Vida Gay – Barriga de aluguel

Deu na mídia bem recentemente a tendência de casais gays a procura de barrigas de aluguel. Não menos diferente, está na novela “Grobal” essa ideia em meio a tramas macarrônicas. Bom informar que o que a lei permite é que a mulher que oferece a barriga não pode ser a mesma que oferece o óvulo.

Foi nesse ínterim, questão de diferença de três semanas que duas mulheres se manifestaram – via comentário – aqui e ali no Blog MVG oferecendo o serviço. Eis a mídia influenciando o negócio e a necessidade de capitalizar.

Foi também que eu, meu namorado e Ela (do Blog “Que Gay Sou Eu”) assistimos uma peça que narrava a relação de mãe e filha lésbica envoltas na questão do esperma comprado pela filha e sua mulher para gerar um filho.

Não vai demorar muito para que o serviço de barriga de aluguel torne-se algo conhecido entre os gays.
Não vai demorar muito para que o serviço de barriga de aluguel torne-se algo conhecido entre os gays.

Não sou nada contra a prática do serviço de barriga de aluguel, muito pelo contrário. Elton John e David Furnish já tem dois filhos gerados assim, fato que é novo e deve fazer bastante sentido para os casais de homossexuais que buscam ter filhos alinhados a suas genéticas. Gugu (Augusto Liberato) e Michael Jackson – não necessariamente gays – são outras duas personalidades que tiveram seus filhos pela mesma prática.

Mas, como “Bem Brasil”, a coisa aqui pode sair bagunçada pela necessidade da grana.

Minha ex-sócia teve filho muito recentemente, fato que a fez – inclusive – se desligar da empresa. Acompanhei todo o processo, da descoberta “não planejada” e de todas as mudanças físicas e psicológicas que vieram. A coisa é bonita e realmente mexe com a mulher. Mexe também com quem acompanha. Não imaginava que a pessoa que a minha ex-sócia era (“moleca”, brincalhona e avoada) poderia se tornar uma mãe tão dedicada, preocupada e presente. Nunca estive tão perto desse processo de acompanhar todas as transformações que ocorrem em nove meses dentro e fora da mulher.

Barriga de aluguel eleva esse contexto de apego, afeto, mudanças químicas e físicas para o nível profissional, do serviço. Imagino eu, na minha parte ignorante, que não dá para ser algo de qualquer jeito, focado principalmente a uma renda extra. Sei que realmente existem pessoas que se doam para tais préstimos porque precisam do bem capital. Mas casais que compram “de qualquer jeito” alimentam uma máquina torta que já vai começar errado.

Desculpem o moralismo e imagino a possibilidade de existir muitos casais gays hoje que desejam filhos de herança genética. Mas que tal começar da forma correta, mesmo que se tenha que guardar um dinheiro a mais e planejar a ideia em um prazo maior?

Conhecendo a terra brasilis em que vivemos, eis mais um negócio que poderá ter a vertente “torta” e, mais cedo ou mais tarde, vai virar caso tipo “notícias populares” no horário nobre da “Grobo”.

Não quero ser pessimista/moralista, mas batalhamos há décadas para, inclusive, ter a dignidade de hoje poder pensar em ter filhos da mesma genética. Que tal preservar tal dignidade?

11 comentários Adicione o seu

  1. Fernando Lima disse:

    Oi MVG,

    Um dos problemas maiores da sociedade contemporânea é a volatilidade das crenças e valores. A exacerbação das vontades do ego.
    Entendo que casais gays tenham a vontade de ter um filho biológico. Contudo, isso só será possível para um dos cônjuges, a menos que tenham pelo menos dois filhos, né?
    Conheço a história de misturar espermas e ficar sem saber quem é o pai verdadeiro…., mas uma hora a curiosidade será insuportável.
    Você mencionou o caso da sua ex-sócia, como ela foi transformada pela maternidade. Há naturalmente um forte vínculo entre a gestante e a sua prole. Como ficará esse vínculo no caso da mãe de aluguel e a criança?
    Se a mãe já parte do princípio de vender “um serviço”, onde está o respeito à criança, que não é um objeto? Não terá a criança o direito de saber quem é a sua mãe biológica? Seres humanos não são produtos de consumo.
    Mercantilizar a gestação, desculpe-me, parece levar ao extremo o egoísmo humano.
    Falando em construir a homonormatividade (algo que Foucault já considerava necessário há algumas décadas) parece-me que estamos querendo repetir a cartilha da heteronormatividade no que tange à reprodução.
    Concordo com aquela frase já batida: Pais são aqueles que criam, não necessariamente aqueles que geram.
    Com tantas crianças abandonadas por héteros irresponsáveis, acho que nós gays contribuiríamos muito mais para o gênero humano criando essas crianças, dando-lhes condições de crescer felizes e formando futuros cidadãos conscientes, do que tentando adaptar o modelo papai/mamãe aos nossos desejos pessoais.

    Abraços,

    Fernando

    1. minhavidagay disse:

      Bom ponto de vista, FL, embora eu acho que os casais podem ter o direito de escolha, se genético ou adoção.

      Como sei do seus “antecedentes criminais”, sinto um pouco do contexto cristão em seus argumentos (rs). A propósito, foi ver o Francisco? ;)

      Não sou contra a essa prática, visto que não deve demorar muito para que crianças nasçam dentro de tanques que simulam a barriga da mãe. Isso é uma questão advinda das tecnologias no meu ponto de vista e não da heteronormatividade.

      Daí, colocamos em discussão o poder da tecnologia nos hábitos e a influência em nossa cultura. Não sei, ou melhor, sinto que sou mais a favor do que contra.

      Eu possivelmente, se tiver condições e tempo, prefiro ter um filho biológico e que ele possa se divertir num hipotético Jurassic Park.

      Tem a coisa também da tradição de perpetuar meus genes, que é algo que penso. Não sei, realmente, o quanto tudo isso cai no âmbito da hetero-homonormatividade ou na ideia de que eu dê continuidade ao “clã”, entende? Isso é coisa de heteronormatividade? Não parece mais da cultura de minha origem?

      Ainda não é muito claro para mim quais são os casos e comportamentos que se caracterizam pela orientação…

      Abs,
      MVG

  2. Fernando Lima disse:

    Oi de novo MVG,

    Sim, não me envergonho de ser cristão, sem dúvida a ética cristã é o centro da minha vida e ela não é homofóbica, como muitos querem fazer crer.
    Não fui ver o Papa Francisco não…rsrs
    Estou esperando para ver o que ele vai falar sobre nós gays, pois os antecedentes criminais dele… (como você diria…rsrs) não são muito bons: ele lutou muito contra a aprovação do casamento gay na Argentina.
    Voltando ao assunto.
    Querido MVG…. acho que você está vendo filmes de ficção científica demais….rsrs
    Crianças nascendo em tanques simulando a barriga da mãe????? Isso está me parecendo mais coisa de filmes como Matrix (por falar nisso, o Keanu não é um gatinho?? rsrs).
    As tecnologias apesar de serem sempre neutras, podem e são muitas vezes utilizadas para atender a anseios de certos grupos. Por que não para reforçar a heteronormatividade?
    O que é o conceito de barriga de aluguel original senão uma maneira de um casal que não consegue se reproduzir da maneira “normal”, alcançar o sonho dourado do filho – expectativa e cobrança forte da sociedade heteronormativa?
    Perpetuar seus genes? Caramba MVG! Quer papo mais heteronormativo do que esse? O que é mais heteronormativo do que dar continuidade ao clã?
    Acredite em mim, isso não está vinculado à tradição do seu grupo étnico específico, isso é onipresente na cultura masculina !!!!
    Para mim, não importam clãs, povos e sim o gênero humano como um todo.
    Quanto mais ficarmos aferrados a essas ideais de clãs, grupos, países, mais tendemos a perpetuar privilégios não justificáveis e que podem gerar tensões, conflitos e em nível mais amplo, guerras.
    Sou a favor da fraternidade efetiva entre todos os seres humanos, utópico não? rsrs
    Você fala: “prefiro ter um filho biológico”, já parou para pensar o quanto você está coisificando essa criança? Prefiro? Como assim?Ela deve vir a existir para satisfazer você? Como você se sentiria se nascesse nas condições em que ela nascerá?
    As perguntas que fiz sobre o vínculo da mãe de aluguel com a criança, sobre o direito dela de conhecer a mãe biológica, etc. ficaram em aberto.
    Não será porque temos a tendência de desconsiderar muitos obstáculos que possam se colocar frente a realização de nossos sonhos?
    Quais seriam os efeitos dessas questões sobre a sua relação com seu filho?
    Um filho é apenas um sonho, ou um indivíduo que deve ter condições de se realizar plenamente como pessoa?
    Acho que esta questão da barriga de aluguel atenta contra a dignidade do ser humano, que deveria vir ao mundo como fruto de uma relação amorosa e não como produto de uma relação pecuniária entre prestadora de serviço e cliente.
    Na minha visão pessoal, como gay, uma evidência de uma relação amorosa seria a disponibilidade do casal para criar uma criança abandonada, mais do que perpetuar os genes.

    Abraços,

    Fernando

    1. Eu só quero levantar alguns pontos para o que você disse, Fernando:

      “Você fala: “prefiro ter um filho biológico”, já parou para pensar o quanto você está coisificando essa criança? Prefiro? Como assim?Ela deve vir a existir para satisfazer você? Como você se sentiria se nascesse nas condições em que ela nascerá?”

      Independente do filho ser biológico ou adotado, ou filho, para não coisificar, pais sempre vão querer que seus filhos sejam do jeito que eles gostariam que fossem.
      Começo a acreditar que todo mundo tem pelo menos um plano para o seu filho (até mesmo você), mas a questão é que não sabemos se é isso que o mesmo irá querer, e que não temos consciência de que esse é o NOSSO plano, e não o dele.

      Um exemplo simples e básico: Eu quero ter um filho homem e queria que ele fosse gay! (Hehe! Orgulho do pai? EUHEUEHUEHEU!)

      Mas quem garante que ele vai ser? Quem garante que ele vá nascer homem? E quem garante que vá ser gay? E se eu adotar? Vou estar satisfazendo o meu desejo? Etc, etc, etc. (São várias perguntas).

      Em um ponto você pergunta: “Como você se sentiria se nascesse nas condições em que ele nascerá?”.
      O mesmo não vale para o adotado? Que, provavelmente, foi “abandonado” e que, talvez, nunca vá conhecer seus pais verdadeiros?

      Todo mundo quer um laço biológico? Até mesmo os filhos? Parece-me que sim!

      “Acho que esta questão da barriga de aluguel atenta contra a dignidade do ser humano, que deveria vir ao mundo como fruto de uma relação amorosa e não como produto de uma relação pecuniária entre prestadora de serviço e cliente.”

      Não se sinta chateado ou coisa do tipo, mas sinto um gostinho de religião. Nada contra, vou logo dizendo!

      Particularmente, não vejo problema algum alguém desejar ter um filho biológico, ou adotado. Posso seguir o seu conceito, Fernando: Não vamos coisificar o filho! Filho é filho! Não importa se é adotado ou biológico!

      O que me preocupa é formar um cidadão descente.

      Abraços do CR!!

    2. minhavidagay disse:

      Oi Fernando! Gostei dos novos pontos lançados. Mas diante deles, também tenho minhas colocações que divergem das suas:

      Em 2009, cientistas conseguiram teletransportar parte de um átomo. Assunto anunciado no seriado Star Trek desde a década de 60.

      Tivemos a Dolly clonada na década de 90. Por que não pensar na clonagem de animais instintos, como os dinossauros, algo parecido como Jurassic Park?

      Quando falei de filhos nascidos em “tanques”, foi uma força de expressão. Não será impossível gerar filhos fora do ventre de uma mulher. Vamos aguardar e veremos.

      A vida imita a arte vice-versa faz um bom tempo! E a tecnologia, em muitos casos, é “inimiga” da religião a bastante tempo também…

      De novo: você pergunta em que momento a heteronormatividade se aplica na tecnologia. No meu ponto de vista, um casal gay ter filhos biológicos ou adotados não tem ligação direta com a heteronormatividade. Procriação, perpetuação da espécie, a mim, está mais relacionada a nossa natureza pré-histórica do que uma cultura/comportamento heterossexual.

      Não acho que seja de responsabilidade da heteronormatividade o culto a clãs e grupos. Muito menos de uma responsabilidade apenas masculina. Quantas não são as mulheres, “mamas” que projetam em seus filhos homens a expectativa de progenitores alfa, machos? Nesse ponto, me vem uma percepção da influência do machismo, que não define a heteronormatividade, nem a resume.

      Sobre guerras e conflitos, também não vejo conexão direta com a heteronormatividade, mas com um valor primitivo do homem sob o poder do outro homem.

      Até agora, me parece que você quer elevar a aura homonormativa a um estado superior, “culpando” os heterossexuais pelas aberrações, “confusões” e atrocidades. Não posso concordar que seja assim. A “culpa”, se podemos dizer culpa, não é do hétero mas do ser humano.

      Sobre coisificar uma criança, concordo também com o CR: pais coisificam seus filhos por gerações no primeiro ato de projetar expectativas no rebento, a começar pela idealização do sexo, da escolha do nome e dos significados por trás da nomenclatura. Foi assim com você, comigo, com CR e com qualquer indivíduo que se coloca na terra. Pior realmente é, como o CR falou, as mães que abandonam os filhos. E veja que interessante: quem abandona é a mulher e não o homem. Onde esse tipo de abandono se aplica no seu valor de heteronormatividade no momento que é a figua masculina que você coloca tanto em questão?

      Hoje em dia um filho nasce numa família com mãe e pai, somente com mãe, somente com pai, mãe e mãe e pai com pai. Isso é sociedade, isso é cultura e isso é realidade constante nos países de primeiro mundo (aqui ainda estamos engatinhando, mas já são temas vividos nas escolas infantis). Os efeitos seriam do que já vemos por aí: filhos hoje nascem em contextos familiares diferentes, dos exemplos que citei acima. E, como algumas pesquisas já revelaram, o filho que nasce em um núcleo familiar de pais gays, tem um tendência de ser melhor aluno pois os valores de diversidade e multiplicidade adquiridos desde pequeno podem ajudar a desenvolver o raciocínio combinatório/associativo sem bloqueios.

      Sobre o tema de barriga de aluguel, realmente existe um limite tênue entre a dignidade e o mercantilismo. Fato é que escrevi o post. Mas não sou “radical” a ponto de condenar a prática pois, no final, vai depender dos valores e conduta de quem compra o serviço e não quem vende.

      É horrível pensar no tipo de comércio escuso que possa se formar por trás da barriga de aluguel. Existe até uma falta de espiritualidade aí, de espírito baixo mesmo. Por isso digo, tem que saber fazer. Tem de se fazer direito.

      Mas tem que se vivenciar, experienciar e aprender com tudo isso e não bloquear, reprimir e negar. A sociedade só evolui vivenciando. O mesmo para o indivíduo.

      Abs,
      MVG

      1. Fernando Lima disse:

        Oi MVG E CR,

        Vou comentar um pouco as observações de vocês:
        “CR: Começo a acreditar que todo mundo tem pelo menos um plano para o seu filho (até mesmo você), mas a questão é que não sabemos se é isso que o mesmo irá querer, e que não temos consciência de que esse é o NOSSO plano, e não o dele.”
        Não há nada de mais em ter planos para seu filho, é sinal de amor, queremos sempre o melhor para aqueles que amamos. O problema é quando isso passa de uma possibilidade e vira imposição, mas não era isso que eu estava querendo dizer. Isso não é “coisificar” um filho. Na minha visão, o que coisifica é tratar o caso como a compra de um carro: vou comprar um Ford ou um Chevrolet? Simplesmente para atender a um desejo, que muitas vezes pode ser passageiro, pois há pessoas que não têm vocação para a paternidade, eu sou uma delas….rsrs
        “CR: Em um ponto você pergunta: “Como você se sentiria se nascesse nas condições em que ele nascerá?”.O mesmo não vale para o adotado? Que, provavelmente, foi “abandonado” e que, talvez, nunca vá conhecer seus pais verdadeiros?
        Todo mundo quer um laço biológico? Até mesmo os filhos? Parece-me que sim!”
        Não vale o mesmo para o adotado? Sim e não. Sim, porque ele enfrentará conflitos e talvez frustrações, pois, de fato, todos nós – pais e filhos – queremos um laço biológico e isso no caso da adoção não será possível. Como você mesmo falou, talvez ele nunca conheça seus pais verdadeiros. Mas, você como pai adotivo, não foi o causador desse problema, aí está a diferença, neste sentido não é a mesma coisa, você está ajudando a resolver um problema: o abandono de um ser humano.
        Com a barriga de aluguel é exatamente o oposto, por um desejo pessoal, recorro a um artifício para ter meu desejo realizado. Eu passo a ser o causador do problema, ao introduzir na questão uma mulher que, não me cabe julgar os motivos, se dispõe a mercantilizar uma gestação. Daí a minha pergunta, como você se sentiria se soubesse que nasceu de uma relação de compra e venda e não de um ato de amor? Que seus dois pais contrataram os serviços de uma mãe, que não estará envolvida na sua vida?
        Estaríamos conscientemente privando um ser humano da relação mais intensa e importante para o início de seu desenvolvimento: a relação com a sua mãe. Volto a dizer, no caso da adoção você não seria o causador do problema.
        Ninguém gosta de ser visto como o diferente, porque a consequência é a exclusão. Nós como gays sentimos isso na pele a vida toda, tanto que há campanhas LGBT mencionando o direito à indiferença.
        Nesse caso, voluntariamente estaríamos contribuindo para criar uma criança estigmatizada na origem: não sou fruto do amor de meus pais, mas de uma relação comercial, independentemente de quanto os dois pais se desdobrassem para cuidar do pimpolho.
        ”CR: Não se sinta chateado ou coisa do tipo, mas sinto um gostinho de religião. Nada contra, vou logo dizendo!”
        Não fico chateado não! Convivo perfeitamente bem com opiniões totalmente opostas às minhas. rsrs
        Sim, há um gosto de religião, que bom que você percebeu. Acho muito cansativa a patrulha anti-religião. Parece que qualquer argumento religioso já seja a priori falso, ultrapassado ou arcaico.
        Sim, para mim a barriga de aluguel atenta contra a dignidade da vida humana e do nascituro, por torná-lo fruto de um negócio e privá-lo do convívio materno.
        Nem tudo é produto, há vida para além do mercado livre. rsrs
        “CR: Particularmente, não vejo problema algum alguém desejar ter um filho biológico, ou adotado. Posso seguir o seu conceito, Fernando: Não vamos coisificar o filho! Filho é filho! Não importa se é adotado ou biológico!”
        Belo paralogismo CR…rsrs. Você não usou meu conceito, mas tirou do contexto para afirmar o oposto! rs
        Para um casal heterossexual, de fato, não há problema algum em ter um filho biológico ou adotado (no primeiro caso seria fruto do amor do casal, no segundo de grandeza de coração para cuidar de alguém que foi abandonado). Já no caso de um casal gay, o filho biológico poderia advir de uma barriga de aluguel, o que na minha visão acarreta os problemas mencionados acima. Uma alternativa interessante seria a participação de uma amiga do casal, que se dispusesse a participar do processo (sem ganho monetário) e, pudesse estar presente ao longo do crescimento da criança. Aí sim, ficaria legal! rsrs
        Com relação às observações do MVG:
        “Em 2009, cientistas conseguiram teletransportar parte de um átomo. Assunto anunciado no seriado Star Trek desde a década de 60.
        Tivemos a Dolly clonada na década de 90. Por que não pensar na clonagem de animais instintos, como os dinossauros, algo parecido como Jurassic Park?
        Quando falei de filhos nascidos em “tanques”, foi uma força de expressão. Não será impossível gerar filhos fora do ventre de uma mulher. Vamos aguardar e veremos.”
        Quanto ao teletransporte…bem não vou entrar na parte técnica da Física envolvida, mas reafirmo vc está vendo o capitão Kirk demais….prefiro o novo Spock que é gay rsrs
        O que se transfere é a informação sobre estados quânticos de uma partícula, com a destruição da informação original e criação de uma cópia, portanto não é transporte.
        A possibilidade de vir a ser possível com pessoas é remota.
        Veja a opinião de um Nobel sobre o tema:
        http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2013/05/1276764-teletransporte-vai-continuar-sendo-ficcao-diz-nobel.shtml
        Quanto à Dolly, ela morreu prematuramente, não era um clone estável e foi precedido de muitos “experimentos” falhos grotescos. Mais um exemplo do desrespeito contemporâneo pela vida em todas as suas formas. Já deu para perceber que sou contra a clonagem também né? rs
        Quanto a gerar filhos fora do ventre materno…bem não vejo isso no horizonte… não vejo um bom motivo para fazer isso.
        Claro, você pode considerar como alternativa para casos em que a mulher já esteja em idade de gravidez de risco etc. Para mim, continuaria sendo um exemplo do predomínio do desejo egoísta sobre o bom senso.
        Clonar dinossauros e outros animais extintos… Sinto dizer que não será possível, primeiro porque não temos DNA completo de nenhum dinossauro (já está decomposto) e segundo, porque não há animais capazes de gestá-los.
        Veja a matéria abaixo:
        http://exame.abril.com.br/ciencia/noticias/clonagem-de-dinossauros-e-impossivel-diz-estudo
        “MVG: A vida imita a arte vice-versa faz um bom tempo! E a tecnologia, em muitos casos, é “inimiga” da religião a bastante tempo também…”
        Desculpe-me MVG, mas este é outro equívoco que vejo muito frequentemente:
        A tecnologia e, em termos mais amplos, a Ciência nunca foi, é ou será inimiga da Religião.
        Preciso lembrar que foi a Igreja Católica a grande responsável, pela criação das primeiras universidades, que surgiram vinculadas a Mosteiros e Catedrais?
        Não precisa acreditar em mim, veja:
        http://en.wikipedia.org/wiki/University
        Assim, ao contrário do que é habitual se ouvir por aí, a Igreja não é contra o desenvolvimento científico, mas foi o motor propulsor dele durante séculos.
        Claro que você pode falar de Galileu e Giordano Bruno, mas foram casos pontuais, ninguém acerta sempre. Também pode falar da Inquisição, etc.
        Obviamente que não foi correto, mas sabia que a Inquisição foi um progresso? Antes não havia processo de forma alguma, somente a decisão arbitrária do governante.
        Muitos preferiam ficar em prisões da Inquisição e não nas prisões governamentais porque eram melhores.
        Com os hospitais, quem fundou os primeiros ? Novamente a Igreja.
        Quem começou o Direito Internacional? De novo a Igreja… e por aí vai…
        Um último exemplo já que você gosta tanto de Genética.rsrs
        O Pai da Genética foi um monge agostiniano Gregor Mendel.
        O que a Igreja questiona é o aspecto ético daquilo que a Ciência e a Tecnologia tornam possível.
        Para quem não trabalha com Ciência, ela parece a panaceia que tudo resolverá, mas como a conheço por dentro, posso dizer que ela está mais para a caixa de Pandora.
        As possibilidades que ela propicia, neutras em princípio, normalmente são mal utilizadas pelo ser humano. Temos inúmeros exemplos e que tenho certeza de que só vão aumentar.
        Por quê? Porque desenvolvimento técnico-científico não implica desenvolvimento humano. Somos idênticos aos seres humanos de dois mil anos atrás, com o mesmo egoísmo, com a mesma voracidade, talvez até maiores.
        “MVG: No meu ponto de vista, um casal gay ter filhos biológicos ou adotados não tem ligação direta com a heteronormatividade. Procriação, perpetuação da espécie, a mim, está mais relacionada a nossa natureza pré-histórica do que uma cultura/comportamento heterossexual.”
        Não falei de um casal gay, falei de um casal heterossexual que, por não poder ter filhos, curva-se à pressão da sociedade heteronormativa e apela para uma barriga de aluguel (o conceito original).
        Na minha opinião, um casal gay querer ter filhos biológicos é reproduzir a cartilha de reprodução heteronormativa. Ter filhos adotados ou gerados com a parceria de uma amiga, como falei acima, seria algo positivo na construção da homonormatividade.
        Desculpe-me MVG, mas para mim a conexão entre heteronormatividade e procriação é evidente: perpetuação da espécie só pode acontecer através da relação sexual homem-mulher, ou fertilização in vitro seguida de inseminação artificial, ou barriga de aluguel. As três alternativas envolvem a participação dos elementos masculino e feminino.
        Não entendo a divisão que você faz entre nossa natureza pré-histórica e cultura/comportamento heterossexual. Essa divisão é arbitrária, na realidade a história da espécie humana é uma só e o que somos hoje é consequência também de nossa natureza, que você chama de pré-histórica, fundamentalmente promotora da heterossexualidade, pelas razões mencionadas acima.
        “MVG: Não acho que seja de responsabilidade da heteronormatividade o culto a clãs e grupos. Muito menos de uma responsabilidade apenas masculina. Quantas não são as mulheres, “mamas” que projetam em seus filhos homens a expectativa de progenitores alfa, machos? Nesse ponto, me vem uma percepção da influência do machismo, que não define a heteronormatividade, nem a resume.”
        Clãs, grupos sociais foram construídos sempre tendo o homem como figura principal ou não? O fato de serem estruturas patriarcais já implicitamente caracteriza a heteronormatividade.
        Falei apenas da cultura masculina, mas não disse que era responsabilidade exclusiva dela. Você menciona o caso das “mamas” com expectativas de filhos machos alfa, pois justamente esse comportamento feminino ajuda a perpetuar a heronormatividade que inclusive as subjuga. Quantas mulheres em países islâmicos não perpetram elas mesmas a circuncisão feminina em suas filhas ou outras mulheres (sem nenhuma justificativa corânica diga-se de passagem)? Quantas mulheres se recusam a ser atendidas por profissionais do sexo feminino, por julgarem que serão menos competentes do que homens? Tanto homens quanto mulheres são promotores da heteronormatividade.
        Pode ser ignorância minha, mas, para mim heteronormatividade e machismo estão diretamente conectados.
        “MVG: Sobre guerras e conflitos, também não vejo conexão direta com a heteronormatividade, mas com um valor primitivo do homem sob o poder do outro homem.”
        Nem eu fiz essa conexão, só disse que ao privilegiar clãs e grupos damos mais valor ao local em detrimento do nacional, ou mais valor ao nacional em detrimento do mundial. Isso pode acabar gerando conflitos. Por exemplo, uma das justificativas de Hitler para a guerra era a falta de espaço vital para o povo alemão.
        “MVG: Até agora, me parece que você quer elevar a aura homonormativa a um estado superior, “culpando” os heterossexuais pelas aberrações, “confusões” e atrocidades. Não posso concordar que seja assim. A “culpa”, se podemos dizer culpa, não é do hétero mas do ser humano.”
        Não sei por qual motivo, você sempre acha que eu sou a favor de preconceitos…rsrs
        Em momento algum falei que a homonormatividade é superior a heteronormatividade, ambas são complementares e não deveriam querer se impor uma a outra.
        “MVG: Sobre coisificar uma criança, concordo também com o CR: pais coisificam seus filhos por gerações no primeiro ato de projetar expectativas no rebento, a começar pela idealização do sexo, da escolha do nome e dos significados por trás da nomenclatura. Foi assim com você, comigo, com CR e com qualquer indivíduo que se coloca na terra. Pior realmente é, como o CR falou, as mães que abandonam os filhos. E veja que interessante: quem abandona é a mulher e não o homem. Onde esse tipo de abandono se aplica no seu valor de heteronormatividade no momento que é a figua masculina que você coloca tanto em questão?
        Acho que já esclareci acima o que é “coisificação” para mim, nada do que você mencionou acima se enquadra. Quanto a quem abandona, acho que aí quem está sendo radical é você. rsrs
        Ah……o homem não abandona, né?
        Não, talvez porque já tenha abandonado a mulher antes, deixando-a grávida, ou porque tenha forçado a mesma a praticar um aborto. Esse tipo de abandono se encaixa perfeitamente na heteronormatividade vigente, que ainda privilegia o homem, que pode tudo, enquanto à mulher cabe resolver o “problema”. Coitada da mulher nessa situação que, muitas vezes tem de abortar em situações precaríssimas.
        Não tenho nenhum problema com as diversas formas de famílias alternativas que você mencionou. Tenho certeza de que um casal gay pode criar bem uma criança, que pode vir ser um melhor aluno etc., como você menciona. A questão não é essa, mas a maneira como a criança foi gerada, como mencionado acima.
        Fico feliz que você admita a questão do limite tênue entre dignidade e mercantilismo.
        Bom, na minha perspectiva não há uma conciliação possível nesse caso, ceder à barriga de aluguel é mercantilismo, mas como sempre respeito as opiniões divergentes. rsrs
        A Natureza é sábia, se um casal não pode ter filhos, deveria adotar uma criança.
        Naturalmente é impossível dois homens procriarem, talvez a Natureza esteja nos dizendo que esse não é o nosso papel, mas que deveríamos criar as crianças que, pelos mais diversos motivos, não puderam ter um lar.
        Tudo que vá além disso, para mim, é clara expressão do egoísmo total e do individualismo absoluto que impera na sociedade contemporânea.
        “MVG: Mas tem que se vivenciar, experienciar e aprender com tudo isso e não bloquear, reprimir e negar. A sociedade só evolui vivenciando. O mesmo para o indivíduo.”
        É muito bonita essa história de experimentar e vivenciar…
        Contudo, somente quando não há efeitos adversos sobre os demais.
        Esquecemos rapidamente a principal e imutável regra de conduta que deveria pautar todas as relações humanas: não faça aos outros o que não gostaria que fizessem com você.
        Abraços,

        Fernando

      2. minhavidagay disse:

        Oi Fernando!

        Well, well, well, temos divergências não é mesmo? rs
        Continuarei achando a prática de barriga de aluguel algo aceitável. Mesmo sobre as tecnologias, se elas trarão ou não clones de dinossauros no futuro, bebês nascidos de “tanques”, teletransporte, e assim por diante, sou um entusiasta. Lembro do meu pai contar que – quando jovem – seu professor dizia das impossibilidades do homem ir a Lua e que essa ideia era uma tremenda bobagem. Anos depois o mundo inteiro estava assistindo a chegada dos terráqueos naquele satélite cinza.

        Claro que o problema está na mão de quem detém a tecnologia e não da tecnologia em si. Mas a mesma questão se pulveriza para outras instituições, não é mesmo? O problema sempre estará na mão daquele que usa das técnicas, dos conceitos e dos valores para a causa de poucos em relação a submissão de muitos. Isso a gente já sabe bem e – na medida do possível – exponho essa preocupação.

        Agora, não pretendo colocar a heteronormatividade como o “bandido” de todas as dores do mundo. Nem colocar todos os créditos da homonormatividade de Foucault. Mesmo porque estamos falando tanto da tal homonormatividade, mas mal sabemos dizer o que é isso realmente!

        É muito bonita essa história de experimentar e vivenciar. É linda na verdade (risos). E incentivo mesmo para que todos tentem ir um pouco além do próprio quadrado, na base da decência que o CR comentou, rompendo com próprios paradigmas e inseguranças do que é novo, tal qual a barriga de aluguel, uma cirurgia plástica ou uma viagem para ver a aurora boreal. Extrapolar, as vezes, é necessário, Fernando. Para ir além, recuar se for demais e buscar pelo equilíbrio. Aprender com os erros sim pois raramente o aprendizado dos acertos mexe com as nossas entranhas. Um amigo, recentemente, me disse que eu vejo o mundo cor-de-rosa, não no sentido gay da ideia, mas de ser muito positivista. Realmente, meus pés raramente estão fincados no chão, enraizados. Estou sempre inventando alguma coisa – embora minha terapeuta questione hoje em dia o por quê d’eu querer mais se minha condição atual já parece tão perto das coisas que idealizei.

        Enfim, não consigo ter esse olhar preocupado (não sei nem se “preocupado” é a melhor palavra) sobre os temas que levantamos nessa troca rica de pontos de vista. Convergemos sobre a ideia de não trazer efeitos depreciativos ou adversos ao outro. Mas realmente não acho a prática da barriga de aluguel, clonagem ou sabe-se lá o que mais a tecnologia e a ciência podem trazer, sejam questões que devemos contrariar plenamente. Não acho mesmo. Acho que “bons homens” farão bom uso das descobertas e “maus homens” farão um uso deturpado. Esse é o nível evolutivo do ser humano – quando um ou outro podem até transcender – transitando em acertos e erros, pecados e dádivas. Se formos condenar todos os abusos do mundo, teríamos que boicotar 90% de nossos bens de consumo que vem de um tipo de exploração desigual da China. Mas temos realmente que deixar de comprar celular, roupas, notebooks, tevês e outros produtos por causa do modelo de produção existente naquele país?

        Não acho que uma revolução funcione. Nem as passeatas nas ruas, no final, realmente funcionaram. Juro que me entusiasmei com o que vi; você sabe que para mim o efeito de passeatas não repercutem mais. E, para variar, o congresso só brincou de atender nossas expectativas até o momento.

        Como comentei a você, meus braços alcançam aqueles que estão próximos a mim e são a esses que posso levar um pouco mais de clareza desses conceitos. Da consciência de si, do contexto, da capacidade sensitiva e de auto-conhecimento que cada um pode alcançar. No mais, não tenho poder de abraçar as diferenças do mundo, Fernando, condenando ou indo contra pelo pressuposto da existência dos “homens maus”.

        O máximo que posso fazer é sugerir os caminhos das aberturas que adquiri pelo esforço próprio, pelas minhas vivências até o presente momento. Sirvo apenas de referência. O fosso entre o querer e o poder de cada pessoa é extremamente individual.

        E não, não deposito a mesma energia que você deposita nos pontos que levantamos. Meu olhar é diferente.

        Abs,
        MVG

  3. Caio disse:

    Acho importante que seja dado o direito aos casais homossexuais de terem acesso a fertilização invitro e também a barriga de aluguel assim como é para os casais heterossexuais.

    No entanto, na minha visão acho mais válido primeiro tentar a adoção, afinal o desejo de ter filhos, faz com que em tese se busque uma criança independente dela ter seus genes ou não. Ao invés de colocar mais uma criança num mundo super lotado, dê um lar a uma que não o tem.

    É apenas um ponto a se refletir, afinal muitas das mulheres (casais de lésbicas) têm que aquele lance querer carregar a prole na barriga e passar pelos estágios da gestação e alguns homens querem que o filho a ser gerado tenha características semelhantes as deles, aí quem sabe são eles.

  4. Ali disse:

    Bom,concordei com algumas colocações feitas por todos e agora vou por o meu ponto de vista sobre essa questão.

    Em primeiro lugar quero dizer que ainda não tenho uma opinião formada sobre a questão da barriga de aluguel,o Fernando levantou questões bem pertinentes sobre o assunto e eu concordei com a maioria delas.

    Penso que o indivíduo homossexual deve ter plena consciência de suas limitações e encarar os fatos.Por que veja bem,se um indivíduo já sente naturalmente a atração sexual e emocional por pessoas do mesmo sexo,e uma relação entre pessoas do mesmo sexo não pode GERAR prole,então isso já é um fato bastante evidente,não é?!
    Então por quê um indivíduo homossexual tem que insistir nessa história de “dar continuidade aos genes”, “meu filho tem que ser sangue do meu sangue”, “seguir a linhagem genética do clã” etc ??
    Isso me parece uma bobagem, é como se estivesse reproduzindo esses velhos discursos patriarcais e retrógrados.Uma pessoa homossexual não precisa vivenciar esse tipo de coisa,está naturalmente livre disso,não precisa dar continuidade a nada,não precisa se “mutilar” ou desrespeitar a sua própria natureza para seguir cartilhas que biologicamente não lhe dizem respeito,não condizem com a sua condição!
    Nos casos de um casal homossexual que busca a reprodução por meio da barriga de aluguel,inseminação artificial etc. Mesmo assim,direta ou indiretamente,vai haver a necessidade da participação de uma pessoa do sexo oposto para poder realizar esse procedimento.
    Eu quero dizer com isso,que a reprodução ou “perpetuação da espécie” é algo inerente e exclusivo das relações heterossexuais.

    Vejam bem,eu falei que casais de pessoas do mesmo sexo não podem GERAR filhos,mas são completamente capazes de CRIAR um filho de maneira saudável e suprir todas as necessidades materiais e afetivas desse filho.Eu também concordo plenamente com aquele ditado de que “pais são aqueles que criam”,então notem a diferença entre as duas coisas.

    Mas eu percebi também certas “limitações ideológicas” nas colocações do Fernando,como por exemplo:
    Ficar reivindicando direitos,se colocando no lugar de pessoas ou seres que nem sequer existem.Como poderíamos dizer ou afirmar como uma pessoa se sentiria se ela nem sequer foi gerada ou nasceu?!
    Como poderíamos nos colocar no lugar dessa pessoa,se esta nem sequer existe ou deu o ar da graça nesse mundo?!

    Se formos nos basear nesse argumento,porque não defendemos então a “dignidade humana” de pessoas que já morreram,de pessoas ou personagens fictícios e fantasiosos?!
    Vamos lutar pela “dignidade” do Papai Noel e do Coelhinho da Páscoa? kkkk

    Quando o Fernando fala o seguinte:
    “Obviamente que não foi correto, mas sabia que a Inquisição foi um progresso? Antes não havia processo de forma alguma, somente a decisão arbitrária do governante.
    Muitos preferiam ficar em prisões da Inquisição e não nas prisões governamentais porque eram melhores.
    Com os hospitais, quem fundou os primeiros ? Novamente a Igreja.
    Quem começou o Direito Internacional? De novo a Igreja… e por aí vai…”

    Acho que você tem lido demais Olavo de Carvalho e Mídia sem Máscara Fernado! rsrs Há controvérsias!
    Essas afirmações carecem de provas e fontes Fernando,”texto fora do contexto vira pretexto”,então não saia espalhando “evidências” a torto e á direito por aí sem antes apresentar fontes e um contexto que possa dar base e provar com verdadeiras evidências aquilo que você fala.
    Isso me parece aqueles velhos discursos saudosistas da Ditadura Militar ou do Nazismo alemão,os saudosistas estão sempre tentando dar uma desculpa qualquer para legitimar aquilo que acreditavam e ainda acreditam,por mais bizarro e contraditório que isso possa parecer,afirmando que tanto a Ditadura quanto o Nazismo não fizeram apenas coisas ruins,fizeram muitas coisas boas e proveitosas também.
    Por exemplo,afirmam com entusiasmo que a Ditadura foi a responsável pelo “milagre brasileiro”,construíram a usina de Itaipú e todas aquelas obras faraônicas,tudo era mais seguro,a educação era melhor e etc…

    Os saudosistas do Nazismo dizem que o regime de Hitler foi responsável pela construção das “autobanhs” que foram os protótipos das nossas modernas auto-estradas,lançaram os primeiros foguetes e que isso possibilitou futuramente a chegada do homem a lua etc…

    Pois eu penso que seria muito mais vantajoso para quem defende isso,se eles parassem de tentar tapar o sol com a peneira,parassem de tentar minimizar os fatos e assumissem de uma vez por todas que esses dois regimes políticos foram um equívoco,uma mancha negra na história de cada país onde isso ocorreu.Vale o mesmo para os cristãos de plantão que ainda insistem em tentar ver um “lado bom” da Inquisição,se é que teve um lado bom.
    Ficam fazendo uso desse malabarismo argumentativo,tentando arranjar um boa desculpa para legitimar um tribunal que de justo não tinha nada.Ficam remoendo coisas incertas do passado que não possuem provas,ao invés de pouparem suas lábias e o nosso tempo e assumissem que a Inquisição foi um equívoco,um erro,uma mancha negra na história da Igreja Católica,falta um pouco de humildade por parte da igreja e dos católicos em dizer que a Inquisição foi um “mea culpa”.Vocês já viram alguma vez um Papa pedir desculpas pelas vítimas da Inquisição? Agora o Papa vem aqui no Brasil e reza pelas 245 vítimas da boate Kiss,mas e os milhões de vítimas que foram mortas pela Inquisição também não merecem uma oraçãozinha e um pedido de desculpas formal vossa santidade?!
    Por quê os cristãos não podem agir como os alemães? Assumirem os erros do passado sem precisar engrandece-los ou minimizar suas consequências,apenas passam uma borracha sobre esse fato do passado e seguem olhando pro futuro.Eles pelo menos se dão ao luxo de terem vergonha dessa mancha negra do passado,mas os cristãos agora não podem?!
    Me lembro de uma palestra de um padre jesuíta que eu assisti,que também era um teólogo bastante requisitado no Vaticano,ele em um certo momento foi indagado por alguém da platéia sobre as torturas aplicadas nos condenados pelo tribunal da Inquisição,então ele com um ar todo bonachão disse mais ou menos assim:
    “Você chama aquilo de tribunal? Veja bem meu jovem,tribunal é o órgão e estabelecimento onde se julga e se busca justiça,certo? Então,naquela época quando as pessoas ditas”hereges” eram condenadas pelo tribunal da Inquisição,na imensa maioria dos casos,era usado um procedimento em que se atavam as mãos e os pés da pessoa e a jogavam na água,se a pessoa flutuasse,era sinal de que estava “possuída pelo mal” e merecia ser punida,no caso torturada,e se a pessoa afundasse ela era considerada inocente e “pura de espírito”,mas no caso morria afogada. Agora me diga meu jovem,você chamaria de tribunal um lugar que fornece esse tipo de “justiça”??”
    Silêncio total na platéia seguida de uma gargalhada do padre e que logo foi seguida por todos,rsrs. Até hoje me lembro disso.

    Agora eu fico pensando,se tudo isso for verdade e se seguirmos esse mesmo raciocínio do Fernando em querer dar uma “imagem positiva” de tudo o que a igreja já fez,vocês não acham que nós como seres humanos devemos alguma coisa a Ditadura Militar e ao Nazismo??
    Eu digo que NÃO,mesmo se o pessoal da ditadura e do nazismo tivessem reescrito a Declaração Universal dos Direitos Humanos 100%melhorada,e se Hitler fosse um amor de pessoa,isso não justificaria as brutalidades e os erros gritantes cometidos por esses governos.

    Será que é exatamente como Maquiavel falou,”os fins justificam os meios”?! Eu acho que não!

    Outro trecho onde você fala na criança ser gerada por um “ato de amor” e não por uma relação mercantilista,eu fico pensando o quão relativo isso pode significar porque nem toda reprodução acontece em um ambiente de amor ou num contexto adequado para isso .Por exemplo: Se uma criança for gerada por um estupro ou qualquer outra violência sexual,isso não seria gerar um filho por um “ato de amor” seria?! Uma transa inconsequente,sem camisinha, em uma noite de carnaval,e nove meses depois nasce uma criança,isso não seria gerá-la em um “ato de amor” seria?! Uma prostitua que venha eventualmente engravidar de um cliente,estaria gerando um filho por um “ato de amor”?!

    Acho que não é novidade pra ninguém aqui,que existe uma GRANDE diferença entre amor e sexo,não necessariamente um vai estar relacionado ao outro.

    Percebi que no seu comentário,você falou muito em heteronormatividade,e não foi no bom sentido rsrs.
    Olha,posso estar errado,mas isso me parece aquele mesmo ranço da militância gay e feminista em querer culpar os HOMENS HETEROSSEXUAIS por todo o mal que existe no mundo,que a função deles é apenas magoar e ferir os coitadinhos dos gays e das mulheres.Sem falar que “heteronormatividade” foi um conceito criado e muito empregado pelo Michel Foucault,e que os livros dele estão na cabeceira das camas desse pessoal da militância,e que também não é novidade que esse pessoal exagera bastante em certas questões.
    A questão não se resolve levando tudo para o maniqueísmo Fernando,não é nós x eles,sabia? As coisas não se resolvem desse jeito.

    Bom,por enquanto é isso.Como eu falei antes,OS GAYS NÃO PODEM VIVER APENAS DE REFRAÇÃO!!
    Se é preciso negar valores e limites para construirmos nossa “homonormatividade”,então ficarmos discutindo se a barriga de aluguel viola a dignidade humana ou não,é o menor dos nossos problemas.Se precisamos tão desesperadamente nos desvencilhar e suplantar os “valores heterossexuais”,então digam logo por onde começar!

    1. Fernando Lima disse:

      Oi Ali,
      Vou comentar as suas observações sobre as minhas limitações ideológicas….
      1)” Ficar reivindicando direitos, se colocando no lugar de pessoas ou seres que nem sequer existem. Como poderíamos dizer ou afirmar como uma pessoa se sentiria se ela nem sequer foi gerada ou nasceu?!”
      Parece-me evidente, que não estou me colocando no lugar de pessoa que ainda não nasceu, mas, considerando como se sentirá, bem depois, quando já tiver consciência de si e do mundo que a cerca.
      Será bom nascer de alguém que não participará de sua vida? Será bom saber que essa pessoa recebeu pagamento para gerar você? E a relação profunda entre mãe e filho, que nunca será igual (nem em intensidade nem em natureza) à relação com o pai? Bom, não vou ficar repetindo os argumentos do post anterior, nem discutir o profundo exemplo do Papai Noel, tá?
      Em termos de Direito, quer dizer que só se pode legislar para quem está vivo agora? Não posso reivindicar direitos para quem ainda não nasceu, ou nem foi gerado?
      Se fosse assim, não haveria Direito Comercial, pois não poderíamos estabelecer regras para negócios que ainda não foram feitos, nem para empreendimentos que nem foram pensados…
      2)” Acho que você tem lido demais Olavo de Carvalho e Mídia sem Máscara Fernado! rsrs Há controvérsias!
      Essas afirmações carecem de provas e fontes Fernando,”texto fora do contexto vira pretexto”,então não saia espalhando “evidências” a torto e á (sic) direito por aí sem antes apresentar fontes e um contexto que possa dar base e provar com verdadeiras evidências aquilo que você fala.”
      Desculpe-me a ignorância, mas não conhecia esse senhor nem o site citado, até você mencioná-los.
      Não afirmo nada que careça de provas, nem baseio minhas opiniões somente em materiais publicados na Internet. Minhas fontes são também provenientes da literatura sobre o assunto abordado ou de trabalhos acadêmicos fidedignos.
      Não, Ali, não há controvérsias.
      a)INQUISIÇÃO – defendi em algum momento? Falei que NÃO FOI CORRETO. Não tapei o sol com a peneira. Só falei que mesmo ela, diante da barbárie reinante, representou um progresso em termos processuais.
      Veja o artigo abaixo, pode ampliar a sua visão sobre o tema:
      http://commonlawreview.com/wordpress/?page_id=577

      b)HOSPITAIS – Apesar de haver iniciativas de romanos e gregos anteriores ao Cristianismo, no Ocidente foi com o advento do Cristianismo que os hospitais passaram de fato a se desenvolver.
      Quer uma fonte? Daniel Hall, publicada no Jornal de Medicina e Biologia da Universidade de Yale:
      http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2605310/
      Cito o trecho abaixo:
      “Although physicians were available in varying capacities in ancient Rome and Athens, the institution of a hospital dedicated to the care of the sick was a distinctly Christian innovation rooted in the monastic virtue and practice of hospitality. Arranged around the monastery were concentric rings of buildings in which the life and work of the monastic community was ordered. The outer ring of buildings served as a hostel in which travelers were received and boarded. The inner ring served as a place where the monastic community could care for the sick, the poor, and the infirm. Monks were frequently familiar with the medicine available at that time, growing medicinal plants on the monastery grounds and applying remedies as indicated. As such, many of the practicing physicians of the Middle Ages were also clergy.”
      Acho que é fonte suficientemente não católica para você acreditar, né?
      c)DIREITO INTERNACIONAL – Francisco de Vitória , frade dominicano espanhol é considerado um dos pais do Direito Internacional Moderno:
      http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_de_Vit%C3%B3ria
      E o contexto que você tanto preza, não era propaganda da Igreja, mas somente evidenciar para o MVG que Ciência e Religião não são incompatíveis.
      3)” Isso me parece aqueles velhos discursos saudosistas da Ditadura Militar ou do Nazismo alemão,os saudosistas estão sempre tentando dar uma desculpa qualquer para legitimar aquilo que acreditavam e ainda acreditam,por mais bizarro e contraditório que isso possa parecer,afirmando que tanto a Ditadura quanto o Nazismo não fizeram apenas coisas ruins,fizeram muitas coisas boas e proveitosas também.”
      Acho que o que escrevi logo acima justifica os exemplos que citei e não a defesa de alguma ideologia doentia.
      E, só para registro, houve coisas boas na Ditadura Militar? Sim, a educação era melhor, para poucos , mas era melhor. Houve coisas boas no Nazismo? Nele em si não, mas ninguém pode negar que Hitler acabou com a hiperinflação e, muito provavelmente por isso conquistou a confiança do povo alemão.
      Chato eu dizer isso, não é Ali? Pois realidade é muito mais complexa do que a divisão entre branco e preto, na verdade é cinza. E, sim, cientistas nazistas estiveram diretamente envolvidos com a viagem à Lua, como Werner von Braun. Muitas vezes é difícil discernir onde está o bem e onde o mal, admitir os fatos, não negá-los, não me torna saudosista do Nazismo, regime que particularmente odeio.
      4)”falta um pouco de humildade por parte da igreja e dos católicos em dizer que a Inquisição foi um “mea culpa”.Vocês já viram alguma vez um Papa pedir desculpas pelas vítimas da Inquisição?”
      Acho que você deveria tomar contato com um conceito bastante utilizado em pesquisa histórica: não se julga o passado com as categorias usadas no presente.
      Veja o que quero dizer com categoria:
      http://pt.wikipedia.org/wiki/Categoria_(filosofia)
      Já falei que a Inquisição foi errada, mas suas origens e razão de ser podem ser entendidas, não justificadas, pelo contexto da época.
      Fazer “mea culpa” por causa dela? Ao contrário do que você disse, sem as provas que exige para tudo o que falo, sim, o Papa João Paulo II pediu desculpas pela Inquisição e antes dele, já no século XIX, o Papa Leão XIII foi contra:
      http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2005/papa/0057.shtml
      Com relação à humildade, acho curioso você cobrar isto de nós católicos. Diga-me qual outra Religião no mundo, teve líderes que tenham pedido desculpas públicas à sociedade por erros cometidos por sua Instituição?
      5) “raciocínio do Fernando em querer dar uma “imagem positiva” de tudo o que a igreja já fez”
      Como mencionei acima, meu único objetivo era evidenciar a compatibilidade entre Ciência e Religião. Não sou garoto-propaganda da Igreja Católica, mas por muitas vezes, inimigo acérrimo de seus posicionamentos, em especial sobre as mulheres e nós gays.
      6) “Outro trecho onde você fala na criança ser gerada por um “ato de amor” e não por uma relação mercantilista,eu fico pensando o quão relativo isso pode significar porque nem toda reprodução acontece em um ambiente de amor ou num contexto adequado para isso .Por exemplo: Se uma criança for gerada por um estupro ou qualquer outra violência sexual,isso não seria gerar um filho por um “ato de amor” seria?! Uma transa inconsequente,sem camisinha, em uma noite de carnaval,e nove meses depois nasce uma criança,isso não seria gerá-la em um “ato de amor” seria?! Uma prostitua que venha eventualmente engravidar de um cliente,estaria gerando um filho por um “ato de amor”?!
      Ali, não vivo em uma torre de marfim olhando em êxtase para os céus!! Rsrs
      É claro que tudo isto acontece, mas como cristão digo, e aí é minha opinião mesmo, sexo e amor precisam estar juntos! Este é o ideal, se não acontece, muitas vezes sem precisar cair nos exemplos extremos que você citou, é uma pena, mas não é por isso que vou deixar de apontar para aquilo que acho correto.
      7) “A questão não se resolve levando tudo para o maniqueísmo Fernando,não é nós x eles,sabia? As coisas não se resolvem desse jeito.”
      Em nenhum momento disse que era, mas desculpe-me, SIM, somos oprimidos pela sociedade heteronormativa , não vejo a heteronormatividade com bons olhos enquanto ela não admitir a existência de uma homonormatividade tão importante quanto ela, nem mais nem menos. Complementar, não em oposição, ainda que em construção.
      Não sou da militância gay, mas a admiro muito porque, no final das contas muitas das nossas conquistas foram, de fato, conseguidas por ela e não por discussões teóricas, por mais que eu goste delas. Rs
      Como para todo cristão a vida é o mais importante, do início ao término natural, não acho que a discussão sobre a barriga de aluguel seja o menor de nossos problemas. Tudo que se relaciona à vida deveria ser pensado com muita cautela.
      Quanto à construção da homonormatividade, acho que não precisaremos negar valores e limites, mas será muito difícil, a curto prazo, saber onde eles de fato se encontram.
      Abraços,
      Fernando

  5. Jeffrey Silva disse:

    Bem, tenho vontade de ter um filho e por barriga de aluguel… Minha familia é toda HT – sou o unico gay da familia, meus irmãos tem os filhos deles nas relações deles e eles apóiam minha decisão. Pelo que eu li em tudo que está sendo falado nos posts acima dos meus tive a impressão de que para alguns a prática é errada. Estranho, no meu conceito simples (e NADA cientifico) não vejo como erro. Fiquei com a impressão (lendo alguns posts) de que querer ter um filho meu e não querer ter relação com mulheres para que isso aconteça tá errado. Sei lá, mas no meu conceito simples, e sem querer ofender ninguém, óbvio, ‘alguém mergulhou demais na ciencia ao ponto de morrer afogado com as próprias palavras’ aqui… Não acho que seja errado eu querer cuidar de um filho meu, e nem vejo isso como erro. Não significa que eu esteja menosprezando a adoção. Conheço muitos héteros que são super a favor de se ter filhos assim. O que nesse ponto eu realmente não concordo é pagar a mulher para isso (como ouvi falar em alguns casos e vi acontecer já)… Filho não é mercadoria, que você pode comprar em qualquer lugar. Esse ponto pode ser levado em conta até mesmo no caso da adoção, onde mães tem filhos e VENDEM a casais que não podem tê-los. Esse sim para mim é um ponto que deve ser considerado pois é um absurdo. Agora, que a tecnologia vai avançar nós já sabemos. Essa coisa de abandono não acontece só com casais héteros, e não acho que possamos julgar sobre isso. Nem deveriamos (digo isso por frases que eu li aqui que me deram a impressão de ‘ah, os Homens HT são a praga da sociedade, ‘sambemos’ todos na cara deles’ e achei isso um absurdo sem tamanho). Tem muitos pontos tanto em adoção quanto em fertilização voluntaria que vai dar divergencia, e de fato vamos ter que aprender a viver com as divergencias de cada um. Às vezes a gente precisa lembrar que ‘não é falando mais que o outro, trazendo argumentos de matérias importantes’ ou mostrando mais conhecimento que vamos sair como ‘os melhores’ em determinado assunto. Nessa sucessão de posts as vezes me pareceu que ‘quem estava postando aqui estava usando a inteligencia de modo infantil’, sabe… Repito que não quero ofender a ninguém aqui… De verdade eu queria ter metade da inteligencia de vocês que postaram, pois eu ia achar um jeito de ficar muito RYCO com ela (hahahahahaha, brincadeira), mas talvez essa discussão que vocês estão travando não deva e não precise ser levada adiante pois a impressão que está passando para quem lê é que no fim das contas ‘alguém vai sair oifendido daqui’… Se eu estiver errado em meu ponto, tudo bem, mas essa é a impressão de alguém que está lendo esse ponto levantado. E repito (again .-.): Não quero ofender ninguém com a minha simples opinião leiga no assunto…

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