Desabafo de um gay – Parte 1 – Preces cósmicas para 2014


Um pouco adiantado, lanço aqui alguns desabafos e expectativas para o ano de 2014, das coisas que vi a minha volta, na Internet ou um pouco mais distante. 2013 tem sido um ano de muitas referências culturais e comportamentais e, mesmo não sendo tão dinâmico e economicamente crescente como em 2012 (dólar numa alta gangorra, crises europeia e nos EUA que persistem, Presidente Dilma em amplo conteste, passeatas nas ruas com surtos inconscientes de insatisfação genreralizada), vou pontuar aqui minhas maiores vontades egoístas e altruístas:

– Que a Presidente Dilma saia do armário e seja feliz como a sapatilha que é. Dã, claro que não é isso. Embora o título mencione a vida de um gay e no fundilho a gente saiba que nossas questões são muito mais gerais do que o prazer por um pênis e um corpo masculino cheio de músculos, me sinto no dever de pontuar como primeiro desejo (ou constatação) a menção a nossa realidade homossexual no contexto heteronormativo. Gente, sejamos práticos e esclarecidos: os que estão enrustidos passem a soltar mais os próprios nós da auto-homofobia pela suposta fobia alheia. Sejam felizes como são, gays, bichas, queima-rosca, dá-o-cú, viado ou veado, curto-rola e qualquer outra nomenclatura que se pode encontrar na porta de um banheiro (ou na mente). Se esforcem para tirar a energia negativa, a sombra que paira sobre os próprios valores como gays perante a sociedade, os pais e irmãos ou amigos. Vamos ser mais atentos aos excessos e ao orgulho que nos impulsionam contra a nós mesmos. Excessos que nos tiram do equilíbrio, que nos expõem demasiadamente ou nos reprimem demais, que nos tornam submissos ao individualismo alheio (que pode ser dos pais ou de um relacionamento) e que, pelo orgulho/alma que podem se ferir, a gente permanece rígido e até mesmo míope. Em outras palavras, viver estagnado e numa sensação de solidão em detrimento a valores e posturas alheias não costuma ser a escolha mais esperta;

Onde mora a tristeza nos jovens de hoje?
Por que os jovens de hoje vivem essa aparente felicidade extrema?

– Amem mais, mas prioritariamente amem a si mesmo com pé no chão, sem viajar demais em contextos fantasiosos, egóicos, contos de fadas e etc. A grande maioria dos leitores do Blog Minha Vida Gay (salvo raros e benvindos trintões, quarentões e cinquentões) são “conteúdo” autêntico da Geração Y. Li uma matéria muito interessante sobre os jovens dessa geração e de que como a CURVA DE EXPECTATIVAS está sempre acima da CURVA DA REALIDADE. Assim, normalmente os jovens dessa geração Millennials sofrem demasiadamente por ideais e sonhos que não se realizam. Criam muitas expectativas sobre diversos assuntos, sobre as pessoas e – na maioria das vezes – a realidade é muito mais lenta, processual e exige muito mais de um movimento próprio do que do outro. Por isso, amigos leitores, vocês que sentem-se tão especiais, que foram educados numa sociedade com muito mais possibilidades, diversidade e variações, que tiveram pais – na maioria – que não exigiram trabalho cedo e responsabilidades de adulto como ajudar a pagar as contas de casa e que também são naturalmente ansiosos e individualistas, encarem uma realidade: o mundo não é todo esse conto de fadas e ninguém aqui é tão especial a ponto das coisas acontecerem como a gente quer, na hora que a gente quer e do jeito que projetamos. Principalmente quando um sonho só é possível de se realizar em conformidade a dois (mínimo) e não apenas de carreira solo. Aliás, carreira solo no bom estilo “Natureza Selvagem” é frustração crônica na certa.

“Felicidade só faz sentido quanto é compartilhada”.

Você compartilha? As pessoas estão realmente correspondendo? Você realmente está se valorizando em detrimento a sua família, amigos, relacionamentos?

Deixo aqui o link do texto. Está em inglês, mas um Google Chrome pode ajudar nessa hora!

Por que a Geração Y é infeliz?

Esse post continua em breve…

2 comentários Adicione o seu

  1. Gabriel disse:

    Vem cá, MVG, vc leu minha mente? Eu por acaso estava pesquisando as diferenças entre gerações no Google e li este MESMO artigo, ANTES de ler o update do blog. Ainda to chocado com tamanha coincidência. E ainda achei muito interessante a associação feita entre a felicidade e as novas mídias digitais, como o facebook. Sim, sinto isso na pele tds os dias. Quanto mais tempo se passa na internet, mais a inveja e a infelicidade crescem, pois na visão das fotos, todos vivem melhor do que vc. Felizmente, tenho usado menos as máquinas (exceto para encontrar gatinhos rs) e portanto melhorado com isto a vida social.

    Belo post, como sempre. Estou ansioso pela parte 2.

  2. minhavidagay disse:

    Oi Gabriel,
    bem interessante mesmo a parte que fala do impacto das redes sociais (no caso o Face) na vida das pessoas e como temos esse hábito de sermos todos “super felizes” por lá. Não me isento desse aspecto e acho que utilizamos bastante as redes sociais para extravasar ou fugir de nossas realidades “normais” de vida.

    Muito obrigado pelos elogios! :)

    Abs,
    MVG

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