Gays e a vida profissional

Posso afirmar hoje que um dos motivos que me impulsionou para ter a empresa própria (coisa que começou aos meus 23 anos) foi o fato de ser gay. Existia uma energia muito, muito grande de provação perante meu pai, meus amigos de faculdade e a mim mesmo. Ainda na inconsciência, a certeza de que um gay se dando bem com o próprio negócio seria algo de destaque (mesmo que somente na minha cabeça). Nunca fui de gostar das coisas fáceis e mastigadas. Nunca gostei da dependência.

Ao mesmo tempo não teria que enfrentar aquelas chatas e rotineiras situações do convívio entre colegas de trabalho, diretores, supervisores que muitas vezes cansa pela própria natureza hierárquica e política. Imagine então com a “pitada” de ser gay, e não aquele gay que todo mundo do escritório já sabe, mas aquele que passaria naturalmente por um hétero e teria que corroborar com as repetitivas conversas sobre mulheres e futebol nos almoços por quilo e reuniões dispersas?!

Vivi um pouco de tudo isso antes de começar a empresa e por essas experiências fui refinando minhas vontades e objetivos. Tinha que ter um ponto de partida.

O post de hoje será dedicado ao gay, nem tão gay assim e nada gay. São 13 anos levando a frente da minha microempresa e creio que muitos aqui estejam na busca da consciência e da estabilidade profissional.

1 – A primeira dica que dou é uma cópia descarada da frase de um grande cara, que não era homossexual, mas convivia com gays com naturalidade: “Não deixe o barulho da opinião dos outros abafar sua voz interior. E mais importante, tenha a coragem de seguir seu coração e sua intuição. Eles de alguma forma já sabem o que você realmente quer se tornar. Tudo o mais é secundário”. Curioso que essa frase caberia perfeitamente para o gay enrustido que sofre por ser assim (rs). Mas no contexto do trabalho e traduzindo em outras palavras, “seja apaixonado pelo que faz”. Sem paixão, tesão e orgasmo não tem como ser feliz quando o assunto é a profissão;

2 – Mas para se chegar no êxtase profissional como indico na primeira dica existe uma grande questão: “eu não sei do que gosto!”. Essa é uma grandessíssima questão que assola a grande maioria dos jovens. Primeiro que, no contexto de mundo, temos infindas áreas de trabalho. As pessoas se sentem perdidas, conflitam entre a necessidade de se ter prazer e a dos ganhos que as vezes não são proporcionais. Acham que querem atuar numa área específica, experientam e de repente percebem que não é nada daquilo! E, para “facilitar”, querem ganhar o mundo em um ano! Segundo que existe um fator cultural que empata a nossa vida: nosso modelo familiar tende a “fabricar” pais que nos mimam demais. Mimados, nos tornamos dependentes e pouco pró-ativos. A dependência e a falta de pró-atividade geram uma acomodação e um conforto que prejudicam diretamente a escolha, um foco, um objetivo. É como se, se fosse possível, nossos pais pudessem definir a nossa profissão e trabalhar pra gente! Nesse modelo, trabalhar, criar rotina parece algo muito desgastante. É por isso que o ponto 1 se faz valer mais ainda: se não encontramos a paixão na profissão que nos move, se depender do modelo familiar (direta ou indiretamente) ficaremos amarrados às saias e as calças dos mais velhos. Sabe quando alguém te fala “se joga, bi!”? Esse “se joga” tem que ser para a vida no geral e não para dar uma de periguete. E precisa ter foco. Não é como na balada que, na vontade, a gente atira um pouco para cada lado. Se ficar transitando em reflexões, achismos, opiniões alheias e não vivenciar a prática de maneira focada não tem como sair da inércia;

Seja extremamente apaixonado pelo que faz.
Seja extremamente apaixonado pelo que faz.

3 – Estude, pra cacete. Se tiver como, faça cursos. Se preferir, compre livros, busque na internet e explore seu lado autodidata. Se tiver condições ainda, empreenda e aprenda na prática acertando (e principalmente errando). Sem estudo não se acumula repertório, criatividade e referências. Sem estudo não exercitamos os neurônios e existe evidementemente um processo físico de dar alimento para o cérebro!;

4 – Pare com a utopia: não existe um trabalho fácil para se ganhar muito. Invariavelmente, para se ganhar muito terá que trabalhar muito. Para ser um Mark Zuckerberg da vida ou um Bill Gates teríamos que – no mínimo – ter nascido nos Estados Unidos, país que estimula o jovem desde muito pequeno a ser empreendedor e autônomo. Coisa que aqui no Brasil, como apontei no item 2, não existe. Existe aquela cultura de pais que, no caso da preparação profissional, nos acostumam muito, mas muito mal! Dependência é o oposto de autonomia.

5 – Tenha fé. Para isso não precisa ser evangélico, católico ou budista. Tenha fé no seu pontencial, acredite em você mas sem ficar verbalizando que é o tal. Ao invés de falar, faça, execute, foque em um objetivo e vá sem medo. Se arrependa por ter tentado do que não ter feito nada.

Existem pessoas realizadas vendendo hot dog. Existem pessoas realizadas trabalhando no mercado financeiro. Realização é resultado da paixão.

Qual é o seu ponto de partida?

6 comentários Adicione o seu

  1. Além de ajudar na homossexualidade, vida familiar e em relacionamentos em geral de cada leitor, ajuda na vida profissional.

    Porra! O cara consegue dar o nome no blog! Rs!

    Abraços do CR!!

  2. minhavidagay disse:

    Rs… Quem sabe eu divulgo um dia CR! Deixa vir um propósito maior pra isso. Vai acontecer naturalmente…

    Abs,
    MVG

    1. Quando eu disse “Dar o nome no blog”, eu quis dizer que tu consegue uma puta presença, que tu é o cara, etc. Não pra dizer o nome!
      Rs!

      1. minhavidagay disse:

        Ah… saqueiii! MVG tbm é meio tonto as vezes rs rs rs

  3. Sammy disse:

    Excelente post! Mostra que a vida gay vai muito além de questões bestas sobre ser ativo ou passivo. Como você mesmo disse, serve “ao gay, nem tão gay assim e nada gay”, ou seja, não precisa haver qualquer tipo de segregação. A vida gay, afinal, é a vida. E ponto.

  4. Gabriel disse:

    Não gosto muito de me expor quando este assunto pinta, mas quando e’ pela internet, acho que não tem problema. Muitos colegas meus me diriam que sou rico, e mesmo n me vendo como tal, n da pra negar que vivo mt, mt bem. Mas n sou o herdeiro de uma grande rede de hotéis. Meu pai nasceu em uma família que vivia muito pior do que hoje, e conseguiu subir de vida reunindo tudo o que você falou aqui: dedicação, direção, garra… Até hj, meus tios tem inveja dele por causa disto.

    E aí eu entro na equação, eu que nunca passei por nenhuma dificuldade realmente série, apenas as enxergo como tal por n conhecer a carência e a necessidade. Como já e’ de se esperar, tenho uma pressão imensa para ser ainda mais bem sucedido que meu pai. Mas n sei como chegar lá, pq há muitas coisas que me interessam, e n sei como aproveita-las ao máximo. E’ verdade que sou novo, mas como vc falou, isso já deve ser pensado desde cedo. Acho que já me acostumei com a independência, mesmo que no subconsciente. Posso até dizer pra mim mesmo que vou batalhar pra conseguir oq quero, mas dizer isso e por a mão na massa são coisas diferentes. Eu amo meu pai apesar de todas as dificuldades, e quero que no futuro ele se orgulhe do filho que tem.

    Acho que meu maior problema seria o número 5. Apesar de tudo oq tenho e de ter melhorado neste aspecto, minha auto estima ainda e’ baixa. Ser gay, infelizmente, contribuiu para isto, já que sofri bullying no colégio. E mesmo já tendo feito terapia e ser capaz de fazer amizades, tenho pouca resistência a frustração. Qualquer obstáculo me abala, e mt. Temo que isto venha a atrapalhar minha vida profissional.

    Enfim, tlvz eu seja mais um dos muitos “riquinhos mimados” por aí. Mas queria muito, muito mesmo, deixar de ser assim

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