Faculdade e expectativas – Por Enzo

Enzo volta ao Minha Vida Gay para apresentar suas reflexões e expectativas da vida daqui 10 anos.

Faculdade e expectativas

Vivo pensando sobre como vai ser minha vida daqui a 10, 15 anos e isso sempre me deixa de certa forma nervoso. Primeiramente, como todo adolescente prestes a ingressar na faculdade, a dúvida de qual profissão seguir consome muito do meu tempo. Fico por horas pensando se devo escolher a carreira que me dá mais satisfação pessoal ou a de maior retorno financeiro, e se apenas esse retorno financeiro vai me tornar feliz.

Saber que daqui a alguns meses vou perder uma rotina que me acompanha por pelo menos 13 anos e ainda ter que entrar em um novo meio, com pessoas diferentes, me dá um frio na barriga gigantesco. Sei que vou precisar fazer novos amigos, me inserir em um novo ambiente, onde eu ainda não sei como me portar, como agir. Não sei se devo ser aquele menino certinho e quietinho que fui por vários anos, ou mudar um pouco essa imagem e me tornar uma pessoa mais solta, como sou com meus amigos mais próximos. Além é claro da dúvida mais cruel: devo me assumir logo para essas novas pessoas, ou seguir o velho plano de me aproximar antes e depois, aos poucos, revelar? Se eu não começar a me identificar agora como quem eu sou, quando vou ter coragem?

Como será sua vida daqui há 10 anos?
Como será sua vida daqui há 10 anos?

Tenho um profundo medo de sempre prorrogar essa ‘’libertação’’ e acabar ficando velho demais, sem energia pra passar por todas as reprovações e preconceitos. Isso leva direto para aquela que talvez seja a minha maior expectativa, levar uma vida entediantemente normal e formar uma família. Quando várias pessoas que eu conheço começam a falar em encontrar alguém pra casar, ter filhos e esse tipo de coisa, fico um pouco triste, com receio de que eu nunca consiga alcançar isso. O que me dá um pouco mais de esperança é saber que a situação dos direitos LGBT, mesmo que lentamente, vem mudando no Brasil.

Sinto uma profunda felicidade quando vejo um casal homossexual andando normalmente pela rua, sem vergonha, sem se preocupar com o que as pessoas vão pensar. Na última semana, fui a uma feira do livro perto da minha cidade e tive o prazer de ver um casal de mulheres brincando com um menino de uns 4 ou 5 anos. Acabei puxando assunto com elas, falei sobre a minha sexualidade e perguntei como foi o processo de adoção. Elas disseram que namoravam há 12 anos, desde seus 19, e que demoraram 4 anos até conseguir autorização para adotar o pequeno Mateus. Uma das mulheres me disse uma coisa que me deixou mais tranquilo: ‘’Sair da zona de conforto é sempre difícil, mas necessário. Nós passamos por isso e estamos bem e felizes’’. Ver a imagem dessa família, completamente feliz, deveria convencer qualquer homofóbico de que a orientação sexual dos pais não causa absolutamente nenhum mal a uma criança.

Quais são as expectativas de vocês? Como se imaginam daqui a 10 anos?

8 comentários Adicione o seu

  1. Mano, não faço a mínima ideia quanto à profissão, mas daqui a 10 anos vou estar com 27 (Nossa ;.;), então falar que quero um arranjar um namorado é meio cômico…

    Com 27 anos me imagino morando sozinho. Acredito que seja esse o meu único plano de vida: Ser independente.

    – CR, obviamente você vai precisar de um emprego para isso!!
    É, eu sei, mas ainda não tenho a mínima ideia de que faculdade vou fazer.

    Não sei, mas pedir pra falar sobre o que eu quero pro meu futuro me confude…

  2. CPM disse:

    Autônomo e assumido rs

  3. Caio disse:

    Bom, eu já passei por uma das fases que mencionou e posso te dizer como foi. Me formei há pouco tempo e também era mais calado e reservado no tempo do colegial, falava com o pessoal mais sobre assuntos das aulas e muito pouco sobre minha vida vida pessoal e outros assuntos. Mas mudei bastante na universidade, pois encontrei pessoas bacanas, com as quais pude sair e me divertir em alguns lugares e até viajamos juntos. Eles não sabem que sou homossexual, pelo menos não de minha parte rs, mas pelo que sempre percebi eles jamais notaram isso em mim. Ao conviver com eles posso afirmar que não se distanciariam de mim caso contasse, pois são mente aberta e do tipo: “o que isso muda na vida vida?” (um deles falando), mas sei lá, é a inércia, não tive o impulso para reuni-los e contar ou contar para um e outro e depois deixar se espalhar. Eu, a princípio, gostaria que fosse algo bem natural, sem precisar dizer: “gente tenho uma revelação para vocês, sou homossexual”, não, eu queria, por exemplo, chegar com um namorado um dia e dizer este é o fulano, ou se eles perguntassem e “aí Caio, tá pegando alguém?” rs, e eu dissesse, “o fulano”. Afinal com heterossexuais é assim, mas deveria ser assim com todos os humanos.
    Quanto a profissão, pensei que tivesse escolhido aquela que me traz satisfação e um bom retorno financeiro. Não foi bem assim. Apesar de gostar um bocado de administração de empresas, ainda acho que poderia ter escolhido outro curso. E a grana no começo tá difícil, quero mudar de emprego logo e sair do “buraco” rs.
    Então, comecei a montar um planejamento de vida para os próximos anos e para colocá-lo em prática vi que precisarei de bastante dinheiro. Assim, neste caso, um emprego, mesmo que meia boca, mas que pague bem é o melhor. No seu caso, você vai ter que ver, se a necessidade de grana fala mais alto ou nem tanto para então se direcionar.
    Por fim, não tenho vontade de namorar agora, mas penso nisso num futuro próximo. Não tenho a intenção de formar uma família tradicional, pois não quero ter filhos, isso é certeza. Será apenas eu e meu marido, ou companheiro, ou parceiro ou rolo, etc numa relação do nosso jeito, bem relax…rs. E para que se torne realidade, tenho que sair da toca, ter meu cantinho para facilitar a vida de inicialmente solteiro sedento para curtir a vida e depois ter meu lance com alguém. O recurso principal que vai salvar minha vida e tornar isso possível é um bom salário, o resto eu vou conseguindo aos poucos.
    Vai pensando nisso, que em breve terá sua resposta.

    Até.

  4. J disse:

    Gostei da ideia do post! Daqui a dez anos trinta trinta e três, quero estar profissionalmente estabilizado (sou formado em administraçao, atualmente na area de logistica), estar morando sozinho, quero estar pesando menos de 80 kg (sem sofrer o efeito sanfona), ainda ter cabelos e ter uma aparencia mais jovem do que a minha idade. Sou assumido para minha familia e alguns colegas, nao sinto necessidade de ficar me assumindo para as demais pessoas e muito menos me rotulando como A,B ou C, vivo na minha, nao me interesso pela vida dos outros, nao dou satisfaçoes da minha vida e muito menos dou oportunidade para as pessoas saberem o que eu faço ou deixo de fazer! (exceto os meus leitores do meu blog, pra eles conto tudo. rsrs)al. Não me preocupo se estarei namorando ou solteiro, nao pretendo me casar e muito menos ter um filho ou adotar uma criança, meu instinto paternal é zero e nao quero ter uma familia. Prezo minha liberdade e se um dia me sentir sozinho ou carente de atençao eu compro um cachorro!

  5. J disse:

    Gostei da ideia do post! Daqui a dez anos estarei com trinta e três, quero estar profissionalmente estabilizado (sou formado em administraçao, atualmente trabalhando na area de logistica), estar morando sozinho, quero estar pesando menos de 80 kg (sem sofrer o efeito sanfona), ainda ter cabelos, ter uma aparencia mais jovem do que a minha idade e no minimo transar três vezes por semana sem ter que pagar ninguem! Rsrs
    Sou assumido para minha familia e alguns colegas, nao sinto necessidade de ficar me assumindo para as demais pessoas e muito menos me rotulando como A,B ou C, vivo na minha, nao me interesso pela vida dos outros, nao dou satisfaçoes da minha vida e muito menos dou oportunidade para as pessoas saberem o que eu faço ou deixo de fazer! (exceto os meus leitores do meu blog, pra eles conto tudo. rsrs)al. Não me preocupo se estarei namorando ou solteiro, nao pretendo me casar e muito menos ter um filho ou adotar uma criança, meu instinto paternal é zero e nao quero ter uma familia. Prezo minha liberdade e se um dia me sentir sozinho ou carente de atençao eu compro um cachorro!

  6. Fábio disse:

    Bom, entrei na faculdade a pouco tempo e antes disso tinha as mesmas dúvidas que você. Encarei a faculdade como uma nova fase na minha vida (e realmente está sendo), tudo novo: cidade nova, pessoas novas, mundo novo, um novo jeito de viver. Resolvi mudar. No começo, eu pretendia me assumir direto pras novas pessoas que eu ia conhecendo, mas não consegui rs. E isso foi muito bom, pois pude criar laços com os novos amigos antes de falar algo. Faz poucos dias que contei pra uns amigos mais chegados e eles encaram da melhor forma possível, pois sabiam quem eu era independente da minha sexualidade. Foi libertador pra mim! Depois que você conta pra o primeiro as coisas ficam mais fáceis. Quando a faculdade até o momento estou gostando muito, sempre tive afinidade pelo curso que escolhi(Direito), embora ainda tenha algumas incertezas em relação ao futuro. Não diferente da maioria, no futuro quero estar formado, trabalhando, financeiramente confortável, feliz. Penso em ter uma família, queria muito ter um companheiro e um filho… quando vejo uma criança meu instinto paternal grita rs…

  7. Lucas disse:

    Legal o post, faço sempre as mesmas perguntas, até hoje com 17 anos e prestes a fazer o vestibular não escolhi ainda o meu curso, embora acredite que irá ser algo na área de exatas. Bem daqui a dez anos me imagino morando só ou dividindo um apartamento com algum amigo e tendo a minha independência, não sou assumido, mas não por medo de não me aceitarem e sim porque não quero correr o risco de perder a ajuda financeira de meus pais.

  8. Fox disse:

    É engraçado, parece que ver alguém pensar de um jeito tão parecido com o meu me deu iniciativa para postar meu primeiro comentário aqui… Faz até um tempo que você publicou isso, mas acho que vale a pena comentar algo, pelo menos como um desabafo, se alguém acabar lendo fico feliz . Eu acabei de passar por uma experiência de ingresso na faculdade. Apesar de não ter problemas sobre qual curso escolher, tive problemas para entrar, pois passar em Medicina de primeira era muito difícil para eu conseguir enquanto estava deixando os estudos em segundo plano. Desde que começou a enxurrada de hormônios na adolescência eu me interessava por outros garotos. Muito novo, inexperiente e medroso, decidi esconder minhas qualidades, com medo de ser reprimido e indesejado. Foi aí, nesse primeiro ano de vestibular, que as coisas começaram a mudar. Fiquei perdidamente apaixonado por um rapaz que nem sequer era gay ou tinha minha idade. Somado à toda aquela enxurrada de conhecimentos que entram na nossa cabeça, desequilíbrios emocionais e às sábias palavras e lições de vida que um dos professores nos ensinava, comecei a pensar… “Eu não conseguirei fazer um bom vestibular se houverem outras coisas pendentes me incomodando. Ano que vem meus companheiros que mais prezo vão para a faculdade e não nos veremos todos os dias. Eu preciso desabafar, e se eu contar meu segredo para alguém, será para eles e tem que ser logo!” Quando percebi, tinha contado para todos os meus companheiros próximos, e para minha surpresa, eles já tinham desconfiado e mesmo assim não deixaram de ser meus amigos, pelo contrário, nossa relação melhorou ainda mais, pois eu estava finalmente sendo eu mesmo sem ter que me preocupar com nada. Logicamente, eu não consegui resgatar um ano inteiro de estudos e acabei não passando no vestibular, mas no ano seguinte eu dei meu melhor e consegui minha aprovação na instituição e período que eu queria! Os 6 meses de intervalo entre essa nova vida foram muito utilizados para reflexão pessoal e para eu ver que o “eu” gay era muito melhor que o “não eu”. Assim, eu passei a me aceitar e me amar mais. O engraçado é que eu acabei me vendo naquela situação de ansiedade e dúvida de como seria o primeiro dia de aula naquele mundo novo. Como eu iria me comportar? Não podia me fechar e voltar à estaca zero de novo. Entretanto, não estava certo de que ser totalmente aberto fosse a melhor opção. Quando percebi, os veteranos estava chamando os calouros um a um para se apresentarem diante da turma e eu estava em pé na frente de todos tendo que responder minha preferência sexual, se eu era virgem, etc… Eu não iria me perdoar se eu dissesse que era hétero, não podia mentir assim de novo. Por outro lado, eu estava inseguro sobre aquele ser um bom momento para me abrir. Não tinha outra saída, resolvi levar na brincadeira e respondi que gostava de homem, mulher, bicho, que se estivesse se mexendo eu topava. Deu certo, consegui desviar a atenção do assunto. Outro dia em nosso primeiro churrasco, uma garota veio me perguntar se o que eu falei no primeiro dia de aula era verdade. Pronto, chegara a hora. Respondi que era mentira. Eu não gostava dos dois. Eu tinha atração por rapazes, mas nunca tinha chego a ter qualquer tipo de relacionamento ou contato. A reposta veio na cara: ” Ai, agora eu gosto (no sentido amizade) ainda mais de você!” Eu não sei, aquilo para mim foi como se o mundo estivesse me dando as esperanças de que eu precisava. A partir daquele dia, eu passei a ser um estudante de medicina que, além de ter seu próprio grupo de amigos, passou a interagir com toda a sala de aula e falava e fazia o que queria, sem ter medo de ser julgado. A primeira vista, não é muito fácil de dizer que sou gay julgando por estereótipos. Ando com meu grupo de piás, falo sobre videogame e uso roupas masculinas. Mas eu também gosto de coisas fofas, Katy Perry, abraços e decoração. Como essa nova turma me deixava à vontade, fui me deixando por levar e eles acabaram percebendo quem eu realmente sou. Por exemplo: Comentei com minha amiga que a moça do caixa estava folheando uma revista com modelos de cuecas. Ela logo respondeu “Nossa que safada, mas você também ficou olhando né?” Posso dizer agora, que sou um dos 3 gays da sala e que não fico me expondo desnecessariamente pois ainda não estou resolvido com meus pais e não quero problemas, mas se você vier perguntar pra mim, responderei com toda a sinceridade, sou um gay, ainda que não praticante até agora. Daqui a 10 anos… Bem, eu sempre quis casar, ter 3 filhos morar em uma casa com jardim na frente e passar os domingos chuvosos deitado no sofá com meu lindo companheiro de cabelo castanho claro e barba. Mas acabei aprendendo que as essas coisas não vão acontecer se eu não lutar por elas, então vale muito mais a pena viver o presente e se preocupar menos com o que vier depois. Às vezes se fecharmos os olhos e deixarmos rolar, a vida pode sair muito mais bonita do que aquela que estávamos planejando. Por isso eu também fico todo feliz quando vejo um casal homossexual de mãos dadas, pois eles me dão a esperança de que um dia um não precisarei me preocupar com maldades e preconceitos.
    Um Abraço e todo o carinho do mundo para você

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