Minha Vida Gay – O que justifica nosso limbo

Preconceito racial é uma das grandes desgraças advindas da natureza humana que justifica o nosso limbo. Anotem: não fosse o contexto de nossa colonização, da supremacia branca perante escravos e índios, nossa história seria bem diferente, como bem disse algum amigo, referindo-se a Austrália que também é um país novo.

Preconceito ainda atrelado a uma instituição poderosa como a FIFA, piora mais o cenário. É um “gigante” cuspindo em nossa cara e dizendo: “Sim, vamos trocar porque para a nossa imagem queremos brancos”. As desculpas podem ser criadas, reinventadas e produzidas por algum grupelho de assessoria de imprensa, mas não tem como enganar os mais esclarecidos: Camila Pitanga e Lázaro Ramos, mulata e negro respectivamente, foram alvo de preconceito racial durante a semana.

Não é diferente quando a minha colônia nipônica só vive entre ela. Ok, podem existir afinidades culturais mas há também uma parcela de vontade de “não se misturar”. O mesmo acontece ao contrário desse caso da FIFA: meu ex tem uma amiga negra, daquelas “zulu” que não sofreu mistura. Toda a família é assim e a política por dentro é: “negro só casa com negro”.

Que tentativa arcaica e tradicionalesca é essa de preservação da raça!? Para que isso afinal?

Preconceito do Século XXI
Preconceito do Século XXI

Tradição, gente. Tradição que por um lado traz um bolo de valores, moral e conduta que nos colocam a se desenvolver na vida, ao mesmo tempo tem desse tipo de coisa.

Rolou na semana passada a arruaça de arrastão nas praias do Rio de Janeiro. Lá em casa, durante o almoço, tanto mãe quanto pai – nesse fluxo de cada vez olhar mais para dentro conforme a velhice caminha – vieram com um discurso do tipo “tinha que ser preto”. Gente, meu estômago embrulhou na hora e quase cuspi comida para o teto! Não tive como não me colocar com indignação. Tive que esclarecer a papai e mamãe sobre a origem, a questão da colonização.

Mas aí, para a minha mãe, a coisa da Camila Pintanga e do Álvaro Ramos soou como preconceito. Pura contradição. Pura contradição, quando o negro pobre é sacana e o negro classe média (próximo da gente) é mártir.

O ser humano é um bicho esquisito. Esquisito e justifica inclusive o limbo que a gente vive. Já falei desse limbo em outros momentos e, agora, falo que a nossa contradição nos ferra. Bastante.

Nos falta convergência e linearidade de pensamentos, muitas vezes. Está todo mundo perdido, se confundindo em conceitos, sem ideologia, sem liderança. É uma inércia. Walking Dead faz sucesso com razão (é um monte de zumbi caminhando por aí com boné da John John sem perceber a cafonice que é e como assim nos permitimos ser rotulados).

A mim, voltando um pouco lá atrás, sem sair do estado de limbo e amarrando com o post de hoje, o que faltou nas passeatas foi liderança. Uma liderança fodida, claro, para se fazer entender e se fazer cativar por tanta gente diversa. O Brasil anda tão diverso que não sei nem se Jesus Cristo hoje conseguiria arrebanhar as ovelhas. Vivemos essa Babel, essa loucura. Falamos a mesma língua mas vivemos estranhamente individualizados: negros num canto, brancos em outro, amarelos numa terceira borda e o azul sabe-se lá onde, mas se existir já entra nesse caldo da segregação. Nos perdemos dos valores, ou para piorar, não temos valores. Vazios. Sem unidade. Individualizados.

“Porque o importante é ser feliz! \o/” #SQN

Neurônios, funcionem! Tirem a joça do boné John John da cabeça e percebam que preconceito racial não presta para o desenvolvimento do país!

3 comentários Adicione o seu

  1. Luis Augusto disse:

    Infelizmente o preconceito racial ainda está enraizado na nossa sociedade e grande parcela da população se recusa a enxergar essa realidade. Tenho experiências pessoais em relação ao assunto: minha mãe é negra, meu pai é branco e eu sou pardo (mestiço ou mulato ou qualquer nomenclatura que achar melhor). Minha mãe já contou diversas situações em que ela vivenciou o preconceito mesmo que indiretamente. Ela trabalha como professora de educação infantil numa escola de classe média e percebe o racismo mesmo nesse ambiente. Por exemplo, as crianças negras raramente são elogiadas em relação a sua beleza; enquanto as brancas, loiras e de olhos azuis são colocadas em um pedestal (como se fossem símbolos da expressão máxima da beleza infantil).

    Muitas pessoas quando vão falar da sua cor de pele, dizem coisas do tipo: “você não é negra, apenas é moreninha” ou “você é morena escura”. E ela sempre responde: “não sou morena, sou negra”. E muitos ficam chocados com a resposta. As pessoas ainda colocam significados negativos a palavra negro e a associam a coisas ruins (o mesmo acontece com as palavras gay e homossexual, mas com uma intensidade maior).

    É perceptível a diferença de tratamento entre a minha mãe e o meu pai em ambientes públicos. Meu pai por ser branco, loiro e de olhos azuis, as pessoas logo o associam como alguém rico (mesmo ele não sendo) e o tratam com mais respeito. O mesmo não acontece com a minha mãe (mesmo ela estando muito bem vestida). Eu particularmente fico muito triste com qualquer tipo de preconceito, me coloco no lugar da pessoa e principalmente se envolve uma pessoa próxima a mim.

    Tenho muito orgulho da minha mãe e não escondo de ninguém a sua etnia. Também não tenho vergonha de ser mestiço. Desculpa pelo texto extenso, mas estava com vontade de escrever. Seus pais tiveram sorte, porque se eu estivesse almoçando com vocês, iria começar a discutir o assunto e daria um puxão de orelha neles kkkkk. Beijos e boa tarde!

    1. minhavidagay disse:

      Muito bem, Luis Augusto!

      Obrigado pelo seu relato. As pessoas precisam abrir a mente, com certeza.

      Bjo,
      MVG

  2. Caio disse:

    Eu sinceramente, sendo bem franco mesmo (para enfatizar bem), não consigo ter preconceito em relação a cor de pele. Eu trato todos de maneira igual. Busco sempre ser o mais educado possível e manter a impessoalidade. Não minimizo ninguém por isso e também por outras características pessoais. Já até fiquei com um pardo e já sonhei agarrando um negão rsrs.

    Claro, se alguém chega perto de mim cheirando mal, ou com más intenções, ou é uma pessoa que se apresenta de maneira desagradável, não é pela cor que vou desgostar e sim pelo ser humano que está ali.

    Confesso que não curto descendentes de índios, a maioria dos asiáticos (só os orientais gatinhos XD), os gordos, branquelos e os ruivos, mas isso é gosto e não preconceito. Todavia, posso dizer que tenho um pé atrás com os muçulmanos e os religiosos fervorosos. Mas estou evoluindo em relação a isso, claro, eles lá e eu cá rs.

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