Minha Vida Gay – Cada indivíduo é um mundo


Quantas pessoas existem no mundo e que de alguma maneira podem ter uma conexão com você? Você se permite a conhece-las?

Seja gay, bissexual, indefinido, confundido. Você consegue se soltar? Você consegue liberar aquele olhar curioso, da vida do outro, sem colocar a frente suas próprias barreiras, bloqueios e preconceito?

Tem medo de não ser suficiente? Tem receio de ser menos? Tem um cuidado excessivo com as suas ranhetices, suas frescuras, seu excesso crítico e suas manias? É bom mudar de pensamento pois cada um de nós é um livro, com histórias, vivências e experiências. Das mais diversas. Quanto mais estamos centrados no ego, menos enxergamos o outro (a não ser que a ideia seja colocar o outro como um “coadjuvante” de sua história. Mas isso não configura nem amizade).

As capas são infinitamente variadas e tenha certeza que num Brasil de mais de 190 milhões de habitantes, pelo menos 100 se atrairia por você. Mas a começar pela capa. E não tem como negar, queridos leitores. A capa é o primeiro passo pois – por mais que  a gente entenda que o conteúdo é o que define – a capa, invariavelmente, sugere o despertar de interesse. Não estou aqui para querer recriar os processos humanos quando o assunto é a lei básica de atração.

Ainda mais o ser masculino que é notoriamente visual…

Pode ser magrelo, gordo, liso ou peludo. Pode ser cabeludo, careca, com barba, bigode ou carinha de bebê. Pode ser padrão de beleza nórdica, oriental, africana ou tudo junto e misturado. Saiba que vão ter 100 ou mais pessoas que vão se atrair por você.

A capa, ainda, pode ser envelhecida pelo tempo, pode ter marcas de expressão, ou o livro pode ser fininho porque poucas histórias foram escritas até agora. Mas não importa. Somos 190 milhões.

Sabia que existe uma coisa do olhar deslumbrado e esses olhos só enxergam com nitidez pra fora quando paramos de focar para dentro, seja em nossos defeitos ou em nossas virtudes? Quando paramos de nos achar tão imperfeitos ou perfeitos demais conseguimos enxergar um pouco mais da realidade que não a própria. E aí é que está.

A bem da verdade é essa: no fundo, na hora da intimidade quando saimos das capas e começamos os prefácios, o primeiro passo recomendável é enxergar o outro. Todos nós, das mais belas capas aos que se sentem um livreto de bolso, temos nossas questões, nossa vida, nossas alegrias e tristezas. É importante desenvolver a nitidez que está lá fora. Senão o ato passa a ser (1) naturalmente egoísta – daquele que se exibe (enaltecendo o que tem de bom ou de mau) e espera que o outro o aceite incondicionalmente; (2) idealizado ou fantasioso – quando a gente só quer enxergar o que combina ou precisa acreditar que o outro é “Deus” e esquece de ver que, na hora do “vamos ver”, são as diferenças que pegam.

Falo tudo isso não mais com aquele objetivo exclusivo de formar um par. Nem sei quando terei a vontade – de novo – de ter um relacionamento sério (mesmo porque meu momento é de reescrever a maneira que entendi até hoje um namoro).

Falo tudo isso não porque preciso contabilizar as ficadas na noite, o exercício do ego que se infla quando alguém de interesse aceita o beijo e a sua pegada. Mesmo porque nem estou saindo para a caça noturna! (rs)

Falo tudo isso porque, se a realidade é o status “solteiro”, que meu olhar permita conhecer as mais diferentes pessoas, dos mais diferentes hábitos e costumes sem que eu tenha que me exibir como um pavão, mostrando tudo de melhor que eu possa oferecer. Que eu não tenha barreiras para perceber o outro, suas manias, hábitos do dia-a-dia, costumes, sem aquele olhar taxativo de “isso tem a ver comigo ou isso não tem nada a ver”. Que eu não me feche demais também, analisando o outro com aquela cautela apenas para me assegurar de alguma coisa que nem sei.

Não me sinto um cristal frágil muito menos tenho medo do outro.

Que predomine meu olhar imparcial, aberto as diferenças de universos pessoais que surgirão a minha frente. E que sejam pessoas novas, por favor.

Como no filme “Natureza Selvagem” – que tanto, humildemente, tem a ver comigo – existem pessoas incríveis em todos os cantos. Se permitir o ato do encontro e do perceber o outro é uma das artes que abre portas para um mundo.

Cada indivíduo é um mundo.

PS: esse post não tem nada a ver com “raivinha” ou rancor da relação que se findou. Muito pelo contrário. Se cheguei aqui com esse “olhar superior” é porque cresci demais na história que vivi com meu ex. Eternamente agradecido.

2 comentários Adicione o seu

  1. Luis Augusto disse:

    Realmente cada indivíduo é um mundo (quem sabe até um universo). Todos nós temos infinitas particularidades. Eu sempre fui muito curioso em relação ao mundo desde criança, vivia perguntando o porque das coisas e tinha (e ainda tenho) fascínio pelas diferenças individuais. Então procuro sempre compreender os outros e me colocar no lugar deles.

    Tudo isso me fez uma pessoa muito mente aberta e que tenta não julgar as pessoas pela aparência. MVG, se permitir olhar o mundo com olhos “mágicos” é algo sublime e transcendental; e que na minha opinião nos faz muito bem e que proporciona muitos conhecimentos novos sobre tudo.

    Ou se você (ou qualquer outra pessoa) não for tão sonhador e sentimental como eu; você(s) podem tentar ter “os olhos de imparcialidade” que também são muito importantes. Eles proporcionam experiências muito parecidas com os do outro tipo, contudo não são tão intensas e transformadoras. Gostaria de fazer uma pergunta: Como você chegou a esse número de que pelo menos 100 pessoas entre as 200 milhões do Brasil vão se atrair por alguém em específico?(fiquei feliz em saber que nem tudo está perdido rs). Beijos!

  2. minhavidagay disse:

    Oi Luis!
    É claro que é um número simbólico. Pode ser muito mais ou menos. Mas diante 190 milhões de pessoas, como dizer que uma boa parte não teria alguma afinidade ou afeto por qualquer pessoa? Muito difícil de não acontecer…

    Bjo,
    MVG

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