Gays a quem eu tiro o chapéu


Ser gay, na prática, não traz diferença nenhuma em relação a grande maioria das pessoas que estudam, trabalham e buscam objetivos na vida. Nossa homossexualidade, de fato, não aponta para necessariamente nenhum diferencial; na história existem registros de grandes homens – heterossexuais e homossexuais – que deram algum sentido ou iniciaram marcos por suas descobertas, artes, sabedoria ou sensibilidade. A quem diga que Leonardo da Vinci era gay e por isso conseguiu ser aquele gênio multifacetado, artista, físico, matemático e cientista. Mas percebem que ninguém compara a incrível genialidade de Albert Einstein ou a imensa repercussão dos estudos de Darwin com a heterossexualidade? Sabe por que? Porque existem gays que buscam associar feitos de grandes homens com a homossexualidade pela pura necessidade de se auto-afirmar como homossexual. Assim sendo, ser gay não quer dizer ser superiormente diferenciado. Eis o meu ponto de vista.

Mas, a mim, preciso tirar o chapéu para alguns gays cuja vida pública sempre foi evidente e, enfrentado a mídia e a sociedade, atiraram para longe seus respectivos armários e – além de serem talentosos em seus ofícios – colaboraram e colaboram com um senso de inclusão ao assumirem publicamente a homossexualidade. De fato são poucas as pessoas historicamente talentosas que têm reputação pública e que agregaram a sua imagem a própria particularidade sexual. De qualquer forma, a ideia aqui não é pontuar todos, mas aqueles que repercutem de alguma maneira como referência e serviram em alguma medida como modelo de inspiração para minha própria vida.

Jodie Foster
Jodie Foster

Faz anos que não vejo a Jodie Foster nas telonas. Quando saiu o “Silêncio dos Inocentes”, a Jodie era ainda bem nova e eu, um verdadeiro adolescente. Essa atriz, no meu ponto de vista, é uma representação das grandes atuações do cinema americano. Junto com Anthony Hopkins conseguiu imortalizar “Clarice Starling” e “Hannibal Lecter”.

Jodie Foster nem é uma ativista LGBT e, ao contrário, leva sua vida muito discretamente, longe dos anseios da mídia. De qualquer forma se assumiu e marcou mais um caso de uma atriz de grande talento e que resolveu sair do armário.

Ao meu ver, não existe suspense mais bem feito e inteligente do que “Silêncio dos Inocentes”. Referência cinematográfica para quem aprecia um bom filme.

Ian McKellen
Ian McKellen

Qual jovem de hoje não reconhece a figura acima no papel de “Gandalf” ou de “Magneto”? Ian McKellen é assumido e já chegou a entrar de mãos dadas com o marido/namorado na calçada da fama. Ator de longa reputação do teatro e do cinema, Ian é um daqueles que conseguiu romper estratosferas de sua homossexualidade pela ampla e talentosa atuação.

Elton John
Elton John

A mim, Elton John foi o precursor das Drag Queens quando em seu auge da fama – na década de 70 e 80 – usava alegorias, óculos, sapato plataforma, plumas e penduricalhos. São mais de 30 discos e, assim como os Beatles, é praticamente impossível um jovem não conhecer uma de suas canções como “Your Song”, “Candle in the Wind”, “Sacrifice”, “Rocket Man”, “Don’t let the Sun Go Down On Me” ou “Skyline Pigeon”. Your Song, por exemplo, foi regravada dezenas de vezes. Ian McGregor e Nicole Kidman (no filme Moulin Rouge) e Ellie Goulding apresentam as versões mais populares atualmente. É o segundo artista mais rico da Inglaterra, ficando atrás apenas de Paul McCartney e – todos os anos – arrecada milhões para a EJAF (Elton John Aids Foundation), fundação que investe em pesquisas para a cura da AIDS.

Ney Matogrosso
Ney Matogrosso

No cenário nacional não poderia deixar de citar o Ney Matogrosso. Ex-líder do célebre e memorável “Secos e Molhados”, junto com Caetano Veloso, Chico Buarque, Mutantes, Gilberto Gil, Tom Zé, Nara Leão, Gal e Bethânia, formou todo o caldo da saudosa MPB – Música Popular Brasileira. A MPB de hoje mudou totalmente, mas o Ney continua firme em suas apresentações, resgatando em cada show o “caldo primordial” de nossa boa música popular e nacional.

Brian Epstein
Brian Epstein

Brian Epstein era empresário e visionário. Não fosse ele, nada do que entendemos hoje de Beatles e Rock and Roll se constituiria. Brian, apesar de não assumido publicamente, mantinha um tipo de paixão platônica por John Lennon. Talvez, não fosse esse envolvimento afetivo, Epstein não tivesse abençoado o quarteto. As sonoridades que conhecemos hoje talvez não tivessem se pulverizado mundo a fora de maneira tão harmoniosa, expressiva e contundente.

Eis aí alguns gays que me inspiraram em algum momento de minha vida, não por serem gays, mas por terem aberto a homossexualidade em público e por colaborarem direta e indiretamente para a nossa inclusão social em tempos muito mais longínquos – e restritivos aos gays – que os nossos.

2 comentários Adicione o seu

  1. Jeffrey Silva disse:

    Dessa lista eu só conhecia uns 3… .-.

    Amo o Ian McKellen *————*

    Sem querer polemizar, mas uma pergunta: tem algum motivo em especifico para não tirar o chapéu para os demais (os que se assumiram perante a mídia toda – seja no inicio a uma manifestação contra ‘algum lider politico’, ou alguém do tipo “Un, dos, tres Un pasito pa’delante, Maria”)??? Sei lá, eu não conheço muito de gays famosos e nem sei muito da história deles – mesmo achando que uns usaram a homossexualidade de má fé para alavancar a carreira…

    Além desses tem mais algum pra quem vc tira, ou até mesmo pra quem vc não tire? E pq? ^^

    1. minhavidagay disse:

      Ehehe, boa pergunta, Jeffrey!

      Para esses gays que citei, não fiz esforço para lembrar. Realmente, em tempos atuais e com o “shape” jovem, o Ricky Martin é uma referência moderna. Mas a homenagem que fiz foram para aqueles que tiveram alguma representatividade na minha vida, por ser uma referência de conduta. Poderia citar outras personalidades, não gays, como o Steve Jobs e o John Lennon, dois caras que em suas respectivas áreas me ajudaram ou me ajudam a formar meus valores e senso crítico.

      Provavelmente teriam outros gays, mas teria que me esforçar para lembrar, ou seja, a referência não seria tão forte assim.

      Certo?

      Abs,
      MVG

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