.
    Eu faço a comparação desse tipo de raciocínio pós-identitário com o raciocínio químico da abiogénese.
    Os pensadores pós-identitários pensam que a sexualidade humana surge espontaneamente do nada,em determinado período sócio-cultural “surgiu” a hetero,homo,bi,trans,pan sexualidades.DO NADA a cultura e sociedade criaram isso,rsrsrs

    É como o pensamento da abiogénese,coloque um punhado de roupas sujas dentro de um quarto fechado,deixe as roupas lá até começarem a se decompor,depois de um certo tempo quando forem ver de novo,INSTANTANEAMENTE “surgem” os ratos da decomposição da roupa podre. ¬¬

    Agora acompanhe a minha metáfora:
    Para os pensadores pós-identitários,que acreditam na chamada “teoria queer”,as roupas em decomposição seriam a sociedade,e os ratos que “surgem instantaneamente” da decomposição dessas roupas,seriam as orientações sexuais ou sexualidades.
    Vou longe,os ratos poderiam ser qualquer coisa ou grupo que os pensadores das ciências humanas,naturais,sociais queiram e não saibam explicar.
    Jogam tudo aquilo que mais lhes interessa mas não sabem explicar, dentro de um mesmo saco e jogam tudo pras abstrações dos campos dessas ciências.

    Entendeu minha metáfora MVG?

    Esses pensadores pós-identitários criam a ilusão de um mundo mágico além do arco-íris,onde todas as orientações sexuais são repeitadas e blá blá blá… Que existe uma dicotomia homo/hetero que é discriminatória e ilusória.

    Ótimo,adoraria um mundo assim também,mas para isso não é necessário descaracterizar a homo e a heterossexualidade,não é necessário inverter o jogo e discriminar a hetero e a homossexualidade em detrimento das outras sexualidades,não é necessário desnaturalizar a hetero e a homossexualidade e naturalizar a bissexualidade como se essa fosse a verdade universal,já que TODA a sexualidade é uma construção social,por que a bissexualidade haveria de ser a única natural,então??

    Com esse tipo de pensamento eles literalmente dão uma volta de 360° na circunferência da sexualidade humana e terminam exatamente de onde começaram,discriminam a homo e heterossexualidade em detrimento principalmente da bissexualidade,acabam criando uma naturalização hipócrita de comportamentos,o que antes era uma dicotomia homo/hetero agora se tornou um imperativo bissexualizante de tudo e de todos.
    Acho isso uma balela politicamente correta das grandes,NUNCA houve uma dicotomia homo/hetero,ser gay ou hetero nunca foi excludente com relação a ser bi,trans ou assexuado,não há porque criar vitimismos.

    Bom já falei demais,continuo não acreditando na existência do ex-gay ou ex-hetero como um mito ou propaganda político-ideológica,assim como também não acredito na figura política e identitária do gay idealizado,e militante.
    Não acredito na felicidade do ex-gay sem as duas vertentes,pois sem elas o ex-gay nem existiria,portanto,não seria feliz e nem triste,apenas seria nulo e abstrato.

    MVG,você já assistiu Laranja Mecânica? Se você vivesse naquele ambiente do filme,certamente você seria a favor e acreditaria na “cura” ou “reabilitação” do Alex através do Tratamento Ludovico.
    Pois é exatamente isso que me vem a mente,todas as vezes que se fala em “conversões” possíveis e impossíveis de gays,heteros ou whatever,parece um revival do Laranja Mecânica.

    Abraços.

    1. minhavidagay disse:

      Antes de mais nada, Ali, quero dizer que é muito positivo para o Blog MVG a sua presença com seus pensamentos críticos. Você é transexual (ou se não me falha a memória tem projeto para fazer a cirurgia da mudança de sexo) e, assim, vamos construindo – acima de tudo – a ideia que as pessoas são mais do que suas próprias sexualidades. Tem muito gay, inclusive, preconceituoso com transgênero e transexual. E acho que aqui, assim como pintam relatos de heterossexuais, bissexuais e mães, ter a sua presença participativa é bastante importante para que as pessoas tornem-se mais lúcidas e convivam com as diferentes realidades das pessoas.

      Com os comentários abaixo apresento minhas ideias em relação ao que o Fernando Lima colocou também nesse tema:

      Concordo com praticamente tudo que você expressou nesse seu relato. Não faz muito tempo que coloquei a ideia de “ex-gay” como um conceito banal para dar nome aos movimentos que querem converter os gays. Continuo achando esse nome simplório e ridiculrizado pois as coisas não funcionam sendo ex-alguma-coisa, ex-outra-coisa. Não funcionam no âmbito das sexualidades.

      Porém, tenho me questionado sim nos últimos tempos e mediante as discussões levantadas sobre esse tema se não existem pessoas que – por exemplo – vivem por longos períodos a homossexualidade e, num determinado momento se sentem motivados a experimentar a heterossexualidade. Um exemplo real: a prima de uma amiga foi a vida inteira homossexual. Passou por todas questões e dificuldades de aceitação que conhecemos, das mais banais as mais específicas. Casou-se com uma outra mulher e viveram sob o mesmo teto 5 ou 6 anos. Homossexual, certo? A história do casamento não continuou e não sei quais foram os níveis traumáticos que surgiram pelo rompimento, se é que houve traumas profundos envolvidos. O que sei é que ela saiu desse casamento, conheceu um homem, casou-se e hoje é mãe. Vive a cultura heteronormativa, não sei se da maneira mais normativa possível, mas o fato de estar casada com um homem e ter um filho já é representativo.

      A partir desse exemplo, levanto algumas questões:

      – Nessa circunstância, o que faz uma pessoa ser heterossexual ou homossexual? Vale mais o tempo de vida gay para categorizar essa pessoa de homossexual ou vale mais a relação atual para nomeá-la como heterossexual? Imagino que ela esteja feliz. Ou ela só pode ser feliz se tiver total certeza e convicção de sua sexualidade?

      – Entendo perfeitamente que um dos vértices para a nossa felicidade é a resolução que temos conosco quanto a nossa própria sexualidade. Heterossexuais não entendem isso porque vivem a regra, não entram nesses méritos de questionar a felicidade por meio do “posicionamento sexual” porque não existe cobrança, nem rejeição. Gays, bissexuais, transgêneros e transexuais passam por essa busca porque no momento que não se fazem parte da norma, existe uma procura (em maior e menor grau, sob mais ou menos influência da sociedade) para se contextualizar e se estabelecer socialmente. Mas levanto a questão: somos todos realmente obrigados a fazer uma “escolha” e pronto? Se transitarmos nessa escolha durante a vida toda devemos ser necessariamente considerados confusos, necessitados de um terapeuta?

      A felicidade que menciono, embora realmente subjetivo como você e o Fernando Lima colocaram, diz respeito da paz de espírito consigo. Se a sexualidade é um problema individual e que por consequência nos tira a paz de espírito em períodos de nossas vidas, questiono ultimamente se para chegar nessa paz precisamos necessariamente tracejar um caminho unilateral. Se existem héteros que vivem longos anos como tal e depois de 40 ou 50 anos resolvem se orientar pela homossexualidade (pois viveram anos de dúvida e influências externas – cultural e social – e na dúvida preferiram se estabelecer como hétero) é errado? É fraco? É menos?

      E na mesma proporção, aquele gay que viveu anos de sua vida no meio gay, cultuou os hábitos, frequentou os mais diferentes lugares e em determinado momento cansou de todos os aspectos da cultura gay, não pode tentar viver experiências heterossexuais, ter filhos em um casamento – digamos – mais “moderno” com uma mulher ou até mesmo uma lésbica?

      O que quero dizer, Ali, é que existe uma dinâmica e energia muito fortes que vem de dentro para fora e, ao mesmo tempo, existem referenciais e dinâmicas que vem de fora e – em maior ou menor grau – influenciam a todos das maneiras mais genéricas as mais peculiares.

      Quero levar em consideração em tudo isso que nós gays temos uma tendência a querer forçar a normatização homossexual no contexto de tempo e espaço que vivemos hoje, criando essa dicotomia as vezes mais comercial e midiática referenciando-se as classes (gay e hétero), criando partidos e não nos dando conta que o mais importante é a felicidade (paz de espírito do indivíduo) que nem sempre ou quase nunca representa as instituições, os partidos e as classes: é específico, particular e íntimo.

      Corporativamente o movimento LGBT tem o dever de abrir o espaço social e gerar a discussão sobre nossos direitos. Disso não discordo. Mas é muito delicado, as vezes, tratar a homossexualidade como artifício imperativo, como se todos os gays precisassem realmente seguir a cartilha gay de ponta a ponta e como se o “abandono” da homossexualidade fosse um ultraje, um equívoco, uma má influência apenas.

      Temos que ter bastante cuidado para não normatizar tanto a homossexualidade e nos tornarmos tão iguais (senão mais radicais e intransigentes) que os próprios heterossexuais.

      São esses pontos que levanto, tentando separar o joio do trigo. No momento, realmente, não digo nem sim nem não para a ideia do “ex-gay” (embora o termo seja ridículo) porque sinto que nessas movimentações os próprios gays não estão interessados nas particularidades do indivíduo mas na reputação da classe ou de si próprio. Aí, para mim pára de funcionar. Me parece que estamos mais preocupados com o “ex-gay” pela existência de instituições que levantam essa bandeira do que da peculiaridade do indivíduo, caso a caso.

      Abraços,
      MVG

      1. Ali disse:

        Antes de mais nada,muito obrigado MVG! É uma grande satisfação para mim ter a liberdade de comentar e expor minhas opiniões aqui neste espaço.O seu blog é um dos melhores e mais bem informado dentre os blogs voltados ao público GLBT.

        Sim,eu sou uma transexual feminina.Já pensei MUITO sobre fazer a cirurgia de mudança de sexo,durante muito tempo eu divaguei durante horas,conversei com meus familiares e com meu namorado,por fim decidi não me submeter a cirurgia,me sinto feliz assim como eu estou,me sinto satisfeito e pleno com meu corpo,minha vida,meu estado de espírito e psicológico.Estou tão a vontade comigo mesmo,que ainda prefiro me expressar no masculino kkkkkk

        Bom,vamos ao que interessa.Sabe,eu penso que essa disputa de egos entre o gay militante ou não e os religiosos reacionários,que tende a deixar os interesses dos “demais” de lado,essa disputa por um “lugar ao sol” ao meu ver é muito mais ampla e o ex-gay pode se aproveitar dessa polarização para poder impor também o seu ego.
        Eu não penso que eles são coitadinhos injustiçados,eles também possuem um ego elevadíssimo,nos EUA existe até mesmo uma forte militância de ex-gays que de certa forma quebram essa dicotomia e se aproveitam da situação conflitante de “bate-boca” entre a militância pró-gay e os religiosos reacionários.

        A questão do ex-gay já a muito tempo deixou de ser um caso de ” peculiaridade do indivíduo”,já é uma identidade partidária,uma questão muito mais geral do que se pensa MVG.
        A questão da possibilidade ou impossibilidade do “abandono” da homossexualidade,já não é mais algo que diga respeito a dicotomias conflitantes,já virou uma TRICOTOMIA conflitante.Não são apenas os gays que estão preocupados na “reputação da classe ou de si próprio”,os ex-gays também tem esse pensamento,ou você acha que não?! Não sejamos ingênuos com essa discussão!

        A mim essa questão já não causa mais um ultraje como você afirmou,mas me causa uma sensação de pena dessas pessoas que não tem pra onde correr ou se esconder,enquanto que os caras que fazem propaganda panfletária de suas “curas”,penso que falta um pouquinho mais de maturidade para abandonarem essa infantilidade.

        Com relação aos relatos que você citou,penso que isso cai de novo na abstração da sexualidade humana,e isso ao meu ver é uma faca de dois gumes.
        Conheço um cara que é gay,vive atualmente com outro homem,mas já foi casado por 10 anos com uma mulher e teve um filho.Diz que sempre foi gay,sempre soube que era e nunca deixou de ser gay mesmo quando estava casado.

        Minha prima tem um amigo hétero que era todo pegador,mas namora a sete anos outro cara,se considera hetero mesmo assim,dizendo que o atual namorado é o único cara que atrai sexual e afetivamente ele, tinha sido traído pela namorada,conheceu um cara especial e resolveram namorar.(Detalhe,eles se conheceram na minha festa de aniversário,eu apresentei um ao outro!) kkkkkkk

        Ressaltando: Sexualidade ou orientação sexual não se define por número de parceiros ou número de trepadas,se fosse assim teria muita gente com sexualidade trocada por aí.Haveria muito gay fazendo ménage com Megan Fox e Anjelina Jolie e se achando hetero mesmo não sendo um,e haveria muito hetero transando na sauna com Rick Martin e Brad Pitt e se achando gay,mesmo não sendo um.

        Relato real:
        Eu conheço dois ditos ex-gays,são casados com mulheres e tem filhos,eles são bastante ativos dentro do meio evangélico,promovem palestras sobre como “deixar de ser gay” no que eles chamam de “deixar o homossexualismo”,promovem cultos onde dizem que Deus irá “curar o mal e o pecado” se referindo a homossexualidade.Eu não sigo nenhuma religião,embora acredite e tenha fé em uma “força maior”,então eu estou literalmente cag!@#$% e and!@#$% para o que pastores,padres,papas e fiéis dizem ou deixam de dizer sobre a minha condição ou whatever.
        Se algum religioso vier me chamar de pecador e outras coisas,eu me sinto tão ofendido e me importo tanto quanto me chamarem de bobo e feio,ou falarem que o KG da batata subiu 9% no mercado rsrsrs

        Como esses dois ex-gays são muito próximos de um amigo “evangélico mente aberta” que eu tenho,seguidas vezes eu os encontrava em churrascos na casa desse amigo,eles sabiam de mim e do meu namorado,mas nunca falaram nada a respeito.Até que certa vez um deles levou o filho pro churrasco,o menino deveria ter uns 7 anos,e o menino ficou brincando e interagindo comigo e o meu namorado,de repente o cara pega o menino e leva ele pra longe e ficou dizendo um monte de bobagens do tipo:”Fiquem longe do meu filho,ele não merece ter esse tipo de contato com gente igual a vocês,meu filho vai ser normal e eu vou lutar por isso”,nos chamou de pecadores,de perdidos e blá blá blá.Nem preciso dizer que ficou um clima mega tenso no churrasco depois disso.
        Depois eu andei conversando com meu amigo evangélico,e ele me disse que o cara que era ex-gay exercia um controle absurdo sobre tudo aquilo que o filho fazia,não deixava o menino brincar com as meninas,não deixava ele ver programas de tv que tivessem alguma referência a homossexualidade,o menino tinha que aprender a jogar bola,brincar somente de carrinhos e com outros meninos,uma vez chegou ao ponto de eu presenciar o menino dizendo estar com vontade de fazer “xixi”,daí o cara simplesmente disse “xixi não,isso é coisa de viado,fala que você tá com vontade de mijar,é assim que homem fala” ¬¬

        E no caso do outro ex-gay,uma vez ele me convidou par assistir uma de suas palestras chamada “indo pelo caminho certo”,fui com a melhor das intenções,com a mente limpa e pronto pra qualquer coisa rsrs
        Péssima ideia,eu me lembro que fiquei tão assustado com o ufanismo do cara com relação a homossexualidade,lançando a todo instante generalizações descabidas e vícios de comportamento como se todo o gay agisse da mesma forma ou se todos fossem pervertidos e “possuídos pelo espírito do tinhoso”,o pior foi a vergonha alheia que eu fiquei quando ele começou a falar de TUDO o que ele fazia entre quatro paredes com outros homens,de como ele se sentia quando era “invadido pelo falo” etc…
        Deixei a palestra antes de terminar e fiquei esperando do lado de fora,quando terminou e todos foram embora eu entrei na igreja e fui ter uma conversinha com o cara.Começamos a debater e o caldo foi engrossando,até que começamos a discutir feio,comecei a deixar ele contra a parede e por fim perguntei: “seja homem o suficiente,me olha na cara e me responde com a verdade,você ainda sente atração por homens? o teu c@#$% ainda pisca quando você enxerga um macho bonito?” então ele muito sem graça falou quase chorando “sinto sim,eu mato um leão a cada dia se você quer saber,tá muito complicado pra mim toda essa história,mas Deus vai me ajudar”,eu num rompante de raiva disse “então mata o TEU leão criatura,e deixa o leão dos outros em paz,se você não consegue nem resolver os teu próprios problemas,então que moral você tem pra tentar resolver os dos outros??”
        Depois disso,nunca mais nos falamos.
        Isso seria medo? Do ex-gay ter tanto medo da existência do gay,quanto o gay ter medo da existência do ex-gay?

        Olha só esse video da entrevista que o Bill Maher fez com um ex-gay,tá sem legenda:

        E pra coroar tudo isso,um dois meses atrás eu conheci um grupo aqui no Brasil de ex-ex-gays hehe,são ex-gays que voltaram a ser gays,não conseguiram seguir ou não se sentiram felizes com a “cartilha hétero” e resolveram “voltar” a ser gays,se re-reconverteram kkkk

        Aqui tem um video bem interessante sobre o assunto,sem legenda também:

        Então MVG,abstrair ou subjetivar a questão da sexualidade humana para legitimar a questão do ex-gay ou ex-hetero,insisto, que NÃO É A SOLUÇÃO para a questão.
        É algo tão abstrato que confunde as pessoas,embaraçado e contradizente,paradoxal demais para se compreender ou ser levado a sério em perspectiva racional ou transcendental.

        Você já reparou que a imensa maioria dos ditos ex-gays seguem religiões que são mais fechadas e voltadas ao fundamentalismo?? Aqui no Brasil,principalmente os evangélicos pentecostais e neo-pentecostais.
        No catolicismo as coisas são um pouco mais diferentes,não se conhece quase nenhum gay católico que se diga ex-gay! Você conhece algum?!
        Se tem conhecimento de algum padre que reze missas para “curar” gays? algum Papa mais recente já ordenou ou oficializou que a Igreja Católica deva promover a “cura” da homossexualidade?
        O que o catolicismo prega,é a castidade por parte tanto de homo quanto de heterossexuais,SIMPLES.Algo que o protestantismo pentecostal não elucida,ou você já ouviu falar de pastores promoverem a “cura” de heterossexuais?
        Isso porque os gays católicos,principalmente aqueles que optam por serem padres,eles simplesmente se voltam a castidade,eles não dizem e nem ficam fazendo propaganda que “deixaram” de serem gays ou que perderam o desejo por homens,eles são homossexuais sim,mas apenas não praticam o ato sexual.

        Já dialoguei diversas vezes com padres homossexuais,surpreendentemente eles são muito bem resolvidos com suas orientações sexuais,mas por uma questão de ortodoxia religiosa optam pela castidade.
        Muito diferente dos mal resolvidos pastores e congressistas ex-gays evangélicos.Que necessitam se auto-afirmarem com essa identidade de ex-gays tanto quanto um gay bem resolvido precisa exaltar sua identidade de gay.
        Não vou nem entrar no mérito do transtorno ego-distônico,porque além de eu não gostar de patologizações,penso que isso é pouco pra essas pessoas.

        Eu como transexual,tive acesso a todos os prós e contras de uma cirurgia de mudança de sexo,meu médico foi super atencioso comigo e NUNCA me tratou como uma anomalia.Agora eu te pergunto,o que resta pra esses homossexuais que não se aceitam como são? Dependerem de uma religião que os demoniza e só lhes garante uma redenção ou um pouco de atenção caso eles contrariem sua natureza e vivam uma “cartilha” que não lhes diz respeito?
        Dependerem do diagnóstico de “especialistas” e “psicólogos” com motivos duvidosos,uma Marisa Lobo ou um Silas Malafaia da vida,que usam toda a gama de auto-sugestões e truques sujos de persuasão e preconceito usados para conseguirem mais seguidores e pacientes pra si mesmos?
        (visite o blog dela se tiver estômago!)
        Qual a garantia que esses coitados terão?Cadê os contras?porque nesse caso eu só vejo prós,como se tudo fosse um mar de rosas depois que um gay se “converte”.
        Cadê a garantia de ressarcimento por danos morais,caso uma “reversão” dessas dê errado?Cadê a garantia de que o fracasso dessa “reversão” não vai gerar uma depressão profunda e tentativas de suicídio?

        Pra finalizar,as sugestões que eu dou são,”saia do armário,ou fique nele”,isso é uma escolha exclusivamente sua,mas não venha com essa desculpinha de ex-gay,que isso já não cola mais.Até já tentei entender e dar uma chance pra essa questão de ex-gays,mas percebi no fim que não valia a pena.

        Percebi que você adotou uma postura “neutra” com relação ao assunto MVG,mas eu vou ao contrário.
        Assim como no passado,quando não se sabia se a terra era redonda ou não,era algo completamente abstrato.Se alguém naquela época perguntasse se a terra era quadrada? certamente alguém respondeu que NÃO e outras que sim.Quem estava certo?!
        E atualmente quando alguém me pergunta se eu acredito em ex-gays ou se acredito na “reversão” de qualquer que for a sexualidade? Eu simplesmente digo que NÃO!!

        A verdade sempre chega e a balança um dia vai pender pra algum lado.

        Abraços!

  3. Caio disse:

    Eu vejo esta explanação da cura gay com a mesma visão dos que defendem a proibição da eutanásia. Ora se quem defende este último ponto de vista citado o faz majoritariamente porque dar a chance para um paciente terminal tirar sua própria vida, não incentiva o governo e as instituições envolvidas a continuar pesquisando e se aprimorando para que futuramente tais indivíduos tenham chance de sobreviver.
    Neste mesmo contexto, porém numa situação diferente eu coloco a cura gay. Se dermos força a esta prática com o intuito de trazer felicidade ao indivíduo gay em poder alcançar a tão sonhada heterossexualidade, estaremos mantendo na sociedade a visão de que lutar pelo fim do preconceito e da discriminação por orientação sexual foi em vão.

    Eu sei que o seu ponto de vista foi de que não é nos termos, nem no sentido de cura para ser feliz, mas sim pelo fato de que os interessados nela fariam isso por sua própria vontade e não porque a sociedade os pressionaram. No entanto, não podemos esquecer que naturalmente isso não é possível (na nossa realidade), afinal todos os que são “obrigados” ou pressionados a buscarem a tal “cura” só o fazem porque a sociedade os condena. Se tudo fosse normalmente aceito duvido que se habilitariam ou sequer pensariam em trocar o sexo pelo qual gostariam de se sentir atraídos; alguém sabe de algum hétero que quis virar gay?

    Abraços.

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