Minha Vida Gay – Um cantinho e um violão


Os últimos posts têm sido mais em primeira pessoa e creio que ficará assim por um tempo até a inspiração me levar para outros temas (rs). Pensei em falar sobre o caso “Barilla” que aconteceu umas semanas atrás, do manifesto do presidente da empresa se apresentando contra os gays. Foi algo totalmente desnecessário, óbvio. Que cargas d’água tem haver macarrão com homossexualidade, a não ser o penne? rs Sou um consumidor fiel da marca e não vou deixar de comer macarrone por causa desse deslize de Guido Barilla.

Da mesma maneira que a bobagem se espalhou, ele pediu desculpas. Trato feito e claro que gera um ruído à marca. Mas no Brasil, o tempo passa e a gente esquece. Então, antes de esquecer – para esse caso – continuo consumindo.

A música foi um dos meios mais importantes para a minha formação cultural durante a minha juventude. Embora a turma da Paula Lavigne ande meio caquética e esclerosada, com essa história de censura, vivi longos anos da minha adolescência na praia sob forte influência do mar, dos mergulhos, dos passeios nas trilhas da serra, das ondas, das volúpias de pequenas paixões e da MPB.

A minha MPB foi de Tom Jobim, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Geraldo Azevedo, Zé Ramalho, Alceu Valença, Marisa Monte, Dominguinhos, Vinícius de Moraes, João Gilberto, dentre tantos outros. Bandas como Novos Baianos, Secos e Molhados e Mutantes eram presenças confirmadas nas gravações das fitas cassetes. Transitei bastante por Bob Marley, Jimi Hendrix e Janis Joplin. Seria impossível não ter uma compulsão pelos Beatles. Deles, o Sgt. Peppers and the Lonely Hearts Club Band e o The White Álbum na linha de frente.

Claro que nessa toada gringa, como os leitores mais frequentes podem perceber, Elton John – acompanhando depoimentos do próprio John Lennon – se tornaria o maior expoente depois dos Beatles. A mim, o disco “Goodbye Yellow Brick Road” que contém a versão original de “Candle in the Wind” (aquele que a “tia” tocou no funeral da Lady Diana) é uma de suas obras-primas.

Na época, quando conheci o Elton – comprando com meu troco de dinheiro o cassete duplo “The Very Best of Elton John” – não fazia ideia que ele era gay, se é que eu tinha uma noção definida do que era ser homossexual e que eu faria parte dessa categoria. Algo muito subliminar, muito subjetivo nos uniu (rs). Foi intenso e eterno. rs

Mesma coisa para o Queen e o poderoso Mercury.

Não sou daqueles que entro no esteriótipo do gay que gosta absurdamente de Lady Gaga ou Madonna. Gosto sim da segunda, mas seleciono as músicas como “Vogue” ou “Beautiful Stranger”, só para exemplificar. E da primeira, que posso dizer que ainda ouço sem enjoar, por enquanto somente “Born this Way” que tem toda uma vibração gay do naipe “I am what I am” cantada pela Gloria Gaynor no passado, quando a maioria (nem eu) tinha nascido!

Do rock atual internacional e nacional, gostei bastante da versão de “Sex on Fire” do Kings of Leon (versão sim pois para quem não sabe, essa música foi uma das baladas dos anos 80). Algo de Maroon 5, algo de The Killers, de Belle & Sebastian, Moby, mas faz alguns anos que não consigo dizer que um disco inteiro é envolvente. Talvez o último disco que ouvi e que no geral era foda foi do Oasis. Mas já é passado, anos 90.

Nesse sentido dos covers, gosto muito do seriado Glee: como já comentei uma vez, essa molecada além de mostrar de maneira pueril a diversidade sexual, traz de volta a música boa que o mundo já fez para uma parcela da juventude Glee.

Olha só, gosto também dos hits do One Direction! Além de trazer aquela vibração de Boy Band que reconheço desde os Menudos/New Kids on the Block, me traz uma sensação de Mickey, Disney World (rs) referências presentes na tevê da minha infância.

Los Hermanos tem lá uns bons clássicos. Acho as letras e as melodias bastante incríveis, dignas de Chico Buarque. Mas não são todas que gosto de digerir. Algumas me dão dor de barriga de tão depressivas (rs) e melancólicas. Não consigo lidar com depressão por muito tempo. Prefiro pressão… rs

Posso dizer, com bastante propriedade hoje, que a música foi instrumento presente para a minha “ocidentalização”. Em 1994, quando o criador de “Garota de Ipanema” (uma das 10 músicas mais tocadas mundialmente) morreu foi uma comossão. Fui buscar mais de sua história e fiquei meio puto quando descobri que a Bossa Nova fez sucesso antes nos Estados Unidos do que no Brasil! Stan Getz junto com João Gilerto mandaram ver e, só depois, a tendência veio para o Brasil. Isso me chateou mas ao mesmo tempo me impulsionou para devorar essa turma. Daí, depois que você encontra a raiz dessa árvore, para chegar nos Tropicalistas e ramificações foi rápido.

Meu pai, japoronga, CDF e engenheiro, queria morrer com tudo isso. Eu trocava meus estudos pelos discos (e outrora trocaria de novo a carteira por desenho). Mas quem diria que eu iria aprender tanto ouvindo música? Valeu demais as notas vermelhas e a recuperação. Valeu parte da minha brasilidade.

Descobria assim que, por dentro da minha casca racional, organizada e metódica, tem um lado emotivo, apaixonado, intelectual e romântico; meu jeito brasileiro de ser.

De imediato, muitos que me conhecem me acham exatamente assim: frio, racional, que afugenta os “mimimi’s” da vida e que dá consolo sempre com um tapinha de luva de pelica (quando não é porrada – rs). Mas é como digo: para presenciar esse outro lado só sendo meu namorado! ;)

Mais uma aos leitores nessa minha mini fase egotrip, versão do jazz “All of Me” – que ouvi de João Gilberto – numa fusão com “Something” dos Beatles. Deu bossa:

9 comentários Adicione o seu

  1. lebeadle disse:

    Muito bonita a canção.

  2. Sammy disse:

    Virei seu fã! Ainda mais do que já era ;)

  3. Gabriel disse:

    Sensacional este post haha Confesso que se fosse só sobre o macarrão barilla eu n teria achado a mesma coisa, até pq n sou de macarrão mesmo. Exceto, como vc já falou, o penne ( pq será q ele recebeu este nome?). Mas mesmo assim sempre peço o farfalle no spoletto lol

    Gostei e apreciei mt o seu gosto musical. Tem aí diversidade e até uma mistura de épocas invejável haha. Eu tbm gosto de muitas coisas, sou muito musical por natureza, pena que meu violão já ta parado por mt tempo… Mas mesmo assim sou o cantor oficial da minha classe, pq canto sempre que me vem algo a cabeça, basicamente o tempo td xD

    Antes de me mudar e passar dois anos nos EUA, de 2009 a 2012, meu gosto musical era o típico pre adolescente mimado que ouve apenas oq os amigos falam ou que toca no multishow. Mas quando fiquei lá, isolado em um mundo diferente, passei a sentir mais e mais saudade da grande música brasileira, pq, por mais mal que possamos falar do nosso pais, n tem como negarmos que a música nunca deixou a desejar. Então com a ajuda da internet cai de cabeça nos anos dourados da MPB: chico, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Rita lee e os mutantes, etc… Entrei também moderno “planeta das sapatas”, que minha mãe gosta e até já assumiu ter uma queda pela Ana Carolina. Mas tão boas como ela( pra n dizer melhores, são a Adriana calcanhotto, Zélia duncan, e minha paixão paulista e hetero, tulipa ruiz! Se vc ainda n a conhece, MVG, escute um disco dela, pq essa moça já tem 2 e mostrou para que veio. Eu n acho a mpb tão decadente assim, apenas que existem gêneros como o funk e o sertanejo com mais destaque midiatico, mas a qualidade em si n tem caído, e especialmente com programas como o the voice Brasil, surgiram novos talentos.

    Do lado gringo, n sou mt de rock, exceto por bandas não tão rock assim, como Florence and the machine. Mas adoro artistas alternativos, como a regina spektor, e musicas muito antigas de jazz, como Sinatra e ela fitzgerald. Foi tão legal quando uma senhora de 80 anos fez aniversário e tocaram música de várias gerações, e eu era o único jovem da festa que conhecia e cantava junto praticamente tudo :-)

    Enfim, adoraria alongar o comentário mas estou ocupado agora. De qualquer maneira, valeu por ter postado sobre este assunto, MVG!

    1. minhavidagay disse:

      Ah, Gabriel!
      Você mora no Rio! Aí é o berço da MPB. Terra do Tom e, diferente aqui de SP, tem show frequente desses figurões. Posso dizer que tenho bastante inveja, eheheh.

      Quem me dera a gente pudesse ter shows da pura MPB com a frequência que vocês têm por aí…

      Eu tbm não era da MPB. Na minha adolescência comecei com o pop e rock dos anos 80, que dava na rádio. Foi com a morte do Jobim que passei a devorar.

      Valeu e até a próxima,
      MVG.

      1. Gabriel disse:

        Nossa, nem imaginava que um dia um paulista me diria que sente inveja dos cariocas… xD e’ bom pro ego, embora eu tbm falaria até amanhã se fosse contar as coisas que invejo em SP. Realmente, aqui temos a tradição do samba e alguns gêneros da MPB, mas o rock nacional pertence a sampa. Pra mim o único estado que realmente e’ uma potência da música e’ a Bahia, terra de Gil, Caetano, novos baianos… Vc n tem nada do que reclamar, aliás, pq n vem nem de longe tanto artista internacional bom pro rio, além de musicais e peças de teatro, como existe aí. E ainda tem o lolapalooza!!

        Novos Baianos são demais né? Se eu soubesse como fazer isto te mandava um arquivo de áudio da minha voz cantando “A Menina Dança” :-)

      2. minhavidagay disse:

        No sentido da musicalidade brasileira, o Rio não tem igual! ;)

        Manda o arquivo por e-mail! “Quando te vi tudo, tudo, tudo estava virado…” :P

        Um abraço,
        MVG

  4. Ali disse:

    Oi MVG,a quanto tempo!! Sentiu a minha falta? kkkk
    Estive sumido durante um tempo porque recentemente estive na Europa tirando longas e merecidas férias,também fui acompanhar o maridão em um simpósio que ele ministrou em Londres,nunca se sabe o que aquelas beeshas europeias são capazes de fazer com o bofe alheio kkkk brinks…
    Tempo suficiente pra ficar longe da blogosfera gay brazuca,mas agora I CAME BACK!

    Só passei aqui pra te dar um oi e dizer que senti muita falta de ler os seus textos,e pelo que eu já andei lendo… Nossa,o senhor anda inspirado ultimamente. rsrs
    Vou comentar mais regularmente agora,abraços e tudo de bom.

    Oops,já estava esquecendo…
    LINDA VOZ,verve musical impecável!!

  5. Pedro disse:

    Disse alguém que há bem no coração, um salão onde o amor descansa…
    Meu, meu coração tem esperança e vive a chorar, soluça, como quem tem medo de reclamar.

    Muito legal ouvi-lo cantar Disse Alguém (All of me) com essa pegada jazzística. Conheci essa música através do João Gilberto, cantando juntamente com Caetano Veloso e Gilberto Gil no disco Brasil de 1981 (Belo Disco! E com poucas faixas, diga-se de passagem, tem um crítico que diz: “praticamente um disco conceitual sobre a Bahia”).

    O engraçado é que esta versão da canção do disco Brasil do João Gilberto é creditada na própria capa (ou seria contra-capa? Bem, naquele negócio onde creditam os compositores…) do disco a Haroldo Barbosa, famoso por fazer versões em português de várias músicas americanas. Mas ao que parece não foi ele quem fez essa versão e sim um outro compositor chamado Alberto Ribeiro.

    A versão da música feita por Alberto Ribeiro se chama “Descansa Coração”, e a letra, ao que tudo indica, foi alterada nesta versão definitiva em português dada pelo próprio João Gilberto, que fez com maestria como sempre.

    Bem, metendo a colher na antiga discussão Rio e Bahia, a Bahia mudou a música brasileira, definitivamente, não existiria Tom sem João, e não existiria João sem Caymmi, sendo assim, por uma questão de primazia, é a Bahia. Mas os dois juntos (Rio e Bahia na música), certamente são imbatíveis. Dá samba né, não preciso dizer mais nada.

    Não esquecendo ainda que o tataravô de Chico era baiano, de quem certamente ele herdou toda sua musicalidade rsrsrs.

    Sampa também tem lá sua contribuição através daquela crônica urbana transformada em samba, Adoniran com seu Trem das Onze e sua Saudosa Maloca, tenho que admitir isto, mesmo assumindo que Narciso ache feio o que não é espelho.

    Abraço e inté.

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