Quando os termos “te amo” e “namorados” são muralhas…

Na terra onde eu nasci, no planeta que me criei, o pronunciar “eu te amo” e “estamos namorando” sempre foram regados de positividade, da energia boa, de querer bem. Mas descobri pela minha vivência um fato bastante curioso, que foi relembrado em conversas ontem quando dava um apoio para um amigo: existem alguns alienígenas nesse planeta – e considero realmente assim – que tem uma grande, terrível e forte dificuldade de aplicar esses “rótulos” em um relacionamento. As vezes tão grande que nem conseguem se relacionar. É como se “eu te amo” e “somos namorados” não soassem bem.

Existem jovens e homens gays que projetam nesses simples conceitos (e sim, são palavras como a própria natureza do termo “gay”) uma bomba de negatividade ou sentimentos ruins. Negatividade camuflada numa aparente indiferença.

Quem se acha intelectual, cool e pós-moderno pode até vir com um discurso barato que essas coisas não precisam dizer, acontece. Mas a mim, o que realmente parece é que intelecto e pós-modernidade servem muito bem de camuflagem nesse contexto.

Em conversas ontem com a minha terapeuta, diálogo que casou bem com o bate-papo com meu amigo, identifiquei que uma grande maioria das pessoas – e no caso me refiro a gays – vivem frustrações do passado. Essa é a única e simples realidade para que os tais “rótulos” que deveriam emanar positividade, são tratados com frieza, essa coisa “cool”, até esnobe e pós-moderna.

E sabe de uma coisa? A gente passa a ser um frango ou um pinto molhado com as questões do amor e de namoro.

Por trás desse cool, que socialmente fica elegante, existe sim rigidez, recalque e traumas. Existe um tipo de congelamento da alma, que as vistas menos sensíveis até parece uma maturidade, mas no fundo é tristeza. Tristeza reprimida, frustração que, se não cuidar, torna-se crônica. Nunca a sociedade contemporânea falou tanto em depressão porque, definitivamente, estamos perdendo a simplicidade da vida.

Daí formam-se no mundo aqueles indivíduos pessimistas que – na cegueira brutal dentro de si – se consideram os verdadeiros realistas. “O ser humano é mal, é cruel”. No fundo, esse “intelectual pós-moderno” que entende o “namorar” e o “amor” como algo inexistente, complexo ou prolixo tende a ser uma vítima de sua própria condição. Vampiro, zumbi, apático.

E chora quando a coisa não dá certo, é como se estivesse envenenado, amaldiçoado, fadado a viver “pálido” até que alguém de energia superior o tire das profundezas de si. E o curioso é que a coisa parece realmente um feitiço, uma macumba, um voodoo pois só acontece assim quando surge o contexto de relacionamento afetivo. Com amigos, familiares, tende a prevalecer uma luz.

Lançamos um maldição em nós mesmos
Lançamos um maldição em nós mesmos

Essas pessoas andam vampirizadas, vivendo planos fantasiosos de seus dramas pessoais que se perpetua pela muralha formada do orgulho ferido, por aquela intenção equivocada de não querer se rebaixar perante o outro ou manter as feridas abertas.

Confesso, amigos, que uma ponta congelada ainda residia em mim há bem pouco tempo. Um sentimento mal resolvido com um ex-namorado que parecia um feitiço, um encantamento que em alguma medida não me libertava. E foi o meu próprio orgulho meu pior inimigo que discretamente me aprisionava. Mas essa ponta congelada não foi suficiente para me estagnar.

E aqueles que congelam para as relações?

Amigos, deixemos de ser vítimas. Somos totalmente responsáveis pelos nossos demônios e nada mais.

1 comentário Adicione o seu

  1. Marlon disse:

    Excelente texto! Parabéns! Acredito que no universo gay, as pessoas deixaram de acreditar no amor. Principalmente aqueles que nunca viveram a plenitude de um amor, mas sim de desilusões amorosas… acabam criando regras e dizendo que o ser humano é mau, mas não passam de pessoas presas em seus medos, que não se permitem viver e conhecer pessoas realmente interessantes.

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