Dicas de baladas GLS em São Paulo

Baladas GLS em SP – Onde os gays andam se divertindo na cidade

O leitor Fernando Lima, como objeto de “estudo antropológico” (rs), pediu para que lhe enviasse um menu de baladas GLS em SP.

Resolvi postar aqui no MVG algumas das boates gays mais reconhecidas hoje em dia, embora em algumas delas (que foram inauguradas de três anos para cá) não tenha ainda conhecido pessoalmente.

Acontece que baladas gays ou não, a bem da verdade, mudam de conceito visual, de local, mas levam normalmente sempre os mesmos donos a frente e dialogam com os mesmos nichos de público (meu lado empresário e gestor falando um pouco).

Então, vamos a noite gay em São Paulo para quem é ou não dessa metrópole maluca! /o/

Club Yacht

Club Yacht - Para os bem-arrumadinhos e moderninhos
Club Yacht – Para os bem arrumadinhos e moderninhos

Com temática “náutica”, os garçons atendem com aquelas camisetas listradas e toda decoração do Club Yacht envolve esse conceito. Me parece uma bela casa – é uma dessas inauguradas nos últimos três anos para cá – e, pelos comentários do Sammy e do P, o público tem uma média de idade de 25 a 30 anos e representa os “velhos hábitos” do Sonique aos domigos: caras bem vestidos, cheirando a perfume importado, cabelinho ajeitado e um senso estético mais exigente. Lembrei agora que, nas épocas áureas de Sonique, ficava “examinando” com meu amigo Charosk os calçados das pessoas: aqueles que usavam tênis de academia ou sapatênis considerados cafonas pelos nossos “critérios”, eram automaticamente riscados da lista (risos).

The Week

The Week - Já virou balada clássica
The Week – Já virou balada clássica

Na The Week toca uma música eletrônica bem “pop-buzina” que, para os admiradores da música eletrônica de qualidade, não é lá muito considerada. A casa já virou uma balada clássica pelo tempo de existência e cultura criada: serve para as barbies que adoram mostrar seus músculos em dia com academia (ou com os aditivos) e para aqueles que querem ver tudo isso. Do meio da pista para o palco, as barbies se agrupam fortemente. Do meio para trás e na segunda pista ficam as pessoas que não criam tanto esse “culto”. A segunda pista é recheada de dance music. A casa é bem bacana: tem uma área externa ampla, com piscina, céu aberto e vista para o mar (rs – a vista para o mar é brincadeira!).

D-Edge

D-Edge - Música eletrônica e decoração tops.
D-Edge – Música eletrônica e decoração tops.

Na época que ia na D-Edge existia apenas uma pista no andar térreo. A casa abria para o público gay nas quartas e sextas e para admiradores da música eletrônica de qualidade, principalmente o estilo house. Sofreu uma grande reforma e manteve uma linguagem visual a lá “TRON” (sim, o “filme eletrônico” cheio de música boa do Daft Punk). Decoração realmente cool e high-tech, mas me parece que – depois que ampliou – a casa perdeu um pouco da vibe intimista, de um público altamente selecionado. Como popularizou e deu mais espaço para enfiar mais gente, parece que perdeu seu refinamento.

Alôca

Alôca - Tradição da Gay Caneca (ou Frei Boneca)
Alôca – Tradição da Gay Caneca (ou Frei Boneca)

Muitos dos bonitos que iam todos arrumadinhos no Sonique (e que devem ir hoje no Club Yacht), deixavam o figurino de marca em seus armários e chegavam mais largados na Lôca nas quintas e nos domingos. Essa é uma das baladas gays clássicas que eu tiro o chapéu: tem a incrível capacidade de lotar sobre o comando do DJ Pomba (também muito classudo e respeitável). Músicas dos anos 80 e 90 invadem a pista. Tem o tradicional show das drags, normalmente comandado pela “letrada” (rs) Silvetty Montilla (toda vez que preciso escrever o nome da rapariga, dou um Google para ver onde encaixo – nela – os t’s e os l’s). Para quem está começando a sair do armário é a balada que mais recomendo. Dá gente de todas as idades e definitivamente – para quem tem preguiça de fazer a “linha carão” – é a melhor.

Clube Glória

Clube Glória - Para os fashionistas e moderninhos
Clube Glória – Para os fashionistas e moderninhos

O que me chamou a atenção na primeira vez que fui no Clube Glória foi a “contra-cultura” por ser uma antiga igreja na qual o velho altar virou o espaço para as pickups. Deveras interessante o conceito! Dá gente bastante novinha. Jovens transformistas, fashionistas e artistas costumam dar o tom da casa. A música é boa e variada e os novinhos, com uma média de 18 anos e que precisam exaltar o “eu feminino” pela estética constam por lá. Como as pessoas investem em experimentalismos visuais, não recomendo para aqueles que estão saindo do armário agora ou que possam se impressionar com meninos vestidos de mulher, com salto alto, maquiagem carregada ou chegando com uma bolsa LV. Agora, para quem está aberto a conhecer todas as variantes que nos fazem, sem fobias e preconceitos, é um dos lugares mais interessantes da noite LGBT.

Festa Gambiarra

Molecada e gente do teatro costumam fazer a Gambiarra
Molecada e gente do teatro costumam fazer a Gambiarra

Até onde eu sei, a Gambiarra que é uma festa periódica, anda rolando normalmente mais na The Week. A origem da Gambiarra se deu – e me lembro bem – com jovens atores e gente do teatro. Era uma festa pequena que foi tomando proporções de grande evento e virou um culto de “desabar água, vai desabar” para milhares de jovens. Na festa dá realmente gente jovem, a partir dos seus 18 anos e gente a partir dos 30 acaba sendo minoria. Rola bastante música brasileira e criou essa cultura meio artística pelos atores que a iniciaram. Fui uma única vez e fiquei impressionado como a The Week ficou lotada. Não tinha espaço nem ao redor da piscina!

Hot Hot

Hot Hot - Balada na República
Hot Hot – Balada na República

No centro antigo de SP, a Hot Hot já foi muito comentada (e ainda é para quem é do meio). Lembro que os equipamentos de som eram destaque pela alta qualidade e produção. Não tive muitas referências da balada, então fiz uma cola aqui de alguns sites: decoração incrível, pegando referências dos anos 70, a Hot Hot costuma ser melhor nas segundas e quintas (GLS). Nas segundas segue com muito rock e nas quintas, para a felicidade do gueto, muita música pop.

6 comentários Adicione o seu

  1. Partiu “Alôca”!

    Aaahhh, você fala tanto de São Paulo que começo a criar metas para passar um tempo ai e conhecer essa cidade, mas nem conheço direito as baladas de minha cidade então ir para São Paulo fica em último plano, ainda.

    1. minhavidagay disse:

      Ainda! rs

  2. Caio disse:

    Já li sobre a Blue Space, Bubu Lounge, Flexx, Dangerous e Tunnel, acho que também são bem populares aí em Sampa, você conhece estas MVG? É uma pena que aqui não tenha uma diversificação assim.

    Abs.

    1. minhavidagay disse:

      Oi Caio!

      Realmente existem a Blue Space, Bubu Lounge, Flex (que se não me engano, agora só abre para festas temáticas), Danger e Tunnel. Fui a todas e posso relatar. Não falei dessas talvez por achar que falte um pouco de personalidade; melhor dizendo, todas as baladas começam com um conceito e vão bem. Ou é visual, ou é a música… reformas na casa. Mas Blue Space, Bubu Lounge e Tunnel são iguais há muito tempo. Acaba enjoando e, para o negócio de balada, que a gente quer som, efeitos visuais e um trânsito diferente de público, nenhuma dessas “pegou” pra mim.

      Blue Space fui apenas uma vez. A balada tinha muita gente estranha e escolhemos (eu e o “Beto”) um dia errado que estava tocando funk! Confesso que funk não faz parte do meu gosto musical;

      A Flex, quando era balada, fui uma vez também. Mas cheguei tão, mas tão zureta de cachaça que não tenho nem referência, ahahaha;

      Bubu Lounge era excelente quando inaugurou. Tinha um mezanino menor, na parte de cima, que tocava anos 80 e dance music. Foi lá que conheci meu ex-marido. Depois voltei há uns 2 anos com meu namorado. Roubaram meu celular e dele. Assim, resolvi não recomendar!;

      A Tunnel representa pra mim o começo da minha vida gay. Fui lá algumas dezenas de vezes, mas me parecia que a balada estava meio caída já. Fui conhecendo outras, como a SoGo, recém inaugurada na época que nem existe mais e, por ser nova e bem mais bonita, natural ter “trocado” a Tunnel.

      A Danger – well (rs) – não comentei porque ela não é somente uma balada. Tem show de sexo explícito, os GoGo tiram as sungas de pau duro e rola uma pegação “nervosa” em alguns “ambientes escuros”. Balada trashera do centrão. Fui algumas vezes com o Beto mas o objetivo, das vezes que fui, não era propriamente curtir a balada…rs.

      Certo?

      Abs,
      MVG

      1. Caio disse:

        Hummm obrigado por sua resposta. Agora já tenho uma melhor noção de como são estas aí, pois na net nem sempre temos referências tão realistas assim rsrs. Pois é, como você disse e eu disse em outro comentário muitas ficam decadentes pelo tipo de público e por transformações que não agradam, pelo menos a nós. Pelo jeito você curtiu bem sua juventude, já conhece bem a vida noturna de Sampa rsrs. Quando der dou um pulo na cidade e vou lembrar das suas considerações. Ah eu sabia sobre a Dangerous, queria só verificar se você já tinha ido hehehe, deve ser uma loucura :p.

        Abs.

      2. minhavidagay disse:

        Oi Caiooo!

        A “Janji” ou Danger é um prato cheio para quem quer despertar a libido…rs. Mas é trashera, te aviso! rs

        Abs! ;)

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