Eu, César Khoury, sou gay!


Félix – “Pai, se eu pudesse eu jamais seria gay”.

César – “Eu não tenho preconceito. Mas um filho gay é diferente”.

Então, vamos por partes: assisti os trechos do episódio da novela “Amor à Vida” pelo Youtube depois que o tema se abriu aqui no MVG. Inclusive li o comentário do Carlos que me comoveu bastante e entendo que esse post seja também um ponto de vista que ofereço a ele.

Não tenho mais o hábito de ver novelas desde Vamp (rs) quando o Ney Latorraca era aquele tremendo vampiresco gay engraçado. Novelas, para o meu caso, lidam sempre com esteriótipos e isso chega a ser preguicento. Todo final de novela é tosco e óbvio e provavelmente o César (gay vilão da novela atual) vire um bom moço até lá.

cesar-antonio-fagundes-amor-a-vida

Em Amor à Vida não precisamos perder 10 minutos para entender os modelos que formam as personagens do contexto:

– César, pai machão com foco total em sua reputação social e prestígio;

– Pilar, a típica mulher good woman que é meio devota do marido no maior clichê “atrás de um grande homem existe uma grande mulher”;

– Edith, aquele tipo de mulher que casa pelos dotes financeiros herdados do marido;

– Filho de Edith e César, HÃ? “Será que vou ser gay por meu pai ser gay?”. Ok, a sociedade heterossexual tem lá seus integrantes totalmente away das realidades;

– Félix, gay enrustido e afeminado que comprou a ideia de reputação e conduta social para garantir o próprio prestígio e status. Casou, teve o filho e tentou de tudo para reprimir sua homossexualidade (coisa que muito gay faz, não é verdade?).

O caso apresentado na novela está cheio de ruídos. Minha mãe já disse que o Walcyr Carrasco é também gay e tem esse conhecimento desde a época que escrevia livros (“mommy” é professora de português). Assim, a lógica é trazer essas tramas macarrônicas para – no final – levar a discussão na mesa dos lares. Acredito nisso sim sem delongas.

É claro que, novela sendo novela, cria partidos dentro de casa. Em “A Favorita” você ficou de que lado, da Flora ou da Donatela? (Ah, sim, assisti os últimos capítulos dessa novela porque um ex-namorado viciou, rs).

Voltando aos ruídos, o Félix é mal caráter. Judia do filho, maltrata a esposa e – para completar – é uma bicha desde que se entende por gente e mesmo assim constituiu família para colocar em primeiro lugar a reputação social. Quem é que vai gostar desse sujeito?

O César (pai) faz todo o perfil heterossexual, machista e de conduta profissional “incontestável”. É rico e tem como doutrina elevar seu status e poder. Qual homem heterossexual que assiste a novela e se seduz com os dotes de César não toma seu partido?

Pilar me dá uma grande preguiça. Tem toda aquela imagem da esposa de presidente dos Estados Unidos. Coisa de primeira dama, recatada, de bons costumes. Me dá uma certa vontade de vomitar.

Edith e o filho são duas charadas. Necessários para dar um tempero no macarrão.

Acho que realmente a história, apesar dos naturais ruídos dos personagens esteriotipados, acaba provocando sim um movimento nos lares, revela naturalmente os partidos e promove sim uma reflexão, mesmo que individual. Vale reforçar meu ponto de vista sobre o tema.

Mas vou dizer uma coisa: o Félix na vida real não é como se apresenta na novela. O Félix é muito mais César se trouxermos da tela para a realidade. Simples, porque o gay que casa, suprime, tem filho, reprime, é omisso com a esposa e coloca em primeiro plano sua reputação é tão mulherengo como o César. Só que com homens. Porque um César-gay da vida pode ser “mulherengo com homens”. Assim se mantém macho!

;)

6 comentários Adicione o seu

  1. Caio disse:

    Não MVG, o Walcyr Carrasco não é gay ele é bissexual rsrs, como ele bem gosta de ressaltar. E como eu já disse num comentário num site sobre isso, a mulher que gostar dele é no mínimo lésbica, sem maldades no discurso, mas já sabe né……kkkkkkkkkk.

    Bom, quanto ao texto achei o mesmo que você. Mas ainda penso que infelizmente essa reflexão da novela não vai chegar a mente de muitos. Vários já estão cansados da grobo, inclua ai eu também, mas a maioria por outra razão diferente da minha: a emissora é “sem vergonha”, fica passando programas e novelas contra a “família” e aquele monte de besteirada que já conhecemos; além de que outros mais só assistem por puro entretenimento e mesmo sabendo do que acontece na sociedade e vendo que é preciso mudar certas atitudes em relação ao próximo muitas vezes por ignorância (preconceito), não aplicam isso no seu cotidiano.
    No fim, são poucos que vão captar a mensagem e ganhar algo positivo com isso. Tenho esta impressão, pois na net até vejo muitos comentários nas redes sociais sendo positivos em relação a aceitação da diversidade sexual, mas já fora da rede nas ruas, shoppings, parques parece que outras pessoas entram em cena ou as mesmas citadas simplesmente mudam de visão e dá a entender que todo aquele ar de tolerância se esvai.

    Hoje vai um beijo. :p

  2. minhavidagay disse:

    Estava com um beijo contido, Caio? =P

    1. Caio disse:

      Sim rsrs, entre nós homens é sempre essa de abraço mesmo entre os homos, quase nunca manifestamos o beijo, somos acostumados a ser assim desde sempre, além de que também é bom mudar um pouco se não, enjoa =p

      1. minhavidagay disse:

        Ah, sim.. sempre tem o gay que é do beijo e o gay que é do abraço. Aliás, esse tema poderia virar um post! :)

        Valeu pela inspiração, rs

        Bjo,
        MVG

  3. Carlos disse:

    Obrigado, mais uma vez, por responder meus comentários ;)

  4. Kelvin disse:

    Bom, eu sou leitor aqui do site há um bom tempo mas só agora, mais de um mês depois vi esse post e não pude deixar de comentar. Realmente, a novela é cheia de “cacos” mas a intenção do autor foi a das melhores. Alguns amigos do meu irmão mais velho ficaram indignados com a atitude do César Khoury e a humilhação sofrida pelo vilão Félix. Já outros colegas dele que pelo o que eu sei são um pouco preconceituosos se sentiram desconfortáveis, torceram o nariz e pediram para que eu mudasse de canal. Eu não mudei de canal, sou rebelde! A atuação do Antônio Fagundes e a do Mateus Solano (Felix) foi impecável. Não sei se todos que assistiram ao capítulo mudaram a sua forma de pensar mas o quê eu tenho á dizer é quê o Walcyr Carrasco cutucou a ferida dando um belo tapa de realidade na cara da hipocrisia. Algumas pessoas costumam reclamar: Porquê agora TODA a novela precisa ter um personagem gay? E eu fico me perguntando qual o mal em ter sempre um gay nas novelas? Que eu saiba as novelas tem a função de mostrar (algumas, pelo menos tentam) a realidade em que muitos vivem. E nos existimos na vida real, certo? Somos cidadãos e temos o direito de existir. Voltando á novela, o pior cego é aquele que não quer ver, um exemplo disso é o personagem do Antonio. F, que sempre teve na sua frente as provas de que o filho era gay e mesmo assim preferiu enganar a sí mesmo. Assim como o personagem falou: “Eu já disse que não tenho preconceito!!! Mas um César Khoury…Gay?!” Muitas pessoas pensam assim, dizem não ter preconceito mas quando o Gay faz parte da família, é totalmente diferente. Hipocrisia pura. Achei que o comentário ficou bem grande, exagerei um pouco.

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