Relato de Enzo – É possível ter um namorado


Por Enzo – Colaborador do MVG

Em outros textos comentei sobre a relação que mantenho, mas não cheguei a me aprofundar no assunto. Acho que é interessante o relato, porque não são muitos os adolescentes gays que conseguem uma relação mais duradoura.

Minha vida amorosa, de fato, começou por volta dos 14 anos quando tive meu primeiro namoradinho de dois dias. Ele era bem bonitinho, mas era muito chato (e eu também provavelmente) então foi apenas aqueles dois dias mesmo. Antes de ter minha grande primeira paixão de adolescente ainda tive mais um namoradinho, com esse fiquei por umas duas semanas, mas acabou.

Então, com quase 15 anos, me vi perdidamente apaixonado por um amigo hétero (ô maldição). Era bem aquela coisa de adolescente imaturo, uma atração física muito forte (não podia ver ele que já ficava todo “alegre”) e uma dependência emocional infundada e muito infantil. Chorei muito por saber que nunca seria correspondido, mas eu amadureci mais um pouco e acabei esquecendo.

Depois de superar esse amigo, comecei a ficar com uma grande quantidade de meninos, em festas principalmente, a maioria mais velhos do que eu. Não vou dizer que era ruim, mas era superficial, faltava algo. Eu queria alguém para conviver, alguém para confiar.

Namoro entre gays é possível. Mas é preciso saber namorar.
Namoro entre gays é possível. Mas é preciso saber namorar.

Foi aí que aconteceu minha segunda grande paixão. Tem um menino que estuda comigo há bastante tempo, sempre achei ele muito legal, inteligente e lindo, mas éramos meio distantes. Logo no início de 2012 começamos a nos aproximar, como simples amigos. Passamos a conviver bastante. Ele vinha muito na minha casa e eu ia na dele. Ele gostava das mesmas coisas que eu, mesmos filmes, mesmas bandas, combinávamos em tudo. Fui desenvolvendo uma atração por ele, mas muito mais profunda e sincera do que todas as outras. No entanto, eu não queria me apaixonar novamente por um amigo hétero.

Foi no final de 2012 que as coisas mudaram. Eu já estava muito apaixonado por ele (não deu para evitar), mas não queria tentar nada, para não estragar a amizade que nós tínhamos. Então, por um comentário infeliz (ou não) de uma amiga, ele acabou descobrindo que sou gay. Pensei que isso acabaria com a amizade, mas para minha surpresa ele venho até a minha casa e disse que era apaixonado por mim há muitos anos e nunca teve coragem de tentar alguma coisa. Parecia um sonho, ou o roteiro de um filme, mas felizmente não foi. Depois de muita conversa, percebemos que poderíamos sustentar uma relação, mesmo sabendo que seria difícil.

No próximo dia 10 (10/08) fará nove meses que estamos juntos. Claro que é um pouco complicado ter um namorado: não podemos falar para quase ninguém, não podemos sair juntos, ou até ficarmos em nossas casas, mas também é maravilhoso saber que eu não estou sozinho, que alguém se preocupa comigo e sempre vai estar lá quando eu precisar. Apesar desses ‘’probleminhas’’ nossa relação é extremamente comum: nós discutimos, brigamos, choramos, rimos, como qualquer casal normal, e era exatamente isso que eu precisava, a certeza de que eu poderia viver uma vida normal com quem eu amo.

Outro ponto positivo é que a cada dia o sexo fica melhor. Como a maioria de nós somos educados para sermos héteros, quando nossos pais resolvem ter ‘’a conversa’’, é sobre sexo heterossexual. Claro que aprendemos muito na internet, mas não é a mesma coisa. Com um parceiro fixo, podemos a cada dia descobrir mais sobre nós mesmos, o que gostamos, o que não, e também aprendemos que dar prazer a pessoa que está ali contigo também nos proporciona muita satisfação.

O que eu quero dizer com isso tudo, é que é possível encontrar alguém que queira manter uma relação séria e duradoura. Espero que esse texto ajude vocês a não perderem as esperanças!

Algum de vocês tem namorado/noivo/marido? Como aconteceu?

15 comentários Adicione o seu

  1. Vlws aew Enzo!

    Lendo o seu caso deu para perceber que foi do tipo: Essa relação entre vocês ERA pra acontecer!
    Quão melhor “oportunidade” quando os dois se gostam? Acredito que eu nem pensaria nesse momento (acho que o calor do momento não me deixaria pensar) e partiria para algo além da amizade.

    De qualquer forma, meus sinceros parabéns aos 9 meses de namoro! Vocês devem formar um par “lindãozão”!

    Se eu tenho namorado/noivo/marido? Nããããããããão… Nem “amigo gay” eu tenho imagine um namorado? Nem “fica” até! Euheuehueheuheueh!
    Se nada der certo agora ficarei na minha “relação” com a sapa que eu amo. Rs!

    Em fim, ótimo post!

    Um SUPER “Abraços do CR” para vocês dois!!

    1. Enzo disse:

      Muito obrigado, de verdade! Tenho certeza que tu vai encontrar alguém pra ti! Abraços

  2. Marcos Henrique disse:

    Nossa que post super fofo sei bem o que é ter com qem contar não apenas como namorado mas sim como amigo,confidente,companheiro,parceiro tenho um namorado e estamos juntos a 3 anos já e ficamos noivo com tudo que se tem direto com pedido aliança e tudo rsrs é algo realmente inexplicável …Momento que nunca IMAGINEI a não ser em meios dos sonhos e desejos mais secretos,hoje moramos juntos construímos um lar e estamos crescendo a cada dia com dias ruins dias bons dias ótimos ..Nesses meio tempo o dialogo sempre foi base para nunca termos divergências na convivência pois temos pensamentos as vezes distantes mas é uma experiencia incrível .
    Desejo toda sorte do mundo !!
    Parabéns pelos 9 meses e que venham muitos mais!!

    1. Enzo disse:

      Que lindosss :) Espero que vocês sejam muito felizes e alcancem todos os seus objetivos! E muito obrigado!

  3. Franciel disse:

    Tmbm to namorando a 3 anos… Nunca namorei tanto tempo assim… Entao eu axo possivel sim, um namoro entre 2 homens da certo. O meu namoro continua dando certo. Boa sorte a todos.!

    1. Enzo disse:

      Que ótimo saber que mais pessoas conseguem manter relações duradouras! Tudo de bom para vocês! Abraços.

  4. minhavidagay disse:

    Aproveitando o post bacana do Enzo, eu tbm estou namorado! rs

    São 3 anos e 7 meses, acabei de fazer a conta. Definitivamente meu relacionamento mais longo, mais longo até que meu “casamento” que foi de 2 anos e 11 meses.

    E quer saber? Dá certo sim. Mas além da conexão entre as duas pessoas, a gente precisa estar aberto e disposto a um relacionamento. Fazer concessões, abrir mão de algumas “liberdades” e, no meu caso, “aquietar minha piriquita”. Enquanto eu precisava conhecer gente, ver e ser visto, frequentar lugares, num tipo “fogo no rabo” qualquer motivo era uma desculpa para não dar certo.

    Mas o tempo passou e aprendi a focar essa energia em coisas mais produtivas para a minha vida, focar na própria relação e nas relações que se aproximaram por intermédio do meu namoro.

    Vivo em equilíbrio hoje, convivendo sim com os altos e baixos de qualquer relacionamento, mas sem aquela necessidade (ou medo) de “amarrar meu burro”.

    A paixão e os hormônios da paixão acabaram há um tempo atrás. Mas agora, e talvez pela primeira vez na vida, estou aprendendo a amar. Que é bem, bem mesmo, diferente da paixão.

    Abs,
    MVG

  5. Caio disse:

    Eu sei que cada um é diferente um do outro e que buscamos aquilo que mais desejamos. Assim como têm pessoas que desejam muito ter filhos e têm problemas para alcançar este objetivo e resolvem investir muito para se autorealizar, existem pessoas que não entendem a razão de tamanha necessidade, óbvio por não pensar igual. Nessa mesma visão eu coloco aqui minha indagação: por que tantos jovens gays tem tanto desejo de namorar e ainda sendo tão novinhos, tipo adolescentes? (ao contrário da comparação com quem quer ter filhos e os que não querem, eu entendo).

    Bom, no meu caso nunca senti uma necessidade tão grande de namorar, muito menos na adolescência, nunca tive essa sensação de precisar me “completar” através de alguém por um prazo estendido. Acho que de início quando ainda não formalizei minha homossexualidade a mim mesmo pelo fato de ter a ideologia católica de castidade antes de casamento, de inibir minha sexualidade geral (não a atração por homens, mas a manifestação sexual em si). Eu, no momento penso mais na experimentação, de conhecer novos caras, novas sensações que advêm disso. Prefiro deixar o romantismo para depois (ainda quero futuramente me envolver mais a fundo rs), ainda que diferente de muitos que cultuam o sexo pelo sexo, eu no momento cultuo o sexo bem aproveitado e com uma pitada de entrosamento, de carinho e coisas que dizem que eram muito presentes nos relacionamentos sem compromisso entre homens na década de 1980.

    Não sei se concordam, mas lendo relatos e comentários na net pude perceber que na maioria (não é uma generalização) dos casos, os gays no armário que a pouco tempo tinham aquela idealização de casar com uma mulher e ter filhos seguindo os princípios heteronormativos são os que querem mais arranjar alguém para um romance duradouro e que reclamam da promiscuidade do “meio gay”, de que é muito difícil ou quase impossível realizar esta vontade. E por outro lado os gays já fora do armário, ou que são mais descolados, ou mais seguros de sua sexualidade, que se aceitam numa boa, não param nem mais um pouquinho para se questionar “puxa eu poderia ser hétero, será que eu realmente sou homo?”, que já vivem normalmente suas vidas sem se preocupar tanto com o processo de aceitação e de contar aos demais sobre sua orientação sexual, são mais de querer curtir os momentos sem se preocupar tanto em namoro, do tipo “não é uma necessidade, mas caso rolar, que bom”.

    É ótimo que exista esta diversidade, e espero que possamos nos respeitar tanto os que desejam para suas vidas mais compromisso e menos curtição como os que desejam o contrário, afinal nem um e nem outro modelo deve ser encarado como certo ou errado, isso seria totalmente redutivo.

    É isso.

    1. minhavidagay disse:

      Eu compreendo totalmente seu ponto, Caio. Fato é que existem inúmeros gays que entendem a vida gay dessa forma. E acho que existem as duas formas e dá para coexistir sem um reduzir o outro.

      O que “protesto” um pouco é que o gay que não descola namorado – muitas vezes (sejam amigos, colegas ou conhecidos) – se apropriam do “ser gay” dizendo que o estilo de vida deles é o que é a vida gay, não ao contrário.

      Nos anos 80 (como você citou) o gay era muito mais reprimido, não tinha referência para desenvolver um relacionamento de casal, estava muito longe da possibilidade de constituir assim e precisava construir seu perfil; brigar até. Daí, um pouco do argumento do Flávio Gikovate naquele áudio que publiquei por aqui, assumimos essa coisa do “sozinho, promíscuo e que não quer criar vínculos”.

      O que é novidade, na realidade, é essa tendência dos gays quererem formar um par. Justamente para desmistificar esse perfil “contra-cultura”, do gay que chocava para manifestar seus direitos. Existia política forte no meio. Com a aceitação da sociedade, pais, amigos, irmãos e parentes o homossexual está precisando cada vez menos viver uma cisão entre vida gay VS. vida familiar porque existem cada vez menos conflitos nesses universos. Naturalmente, valores da heteronormatividade vão se misturando e vamos nos apropriando da cultura de casal porque – de fato – muitos homens precisam de um companheiro (ou pelo menos idealizam) independentemente do tempo, se logo depois que se assumem ou depois de muitos anos assumidos.

      Talvez, pelo fato da dificuldade do gay formar um par, exista um conformismo velado, enrustido nessa ideia de “estou bem assim”. Posso “jurar” com os dois pés juntos (rs) que todos meus amigos solteiros e “estou bem assim” nutrem-se com as migalhas que os amigos gays dividem entre si pela ausência de um relacionamento duradouro. Não é a toa que amigos gays costumam ficar entre si com bastante frequência. Sempre senti aquela “invejinha” por meus namoros durarem anos.

      E de onde vem essa dificuldade? Também pela influência do modelo formado mediante a repressão das décadas anteriores (um bom filme que retrata a vibe daqueles períodos difíceis para o homossexual é o “Milk”, vale a pena). Essa “solterice” gay é ainda refluxo desse modelo social/cultural que ainda está preso nessa “psicologia da repressão”. Esse é meu ponto de vista. E é cultural, talvez tenha menos a ver com instintos masculinos primitivos, procriação, etcetaraetal…

      Então, pode-se dizer que os gays romperem com esse modelo e começarem a buscar intersecções entre família e casal é uma tendência? Acredito que sim. Por incrível que parece, gays querendo formar par e constituir relacionamentos duradouros é o que há de novo pois a sociedade hoje está muito mais tolerante. Lanço tranquilamente fotos minhas e de meu namorado de nossas viagens no Facebook. Posto os eventos que rola no meio da grande família dele (eu e ele inclusos) e posto eu e ele, meus pais e meu irmão. Se uma parte dos gays não fazem isso ainda não é porque “estou bem assim”. Mas é – muito provavelmente – fruto dessa cultura, das inseguranças de abrir o jogo, um tipo de incômodo velado de não conseguir colocar a homossexualidade com maior franqueza. E não acho que isso seja manter a privacidade. Estou dizendo que, se meu irmão tira foto com a namorada dele junto com meus pais, eu e meu namorado não podemos sair na mesma foto e publicar como qualquer pessoa faz?

      Gays precisam ficar “escondidos”? Alguns ainda preferem. Mas não acho que esse seja o modelo gay. Existe uma pitada da influência da repressão dentro da própria mente, de assumir-se assim com a mesma naturalidade da heterossexualidade (nem estou citando beijo de língua em shopping center ao lado da vovozinha, ok?).

      Se você puder dar uma espiada nos resultados (parciais) da pesquisa que está na seção HOMONORMATIVIDADE aqui do Blog vai ver alguns dados de gays que passam por aqui todos os dias. Os resultados são bem impressionantes até agora. Eu achava que a grande maioria dos gays não pensassem em monogamia ou incluir um namorado no meio da família. Mas essas vontades estão idealizadas e latentes, e são a maioria. Ser maioria, nesse caso, não é ser menos gay ou mais gay, nem melhor, nem pior. Mas aponta, certamente, a desejos latentes e vontades de romper com uma cultura/modelo que parecia óbvio e imexível até então. Mas se está mexendo é porque os modelos dos anos 80 não estão mais satisfazendo as vontades.

      Se quiser continuar o assunto seria ótimo!

      Abs,
      MVG

      1. Caio disse:

        Oi MVG, então, lendo o seu texto eu concordo que houve mesmo uma grande mudança no modelo de vida de muitos gays, acho que em breve chegando até a metade da totalidade, que está se voltando a necessidade de encontrar um parceiro fixo, independente se o relacionamento será aberto, semi-aberto ou fechado rs. Vejo por aqui mesmo, a quantidade de homens que querem namorar, nossa daqui a pouco encontrar só curtição vai ficar difícil kkkkkk. Bom, também concordo com você que hoje não é preciso mais tanto chocar a sociedade devido o maior grau de aceitação, bem como aquele urro a vida promíscua eterna, desde o começo do despertar sexual, que demonstrava o gay como indivíduo livre frente a “chatisse” dos relacionamentos tradicionais caiu por terra e está desaparecendo aos poucos. Eu sou do tipo que busca o equilíbrio, quero aproveitar a solterice e depois partir na busca por alguém, afinal mesmo os que negam pelas palavras, não conseguem negar pelas atitudes que também desejam um amor. É o caso dos seus amigos que sentem uma leve inveja sua por você se envolver com um cara por mais de 3 anos. É fato também que muitos desejam, mas criam bloqueios que não permite que aconteça, aí voltam a reclamar e colocar a culpa na vida gay.

        Sempre vão existir aqueles que condenam os relacionamentos homos baseados no tradicionalismo e em favor da vida sem compromisso, mas eles serão bem mais raros do que nas décadas passadas. Afinal como você disse em outros posts: não precisamos mais só ficar colocando culpa na sociedade opressora como forma de dizer que não é possível, temos que dar um jeito de superar as barreiras e conquistar o que sonhamos.

        Mas agora só voltando na parte que eu comentei sobre os jovens quererem tanto um compromisso e quase sempre se frustrarem. Acho que eles são muito impulsivos em ir atrás de namoro sem ao menos curtirem um pouco, pois precisamos aproveitar um pouco da vida antes de tomarmos decisões mais complexas. Assim, entendo que esta busca é mais para ter alguém ao lado para ajudá-los a enfrentar as dificuldades de se ter uma orientação sexual diferente da pregada como “adequada”.
        Ah só para fechar o texto, que pode ter ficado muito misturado rs, foi feita uma pesquisa no estado de Massachussets com os homens homossexuais após a aprovação do casamento lá há 10 anos e mostrou que o número de parceiros sexuais diminuiu. Na Dinamarca, primeiro país a legalizar a união civil gay, hoje tais casamentos são vistos pelo povo de lá um reforço pela identidade da família e uma outra pesquisa feita com 160 jovens gays em Nova Iorque mostrou que a maioria deles querem casar e ter filhos. Se quiser pode ver no Google depois, pois não me lembro das fontes, mas elas existem rsrsrs.
        Até breve.

      2. minhavidagay disse:

        Legal, Caio.
        Obrigado pelos novos dados. Para você ver que uma sociedade aberta ao gay tende a “matar” com o esteriótipos tão conhecidos.

        Falamos em breve.

        Abs,
        MVG

  6. Luan disse:

    Esse post é simplesmente incrível, pois da luz aos amigos, que assim como eu, tem dificuldade em estabelecer uma relação.
    Meu 1° e único namoro homossexual durou 6 meses e alguns dias, era bom, mas não me fácil bem, uma vez que era regido por mentiras, brigas e distância.
    Hoje deixo a vida me levar de encontro com meu “príncipe”, alguém que eu possa amar além do sexo, que possa me entende e que possa manter uma relação de verdade e respeito comigo.
    Parabéns Enzo e MGV!

  7. Gabriel disse:

    Sempre que eu leio portagens como esta, seja em blogs ou sites de conhecer pessoas, fico com uma certa esperança, e ao mesmo tempo, sinto algo quase como uma facada no coração. Mas vamos por partes:

    Me assumi como gay, para mim mesmo, por volta de 2011. De lá pra cá, comecei a sair do armário, e até agora esta tudo correndo bem. Nenhum amigo deixou de falar comigo por causa disto, e até agora os poucos familiares que sabem levaram numa boa.

    Mas eu já tenho 18 anos e meio.

    Dizem que a pior parte da adolescência e’ no inicio, com 13 e 14. Mas comigo não foi assim. Apesar de já não me interessar por mulheres, ainda me considerava hetero e simplesmente tímido em relação a elas. Após me apaixonar por um garoto pela primeira vez, embora ele sendo hetero, minha visão de mim mesmo começou a mudar. E n, eu nunca vou dizer que estava sendo imaturo, ou que outros na mesma situação estão errados por continuarem a pensar no cara. Superar estas coisas leva tempo, e a vida me ensinou que a ultima coisa que controlamos e’ a atracão. Não e’ por isso que, apesar de tudo, ainda gostamos do mesmo sexo?

    As coisas foram seguindo, e após ficar com um garoto numa festa no meio do ano passado, minha forma de pensar mudou. Eu não estava satisfeito apenas com aquele beijo , e já sentia a fome incontravel da juventude. Todo dia tenho vontade de pegar um cara atraente, e transar pra valer. Diariamente, fico excitado em plena sala de aula, ao pensar em meus colegas. E nos meus professores também.

    E, para além disso, me sinto solitário. Muito. Demais. Olho em volta e vejo quase todos namorando, ainda mais na minha idade. No inicio da minha adolescência, não havia tamanha pressão social e familiar. E nem venham me falar de relacionamentos gays. Sinto vontade de chorar quando leio sobre garotos que namoram e fazem sexo com outros garotos em idades muito anteriores a minha. Mesmo que eu gosto dos dois. Sei que e’ uma inveja irracional e prejudicial a mim mesmo, mas não tenho como controla-la. Outros caras iniciaram estas coisas ainda mais velhos do que eu, mais ja que estou deste jeito agora, como será se ficar assim na idade deles? N quero nem pensar.

    N vou mentir e dizer que nunca tive oportunidade alguma, para provocar a pena. Tenho um amigo bissexual, que me vê apenas como amigo. Ja troquei telefones com um cara que estava louco para dormir comigo, mas eu n o conhecia e, após receber ligações perigosamente estranhas, resolvi parar o contato. E aquele garoto gay e simpático com o qual eu toparia ficar junto mora longe e so pudemos nos encontrar uma vez até agora. E’ a vida.

    Dizem que uma atitude assim so deixa as pessoas menos interessadas em conhecer-me, e que eu deveria ser otimista e paciente. Mas ja me cansei de esperar, quero agir e não sei por onde começar.

    Por isso, sinto muito ao enzo, mas n falei do meu relacionamento por desrespeito ao tema do post. E sim por simplesmente nunca ter tido um.

    Mas ainda assim, precisava desabafar.

  8. Luis Augusto disse:

    Parabéns, Enzo, pelos 9 meses de namoro. Respondendo a sua pergunta: Não tenho namorado, noivo, marido ,amante ou qualquer coisa do gênero. A minha vida amorosa não começou ainda(tenho 15 anos e nunca dei um selinho). Lendo os comentários me senti como se estivesse segurando uma vela.(rs)

  9. isaiaspdf disse:

    Nossa Gabriel sua historia é bem parecida com a minha(rs),eu mesmo decidir esperar e ver um que um tempo tem pra mim,estando errado ou não acho que seja um melhor para minha pessoa.

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