Qual é dessa coisa do gaydar?

Antes de mais nada o gaydar é alguma coisa que falha. Sim, falha porque o “boi preto reconhece o outro boi preto no escuro” com muitas ressalvas. O gaydar funcionaria muito bem se todos os gays seguissem normas de conduta e hábitos extremamente empacotados. Tipo ouvir Lady Gaga, vestir determinadas marcas, usar tais acessórios, gostar de assuntos específicos, curtir tais cortes de cabelo, assumir determinados trejeitos e determinar gostos exclusivos. Sabemos que isso não é verdade, embora alguns gays se apeguem a alguns modelos para mais facilmente se identificarem entre si.

A mim o gaydar é mais um mito do que uma realidade. É uma vontade do gay ser um X-Men. Claro que o convívio com determinada pessoa e a frequência em determinados lugares facilitam o tal do gaydar, facilitam sacar melhor o outro e aqueles que estabelecem determinados códigos para promover a aproximação. É muito mais fácil funcionar o gaydar em centros urbanos onde se concentra a diversidade do que numa cidadezinha do interior onde as pessoas estabelecem padrões comportamentais mais compassados.

Para quê esse tal de gaydar?
Para quê esse tal de gaydar?

Há uma certa autenticidade nesse radar, mas há mais um desejo de reconhecer no outro um pouco de si mesmo. Gays, em nosso contexto social, precisam acreditar que existem outros iguais ou pelo menos semelhantes. Gays, muitas vezes, precisam acreditar que determinada pessoa também seja gay para poder liberar suas fantasias e afirmar seus desejos pela mesma. Mas esses contextos justificam a falha no gaydar.

Gaydar precisa ter uma boa dose de imparcialidade e precisa vir da maneira mais despretensiosa possível senão, qualquer viés, é ruído nas ondas.

O que vou afirmar não é motivo propriamente de orgulho mas um olhar para aqueles leitores que passam desapercebidos do gaydar alheio: muitos gays já duvidaram que eu fosse gay, o que comprova – em certa medida – que alguns homossexuais não sinalizam no radar do outro gay. Passada a dúvida inicial, aqueles que não se “ofendiam” ou não se mostravam desinteressados, ficavam curiosos ou atentos para tentar estabelecer associações ou comportamentos da minha pessoa que me condicionassem de alguma maneira aos critérios de “ser homossexual”. Claro que tudo isso discretamente, inconscientemente e, no final, colocava-se a prova – novamente – a eficiência do tal do gaydar. Porque para quem é muito ligado nessa coisa, não basta assumir ao outro que é gay. Precisa passar por determinados critérios!

Em certa medida, quando se está solteiro e disposto, dá para tirar algum proveito dessa situação. Ser gay sem ter indícios, cruzamentos ou associações comportamentais que nos qualifiquem como tal, que passa batido no gaydar alheio mas se estabelece um convívio, desperta bastante interesse. Desperta interesse porque é diferente e faz as pessoas reconstruirem valores. As vezes, ao contrário do que se imagina, o diferente é mais legal do que o próprio padrão. Principalmente quando o padrão é tão limitado.

Passamos anos da vida assumindo comportamentos para um reconhecimento, para nos estabelecer socialmente e, de repente, surge alguém que coloca os modelos comportamentais tido como “de gay” em conteste e de uma maneira natural, sem necessariamente impor uma contrariedade, ou mostrar uma superioridade, ou atribuir uma provocação. Isso, normalmente, costuma gerar paixonites e fantasias. Principalmente quando resistimos aos modelos e preservamos nossas características.

Por isso, para os leitores que passam por aqui e se sentem meio “out” por não sinalizarem no gaydar alheio, fiquem felizes.

Não encanem com essa coisa do gaydar pois já tem gente suficiente procurando um gay por trás de cada homem.

6 comentários Adicione o seu

  1. Caio disse:

    O gaydar é algo incrível que surge dentro de nós como um sensor e que geralmente com o passar do tempo vai ficando cada vez mais apurado rsrs. Bom, pelo menos é o que vejo em mim e em outros caras que conheci.

    Antes quando era adolescente não percebia nada disso, no começo da vida adulta aos 19 comecei a ver o mundo de uma outra forma no que tange a identificação dos homos. Foi bem espontâneo esse lance de enxergar se o cara que está ali perto de você é do time ou não rsrs. E aos poucos fui melhorando a capacidade disso. Até o ponto que já estava identificando até aqueles que não seguem/têm qualquer um dos estereótipos comuns que conhecemos. Na academia fui onde coloquei a prova essa constatação e acertei muitos rs.

    Bom quanto a mim, ninguém do meu círculo social sequer cogitou que eu sou gay e até outros gays que conheci, jovens como eu, também disseram que se me vissem por aí não saberiam também. No entanto, para os mais experientes (os tios rs) eu sou um alvo fácil de se identificar. Um ficante com seus 40 anos me achou e me tirou o primeiro beijo há uns anos atrás. Já fui “bulinado” no busão por outro cara mais velho que captou o sinal, já fui até perseguido por um engravatado no centro, que dizia “nossa que gostoso” (foi super estranho hehehe). Todos eles avançaram o sinal porque já sabiam de mim, do contrário não arriscariam para ficar com cara de tacho. Então, já deu para perceber que entre os entendidos eu sou bem fácil de detectar (pelo menos entre os mais velhos).

    Eu sou um garoto comum, apresento algumas características que são tidas como clichês, mas no geral ainda confundo muita gente. Assim, posso dizer que o tal do radar tem sua eficácia, mas depende do usuário.

    Abs.

  2. Re disse:

    Bom, além do gaydar tem o tal do teste dos 3 passos..rs..Quem quiser saber mais sobre este teste, basta ir ao site do gay por acaso…rs…

    1. minhavidagay disse:

      Como é esse teste de 3 passos, Re? Essa é nova pra mim!

      1. Caio disse:

        Olá amigo, achei o que é, veja aqui http://www.gayporacaso.com.br/regra-dos-3-passos/ é bem tradicional, nada de muito excepcional, mas até funciona, me fez lembrar da época que eu caçava homens no parque, aliás tentava né LOL.

      2. minhavidagay disse:

        Caceta… Rs é cada uma que inventam! Rs rs rs

  3. sethrms disse:

    eu sou assim,um gay que não é “captado” pelo gaydar haha,o que acho engraçado é que quando eu falo pra algumas pessoas a reação é “nossa,mas vc não tem jeito de gay”…rsrs jeito de gay….gay não precisa ter jeito X ou Y,basta gostar do mesmo sexo e ponto,isso sem falar que detesto quase td relacionado a tal “cultura gay”….então eu sou um gay atípico ²

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