Reencontros furtivos com um ex-namorado


Estive hoje no Athenas Bar – aquele restaurante que já indiquei algumas vezes e que fica na esquina da Rua Augusta com a Antônio Carlos – e estava bem acompanhado de dois amigos, já que meu namorado ficou em curso praticamente o final de semana todo.

De relance noto uma pessoa pedindo mesa e comento: “Nossa, parece meu ex-namorado”. E realmente era ele, aquele que por aqui relato como o ex que terminei ainda apaixonado e que faria uma viagem para o exterior. Ex que, quando terminamos, estaria namorando em semanas com outra pessoa e sua viagem jamais aconteceria nos próximos dois ou mais anos, resumidamente.

No momento que reconheci, senti um gelo, sentimento que não imaginava que poderia acontecer. Pensei: “mas não é possível! Será que tenho ainda algo mal resolvido com ele?”.

Tudo aconteceu em segundos, o gelo, o questionamento e avaliações, tão rápido que imagino que nem deu tempo para meus amigos notarem que eu estava meio desconcertado.

Naquele instante, também me odiei um pouco sentindo aquilo, aquele sentimento estranho por alguém que não era mais meu namorado por mais de 4 anos!

Enquanto mantínhamos a conversa na mesa, pensei se não seria legal cumprimentá-lo. E foi aí que um pouco daquele sentimento começava a se traduzir: “não, você não precisa falar com ele. Vocês perderam o contato, ele atualmente está namorando e repare, ele lhe parece realmente aquela pessoa que você foi apaixonado?”.

Alguns ex-namorados não tem como virar amigos.
Susto!

E realmente, ainda naqueles segundos invisíveis aos que estavam na mesa, todos esses pensamentos vieram na minha cabeça, não dessa maneira racional que expresso aqui para trazer clareza aos leitores sobre o caso. Vieram intensos, explodindo na minha cabeça e com uma vontade de que tudo aquilo não vazasse para que não virasse algum tipo de assunto com os meus amigos.

As coisas foram se acalmando naturalmente dentro de mim e passei a lidar com naturalidade.

Vi que ele saia para fumar algumas vezes e pensei: vamos deixar acontecer. Se ele me notar, ótimo. Se não, deixa como está.

E ficou. Ficou aquela sensação que num momento ele me viu, mas mais uma vez, fingiu que não.

Fui até o banheiro uma hora e, na volta, cruzei justamente com seu namorado que estava chegando naquele instante. O rapaz é como nas fotos que já vi pelo Facebook ou Instagram do ex. Não me senti mal, nem nada do tipo. Pensei até: “parece uma pessoa boa”.

Ficamos mais algumas horas, eu e meus amigos nos papos mil que conseguimos sintonizar. Na hora que deixamos o Athenas, comentei a um deles o occorido, da sensação estranha. De uma impressão de que a pessoa que ele era agora, ou me pareceu, não era mais aquela que fui apaixonado.

Mudamos de assunto, o deixei de carona em sua casa e o último pensamento que me veio a cabeça foi de paz: “que bom que estou voltando agora para minha casa para encontrar meu namorado”.

Quando mais jovem do que hoje, tinha uma mania de querer virar amigo de ex-namorados. Consegui muito bem com o primeiro, mediamente com o segundo e o ex-marido nem pensar. E esse ex, assunto do post de hoje, veio a sensação que também não vai dar.

É chato, mas claro hoje: O “Pedra” que idealizei quando apaixonado não corespondeu com a pessoa que imaginava, depois que terminamos.

Não tem como ser amigo de todos.

2 comentários Adicione o seu

  1. Matheus disse:

    Pensando “metafisicamente”, cada decisão que a gente toma cria uma múltiplas realidades distintas, 1 concreta e as outras várias não, mas talvez percebidas. Alguns relacionamentos deixam sensação de assuntos-inacabado quando terminam, mas eu acho isso normal, e não significa que estranhamentos tenham motivos escondidas. É apenas um estranhamento.

  2. minhavidagay disse:

    Pois é, Matheus!
    Curioso você se expressar assim. Parece até a maneira subjetiva de pensar desse meu ex, ou pelo menos, a maneira que ele percebia as coisas quando o reconhecia.

    Já não sou partidário das relatividades dessa maneira. Todos estranhamentos têm um significado que está no subconsciente. Alguns estranhamentos buscamos desvendar, outros não. Alguns estranhamentos é melhor deixar no plano do estranhamento justamente porque a assimilação pode ser dolorida, pode mexer com realidades que não queremos ou gostamos de aceitar.

    De alguns estranhamentos podemos “fugir”. Outros não.

    Acho que esse assunto, da maneira que você colocou, tem a ver com a tal “leveza” da vida que buscamos dar para a própria.

    Talvez eu não tenha problema de dar um “peso” na vida para buscar ao máximo reconhecer meus estranhamentos (rs) e assim, reconhecer a mim mesmo, para não ser omisso comigo mesmo pois, em algum lugar nas minhas percepções de mundo, a vida vai cobrar em algum momento. Quanto mais tempo postergar mais “duro” será rever os estranhamentos.

    Mas eis o livre arbítrio acima de tudo para cada um perceber as pessoas e as coisas a sua maneira…

    Um abraço,
    MVG

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